Momentos de lucidez (Fim)

Não ficaria de bem comigo se não publicasse este último «post». Obrigado a todos e em especial ao Luis Rainha e ao Nuno Ramos de Almeida.
A cama foi boa conselheira. E debaixo dos quatro cobertores que esta terra de província me obriga a usar, aqui, neste exílio onde o tempo passa mais devagar do que na grande cidade, pensei muito. E cheguei à conclusão de que, se calhar, terei exagerado em algumas coisas.
Com efeito, Mário Soares não viveu em hotéis de luxo de Paris durante o exílio. Só seriam de luxo quando comparados com as masmorras de Peniche que Álvaro Cunhal teve de suportar durante a Ditadura. Só seriam de luxo quando comparados com os «bidonville» que inúmeros franceses tinham de suportar no seu dia-a-dia. Parece que, afinal, seriam pequenos apartamentos no centro de Paris. Mas a imensa maioria dos apartamentos no centro de Paris não são pequenos, minúsculos mesmo, e caríssimos?
Com efeito, não foi o único culpado no processo de descolonização – nem eu disse que foi. Teve mérito nas lutas juvenis que protagonizou contra a Ditadura – reconheço que teve. Teve mérito na adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia – reconheço que teve. Teve mérito na forma como ajudou à estabilização do regime democrático – reconheço que teve.
Assim à primeira vista, lamento, não estou a ver que Mário Soares tenha feito mais alguma coisa de positivo ao longo da sua carreira. É a minha opinião. Não é um trabalho de investigação. Não sou jornalista nem tenho o dever de imparcialidade. É a diferença entre notícia e opinião. Lamento que em Portugal haja «monstros sagrados» intocáveis. E lamento que perspectivas contrárias às nossas não sejam respeitadas.
Nada do que escrevi é conversa de café. Ou motivado pela inveja (inveja de quê?). Ou por razões partidárias – como já disse, não tenho Partido e, logo, não sou comunista. Nunca seria de um Partido que defende o regime da Coreia do Norte. O que escrevi, à parte algumas interpretações pessoais que fiz de determinados acontecimentos (por exemplo: relacionei a subvenção a que teve direito por parte da Câmara de Lisboa com a passagem do filho pela autarquia – suponho, hoje, que nada teve a ver), já foi escrito antes por gente séria.
De resto, baseei-me em fontes que considero fidedignas. Na blogosfera, o «Do Portugal Profundo», do professor António Balbino Caldeira (o tal de que alguma Esquerda gosta muito, que está sempre a ser processado sem êxito por Sócrates e por Pedroso); na imprensa, o «Público», com destaque para as investigações de José António Cerejo, e a «Grande Reportagem», em especial os artigos de Joaquim Vieira; e o livro «Contos Proibidos: Memórias de um PS desconhecido», escrito por alguém que viveu muito por dentro de tudo o que descreve, Rui Mateus.
Não fui eu que falei da Emaudio. Foi Rui Mateus nos «Contos proibidos» e Joaquim Vieira na «Grande Reportagem». Não fui eu que falei dos diamantes e nem sequer disse que era verdade – foi o Governo de Angola, algo que mereceu resposta formal do Governo de Cavaco Silva e da Assembleia da República – tudo menos conversa de café. Fui eu que disse que os objectos oferecidos nas viagens oficiais ao Presidente da República, em vez de serem entregues no respectivo Museu, como fizeram os outros Presidentes, foram depositados na Casa-Museu do seu pai – estão lá para quem quiser ver. Mas não fui eu que falei nas irregularidades detectadas pelo IGAT nas obras da Fundação e do Colégio, foi José António Cerejo no «Público». E sei por que razão, de repente, todas essas investigações pararam – sei porque há uma carta do leitor não publicada, há espanto pelo fim das investigações jornalísticas, há uma conversa ao telefone com o jornalista e há as justificações deste. E não fui eu que falei dos inúmeros subsídios dados à Fundação – está em «Diário da República». Não fui eu que chamei «dona de casa» a Nicole Fontaine – foi ele. E não fui eu que apelei ao voto no filho – foi ele. E não fui eu que disse que Sócrates era o pior do guterrismo – foi ele.

