Homenagem a D. José Policarpo*

sarajevo-cemiterio
A última vez que alguém, na Europa, teve o mesmo pensamento que o cardeal-patriarca de Lisboa deu nisto: juntos, juntos, só no cemitério.
Quando andei em reportagens pela guerra da Bósnia escrevi isto que agora dedico aos josés policarpos desta vida:

Três miúdos, entre os seis e os dez anos, fazem um “slalom” num dos jardins principais do centro de Sarajevo. Montados em trenós, fintam uma campa e outra e mais outra, deslizando sempre sobre a neve espessa e alta até chegarem à beira da estrada. Fazem autênticas razias sobre os pequenos montes com cruzes ou pedaços de madeira que prestam homenagem aos mortos. Sob a neve e debaixo da terra repousam meros cadáveres. Em vida, eram crentes muçulmanos, ortodoxos, católicos. A guerra dividiu-os, a morte juntou-os. Já não cabiam nos cemitérios – o maior da cidade já apresenta a lotação esgotada e até as imediações do estádio olímpico, que acolheu os Jogos de Inverno, em 1980, foram ocupadas. Não resta outra solução do que a começar a enterrar os mortos nos jardins da cidade. Ou em qualquer espaço livre que estiver mais perto.

*Publicado no Correio Preto

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7 respostas a Homenagem a D. José Policarpo*

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  2. Spartakus diz:

    Lamentável, mais do que o Policarpo, a postura suicida para com o obscurantismo islâmico. Esperem 20 anos. E não tenham filhas. Escrevam enquanto podem. Sem ofensa, não sei se é mesmo só estupidez ou se é cobardia. Ou a habitual reacção de urticária a tudo o que vem da Igreja. Mesmo que isso implique PACTUAR com o IMPACTUÁVEL. Que o diga Theo Van Gogh. Os as vítimas dos crimes de honra, IMPUNES, nos bairros islamizados alemães. Ou ingleses.

    Hoje é 15 de Janeiro.

    Bom dia.

    http://bandeiranegra1.wordpress.com/2009/01/15/3904/

  3. atom diz:

    Casamento entre homossexuais é benéfico na Europa, mas é nefasto no mundo muçulmano. O aborto deve ser permitido na Europa, mas no mundo muçulmano nem pensar. Os colonatos são óptimos na Europa, mas são atentados aos direitos humanos na Palestina. Os castigos físicos aos condenados são atentatórios dos seus direitos humanos na Europa, mas fazem parte da cultura local a ser respeitada no mundo muçulmano (nada como uma lapidaçãozinha ou uma amputação da mão para cultivar as tradições). Quotas para as mulheres são necessárias e urgentes na Europa, mas vão não se podem aplicar no mundo muçulmano porque vai contra as tradições locais.
    E então, será que a crise também já chegou á coerência?

  4. Ana Paula diz:

    Obrigado pelo texto… ainda bem que não andamos todos “a dormir”!!!… Já agora, coloquei ontem um texto esclarecedor da realidade do diálogo inter-religioso em Portugal, em anapaulafitas.blogspot.com

  5. “Três miúdos, entre os seis e os dez anos” quer dizer que um tem seis, o outro tem dez e, com muita probabilidade, o outro terá oito.

    Isto consegui perceber.

    Aritmética por aritmética ….

  6. Miguel Dias diz:

    Eu sou contra os marcianos!
    15 de Janeiro de 2009 por Nuno Ramos de Almeida:
    “O histerismo com que alguns discutem estas questões na Europa Ocidental é enternecedor. Julgam mesmo que vivemos na Idade Média e que a coisa mais importante do mundo é a crença que algumas criaturas, europeias de meia idade, têm no divino? É uma fobia bastante reveladora, da parte de pessoas para quem as questões sociais dizem muito pouco. Para quê discutir os pobres e dos ricos se podemos falar dos camelos no buraco da agulha?”

    O Policarpo é presidente de um clube de que só faz parte quem quer (pelo menos cá). Avisou as meninas do clube dele que poderão ter sarilhos se casarem com cavalheiros membros de outro clube, por que consta que eles não gostam que as meninas joguem noutra agremiação, e levam muito a sério essa proibição. As meninas poderão não estar cientes deste facto pelo que é melhor avisá-las já, para depois não virem dizer que ninguém lhes tinha dito.

  7. liom diz:

    Viva o piliticamente incorrecto! Viva o cardeal Policarpo!

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