O que é uma escolha?

byesoc

Manuela Ferreira Leite é uma mulher conservadora e de direita, e como tal pode e deve ser olhada. Confrontada e combatida.

José Sócrates é um indivíduo de direita que ultrapassa a direita pela direita (como se viu com o Código do Trabalho, fazendo algo que Bagão Félix nunca faria – ver o que o Tribunal Constitucional chumbou quanto aos períodos de trabalho experimental alargadíssimos deste governo). Ultrapassando a direita pela direita, e querendo aparecer pela esquerda (ainda que “moderna”), o que é que dele diz o leitor?

Qual é dos dois o maior inimigo de uma política que mereça o nome de política?

No 5dias ninguém se coloca perante esta escolha. Alguém disse que a democracia não era escolher entre A, B ou C ou D….., mas entre escolher “escolher” e “não escolher”. Certíssimo. Mas vejamos isto de um modo simples: quando liga a televisão ou folheia um jornal que imagem lhe dá mais vontade de partir o aparelho (ou o papel, já agora)? (Isto pode ser uma espécie de inquérito “5dias”, brincadeira de blogue, etc, mas, já agora, gostaria de ouvir vozes.)

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40 respostas a O que é uma escolha?

  1. Youri diz:

    Epá, essa pergunta é tramada. Eu nunca escolheria entre ambos, nem entre PS nem PSD. Mesmo que não existisse mais nada (já existe pouco para além disso), não iria escolher.

    A Ferreira Leite é óbvia, demasiado óbvia. Além de ter vários comentários a roçar a xenofobia, a homofobia e o autoritarismo…

    Mas o Sócrates é “Poder”. Quando o vejo no jornal apetece-me recortar a fotografia com cuidado e depois rasga-la furiosamente, ou queima-la, ou… ou… utiliza-la na casa de banho (pensando bem não chegaria a isso, seria demasiado pouco simpático para as minhas partes de baixo). Quando o vejo na televisão comento para mim próprio “merda” e mudo de canal.

    De facto, a Ferreira Leite é me um pouco indiferente comparada com o primeiro-ministro.

  2. joaõ XXI diz:

    Comentário ao comentário, referiu que Sócrates é “Poder”… e Obama não é poder?

    Já agora Cunhal era “Poder”….

  3. Carlos Vidal diz:

    Cunhal ?

  4. atónito diz:

    Este post é um puro remake da teoria do social fascismo inventada por Estaline nos anos 30: os socialistas (sociais-democratas) são piores ou iguais aos fascistas (nazis), com os resultados conhecidos na ascensão de Hitler ao poder.
    Mas sobretudo o que é mais comovente é a defesa que faz do Bagão Félix. Mas este anormal tem a mínima ideia do que disse o Tribunal Constitucional do Código de Bagão Félix? Do que Bagão Félix quis fazer ao rendimento mínimo e do que o Tribunal Constitucional disse a propósito?

  5. LAM diz:

    Talvez a questão, e admito o desfio especulativo, possa ser posta de outra maneira: haverá personagens piores do que Sócrates (melhores acredito piamente que sim, mau era que não houvesse), mas terão essas outras figuras (piores) condições para ascenderem ao cargo?
    Representará Maniela Ferreira Leite uma alternativa com possibilidade de ganhar umas eleições? creio que não.
    E estes “equilíbrios” pesam na alergia com que se encara um ou outro candidato.
    Suponhamos aquele macaco do PNR, abjecto até dizer chega. À partida e sem outros factores seria personagem incomparavelmente que mais anti-corpos despoletaria. Urticária, visão turva e porrada nele (sintomas particulares, subjectivos portanto). Mas nada aponta para que vença nada em eleições algumas. Ou seja, quem está na linha da frente para vencer umas eleições e, repito, as probabilidades de levarmos com mais do mesmo são muito reais, é o José Sócrates. E eu muito humildemente confesso que já não posso com ele nem pintado de outra côr. É actualmente a personagem que me tira do sério. Por tudo. Já nem penso em termos políticos como seria aconselhável. Abomino o homem, a sua pose, a maneira como fala ou como está calado. O que diga ou deixe de dizer. A minha única satisfação é que estou cada dia que passa a encontar pessoas com a mesma peçonha.

