Can you? (ou o fim de um mito)


Espero estar profundamente enganado.
Vê-se que Barack Obama é diferente. É verdade que não precisaria de muito para ser melhor do que George Bush, mas até a própria tomada de posse mostrou que ele não é igual aos outros. «A forma como utilizamos a nossa energia é um trunfo para os nossos adversários» ou «alguém como eu há 60 anos não poderia tomar café em público» são apenas duas frases.
Só alguém muito especial poderia ser negro, chamar-se Hussein e, ainda assim, tornar-se presidente dos Estdos Unidos que nós conhecemos.
Só que a realidade, para Barack Obama, começa hoje. E a partir de agora, certamente que não vamos gostar das suas decisões. Das suas medidas. Se calhar da sua postura no Médio Oriente. Da forma como ele vê os Estados Unidos perante o mundo.
A ver vamos. Pode ser que esteja enganado.

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7 respostas a Can you? (ou o fim de um mito)

  1. João Branco diz:

    E a partir de agora, certamente que não vamos gostar das suas decisões.

    Depende. Coisas boas com Obama:

    – diminuição do anti-intelectualismo (EUA, principalmente)
    – diminuição do racismo (EUA e Mundo)
    – política energética menos insustentável (EUA inspirando mundo)

    coisas que não melhorarão:

    – sistema de saúde americano (pelo menos tanto quanto esperávamos, EUA)
    – política intervencionista e beligerante
    – complexo militar-industrial

    Hoje é um dia feliz para todos os que abominam a boçalidade.

  2. Mas alguém está francamente à espera que o status quo político americano mude radicalmente porque há um afro-americano a tomar decisões no Oval Office?

  3. jcd diz:

    A questão não me parece tanto ser “alguém muito especial”. A questão é tratar-se de um país muito especial. São poucos os países em que estas coisas podem acontecer e acontecem mesmo.
    Joana

  4. Spartakus diz:

    Não apoiei Obama. Não simpatizei com Obama. Por tudo o que certa esquerda via nele. Mas sempre pressenti que o verdadeiro Obama era outro. Hoje, ouçam bem o discurso, de certeza que já desagradou a muita gente. Felizmente. Não me passou a convencer. Mas gostei do que ouvi.

  5. A Laurens diz:

    A América é surpreendente – viva Obama.
    Aquele povo, com enorme sentido de liberdade responsável, tem entusiasmos tão surpreendentes e tão grande sentido de cooperação ( por aqui inexistente) que acredito.
    Acredito que a águia agoirenta vais ser substituída pela águia portadora de novidades.
    O Mundo bem precisa. O Mundo espera por isso.
    Estou a seguir a TVE – grande diferença também. Há entusiasmo e festas em Madrid. Alguém sabe de alguma ai por Lisboa? Não? Triste raça.
    Um pormenor: Obama disse:
    “Um país não pode prosperar muito tempo favorecendo apenas os mais ricos”
    Isso foi há pouco comentado na TVE. Puta da Comunicação portuguesa nem peido sobre o assunto. O Liberation comentou, o El País publicou o discurso na integra. Fico á espera…

  6. Sejeiro Velho diz:

    A desilusão, que começou com o discurso da tomada de posse, vai aumentar. Muito pouco o homem pode fazer em termos objectivos, por muito honesto, corajoso e determinado que seja.
    Mas já fez muito!
    O ter conseguido chegar a Presidente dos EUA terá um efeito incalculável: todas as minurias em todos os países desenvolvidos, todos os povos oprimidos, todos aqueles que pela sua condição social, raça ou religião se sentiam inferiores, estão a sentir que foi um deles que “lá” chegou. Eles ou os seus também o poderão conseguir. As ordens, as doutrinas, as decisões, podem também partir deles, a sua opinião pode ter valor!. Esta consciência vai mudar o Mundo.
    E esta mudança vai talvez começar pelos povos ou países que se julgavam superiores. As polícias, os tribunais, os empregadores, os administradores dos condomínios, vão pensar duas vezes antes de discriminar o “preto” das obras.

  7. Bem!
    Cá por mim só espero que ele se divorcie daquela criatura que me cheira a insuportávelzinha … O Amor é mesmo uma coisa vesga! Até para o Obama … tão igualito q o gajo é!

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