Em relação aos «Contos Proibidos», vá-se lá saber porquê, desde que o livro foi publicado e rapidamente esgotou – 30 mil vendas só no primeiro dia – nunca mais foi reeditado. Apesar dos vários pedidos que, ao longo dos anos, têm sido feitos, a D. Quixote continua a não encarar essa possibilidade, que, diga-se, seria um sucesso garantido.
Eu próprio contactei a editora para saber da possibilidade de o livro ser reeditado, mas a resposta, assinada por Anabela Oliveira, do Apoio a Clientes, foi esclarecedora:
«Exmo Senhor,
Vimos pelo meio informar de que o livro “Contos Proibidos” se encontra esgotado e não temos de momento previsão de reedição.
Grata pela atenção dispensada
Com os melhores cumprimentos»
Se calhar, até se percebe por que razão não voltou a ser publicado. Como dizia o editor, Nelson de Matos, ao «Expresso», em Novembro de 2004, «foi o [livro] mais atrevido. Vendeu trinta mil exemplares no dia do seu lançamento. Teve todas as coberturas – não houve nem jornal, nem rádio, nem canal de televisão que não ocupasse uma grande parte do seu tempo com este livro. Foi um livro que me causou bastantes dificuldades pessoais.
– Pressões? Ameaças?
– Não digo pressões nem ameaças, mas mal-estares, comentários negativos. Algumas pessoas manifestaram o seu desgosto por eu ter tomado a decisão de o publicar. A todos expliquei que o livro existia, tratava uma questão importante, tinha revelações importantes e procurava ser sério ao ponto de as provar. Desse ponto de vista, achei que o livro merecia ser discutido na sociedade – e a sociedade que o recuse, o queime ou faça o que entender. Ou seja: eu não sou um censor!»
Para quem quiser ler, eis a versão em PDF: http://ferrao.org/documentos/Livro_Contos_Proibidos.pdf
Quanto aos artigos publicados por Joaquim Vieira na «Grande Reportagem» entre 3 de Setembro e 1 de Outubro de 2005, «O Polvo», transcrevo-os com a devida vénia e sem mais comentários.

O POLVO,
por Joaquim Vieira

«Além da brigada do reumático que é agora a sua comissão, outra faceta distingue esta candidatura de Mário Soares a Belém das anteriores: surge após a edição de Contos Proibidos – Memórias de Um PS Desconhecido, do seu ex-companheiro de partido Rui Mateus. O livro, que noutra democracia europeia daria escândalo e inquérito judicial, veio a público nos últimos meses do segundo mandato presidencial de Soares e foi ignorado pelos poderes da República. Em síntese, que diz Mateus? Que, após ganhar as primeiras presidenciais, em 1986, Soares fundou com alguns amigos políticos um grupo empresarial destinado a usar os fundos financeiros remanescentes da campanha. Que a esse grupo competia canalizar apoios monetários antes dirigidos ao PS, tanto mais que Soares detestava quem lhe sucedeu no partido, Vítor Constâncio (um anti-soarista), e procurava uma dócil alternativa a essa liderança. Que um dos objectivos da recolha de dinheiros era financiar a reeleição de Soares. Que, não podendo presidir ao grupo por razões óbvias, Soares colocou os amigos como testas-de-ferro, embora reunisse amiúde com eles para orientar a estratégia das empresas, tanto em Belém como nas suas residências particulares. Que, no exercício do seu «magistério de influência» (palavras suas, noutro contexto), convocou alguns magnatas internacionais – Rupert Murdoch, Silvio Berlusconi, Robert Maxwell e Stanley Ho – para o visitarem na Presidência da República e se associarem ao grupo, a troco de avultadas quantias que pagariam para facilitação dos seus investimentos em Portugal. Note-se que o «Presidente de todos os portugueses» não convidou os empresários a investir na economia nacional, mas apenas no seu grupo, apesar de os contribuintes suportarem despesas da estada. Que moral tem um país para criticar Avelino Ferreira Torres, Isaltino Morais, Valentim Loureiro ou Fátima Felgueiras se acha normal uma candidatura presidencial manchada por estas revelações? E que foi feito dos negócios do Presidente Soares? Pela relevância do tema, ficará para próximo desenvolvimento.

