As culpas de J Sócrates; as culpas de J Sócrates? Que culpas?

jakedchapman
Nada está provado acerca de nada, muito menos acerca daquilo que o leitor julga prematuramente, leitor meu.
Por isso, paremos com insinuações torpes, justicialismos populares, merecedores, esses sim, de justiça institucional e punição exemplar, pois mancham o nome das pessoas. E, entretanto, não queiramos fazer obras como as dos irmãos Chapman (Jake e Dinos, como se sabe), heróis da Young British Art (YBA) desde os anos 90, obras onde tudo parece estar ligado a tudo. Paremos com teorias conspirativas e respeitemos os outros. É este um texto sobre os Chapman? Não, é sobre J Sócrates. Vejamos os factos:
– Primeiro, foi a licenciatura em Engenharia Civil, processo do qual nada de negativo se apurou. Foi um processo limpo, diga-se desde já, pois que culpa tem o licenciado da desorganização que reinou ou reinava na sua Universidade? O licenciado terminou o seu curso competentemente e, apesar dos afazeres governamentais, até fez uma difícil prova de Inglês Técnico. Ponto final. Está feito.
A licenciatura foi concluída como as licenciaturas de todos nós, que queremos?
– Agora o caso Freeport: há um tio do primeiro-ministro que comunicou ao sobrinho (quando era Ministro do Ambiente) que um amigo empresário escocês estava a ser extorquido numa avultada soma para construir um empreendinmento. O tio avisa o sobrinho (qual é o mal?) e este tenta repor a legalidade: “mandem o empresário vir falar comigo”. Tudo certo. A lei em primeiro lugar. J Sócrates sempre a respeitou e nada está provado em contrário. Um empresário não tem de pagar a ninguém para dar consecução ao seu empreendedorismo. O tio comunicou com o sobrinho. E que culpa tem disso o sobrinho? Ora, uma família é uma família: as pessoas comem e dormem juntas, e depois? Não falam, é?
O que é que o sobrinho tem a ver com os negócios do tio e dos primos?
Recapitulando: o que é que J Sócrates teve a ver com os problemas da UNI? Estudou lá e terminou o seu curso brilhantemente. E o que tem a ver com os projectos e empreendimentos do seu tio?
Sinceramente. Haja decoro. Distância e respeito.

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31 respostas a As culpas de J Sócrates; as culpas de J Sócrates? Que culpas?

  1. os bonecos dos Chapman eram muito feios…

  2. Não julgo Sócrates pelo que não está provado. Não digo que haja crime, até trânsito em julgado. Digo que os mapas que estão aqui:
    http://aoutravarinhamagica.blogspot.com/2009/01/o-que-est-em-causa.html
    nos dão uma ideia do que politicamente está em jogo. E, isso, por si só, é inexplicável e inaceitável

  3. Carlos Vidal diz:

    Ah mas eu acho que os Chapman estão bem neste post socratista assumido.
    Eu acho, mas quem sou eu para o achar?

  4. Carlos Vidal diz:

    Ó meu caro Nuno Santos, quer dizer que a ironia é perigosa, é?

  5. sapluc euq? Setarcós J ed Sapluc as? Setarcós J ed Sapluc as ?

    tentando ver a obra dos irmãos Chapman pelo o outro lado…

  6. Luis Moreira diz:

    Nuno santos, é a linha vermelha que recuou, é isso? Mas se é assim o Freeport está todo dentro da anterior zona de protecção.
    Outra coisa bem diferente é o processo ter este tratamento.Aparece em 2005,congela quatro anos e aparece agora.Quem influencia o andamento dos processos? Envia-se umas dicas para os jornais ingleses e depois os jornais de cá recuperam a notícia e põem a PGR atrás da coisa, novamente?
    E isto é muito bem explicável.Quer dizer que o processo sendo muito útil politicamente não tem pernas para andar criminalmente.

  7. cfa diz:

    Muito bom!

  8. Então e o primo, tb. não entrava na história?

  9. Boa cobertura da nova «cabala» em curso. A da «Licenciatura» ficou brilhantemente esclarecida, como se viu, e a actual, com o habitual desempenho da hoste apaniguada, pode ser que também o seja. Grande estóico e crédulo é o Povo, quando se trata de maroscas desta airosa e airada família dita socialista…

    Valeu bem a visita, a conselho do confrade do Portugal dos Pequeninos.

    Parabéns.

