Eu sou contra os marcianos!

A campanha “contra” Deus que literalmente circula em algumas cidades europeias é dos actos mais inúteis de que me lembro. Ainda está por provar qual é a especial acção de Deus e das várias igrejas em Barcelona que torne urgente uma campanha de afirmação da inexistência de Deus. Eu sinceramente pauto a minha relação com o Eterno com um grande respeito pela esfera de acção de cada um e a garantia de não ingerência nos assuntos internos. Estou perfeitamente disponível para acreditar na sua existência desde que ganhe cinco vezes seguida o Euromilhões (quatro já me provocavam uma dúvida metafísica). Resumindo: Deus nunca me fez nada, o mesmo já não posso dizer de alguns governos.
O histerismo com que alguns discutem estas questões na Europa Ocidental é enternecedor. Julgam mesmo que vivemos na Idade Média e que a coisa mais importante do mundo é a crença que algumas criaturas, europeias de meia idade, têm no divino? É uma fobia bastante reveladora, da parte de pessoas para quem as questões sociais dizem muito pouco. Para quê discutir os pobres e dos ricos se podemos falar dos camelos no buraco da agulha?

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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