A rede de negócios que Soares dirigiu enquanto Presidente foi sedeada na empresa Emaudio, agrupando um núcleo de próximos seus, dos quais António Almeida Santos, eterna ponte entre política e vida económica, Carlos Melancia, seu ex-ministro, e o próprio filho, João.
A figura central era Rui Mateus, que detinha 60 mil acções da Fundação de Relações Internacionais (subtraída por Soares à influência do PS após abandonar a sua liderança), as quais eram do Presidente mas de que fizera o outro fiel depositário na sua permanência em Belém – relata Mateus em Contos Proibidos.
Soares controlaria assim a Emaudio pelo seu principal testa-de-ferro no grupo empresarial.
Diz Mateus que o Presidente queria investir nos média: daí o convite inicial para Sílvio Berlusconi (o grande senhor da TV italiana, mas ainda longe de conquistar o governo) visitar Belém.
Acordou-se a sua entrada com 40% numa empresa em que o grupo de Soares reteria o resto, mas tudo se gorou por divergências no investimento.
Soares tentou então a sorte com Rupert Murdoch, que chegou a Lisboa munido de um memorando interno sobre a associação a “amigos íntimos e apoiantes do Presidente Soares”, com vista a “garantir o controlo de interesses nos média favoráveis ao Presidente Soares e, assumimos, apoiar a sua reeleição”.
Interpôs-se porém outro magnata, Robert Maxwell, arqui-rival de Murdoch, que invocou em Belém credenciais socialistas.
Soares daria ordem para se fazer o negócio com este.
O empresário inglês passou a enviar à Emaudio 30 mil euros mensais.
Apesar de os projectos tardarem, a equipa de Soares garantira o seu “mensalão”.
Só há quatro anos foi criminalizado o tráfico de influências em Portugal, com a adesão à Convenção Penal Europeia contra a Corrupção.
Mas a ética política é um valor permanente, e as suas violações não prescrevem.
Daí a actualidade destes factos, com a recandidatura de Soares.
O então Presidente ficaria aliás nervoso com a entrada em cena das autoridades judiciais – episódio a merecer análise própria.

A empresa Emaudio, dirigida na sombra pelo Presidente Soares, arrancou pouco após a sua eleição e, segundo Rui Mateus em Contos Proibidos, contava “com muitas dezenas de milhares de contos “oferecidos” por (Robert) Maxwell (…), consideráveis valores oriundos do “ex-MASP” e uma importante contribuição de uma empresa próxima de Almeida Santos.”
Ao nomear governador de Macau um homem da Emaudio, Carlos Melancia, Soares permite juntar no território administração pública e negócios privados.
Acena-se a Maxwell a entrega da estação pública de TV local, com a promessa de fabulosas receitas publicitárias.
Mas, face a dificuldades técnicas, o inglês, tido por Mateus como “um dos grandes vigaristas internacionais”, recua.
O esquema vem a público, e Soares acusa os gestores da Emaudio de lhe causarem perda de popularidade, anuncia-lhes alterações ao projecto e exige a Mateus as acções de que é depositário e permitem controlar a empresa.
O testa-de-ferro, fiel soarista, será cilindrado – tal como há semanas sucedeu noutro contexto a Manuel Alegre.
Mas antes resiste, recusando devolver as acções e esperando a reformulação do negócio.
E, quando uma empresa reclama por não ter contrapartida dos 50 mil contos (250 mil euros) pagos para obter um contrato na construção do novo aeroporto de Macau, Mateus propõe o envio do fax a Melancia exigindo a devolução da verba.
O Governador cala-se.
Almeida Santos leva a mensagem a Soares, que também se cala.
Então Mateus dá o documento a ‘O Independente’, daqui nascendo o “escândalo do fax de Macau”.
Em plena visita de Estado a Marrocos, ao saber que o Ministério Público está a revistar a sede da Emaudio, o Presidente envia de urgência a Lisboa Almeida Santos (membro da sua comitiva) para minimizar os estragos.
Mas o processo é inevitável.
Se Melancia acaba absolvido, Mateus e colegas são condenados como corruptores.
Uma das revelações mais curiosas do seu livro é que o suborno (sob o eufemismo de “dádiva pública”) não se destinou de facto a Melancia mas “à Emaudio ou a quem o Presidente da República decidisse”.
Quem afinal devia ser réu?
Os factos nem parecem muito difíceis de confirmar, ou desmentir, e no entanto é mais fácil – mais confortável – ignorá-los, não se confia na justiça ou porque não se acredita que funcione em tempo útil, ou por que se tem medo que funcione, em vida, e as dúvidas, os boatos, os rumores, a ‘fama’ persistem.
E é assim, passo a passo, que lentamente se vai destruíndo de vez a confiança dos portugueses nas instituições.
Por incúria, por medo, por desleixo, até por arrogância, porventura de fantasmas e até… da própria sombra.