  10. almajecta diz:

    Essa tua tradição ilustrativa e narrativa vinda da literatice dos surrealismo e neo-realismo do mar da palha, faz-te resvalar, com a tão propalada escolha intencional, para o escatológico. Uma contradição nas respectivas teorias estéticas (a do proletariado e a da burguesia para além da exemplaridade sempre internacionaleira). É provincianismo ou é mesmo para pulverizar e implodir as mentes? Assim não dá, vou ter que citar os writings do psy Donald Kuspit e contra a pintura os da October dos Douglas Crimp e Graig Owens on photography, a propósito, qual é o nome que vai para o CAM? Ora vamos lá ao estereótipo “expressive painting was reactionary in intention and complicit in its support elite and undemocratic power bases witin both art and wider politics”.

  11. miguel dias diz:

    As zonas de protecção especial foram feitas para proteger especialmente.
    Quando elas não protegem especialmente, há que desproteger.
    Criou-se portanto a figura de Zona Desprotegida Especialmente (ZDE), figura não inteiramente inovadora no direito do ordenamento territorial português, porque já aplicada em outras circunstâncias. Circunstâncias essas que envolviam sobreiros, reservas agrícolas ou ecológicas, sapais, sitios arqueológicos, monumentos nacionais e zonas de máxima infiltraçâo.
    Por falar em infiltração, o nosso agente já transpirou alguma coisa da magna reunião jugulente?

  12. Carlos Vidal diz:

    Ana Cristina Leonardo, esqueci-me do primo. De facto, acho que também comia à mesma mesa. A longa mesa de família, essa célula infalível (ou “cela”, como diz a escultora demoníaca, à beira dos 100 anos, Louise Bourgeois). Fez bem em lembrar-me. É mais uma cadeira a acrescentar.

    Adão Contreiras, ainda bem que tenta um palindroma.
    Sabe que um dos mais activos lutadores anticapitalistas do século XX, o Guy Debord, usou um, terrível, no título de um seu (o melhor) filme: “In girum imus nocte et consumimur igni” (dos dois lados portanto) – ora isto leva-nos a: “Movemo-nos na noite sem saída e somos devorados pelo fogo”. O grande Debord (o filme é de excepção) tinha destas coisas.

    Alma, a frase é do Kuspit? Não, o Kuspit sempre achou que a “pintura expressionista” era o futuro. Se calhar, eu também.
    A Isabel, do CAM, tem talentos. Vai voltar das arábias com muita experiência. Desejo-lhe sorte, lá como cá. Gosto de mulheres das arábias. Porque também gosto de hortas. Lenha, salamandras, etc.

    Quanto à licenciatura, António Viriato, estamos à espera da primeira ponte do senhor, depois das suas funções políticas terminadas. O engenheiro Edgar Cardoso terá aí um discípulo … sem palavras.

  13. Carlos Fernandes diz:

    Estas questão dos políticos acusados de corrupção se tentarem “safar” com o argumento de que as acusações são políticas faz-me lembrar aqueles pretos (ou brancos ou amarelos, uso estes termos crus para marcar melhor o ponto) que acusados de algum crime se tentam logo defender – inteligentemente há que reconhecer (só que os outros não são parvos!)- com o argumento de que estão a ser vítimas de racismo…

    Já agora e pegando na análise da Almajecta ao post mais abaixo acerca da 1a página do Expresso, eu diria que vejo nela mais um anuncio de página inteira a um conhecido detergente ( sabe a Almajecta quanto custa um anúncio de página inteira na folha do Balsemão, impar/ par e dupla?)e branqueador, daqueles que se usam para branquear ideias e assuntos, senão vejamos, a mensagem para nós leitores (mas eu só compro aquela folha não para ler mas quando me falta papel para engraxar sapatos)é : “vejam, nós não queremos censurar o assunto, mas deixamos bem claro, pelo espaço -pequeno e lateral (fisicamente e sobretudo simbolicamente) -e sobretudo pelo Lead fílmico-teatral que títula essa notícia lateral, a importância que ele nos merece, que é … irrisória)”. Como diria certamente João Carreira Bom caso ainda fosse vivo, (estas aspas, como as de acima, de realce)”o camarada Bildebergoso sabe-a toda, percebe de tintas (para manchar) e branqueadores como ningúem”…

  14. Carlos Vidal diz:

    Gosto de duas expressões:
    “O camarada Bildebergoso”
    e a invenção portuguesa, na senda da Via Verde, de Zona Desprotegida Especialmente (!!!)

