
Eh, meu irmão, que é que tens
que tremes como um chouriço?
Eh, meu irmão que é que tens,
parece que viste um bicho!
Um bicho vi, sim senhor,
enroscou-se a mim e pediu-me amor
tinha corpo de mulher
cabelo encaracolado
beijou-me, apagou as luzes
e eu então gritei!
Ai, um bicho!
Eh, meu irmão, que é que tens
estás branco que nem um nabo!
Eh, meu irmão que é que tens,
parece que vistes o diabo!
Vi mesmo, bateu-me à porta
disse que o povo estava na rua
e que a rua era do povo
que é p´ra quem ela foi feita
e o povo somos nós todos
e eu então gritei!
Ai, o diabo!
Eh, meu irmão, que é que tens
estás branco como o jasmim!
Eh, meu irmão, que é que tens
o que é que te pôs assim!
Foi o medo da água fria
o medo da vida, o medo da morte
o medo da lua-cheia
o medo da lua-nova
o medo até de ter medo
que me faz gritar
Ai, que medo!
E assim com medo de tudo
perdeu meu irmão a vida
e assim com medo de tudo
viveu-a e não foi vivida
meteram-no num caixão
às duas por três, num dia de Verão
desceram-no p´ra uma cova
deitaram terra por cima
espetaram-lhe uma cruz
ita missa est
Amen.
Sérgio Godinho




Pena não conseguir ouvir o clip.
A letra é linda e bem apropriada.
muito bem!!
Cumprimentos
José Magalhães
pois é, Ricardo! a letra é “godinhiana”(maravilhosa!), mas o clip é só propaganda?
Meus caros,
Não é um vídeo. É apenas uma fotografia.
Existe um vídeo com esta mesma imagem, no YouTube, mas não é este o caso.
É de mim ou só eu é que vejo naquele gesto uma espécie de saudação fascista?
com esforço…e comparando com o aceno do Bento XVI, da janela lá do vaticano!