Ao investigar o caso de corrupção na base do “fax de Macau”, o Ministério Público entreviu a dimensão da rede dos negócios então dirigidos pelo Presidente Soares desde Belém. A investigação foi encabeçada por António Rodrigues Maximiano, Procurador-geral adjunto da República, que a dada altura se confrontou com a eventualidade de inquirir o próprio Soares.
Questão demasiado sensível, que Maximiano colocou ao então Procurador-geral da República, Narciso da Cunha Rodrigues. Dar esse passo era abrir a Caixa de Pandora, implicando uma investigação ao financiamento dos partidos políticos, não só do PS mas também do PSD – há quase uma década repartindo os governos entre si. A previsão era catastrófica: operação “mãos limpas” à italiana, colapso do regime, república dos Juízes.
Cunha Rodrigues, envolvido em conciliábulos com Soares em Belém, optou pela versão mínima: deixar de fora o Presidente e limitar o caso a apurar se o Governador de Macau, Carlos Melancia, recebera um suborno de 250 mil euros.
Entretanto, já Robert Maxwel abandonara a parceria com o grupo empresarial de Soares, explicando a decisão em carta ao próprio Presidente. Mas logo a seguir surge Stanley Ho a querer associar-se ao grupo soarista, intenção que segundo relata Rui Mateus em Contos Proibidos, o magnata dos casinos de Macau lhe comunica “após consulta ao Presidente da República, que ele sintomaticamente apelida de boss.
Só que Mateus cai em desgraça, e Ho negociará o seu apoio com o próprio Soares, durante uma “presidência aberta” que este efectua na Guarda. Acrescenta Mateus no livro que o grupo de Soares queria ligar-se a Ho e à Interfina (uma empresa portuguesa arregimentada por Almeida Santos) no gigantesco projecto de assoreamento e desenvolvimento urbanístico da baía da Praia Grande, em Macau, lançado ainda por Melancia, e onde estavam “previstos lucros de milhões de contos”.
Com estas operações, esclarece ainda Mateus, o Presidente fortalecia uma nova instituição: a Fundação Mário Soares. Inverosímil? Nada foi desmentido pelos envolvidos, nem nunca será.

As revelações de Rui Mateus sobre os negócios do Presidente Soares, em Contos Proibidos, tiveram impacto político nulo e nenhuns efeitos. Em vez de investigar práticas porventura ilícitas de um Chefe de Estado, os jornalistas preferiram crucificar o autor pela “traição” a Soares (uma tese académica elaborada por Estrela Serrano, ex-assessora de imprensa em Belém, revelou as estratégias de sedução do Presidente sobre uma comunicação social que sempre o tratou com indulgência.)
Da parte dos soaristas, imperou a lei do silêncio: comentar o tema era dar o flanco a uma fragilidade imprevisível. Quando o livro saiu, a RTP procurou um dos visados para um frente-a-frente com Mateus – todos recusaram. A omertá mantém-se: o desejo dos apoiantes de Soares é varrer para debaixo do tapete esta história (i)moral da III República, e o próprio, se interrogado sobre o assunto, dirá que não fala sobre minudências, mas sobre os grandes problemas da Nação.
Com a questão esquecida, Soares terminou em glória uma histórica carreira política, mas o anúncio da sua recandidatura veio acordar velhos fantasmas. O mandatário, Vasco Vieira de Almeida, foi o autor do acordo entre a Emaudio e Robert Maxwell. Na cerimónia do Altis, viram-se figuras centrais dos negócios soaristas, como Almeida Santos ou Ílidio Pinho, que o Presidente fizera aliar a Maxwell. Dos notáveis próximos da candidatura do “pai da pátria”, há também homens da administração de Macau sob a tutela de Soares, como António Vitorino e Jorge Coelho, actuais eminências pardas do PS, ou Carlos Monjardino, conselheiro para a gestão dos fundos soaristas e presidente de uma fundação formada com os dinheiros de Stanley Ho.
Outros ex-“macaenses” influentes são o ministro da Justiça Alberto Costa, que, como director do Gabinete da Justiça do território, interveio para minorar os estragos entre o soarismo e a Emaudio, ou o presidente da CGD por nomeação de Sócrates, que o Governador Melancia pôs à frente das obras do aeroporto de Macau.
Será o Polvo apenas uma teoria de conspiração?
E depois, Macau, sempre Macau.»

Quanto a mim, fico-me por aqui. E digam o que disserem, não farei mais nenhum comentário.