  6. Carlos Vidal diz:

    Este anormal acha que o cinismo socretino está muito à direita de Bagão Félix, um puro cristão conservador que nada tem a esconder.
    Além disso, o Tribunal Constitucional pensa, ou pensou, muito pior do Código Sócrates do que do Código Félix (tendo efectivamente pensado muito mal dos dois). Este anormal nunca viu Bagão definir-se de “esquerda”. Além disso, se você é do PS, ou simpatiza com tal coisa, então, só pode mesmo ser anormal.

  7. Maria Velho diz:

    o CR7! dá-me vontade de espatifar o aparelho, rasgar o jornal e bater na cooperativa de ensino que (mal) me paga!
    os que salienta quem são???

  8. Carlos Vidal diz:

    Maria Velho, olhe que esse, o 7, às vezes, como diria uma antiga glória, faz “coisas bonitas”.
    Quanto aos que saliento, também eu os conheço mal. Não a posso ajudar.

  9. miguel dias diz:

    A tentação óbvia de comparar o dilema social-democrata alemão dos anos 30, Hitler ou os comunistas?, é desajustada da realidade. O conhecimento das experiência históricas anteriores nada nos oferece no presente, dizia, e muito bem, Hanah Arendt. Veja-se o caso Freitas-Soares em 86.
    Em primeiro lugar e desde logo, porque não se trata de escolher entre Manuel Machado e Sócrates.
    Em segundo lugar porque Manuela Fereira Leite é tudo menos artifício. A senhora não veste Armani nem é bem parecida. É ela com todas as suas rugas (diria o Pacheco Pereira) que se apresenta ali, na sua verdade (que não necessariamente a minha). Mas verdadeira. Não se escusa perante a realidade, não a tenta distorcer (à excepção do fait-divers PSLopes, irrelevante diga-se).
    Diz o que pensa e o que fará- i.e. não posso baixar impostos. Para o Diabo com TGV´s e com Alcochetes. Isto não é moderno não é chic, mas chateia muita gente, inclusive e sobretudo no seu próprio partido.
    Vejamos o famoso caso da democracia interrompida. É algo indizível por Sócrates. Abrenúncio. Mas MFL di-lo com toda a franqueza, se se interrompesse a democracia durante seis meses eu endireitava isto. A malta caiu-lhe em cima, e apanhando ou não o alcance das palavras, malhou forte e feio. E no entanto, o que fez Sócrates senão tentar interromper a democracia.
    Ela limitou-ser a dizer o indizível na política espectáculo: sem democracia até tu Sócrates, quanto mais eu, que percebo muito mais disto que tu. Ela diz ao que vem e o que quer. E se há certeza relativamente a ela, é que fará exactamente o que diz. É por por isso que eu gosto dela e é por isso que vou votar nela se ainda for viva (politicamente).

  10. Maria Velho diz:

    e eu também Carlos Vidal! e sem Bimbi…mas ninguém me paga assim tão bem. Pena minha, inveja, dor de cotovelo…talvez! E sei ler , escrever, falar e pregar em várias línguas. Pontapés na bola, pois nisso não sou lá muito boa, lá isso é verdade. Eu é mais doidices filosóficas, psicológicas, maternais, culinárias: até tenho uma herdeira artista plástica( com canudo, mestrado e phd!)- a baba alastra!
    Obrigada pela tentativa de ajuda 🙁

  11. Carlos Vidal diz:

    miguel dias, também eu espero que seja viva politicamente, apesar do meu voto (acho que vou votar) ir para um lugar previsível – como o Bloco (que é simpático) tem medo do marxismo-leninismo, o meu voto não pode ir para esses simpáticos. Terá de ir para quem sabe assumir as coisas como elas devem ser.

    Maria Velho, quem é a sua herdeira? Curiosidade, passou pela escola de Lisboa? Porto? Outra?
    Se passou pela de Lisboa, passou também por mim, por certo (porque teria passado ou por Pintura III na licenciatura, ou por Crítica de Arte no mestrado).