    Quanto ao infiltrado, não há notícias. Tentei, mas nada,
    Os jugulentos estão parados há quase 24 horas,
    Quiçá problemas informáticos.
    Para a próxima, chamo o omnipresente Jecta.

  15. O que digo é que, não há dúvida, quem assinou o despacho do Conselho de Ministros foi objectivo quanto a retirar aquela pequena parcela, que hoje é o Freeport da ZPE. Não sei se foi crime ou não. Para ser crime tem que haver uma contrapartida que eu desconheço. O que não posso aceitar é que um ex-secretário de estado tenho hoje repetido nas televisões a ideia de que a aprovação do despacho foi uma coincidência e nada teve haver com o Freeporto. Penso que não é com mentiras que se credibiliza a palavra do Primeiro-Ministro, nesta altura muito desacreditada. E, a verdade, é que hoje quase ninguém acredita nele e eu, que tanto o tenho defendido, por exemplo, no caso dos professores, gostava que isto fosse tratado com outra seriedade e que alguém me explicasse porque razão alguém altera este mapa da forma que evidenciei apenas… por acaso!

  16. miguel dias diz:

    Falando um pouco mais a sério.
    Como arquitecto e técnico de uma autarquia integrei uma equipa de elaboração de um plano de urbanização que envolvia a desafectação de área integrada em reserva agrícola nacional. Foi um longo processo (5 anos) dois mandatos, portanto. Envolveu estudos de várias disciplinas (demografia, economia urbana, impacto ambiental, transportes, ruído desenho urbano e paisagismo). A decisão inicial e final foi política, mas envolveu diversos agentes: técnicos, promotores e população. Foram feitas inúmeras reuniões,das quais foram feitas actas, pareceres memorandos, despachos e outros quejandos. Alteraram-se as propostas iniciais dezenas de vezes, até se encontrar um consenso razoável. Mas foram cinco longos e penosos anos.
    O que me espanta é a rapidez disto tudo. Os meninos ponham um projecto à câmara para construir um t3 rés-do-chão mais um e verão o quanto têm de penar.
    A desafectação e o freeport, aparecem assim, como que de geração espontânea. Faz-me confusão, mas calhar no pasa nada e seja apenas uma impressão minha. Talvez seja apenas uma cabala.

  17. Carlos Vidal diz:

    Tenho de sublinhar a importância deste último comentário de Miguel Dias. O que ele fez em cinco anos, num trabalho laborioso colectivo, Guterres-Sócrates fizeram-no em quantos minutos? Quantas horas?
    Geração espontânea, bem dito.

  18. Luis Moreira diz:

    Sem dúvida,mas sem encontrar o rasto do dinheiro,se é que o há, não se passa nada.É tudo legal o que foi feito.Esquisito,estranho e duvidoso, mas legal.Mas é evidente que serve para desgastar politicamente!

  19. miguel dias diz:

    Para terminar que se faz tarde e tenho de fazer ó-ó.
    Há uma implicação grave nisto, é que quando se quer desafectar porque realmente é necessário para prosseguir com um interesse público, o povo naturalmente desconfiado por estes exemplos, não acredita na honestidade da coisa. Os técnicos da administração pública (central e autárquica) defendem-se, com medo de sarilhos futuros, com uma inércia exasperante e os próprios políticos remetem a coisa para os técnicos, entretendo com estes um ping pong kafkiano, porque não querem assumir as responsabilidades do cargo para que foram eleitos.
    Enfim coisas da democracia burocrática, o mais temível dos poderes.

  20. almajecta diz:

    Bravo, grande bronca.
    Aguardemos então pelas opiniões dos representantes-construtores de Deus na terra como os Salgados, Secos, Doces e Molhados, pelos da ordem etc, nem uma palha bulia na triste melancolia.

  21. Cam diz:

    Acho que a experiencia dos projectos da covilhã deu a socrates o traquejo necessario para aprovar rapidamente estes projetos.

  22. D.,H diz:

    Está no ponto. Muito bom!

  23. Ricardo Santos Pinto diz:

    Brilhante exercício de ironia, meu caro. Muito bem!

