Adeus senhora ministra! (JÁ NÃO ERA SEM TEMPO)

Do «Jornal de Notícias» de hoje:

«SÓCRATES ANTECIPA ELOGIOS DE DESPEDIDA

Um grupo de peritos estrangeiros recomenda ao Ministério da Educação maior equidade entre os professores dos quadros e os que leccionam as Actividades de Enriquecimento Curricular, com vínculos precários.
“Deverá existir uma maior equidade entre os professores do quadro de escola/agrupamentos e os contratados. Estes últimos são, muitas vezes, contratados em termos não equitativos para desempenhar uma função semelhante à dos primeiros” – lê-se no relatório elaborado por um grupo de peritos internacionais, encomendado pelo ME. A “coragem” de Portugal por aprovar e esforçar-se por concretizar uma reforma educativa no tempo de um mandato eleitoral foi elogiada, tanto pelo coordenador da equipa, Peter Mathews, como pela directora da Divisão das Políticas de Educação da OCDE, Deborah Roseveare.
José Sócrates aproveitou os elogios para realizar um discurso eleitoral, com um leve tom de despedida em relação à ministra da Educação, pelo tempo verbal aplicado: o passado.
“Foi um gosto trabalhar consigo”, concluiu, depois de sublinhar que apesar das muitas “dificuldades e incompreensões” a que tem sido sujeita Maria de Lurdes Rodrigues, “foram quatro anos difíceis de governação, mas que valeram a pena”. Antes, a ministra também já havia agradecido o “envolvimento pessoal” do primeiro-ministro por ter transformado uma medida – introdução do Inglês no 1º ciclo – uma bandeira, primeiro do programa eleitoral, depois do Governo. É que essa medida, argumentou, “foi o pretexto” para reestruturar o primeiro ciclo, da reorganização da rede ao prolongamento do horário.
“Tive a honra de ter esta oportunidade”, sublinhou, referindo-se à direcção da pasta da Educação e tal como o primeiro-ministro usando o verbo no passado.»

(como referiu o prof. António Balbino Caldeira, em devido tempo, no seu «Portugal Profundo», espera a senhora ministra um cargo bem remunerado. No Parlamento Europeu, quem sabe!)

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9 respostas a Adeus senhora ministra! (JÁ NÃO ERA SEM TEMPO)

  1. Ninguém comenta isto, porque, de facto, nem sequer merece um comentário. De qualquer forma, como sou um gajo porreiro, sempre comento dizendo que estamos perante o grau zero da escrita blogosférica em que: a) se cita uma notícia da imprensa; b) se interpreta de forma ridícula essa mesma notícia no título e c) se finaliza a coisa com um parênteses em que se faz futurologia barata e descabida, citando sem hyperlink um autor da blogosfera.

    Já pensou escrever em aviõezinhos de papel?

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      Não tenho grande jeito para fazer aviõezinhos de papel.
      De resto, faço as interpretações que quiser das notícias que me apetecer.
      Se quer ler o texto de «futurologia barata e descabida» do prof. António Balbino Caldeira no seu «Do Portugal Profundo», texto esse em que ele vai muito mais longe do que eu fui (incluindo as prestações da casa que a ministra tem para pagar, não compagináveis com o seu ordenado de ministra ou de professora, etc.) procure no Google, que foi o que eu fiz. Será que o «Do Portugal Profundo» também é o grau zero da escrita blogosférica?
      Mas obrigado pelo comentário. Ainda não foi desta que fiquei a seco.

  2. António diz:

    Posso enganar-me, mas este invulgar lapsus linguae parece confirmar a previsão.

  3. «De resto, faço as interpretações que quiser das notícias que me apetecer.»

    Mais um exemplo do grau zero. Impressionante.

    • Ricardo Santos Pinto diz:

      «Nem sequer merece um comentário», «estamos perante o grau zero da escrita blogosférica», «interpreta de forma ridícula», «futurologia barata e descabida» ou «já pensou escrever em aviõezinhos de papel?»

      E isto é o quê? O grau zero do comentário bloguístico?
      Quem diz o que quer, ouve o que não quer.

  4. Mas eu estou a ouvir o que quero, meu caro. Está a confundir remática com temática. O seu post É o grau zero da escrita blogosférica e o meu comentário FALA desse grau zero de escrita do seu post. Mas parece-me que, entretanto, lá foi aprendendo umas coisas pelos últimos posts que publicou. Não precisa de agradecer.

