Quando a China ultrapassar os E.U.A. e se tornar a maior potência económica do planeta, daqui a poucas décadas, vai-lhe faltar aquilo que a América (e antes dela a Inglaterra) teve, a saber, a capacidade de acompanhar o seu poderio económico e militar por um correspondente domínio das indústrias da cultura e da comunicação à escala global e uma efectiva capacidade de influenciar os frame of mind da humanidade inteira. Parece-me com efeito evidente que o mandarim não se vai tornar no futuro próximo a língua franca do planeta, e que a humanidade não vai tão cedo aderir massivamente aos produtos culturais made in PRC. Para o melhor e para o pior, vamos continuar prisioneiros das categorias mentais do novo mundo que os dissidentes religiosos ingleses criaram, nomeadamente do seu moralismo, às vezes tão radicalmente diferente da complacência ética das nossas sociedades, de matriz católica. Uma das expressões americanas de que eu mais gosto, e que me parece mais rica de ensinamentos na hora presente, é guilty as sin - e acho que não há anti-religiosismo primário (passe o neologismo) que nos possa impedir de reconhecer o que ela tem de profundo e de fundamental.




O interesse nos EUA faz-me pensar que talvez esteja interessado neste Debate, esta Quinta:
http://ovalordasideias.blogspot.com/2009/01/e-agora-obama-debate-sobre-relao-entre.html
CS
Parafraseando o Orson Wells na cena final do “Terceiro Homem”quinhentos anos de calvinismo na Suíça o que é nos deram? O relógio de cuco, um canivete impraticável. Vinte anos de Bórgias, o Renascimento.
Mas apesar de tudo, a ética protestante de que fala, quis, mas não conseguiu impedir, o Blues, o Jazz, o Funk, o Disco-Sound e o Hip-hop. Enfim tudo coisas admiráveis derivadas da macumba negróide.
Sr. António,
Hoje, veja e ouça as noticias nos canais estrangeiros (como TV5, France 24, BBC ) e perceberá que a China é um gigantesco tigre de papel. Presentemente, com um crescimento económico na ordem dos 5-6%, centenas de milhar de chinocas protestam nas ruas contra o omnipotente partido único.
A China ainda não se democratizou. Quando se democratizar, ainda que ligeiramente, os custos de produção aumentarão drásticamente debilitanto a China nos mercados internacionais. Viu o que aconteceu na Russia com o glasnost e a perestroika. Pois bem. Multiplique por 10.
Pode esperar sentado.
D. Raquel,
Obrigado pelo esclarecimento, vou avisar o mundo que está enganado.
Pode levantar-se.