  12. Maria Velho diz:

    Carlos
    a minha herdeira, filha linda, fez a licenciatura nas Belas-Artes cá no Porto(Pintura), mestrado na Sorbonne(Filosofia da Arte) e o doutorado em Cuenca. Marta Bernardes, artista plástica, que nasceu em 1983, contrariando a hipótese de ter nascido outra, uma voz maravilhosa(vários grupos e projectos, entre eles o João Peludo que esteve no Serralves em Festa/2008), escreve com a alma( “arquivo de nuvens”, 2008), performer internacional(Serralves,San Sebastian…) e faz de mim uma tótó. De vaidade, claro!
    Já lhe falei de si( parecemos duas comadres a conversar na caixa de comentários, mas que se dane!), se o conhecia …talvez duma colectiva em Coimbra? ou de Madrid, na Magda Belloti…não foi precisa e eu não insisti.

  13. Carlos Vidal diz:

    Maria Velho, por mim pode-se, claro, conversar nestas caixas.
    Pelo Porto passo pela FBAUP várias vezes: conferências e umas aulas recentes no mestrado do meu amigo F. José Pereira (“Práticas da Arte Contemporânea”). Coimbra, talvez não nos tivessemos encontrado: tenho obras no CAV, antigos “Encontros de Fotografia”, e por lá expus algumas vezes. Madrid, também não encontrei a Marta. A minha ligação a Madrid passa por duas revistas onde escrevo há mais de dez anos: a LAPIZ e a EXIT. A Marta tem alguma ligação a alguma galeria, Porto ou Lisboa?

  14. miguel dias diz:

    Ora bem, Vidal. É falar que a gente se entende.

  15. Maria Velho diz:

    Ok! então vamos conversando. A Marta está ligada à MCO(http://www.mcoart.com/), cá no Porto e saiu uma reportagem sobre ela na revista Arte y Parte…e ganhou um prémio com um video “Ocidente” que está disponível na net.Enfim, está a começar a sua carreira, que como ela diz, é um pequeno caminho, mas que no nosso minúsculo universo artístico eu(sou mãe e suspeita…) considero muito bom. Neste momento está a trabalhar no Museu de Arte Abstracta em Cuenca, nas Casas Colgadas. Um museu fantástico! Conhece o Baltazar Torres? E o Dinis Cayola?
    Bom, parece que vamos ter muito assunto para conversar.

  16. Carlos Vidal diz:

    Então, tenho cá documentação sobre a Marta, pois sou amigo do Baltazar Torres que me ofereceu os dois catálogos retrospectivos da actividade da mco. Escrevi sobre o Baltazar para uma Bienal de Pontevedra e depois num livro meu incluí esse ensaio numa versão desenvolvida. De Cuenca, conheço bem o José Luis Brea (que acho que já não está em Cuenca) e sou muito amigo do Simeon Saiz Ruiz (a Marta conhece-os de certeza, pelo menos o Simeón). Este é um artista extraordinário, a sua série pictórica sobre as guerras nos Balcãs é um dos melhores momentos da arte política espahola desde Guernica. Para quem se interessar, a Univ. de Salamanca publicou um bom livro de textos (em 2008) sobre a obra de Simeón Saiz, onde tenho um desenvolvido texto. Vou agora procurar os dois catálogos do Baltazar e da mco. É um bom lugar para começar, e não só começar – o Baltazar Torres trabalha bem, como artista e galerista.

  17. Maria Velho diz:

    Eu, que sou leiga em arte, também acho. Mas escrito por si ainda reforça mais a minha percepção. O livro que fala julgo que já o vi na casa, em Cuenca. Habitam-na dois artistas, um deles é escultor e madril(h)eno. Eu estou apaixonada pelo Saura e o Tapiés. Ah! O Saura:enche-me o olhar.
    Espero que voltemos à nossa conversa. Agradável.
    Fique bem.

  18. miguel dias diz:

    De como se passa de um debate político para uma conversa de comadres….