  5. Pelo que eu vejo, o seu maior problema é eu não ter posto o «link» para o artigo em questão. Já sabia pôr, como pode ver por «posts» anteriores, e continuarei a pôr ou não. Se me apetecer.
    Se quiser saber por que razão não pus o «link», dir-lhe-ei que foi porque o «Do Portugal Profundo» não diponibiliza os Arquivos. E por que razão é que não os disponibiliza? Sei, mas não lhe posso dizer.
    Claro que esse texto já anda a circular por aí, em vários sites na internet, mas ou fazia o «link» do texto e blogue originais, ou não fazia nada. E assim foi.
    Mas já que se mostra tão interessado, aí vai o texto (que não linko) com a devida vénia ao prof. António Balbino Caldeira:
    «A luta dos professores parece finalmente parece produzir consequências na vontade de cedência do Governo. Debaixo do faz-que-anda-mas-não-anda e das sugestões dos insiders está o ensaio de uma cedência. Abordo primeiro os motivos principais; depois as consequências.

    Na minha opinião, os motivos da cedência são três: a afirmação de um movimento corporativo independente dos professores; a descolagem da Fenprof/Intersindical/PC dos acordos tácticos com o Governo; a aproximação das eleições.

    A afirmação de um movimento corporativo independente de professores revoluciona o habitual negócio dos sindicatos com o Governo. É um movimento corporativo, mais do que sindical, porque incide na dignificação da função, no seu exercício, no modelo de ensino e na organização. Ao contrário, por objecto e tradição, os sindicatos, concentram-se nos vínculos, nas promoções, nas horas de trabalho e nos salários. No contexto de destruição socialista do ensino – experimentalismo pedagógico e didáctico, desavaliação dos alunos, burocratização, domesticação e… difamação (!) da função – o tema das condições salariais e da carreira tornou-se menor. Para a questão magna do ensino e da função, os sindicatos não têm vocação, competência ou, sequer, interesse – provavelmente, os dirigentes comunistas da Fenprof concordam com a maioria das decisões pedagógicas e didácticas, nomeadamente a desvalorização do ensino face à escola (a “inclusão”) e desavaliação dos alunos, que a massa dos professores contestam…

    Nesse sentido, seria útil que, com o apoio dos movimentos independentes de professores, se reabilitasse e engrossasse a Ordem dos Professores, neutralizando-lhe a sua instrumentalização política. O melhor modelo para a profissão de professor é, como no caso dos médicos, o dual: Ordem e Sindicatos. E para a consolidação da afirmação do movimento independente de professores seria muito útil que se realizasse a manifestação do próximo sábado, 15 de Novembro de 2008 e os professores não se deixassem iludir pelo canto das sereias governamental e intersindical.

    A descolagem da Fenprof/Intersindical/PC da entente cordiale iscteana – o iscteano Manuel Carvalho da Silva com a linha ex-férrica iscteana de Vieira da Silva/Maria de Lurdes Rodrigues, sob a vigilância do PC e do também iscteano José Sócrates – é provocada pelo movimento corporativo independente de professores e a agitação pública, através de blogues, fora, mails, petições, além dos media, juntou outro interlocutor ao confronto encenado – jargão violento e… acordo de gabinete! – entre sindicatos e Governo: os professores não vinculados a organizações sindicais ou actores enquadrados de partidos políticos. O movimento corporativo independente de professores encostou a Fenprof/Intersindical/PC à parede: para evitar a ruptura com a massa de professores, e curar as feridas provocadas pela vergonha do negócio do Entendimento Iscteano, a Fenprof, se não consentiu na subalternização do estatuto – e daí ter marcado uma manifestação para data anterior (8 de Novembro) quando foi tornada pública a intenção dos movimentos independentes de professores se manifestarem no dia 15 de Novembro de 2008 – denuncia, na prática, o acordo que a própria Fenprof/Intersindical subscreveu. A decisão dos movimentos independentes se juntarem à manifestação antecipada da Fenprof é uma concessão táctica que, todavia, garantiu o rompimento, mesmo se nuancé, da Fenprof com o Governo no tema da avaliação. O êxito excepcional da manifestação dos professores de 8 de Novembro de 2008 (120 mil) torna impossível a preservação da entente cordiale pela Fenprof/Intersindical/PC: perdem-se os anéis políticos, mas salvam-se os dedos sindicais.

