Vélib’: em Paris sempre a pedalar

Fotografia de um vélib'

Fotografia de um vélib

O artigo do zenuno e entrevista do João Branco deram-me vontade de vos contar a minha experiência de ciclista parisiense. Desde que existe o sistema de bicicletas vélib’ e que tenho uma assinatura mudei radicalmente a minha maneira de me deslocar, agora a moto passa a maior parte da semana amarrada ao estacionamento. Dantes ia para o trabalho de metro se não tivesse deslocações previstas e levava a moto caso tivesse voltas a dar, actualmente só tiro a moto do estacionamento quando vou à Universidade que é a 40 km de Paris.

O sistema vélib’ foi criado em Julho de 2007 pela coligação socialista/verdes/comunista de Paris, hoje conta 14707 bicicletas e 983 estações (ver as estatísticas diárias aquí). O sistema é explorado pela empresa de publicidade JC Decaux que paga 3.5 milhões de euros mais a totalidade das receitas de aluguer e de assinatura à câmara municipal de Paris, em contrapartida recebe a exclusividade da publicidade de exterior durante 10 anos. Na altura uma das reivindicações do partido “os verdes” era a municipalização do aluguer das bicicletas proposta que os socialistas não aceitaram.

A exploração pela JC Decaux impossibilitou durante mais de um ano a extensão do sistema às localidades limítrofes de Paris pois uma empresa concorrente exigiu a realização de outro concurso público para a extensão do sistema que não estava prevista no contrato inicial, a questão só recentemente foi resolvida com um decreto especial do Conselho de Estado.

Recentemente a empresa JC Decaux queixou-se publicamente do custo superior ao previsto da manutenção das bicicletas e do sistema, ao que a câmara de Paris respondeu que o contrato é para cumprir, como a publicidade gera pelo menos 60 milhões de euros de receitas anuais a JC Decaux não tocou mais no assunto.

Um aspecto mais sombrio do vélib’ são as condições de trabalho dos trabalhadores que reparam as bicicletas que fizeram recentemente uma greve de protesto contra os salários insuficientes (recebem o salário mínimo) e as condições de trabalho.

Do ponto de vista do utilizador o sistema, mesmo com alguns defeitos, é muito prático. Quando preciso de uma bicicleta escolho uma que tenha a luz verde no poste onde está fixa, aproximo o passe do metro, espero 5 segundos e o sistema desbloqueia a bicicleta. Se a prender noutro suporte antes de passarem 30 minutos não pago nada. Após 5 minutos de espera posso tirar outra bicicleta e volto a ter 30 minutos de aluguer gratuitos. O sistema tem actualmente mais de 200.000 assinantes tendo ultrapassado as previsões mais optimistas.

Mais informações no artigo da wikipedia.

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3 respostas a Vélib’: em Paris sempre a pedalar

  1. JDC diz:

    Olhe, as BUGAS aqui em Aveiro tiveram tanto sucesso tanto sucesso que até apareceram algumas em Ilhavo, Águeda, Leiria…

  2. As bugas são um sistema de velocípedes partilhados da chamada “segunda geração”, que em geral falhou. A terceira geração, com uma série de características técnicas e tecnológicas para resolver os problemas de vandalismo, roubos, manutenção, deslocação tem em geral sido um sucesso estrondoso. Lyon e Barcelona são bons exemplos.

    A JCDecaux mas também a Clear Channel têm soluções técnicas que permitem resolver todos esses problemas. É preciso é que gaja uma câmara com colhões para os fazer cumprir o contrato. A câmara de paris encostou-os à parede umas quantas vezes (algumas de forma quase imoral) para que mantivessem o sistema a funcionar e a crescer.

    Espero que a CML tenha colhão para garantir que o sistema previsto já para 2009 em Lisboa é um igual sucesso.

    A título de exemplo, a tendência das bicicletas para se moverem de lugares altos para lugares baixos da cidade pode ser resolvida, por exemplo, instituindo um sistema de créditos em que se ganha quando se leva a bicicleta para um ponto mais alto.

    O funcionamento e sucesso deste tipo de sistemas atrái bitaites com facilidade. Convém a gente informar-se para serem bitaites informados:

    http://en.wikipedia.org/wiki/Community_bicycle_program

  3. JDC diz:

    O meu comentário nem foi bitaite. Eu vivo em Aveiro e assisti de perto ao nascimento da BUGA e sei, por experiência própria, que foi um falhanço total! Não sei se por falha do conceito, se por falha de cidadania e civismo, se por uma mistura de tudo. Apenas me limitei a constatar um facto e, com isso, alertar para as grandes dificuldades que uma ideia destas pode enfrentar…

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