  19. Carlos Vidal diz:

    Tem razão miguel, e também já vi que é um homem da noite.
    Isto deve ser da hora, mas proponho-lhe uma táctica: você ataca o engenheiro pela direita, eu pela esquerda (digamos assim) – pode ser que se obtenha qq coisa interessante. Assim o espero.
    Falei-lhe há pouco de marxismo-leninismo e faltou o terceiro vértice: o maoismo, que, como se sabe, não está nada morto.
    Voltarei a estas bandas com um texto interessante (vou tentar) sobre o Mao, mestre do desgoverno – não há novo nem inovação sem desgoverno. Um aparte: é do desgoverno que os “cientistas jugulares” e a “falsa esquerda câncio” têm medo – do desgoverno da arte, da filosofia e da religião. Contra essa gente, só o Mao.

  20. miguel dias diz:

    A insónia tem destas vantagens.
    Aceito a táctica, ainda que reconheça que o seu flanco seja mais forte na argumentação.
    Mas não se esqueça, quando o engenheiro não estiver entre nós e nos encontrarmos frente a frente vou ter de lhe dar um tiro na testa. Como diria o Napoleão, não é nada de pessoal, que eu até simpatizo consigo.

  21. Carlos Vidal diz:

    Isso é claro como água. E acho bem que o tente. Eu tb o tentarei, pois em nome da emancipação, as massas levam tudo o que têm à frente. Você é mais individualista, ataca em nome pessoal. A minha herança é outra, mas O INIMIGO É COMUM. Isso é que interessa.

  22. Raquel diz:

    Caro Miguel,

    Não piques o Vidal.

    E viva Santana. 🙂

  23. Raquel diz:

    E…tatachim….este temível inimigo é a Ferreira Leite!!

    Não consigo parar de rir.

  24. Carlos Vidal diz:

    Raquel, napolitana, gosto dos seus comentários.
    A propósito, já percebeu porque é que o cristianismo é religião de cépticos por natureza?
    Tanto que é quase pleonasmo dizer “cristianismo céptico”.
    Volte sempre.

  25. Raquel diz:

    Sim, sou meia napolitana (mas a meia é de gema mesmo) mas não posso dizer que gosto dos seus comentários. Fazem-me lembrar um famoso mafioso da Camorra que foi preso há pouco tempo por ter tido a veleidade de criticar o Zizek.

    Vidal, não fui eu que disse falei do “cristianismo céptico.” Foi o seu confrére propagandista Galamba.

    Andam a censurar comentários aqui no 5. Deixei um lá em cima, no post do Peixe. Vocês não gostam da “diferença.”

  26. Raquel diz:

    O cepticismo do Cristianismo contempla a possibilidade da não-existência de Deus?? Ser Cristão implica ter FÉ. E a fé, como é sabido, não gosta do cepticismo. Desculpe lá mas isto começa a roçar a imbecilidade. Onde é que andou na escola? Na Roménia?

  27. Su diz:

    A escolha entre “escolher” e “não escolher” parece-me simples. O voto em branco significa insatisfação relativamente ao sistema e aos seus protagonistas. Infelizmente a maioria dos descontentes nem vai às urnas, o que depois é convenientemente confundido pelo poder político como “a malta prefere ir para a praia”.
    Para quando um movimento civil pelo voto em branco, impregnado da mensagem “acabem lá com este lamaçal”?

  28. Carlos Vidal diz:

    Dois comentários: Raquel, cada vez gosto mais desse nervoso miudinho miudinho. Tenho um compositor de cabeceira para nervosos como a Raquel. Se quiser, eu digo-lhe quem é.
    Foi na antiga URSS que mo mostraram em pleno.
    (Nunca estive lá, mas foram bons tempos.)
    Quanto ao cristianismo, ah o cristianismo, é perverso demais para si.
    Quer mesmo saber mais?