    A aproximação das eleições força o Partido Socialista de José Sócrates ao rapprochement com os eleitores… docentes e suas famílias, ao atenuar da guerra governamental aos privilegiados professores que gerou a adesão rodríguico-socratina da inveja de alguns pais e de outras classes profissionais, sujeitos à inclemência da crise económica e à intranquilidade do mercado, numa manobra circunstancial ainda mais notória do que a praticada no Ministério da Saúde com a saída de Correia de Campos.

    A meu ver, as consequências substanciais da alteração da vontade do Governo são duas: cedência aos professores e demissão da ministra da Educação.

    A cedência do Governo aos professores será progressiva – a proposta do ministério de adiamento em 11-11-2008 é apenas o primeiro grau – e excede até o limiar da salvação da face de Sócrates: o Governo deseja um acordo qualquer, pois sente a pressão do tempo (eleições…), das escolas, dos professores e agora também dos estudantes.

    A demissão da ministra da Educação é inevitável. Sócrates usou-a para concentrar nela a contestação. Os professores, embalados no canto sindical e na sua própria escolha eleitoral prévia, evitaram atingir o primeiro-ministro. Agora, o trabalho de adesão da inveja reforma está feito e a ministra tem de ser despedida para Sócrates, após autoria, confessar… inocência. A ministra será demitida por Sócrates após o acordo possível com os professores e bem antes das eleições europeias.

    Aliás, a demissão da ministra não é apenas uma convicção política minha, baseada no interesse eleitoral de Sócrates: é a própria ministra que se expõe, por deslumbramento e incapacidade de consumo diferido, de quem teve origem muito humilde, na compra de um apartamento, conforme referido pelo 24Horas de 3-11-2008, ecoando notícias que circulavam já pelos blogues. Segundo o 24 Horas de 3-11-2008 (a fonte neste caso), a ministra vive num apartamento da Azinhaga das Carmelitas em Carnide, e na sua idade (52 anos, nasceu em 1956) terá, há pouco tempo, alegadamente comprado um apartamento de cobertura com 160 m2 por 500 mil euros na luxuosa Avenida de Roma em Lisboa, através de uma hipoteca de 883.690 euros que se presumem também para as obras em curso no apartamento (“uma remodelação arquitectónica profunda”) a cargo da empresa Tanagra. Faça o leitor a simulação do encargo e verifique se, sem rendimentos extraordinários, lhe parecem suportáveis as prestações mensais do alegado empréstimo de 883 mil euros (aos 52 anos…) com o salário de ministra (temporário…) ou de professora universitária, mais do companheiro também professor universitário e com idade próxima. Pode a ministra prever a sua contratação por instituição do sector (por exemplo, um grupo económico, como o GPS), mas não se me afigura razoável no período após a função de ministra. Não… a hipótese mais provável é a seguinte: Sócrates já explicou à ministra que ela tem de sair, mas ofereceu-lhe um lugar manifestamente elegível na lista do PS ao Parlamento Europeu, o qual lhe garante, pelo menos, cinco anos de receita principesca, com eventual renovação do mandato (e depois pensão) – e pode até levar o companheiro para assistente. Como as eleições para o Parlamento Europeu são em Junho, e entretanto terá de participar na campanha, Maria de Lurdes Rodrigues será demitida de ministra da Educação até Abril de 2009 – faltam-lhe 5 meses, no máximo, pois pode sair a qualquer momento… Tem, portanto, a ministra a demissão anunciada. Logo, é desnecessário bater em cadáveres políticos: Sócrates deve ser o alvo da luta dos professores.»

    A propósito, pareceu-me ver o seu nome referido nas cartas dos leitores do «Público» de hoje, a propósito de algo sobre educação que terá enviado para lá. Não sei se é o mesmo João Pedro Costa, claro, mas seria muita coincidência…

  6. Muito bem. Agora sim, o post é inteligível. E agradeço a publicação do texto.

    E não, não há coincidências. Sou apenas um antigo companheiro de blogue do Rainha, do Nuno Ramos e do Figueiras (no aspirinab).

  7. Ricardo Santos Pinto diz:

    Caríssimo João Pedro da Costa, os amigos dos meus amigos meus amigos são. Estamos enfim esclarecidos.

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