Encontros com os professores: servem para alguma coisa?

Pretendo com este artigo iniciar uma troca de experiências com o Ricardo Santos Pinto sobre o ensino secundário. A minha ligação com o ensino secundário é completamente distinta da do Ricardo, eu sou pai e milito na maior federação francesa de associações de pais (FCPE), sou há vários anos, representante eleito dos pais no Conselho de Administração e no Conselho de Disciplina de um estabelecimento do ensino secundário em França. Espero que tenhamos oportunidade de confrontar experiências de professor e de pai assim como o sistema de ensino português com o francês.

Ontem fui à escola dos meus filhos para para encontrar os professores, por aqui os estabelecimentos organizam pelo menos duas vezes por ano um fim de tarde dedicado aos encontros entre os pais e os professores. Recebemos um papel no “caderno de correspondência”, (no meu tempo de estudante, em Portugal, não existia nada de comparável a este caderno agora não sei) trata-se de um caderno que serve para toda a comunicação entre os pais e a escola, contem montes de coisas como informações gerais, ausências de professores, notificação de castigos, pedidos de reuniões, o horário, etc. Quando chegamos à escola recebemos um papel com a lista dos professores e a sala em que cada um nos espera, nalguns casos recebemos previamente uma convocação de um professor, nos outros casos vamos ter à sala e esperamos para falar com o professor.

Em regra geral os professores descrevem-nos os resultados, a participação e o comportamento dos filhos na classe depois apontam-nos os pontos fracos e explicam-nos o que é necessário corrigir, por vezes fazem sugestões de métodos de trabalho. O sistema funciona bem com famílias presentes mas essas são justamente as que menos precisam, ontem os três encontros que tive foram trocas de impressões amenas e pequenos detalhes sobre a maneira de trabalhar. Nos casos mais problemáticos a sensação que tenho é que o fosso que separa os professores dos pais é tal que as reuniões são pouco produtivas, muitos professores têm dificuldade para dialogar com os pais sobretudo sobretudo quando estes se atrevem a criticar o trabalho daqueles (para evitar mal-entendidos eu acho que os pais não devem interferir no trabalho pedagógico excepto em casos extremos). Quando há enormes problemas de falta de motivação ou de indisciplina as reuniões transformam-se muitas vezes em diálogos de surdos ou em confronto aberto.

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2 respostas a Encontros com os professores: servem para alguma coisa?

  1. como pai (em portugal), a minha experiência é exactamente igual, sem tirar nem por, as cadernetas, as reuniões, etc, igualzinho.

  2. rita diz:

    isto nao é justo

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