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18 respostas a Momentos de lucidez (Fim)

  1. P.Porto diz:

    As pessoas revoltam-se contra a verdade sempre que a verdade lhes evidencia que as estruturas que acreditam serem sólidas e inabaláveis são afinal feitas de muita crença e têm pouco de concreto.

    É a Caverna de Platão. Vale-nos a blogoesfera.

    Quando ao livro, pode encontrá-lo on-line, escondido. Eu descarreguei-o assim. É o ‘samizdat’ da III República. A censura existe e é efetuada em acordos debaixo da mesa. Tem a agravente de a gente comum imaginar que não existe e ainda se insurgir contra os que mostram o contrário.

    Parabéns pelo desassombro e coragem de dizer ‘o rei vai nu’, seja lá vc de direita, de esquerda, ou de coisa qualquer.

  2. Pedro diz:

    Como eu disse ali em baixo, o Soares já tem defeitos suficientes; não precisa que lhe inventem outros. Reparo entretanto que o Ricardo ficou com a questão dos “hoteis de luxo” entalada; pensou, pensou e lá achou que podia dar a volta à questão dizendo que onde o Soares tenha estado sempre seria melhor do que uma barraca num bidonville ou uma cela da prisão de Peniche. Pois….
    Mas não querendo o Ricardo falar mais no assunto, escrever agora aqui é mais ou menos falar para o boneco.

  3. Saloio diz:

    Estimado RSP: tem o senhor toda a razão.

    Só falta acrescentar ao seu texto que o jornalista Joaquim Vieira (e um outro, de nome …Portugal), a seguir ao seu atrevimento atrás transcrito, foi despedido da Visão pelo aliado íntimo da família Soares – o Dr. Balsemão, curiosamente, alguém que penso que também iria lucrar muito com as negociatas do Presidente Mário.

    Aliás, este caso relacionado com o “esquecimento” da matéria relacionada com os “Contos Proíbidos” é bem demonstrativo do servilismo dos “jornalistas” portugueses, quer em relação à família Soares, quer ao PS de uma maneira geral.

    Sintomaticamente, todos preferiram calar-se, quer para manterem as avenças, quer porque existem no ar muitos outros negócios para explorar, porque, apesar da crise, há ainda por aí muito dinheirinho para os socialistas rapinarem.

    Só assim se explica, a nova linha comercial do PS, encabeçada pelo Coelhone, o Vitorino, o Vitalino, o Vara, e quejandos, acoolitados por alguns laranjas mais virados ao negócio (Angelo Correia, Miga Amagal, Dias Loureiro, Júdice e Freitas do Amaral), que escandalosamente vão explorando negociatas pouco claras, de que são exemplo os contentores do Tejo e a indemnização à empresa mineira.

    E há dinheirinho para todos, ou pensam que esta lei das empreitadas de milhões sem concurso de Sócrates é para quem? Não é só para a Mota_Engil-Coelhone…haverá algum a escorrer para a Fundação Mário Soares, pois então.

    Ao senhor RSP, apenas um desejo e um voto: o desejo de que a coragem, a frontalidade e o desassombro não o abandonem ou o prejudiquem. E o voto, de que outros, mais “gatos gordos” que o senhor, não o empurrem para a valeta do silêncio.

    Parabéns pelo seu texto…e muito OBRIGADO.

    Digo eu…

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Ricardo,
    Espero que reconsideres. Os teus posts são importantes.

    Abraço,
    Nuno

  5. Antónimo diz:

    É verdade que não tem dever de imparcialidade. Também é verdade que tmuita coisa pode ser provada e que nada está provado. Mas muitas coisa são, vinco, conbversas de café, muitas coisas vêm adulteradas ou hipervalorizadas como se fossem grandes defeitos, erros e até crimes. Parte está descontextualizado, como se tudo tivesse iguais valores absolutos. Sobrevaloriza informações que obteve por via pessoal, num esforço seu junto de gente com interesses próprios, mas que não terá contraditado. De si, aqui mais abaixo, diz-se menos que por muito lado se tem dito de Soares. Não aguenta a crítica. Soares com todos os defeitos (acho que foi muitas vezes nefasto para Portugal) deu sempre o corpo ao manifesto. Corajosamente.

  6. Spartakus diz:

    A Visão, como outros, dispensa muita gente. Pois.
    Com erros, aqui e ali, este material postado faz todo o sentido. Nem tudo está provado? Não. Nem estará sendo Soares o pai do polvo.
    Aplauso. Sei bem o que é tocar em tabus. Houvesse mais coragem. Como nos teus postes.

