Em louvor dos E.U.A. (nesta hora de redescoberta dos melhores valores norte-americanos)

Quando a China ultrapassar os E.U.A. e se tornar a maior potência económica do planeta, daqui a poucas décadas, vai-lhe faltar aquilo que a América (e antes dela a Inglaterra) teve, a saber, a capacidade de acompanhar o seu poderio económico e militar por um correspondente domínio das indústrias da cultura e da comunicação à escala global e uma efectiva capacidade de influenciar os frame of mind da humanidade inteira. Parece-me com efeito evidente que o mandarim não se vai tornar no futuro próximo a língua franca do planeta, e que a humanidade não vai tão cedo aderir massivamente aos produtos culturais made in PRC. Para o melhor e para o pior, vamos continuar prisioneiros das categorias mentais do novo mundo que os dissidentes religiosos ingleses criaram, nomeadamente do seu moralismo, às vezes tão radicalmente diferente da complacência ética das nossas sociedades, de matriz católica. Uma das expressões americanas de que eu mais gosto, e que me parece mais rica de ensinamentos na hora presente, é guilty as sin – e acho que não há anti-religiosismo primário (passe o neologismo) que nos possa impedir de reconhecer o que ela tem de profundo e de fundamental.

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SEXTA | António Figueira
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