O mundo a preto-e-branco

posse

Salvo erro, este é o primeiro post do dia, neste covil da extrema esquerda, a glosar a tomada de posse de Obama. Talvez venha mesmo a ser um daqueles dias que gostarei de recordar; mas hoje tudo me parece history as usual; um evento que marca mais o fim do triste consulado do monkey boy do que propriamente o arranque à desfilada da esperança num mundo novo, prenhe de glórias iminentes. Enfim, o optimismo nunca foi o meu forte.
Divertido é olhar para o outro lado e admirar o afã postador que o Presidente Obama parece ter despertado na malta do Blasfémias: fala-se na «credulidade da populaça», anuncia-se que «o milagreiro-mor toma hoje posse». Tudo a concorrer, claro, para a «exibição, quase pornográfica, das crenças dos demais no sobrenatural». Até continua a vaguear por lá um matuto que não se cansa de perguntar se Obama teria ganho se não fosse preto.
O facto é que todo o blogue parece dedicado à tomada de posse; como se imaginaria que os blogues esquerdistas fariam, a fazer fé na forma como os blasfemos nos pintam. É uma espécie de festival do ressabiamento sem fim à vista.
Afinal, é reacção natural para quem de repente se viu surpreendido pelos acontecimentos, empurrados pela História para os antípodas das paragens que eles imaginavam inevitáveis. Afinal, o seu querido Bush II sai de cena sem honra nem glória, deixando para trás um legado de desgraças, e o mundo parece estar-se nas tintas para o que ainda há pouco lhes parecia tão certo. Agora, só lhes resta berrar contra manias e ingenuidades que afinal medram é nas suas cabecitas sempre cheias de visões inquebráveis.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

4 Responses to O mundo a preto-e-branco

Os comentários estão fechados.