  7. Jubas diz:

    Comentador Saloio, uma dúvida: como é que Joaquim Vieira foi despedido da Visão se era director da Grande Reportagem (que à época saía como suplemento do Diário de Notícias)? E que tem Balsemão a ver com a história, se não era proprietário do DN?

  8. Spartakus diz:

    Exacto Jubas.
    Aliás a GR não resistiu e com ela o seu Director à publicação deste material. Foi encerrada. Critérios de gestão. Pois.
    O JVieira vinha de onde? Sinceramente não me lembro.
    E quem eram os donos da GR quando ela encerrou, já agora e por favor?

  9. observateur diz:

    Eu sou um dos 30000 felizardos que tem o livro. E sou um dos que aplaude o RSP por este post e pelo anterior.

    Quantos dias duraria na blogoesfera portuguesa um blog que pusesse a descoberto as poucas-vergonhas ligadas ao apelido Soares? Pai, Mãe, Filho e afins…

  10. «Quanto a mim, fico-me por aqui. E digam o que disserem, não farei mais nenhum comentário.»

    Caro Ricardo,

    Antes de mais, obrigada pelo PDF.

    Depois, o final do seu post não me parece nada bem.
    Por um lado, a mesma liberdade com que publica os seus posts tem de a reconhecer a quem deles descorda – sem prejuízo de se indignar (e se manifestar) contra a tacanhez das idolatria por “vacas sagradas”; depois, se a sua resposta aos ataques (que vêm sempre associados a opiniões que não reunem consenso) é deixar de falar, escrever, denunciar, então, não se percebe para que é que se deu ao trabalho de iniciar o que agora não quer acabar.

    Deixai-os falar, homem. Para a frente é que é o caminho.
    Ou, “volta! estás perdado.”

  11. Algarviu diz:

    Ricardo, não desista! Se à primeira contrariedade se desiste daquilo que se faz com convicção, boa-fé (presumo que não o movem interesses obscuros) e sentido de cidadania então deixamos aberto o caminho aos mistificadores, aos conformistas, aos negacionistas de si próprios. Não desista!

  12. Ricardo Santos Pinto diz:

    Caros comentadores,

    Tinha decidido não comentar nada e não o vou fazer. Apenas o respeito que me merecem me leva a fazer este esclarecimento.
    Não vou voltar a comentar porque este «post», não trazendo nada de novo em relação ao anterior, destina-se apenas a esclarecer o que disse no primeiro. Ora, se está tudo dito (fontes incluídas), não adianta estar sempre a repisar no mesmo.
    Não se trata de respeitar mais ou menos os comentadores. O respeito é máximo. Aliás, há 15 dias atrás, eu era apenas um comentador. Trata-se apenas de achar que já nada há a esclarecer. E depois, cada um ficará com as suas opiniões e cada um criticará o que quiser.
    Era o que faltava! Já foi o tempo em que, no «5 Dias», havia quem censurasse opiniões contrárias das suas só porque sim, ou que se entretivesse a insultar os comentadores que não concordavam consigo. Prefiro que comentem a criticar do que não comentarem nada.
    Obrigado a todos, aos comentadores e aos colegas. A gente vê-se por aí.

  13. Carlos Vidal diz:

    Ricardo,

    Junto-me ao Nuno Ramos de Almeida, pedindo que reconsideres.
    Eu também fui criticado por ter comparado Sócrates a Pinochet, mas não desisti de nada pois, com efeito, não comparei Sócrates a Pinochet! – comparei o socratismo ao pinochetismo. Muito diferente. E nesse post que bateu recordes de comentários (131, como disseste) percebeu-se logo que comparar o “poder” ao “poder” era até lógico. Como agora neste teu post se percebe melhor aonde queres chegar.
    Vá Ricardo, até breve.

  14. GL diz:

    Ricardo, estás perdoado.

    Faça uma daquelas sobre o Cavaco e a malta ainda te paga um copo.

  15. eh ehe os acólicos dos MS acham que ele é a versão masculina da nossa Senhora de Fátima … é sempre assim esta dos mitos dos emaculados …
    n te esqueças que mts vezes a táctica dos silenciamentos é um despudorado apelo ao decoro

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  18. Ratman diz:

    Vendo Livro “Memorias de um PS desconhecido”

    Contacto: mjsm1689@nullgmail.com

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