Actos que se banalizam


O Público noticia na sua primeira página, os 7o mil despedimentos revelados publicamente no dia de ontem. As notícias de despedimentos tornaram-se correntes e aceites. A “crise” banalizou (e desculpa) o acto.
Nos últimos anos, em Portugal, é cada vez mais frequente ver os trabalhadores em piquete à porta de uma qualquer empresa, não para reeivindicar o seu direito ao trabalho e salário, mas para que os seus instrumentos de produção não sejam levados e possam, pelo menos, pagar uma parte do que a empresa lhes deve pelo seu trabalho. Nem a imagem é de hoje, nem a sua banalização é recente.
“É a crise” diz o governo, “a empresa não era viável” diz o comentador mediático, “os trabalhadores não produziam o suficiente” diz o banqueiro ou “o patrão fugiu” dizem os trabalhadores.  Todos  os argumentos desresponsabilizam a ausência do Estado como garante dos direitos sociais dos cidadãos. Como é possível que tenham de ser os trabalhadores a assegurar que o patrão em dívida não roube a última garantia do trabalhador à remuneração ou ao seu trabalho? Como é que é possível que quando a polícia se desloca para o local, seja para garantir a ordem e não os direitos dos trabalhadores? Como é possível que estas imagens passem há tantos anos nas nossas televisões?

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9 respostas a Actos que se banalizam

  1. É o estado letargico em que megulhamos todos, em parte graças aos Media!

  2. Ora nem mais.
    Parabéns pelo blogue.
    Deixo-vos um texto muito interessante:
    “Uma escola libertária e elitista para todos”
    http://somaie.vilabol.uol.com.br/onfray.html

  3. Raquel diz:

    O denominador comum como critério do progresso.

    Esta gente é mesmo medíocre

  4. Su diz:

    Tiago, não me parece que o Estado deva ser garante de coisa nenhuma na relação entre patronato privado e trabalhadores. É uma relação que deve estar regulada, e é nessa regulação que o Estado intervem. Depois é uma questão de Justiça. Abundam os casos de falência fraudulenta e arrastam-se anos sem fim pelos tribunais os processos de insolvência e, por conseguinte, da indemnização aos trabalhadores. Não há apuramento de responsabilidades em Portugal, infelizmente falta-nos essa cultura. Se há patrões a sonegarem património, ao retirarem equipamento das fábricas pela calada, fazem-no porque sabem que se safam. Os piquetes de trabalhadores acabam por ser a única forma de garantir que se salve alguma coisa.

    Os simplex e os magalhães parece-me fazerem mais falta é nos tribunais…

  5. Tiago Mota Saraiva diz:

    Su, e a Justiça não faz parte do Estado? Acho que, em parte, estamos a dizer a mesma coisa.
    Tudo funcionaria melhor se houvesse interesse em que funcionasse melhor. Mas já é banal dizer-se que as coisas não funcionam.

  6. pcarvalho diz:

    Poerque é uma democracia liberal ou lá o que é.Desde q se vote bem,nos PSD ou nos PS + CDS é democracia,se se votar num partido à esquerda já é ditadura como na Bolívia ou Venezuela.É preciso é estarem lá a mafia dos negócios,e a impresa ser na Totalidade Propriedade dos Privados pq só assim se garante o acesso ‘democrático’ à informação.Nos ex-paises socialistas era totalitarismo agora é a Liberdade de Roubar,de Sacar,de Vilipendiar,de Matar em nome dos negócios q enriquecem os estúpidos q neles votam como vemos com torradeiras em Gondomar.
    A Islândia o melhor aluno do Liberalismo está de rastos,Falido ,e outros paises estão na calha.Parabéns Cavaco,o gajo de ‘Não há almoços grátis para ninguém que não seja Multimilionário’:sois mesmo umas máquinas,nunca se enganam.Estamos a ver.PALHAÇOS!

  7. diz:

    num estado de direito, como é que se garante o direito ao trabalho?

  8. Tiago Mota Saraiva diz:

    “num estado de direito, como é que se garante o direito ao trabalho?”
    Fazendo com que o Estado cumpra o seu papel de Estado.

  9. diz:

    muito especifico, sem duvida.

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