  24. almajecta diz:

    Umm, não me cheira a coisa vinda da ciência, tecnologia ou de técnicos por mais superiores que possam ser. Relacionados sim, de uma Bruxellas outra, mas cá para mim tudo isto tem muita Filosofia Moral e da do Espírito vindas direitinhas da City. Estranho as performances e instalações da Tate e do Barbican Center não se coadunarem com a política curatorial do body art de Estrasbourg, talvez por razões Atlantistas. Com tanta euforia, nova era, globalização, comunicação, imagem e tal o CAM está muito bem entregue. Tinha que ser na Filosofia de Coimbra terra onde os livros não têm bonecos, exceptuando o furor pelo Nadar, será pela correcção do linguajar?

  25. Carlos Vidal diz:

    Ora ora, viva a Tate Modern e a sua futura ampliação: o maior monumento de sempre à indústria cultural e aos seus laços à irmã indústria do turismo. Adeus Adorno. Além do mais, a Tate expôs há pouco uma extraordinária instalação de Doris Salcedo, apenas uma fenda no chão, obra mágica, ó Alma. Como vai a horta?

  26. almajecta diz:

    Nem me fales meu rico primo, vê lá tu que onteontem choveu pedra para me atazanar e dar cabo do feijão, estava tão lindo, aquilo é que era um feijoal e do grado tam lindo estava aquele feijão branco. E que os senhorios nom devem ser desejados e algumas rezes devem de ser leixados. E de quais a cousa pruvica deve ser governada. Que aquelle que dá pena nom deve ser sanhudo.

  27. Amigo CV

    eu retirava à frase “sem saída” (não foi o Debord que se fez desaparecer?)

    mas há que estar sem hesitações com esse lutador.
    coloque-se essa frase, mesmo assim, no facho da estátua da liberdade, para nos iluminar.

    um abraço cá do sul sul.

  28. Carlos Vidal diz:

    Caro amigo Contreiras
    De facto, o Debord fez-se sempre desaparecer e até ao fim, já por outras razões, por um fígado desfeito.
    E com esta frase-punhal: “Em toda a doença incurável, muito se ganha não tentando a cura. Nessa negação se deve pôr a fiel obstinação de toda uma vida”.
    Mas nem todos podemos seguir isto. O tipo era inimitável.
    Abraço amigo.

  29. ainda bem que me esclarece.

    mais um até já, e obrigado

  30. almajecta diz:

    A frase que não é nem nunca foi do Kuspit foi repescada de
    The catalogue, Hans Haacke: Unfinished Business, is edited by Brian Wallis with essays by Haacke, Wallis, Rosalyn Deutsche, Fredric Jameson and Leo Steinberg. It is a highly successful, generously illustrated compilation of Haacke’s work. The catalogue essays present an opportunity to examine issues of contemporary art through Haacke’s real-time systems of production. Rosalyn Deutsche and Brian Wallis correctly position his work within the realm of possibilities and consequences of accusatory art. Fredric Jameson gets bogged down in a literary theory of postmodernism and is unable to address the concrete examples of Haacke’s work, disappointing from the critic who wrote the brilliant collection of essays on Wyndham Lewis, Fables of Aggression: The Modernist as Fascist.

    Leo Steinberg’s text is not only an elaborate demonstration of an obvious failure to recognize the integrity of social / political art, but contains a perverse attack against Haacke. When reviewing the Real-Time Social Systems, he wonders why Haacke had to choose Shapolsky to illustrate a real estate network in New York City slums. He questions, ‘Did this exposé of a stereotypical Jewish landlord express the old gut reaction that resents a non-Aryan presence among holders of wealth or was this the updated anti-Semitism of the New Left?’, and writes from a completely cynical position when he flatly declares that, ‘The artist knows perfectly well that Mobil will not be induced to retreat from its South African market.’ This is totally unlike Deutsche who locates the concepts of specificity and explains why Haacke selected the Shapolsky group as the subject for his work: in 1971 they held the largest concentration of properties in the Lower East Side and Harlem of any group owner. Thus Haacke’s reasons were economic rather than racial. Deutsche’ s insightful text articulately probes the temporal and relative nature of meaning within works of art to affirm the potential ‘education and transformation of the viewer’ that further the implications of Haacke’s work.

  31. Carlos Vidal diz:

    Não sei se estou distraído, mas ó Jecta, qual é a data desse catálogo do Haacke, ainda e sempre uma das minhas referências?

    O outro, o Buchloh, teria dito que o Haacke era o mestre da contravisualidade.
    Bem visto?

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