    Su, o “escolher” e “não escolher” não é ideia minha, com pena minha.
    Pressupõe um acto de desobediência e desalinhamento.
    Não sei se o voto em branco pode responder por esse acto.
    Suponho que se trata duma referência à abstenção.
    Uma apologia da abstenção.
    É uma coisa quase cristã, para retomar também a conversa com a Raquel. Porque na figura ou lenda de Cristo, em relação ao poder só se podem virar as costas. Votar em branco é AINDA participar, legitimar.
    Pelo menos, como perceberá, é legitimar as escassas formas de participação disponíveis.
    Acho que a desobediência, ou a indiferença punitiva para com o poder, é a abstenção e não o voto em branco.
    Se não concordar comigo, volte na mesma.
    Abraço
    CV

  29. Su diz:

    Caro Vidal, não concordo, de facto, mas pode crer que volto sempre. Que quer que lhe diga, gosto desta casa… 🙂
    Na minha óptica, a abstenção é uma forma de alienação, de um cidadão se pôr à margem e revela que se está a barimbar. Sendo uma atitude válida, apesar de dúbia, acaba por ser deturpada pelos partidos, que procuram não ver na abstenção um cartão amarelo. A afirmação típica é que só quem vota se exprime e só os votos nas urnas subscrevem uma intenção.
    Já o voto em branco não permite fugir à mensagem que transparece: NÃO CONCORDO COM NENHUM DE VOCÊS, ISTO ESTÁ FEITO UMA REPÚBLICA DAS BANANAS, BASTA DE 3º MUNDISMO E POUCA VERGONHA.
    Mas participado, compreende a diferença? É que há de facto uma diferença entre quem se está nas tintas e quem simplesmente não se revê nos partidos e movimentos existentes e acha que a coisa está podre. Eu, pelo menos, não quero ser confundida…
    Atitude de desobediência à séria era a malta deixar de pagar impostos por discordar em absoluto da gestão que se anda a fazer do erário público. Repare, se apenas 1% da população tomasse esta iniciativa não havia prisões que chegassem e de certeza que a mensagem chegava ao destino.

  30. Su diz:

    bolas, não posso abrir tanto a boca, ainda fico com o SIS à perna…
    😀

  31. Almajecta diz:

    Ouvir vozes? Ummm, fixação oral e tal, vamos lá então á ontologia matemática de Mao a Piao. As mais irracionais pre-visões apresentam o conceito do projecto do partido do governo como ganhador, a segunda maior votação será a da abstenção, a 3ª a do PSD , as 4ª, 5ª, 6º e sucessivas mesmo que aumentem 4 a 6 deputados mantem as mesmas posições de ordenação ( mesmo com a tua proposta de desgoverno, brancos, nulos etc e tal). Logo e com muito pesar meu a escolha índole pragmática e utilitária vai para: o posicionado em 3º lugar.
    Naquela outra tua hipótese da “Agremiação da Esquerda Jolie” a escolha irá e por maioría de razão outra vez para o partido do governo. Nem a teoria das catástrofes te salvará das Julgulistas e da Rachel que no meu fraco entender e se me permites têm razão. Passar bem, boa note e um queijo.

  32. Carlos Vidal diz:

    Quando me referi a vozes, pensei em vozes de anjos, claro. Daquelas vozes que os nossos místicos dizem ouvir – e que lhes dão indicações, que os guiam, como Macbeth foi guiado pelas bruxas. Daquelas vozes mais fortes do que nós e nos inocentam de tudo o que façamos.
    Quanto ao resto, concordo com a tua previsão e suponho ter entendido isto: para derrotar o cancer da “esquerda moderna, democrática e popular”, votarás no previsível 3º lugar, isto se votares.
    Repito o que disse ao meu amigo de comentários nocturnos, Miguel Dias, alguém que tente entalar essa “esquerda” pela direita, que eu tentarei fazê-lo pela esquerda. Quanto ao queijo, se me arranjares um de Seia, tu que és homem de férias na neve, ficaria muito grato.
    E vai sempre dando notícias.

    Su, agora nós, outra vez – continuo convencido de que o voto desalinhado e de contestação ao sistema em que vivemos é a abstenção, aliada à participação cívica em movimentos que proponham algo de importante. Quer dizer, a sua participação cívica não se pode esgotar na comparência às urnas. Se não comparecer e tiver uma participação cívica, é uma crítica mais activa do que o voto em branco.
    Dou-lhe um exemplo. Estafado exemplo, pois parece que só conheço esse pensador: Badiou, Badiou. Alain Badiou tem um movimento político chamado Organisation Politique em França. Um movimento conhecido e activo nas suas causas (recentemente ao lado dos emigrantes ilegais, principalmente). Um movimento que é claramente favorável a uma política de emancipação em torno do que o autor chama a “hipótese comunista”, mas uma política assumidamente sem partidos. Trata-se de um exemplo de uma abstenção activa.
    Por mim, que voto PCP, não sigo Badiou neste ponto, mas acho que ele tem razão – crítica e estrategicamente. Mas não posso segui-lo neste momento. Deveria segui-lo, mas não sou capaz.

  33. maria joão diz:

    consigo detestar mais a Ferreira Leite que o Sócrates, mas entre os dois venha o diabo e escolha, eu voto nulo.

  34. Almajecta diz:

    Parece-me compreender, Anjo do Uno primeiro, supra essencial superior a todo o ser de Moderato de Gades.
    Entrei em extase com o voto desalinhado e de contestação, contributo importante para a participação cívica á la française em poesia e arquitontura, muito do jolie.
    Não me quedo na esparrela do queijo nacional, agora que o império vai continuar a desenvolver a globalização, o new age, mais o relativismo e pluralismos, nã nã, quando começa a tocar a música em português desando de súbito e abruptamente, tens rebates de consciência? Fôsga-se! Volta Madre.
    Como souvenir posso trazer um tomme vacherin ou um raclette entière enquanto resolves o magno problema do que é escolher. Boa note.

  35. miguel dias diz:

    Caro Vidal
    O nosso compromisso histórico fica sem efeito.
    Eu, o Alamajecta, o queijo de Seia e mais o tomme vacherin e a raclette entière, não precisamos de si para nada. Não seremos idiotas úteis, os mencheviques deste antro Leninista.
    Quando entrarmos no Kremlin mandamos-lhe um postal.
    E agora se me permite tenho de ir beber uma tisana para ver se me dá sono.

  36. Carlos Vidal diz:

    Então Miguel, agora que eu comecei a postar a sério é que se vai?
    Olhe que o Almajecta é um velho aliado. Ele vai consigo atacar pela direita o engenheiro, mas leitor de Clausewitz, ele é mais de esquerda do que eu. É um táctico dos melhores.
    Entretanto, está na hora de recomeçar os planos de assalto ao Palácio de Inverno
    Lá em cima, onde está a foto da Martha Argerich, já recomecei a destroçar o campo dos cientistas-jugulares.
    Estupidamente, estou a ocupar tempo demais com esse antro de ignorância execrável. Vou mesmo descansar agora.
    Volte amanhã.

  37. miguel dias diz:

    A tisana não fez efeito e você põe-me os nervos em franja.

    Que o perfil ideológico do Almajecta, é duvidoso bem o sei.
    Mas é versado em Sun Tzu, no Claus e domina razoavelmente o Mao.
    Um bom general portanto. Mas lembre-se Trotsky também o era e acabou com uma picareta na cabeça. Conquistado o poder, ele que não se ponha com coisas, que leva com o meu Maquiavel de bolso nas fuças.
    Já se avista Moscovo, but first we´ll take New York and then we’ll take Berlin.
    Entretanto vou lá acima ver o que se passa …mas oiça não se desgaste muito, que ainda lhe podem faltar as forças em Estalingrado.

  38. Almajecta diz:

    Oh! Após tal abundância do meu ponto de vista as fronteiras do partido ficam absolutamente indeterminadas porque dissolvo a consciência teórica marxista na legalidade burguesa, abrindo assim o Caminho a oportunistas e burocratas traidores. Ora ora, falta de rigôr meu caro, falta de rigôr. Seguem-se “as nossas tarefas políticas” dedicado ao Axelrod, para como muito bem afirmas, se optar. E a Rozita ainda lhe dá na cabeça por vias da reconhecida ideia kautskyana, para acabar. A partir do 2ºCongresso, adeus ou vai-te embora. Centraliza-me-os.
    As massas estão infinitamente mais à esquerda do que o partido, e este mais à esquerda que o Comité Central.
    Ás armas.

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