“FORA!”

pedro-costa1
Pedro Costa, Juventude em Marcha (2006)
Tenho mantido polémicas agressivas ou simples discussões proveitosas com gente das ciências aqui no 5dias: primeiro com Filipe Moura, longa polémica que começou quando num dos meus primeiros posts fui surpreendido com um tonitruante “porque é que julga que aquilo que gosta ou pensa é importante?”; depois, já à volta de Sokal, com Palmira Silva; entretanto, outras discussões de pouca ou nenhuma agressividade, antes esclarecedoras e edificantes com benefícios mútuos (como uma discussão com Luís Rainha, também sobre o mesmo tema: o problema das ciências humanas e a sua “invasão” no domínio das exactas). Entretanto, cientistas (portugueses) em grande número têm colaborado nas minhas caixas de comentários e sempre no mesmo tom, o que me leva a copiar uma resposta dada atrás a Nuno Anjos (a quem agradeço a colaboração), resposta que me posiciona nestas andanças da relação arte e ciência, aqui na blogosfera encarando-a eu como sintoma de outras esferas mais abrangentes.
Disse a Nuno Anjos (transcrevo com alterações)
“Eu nunca discutiria com Sokal. Pura perda de tempo, desinteresse absoluto – gostaria (gosto) de discutir Lacan ou Deleuze e Derrida com quem necessita destes autores, nunca com sokais. Nem, humildemente o confesso, gostaria de ter um autógrafo do indivíduo. O livro dele (com Bricmont) está numa minha estante junto ao tecto, ao pó e à humidade. E está lá bem, graças a Deus.
Mas a blogosfera abriu-me horizontes espantosos.
Vivi mais ou menos fechado no universo das belas-artes mais de dez anos, primeiro como aluno, depois como professor (actualmente). Isto para dizer que nem suspeitava que existia cá fora e no meio da “ciência portuguesa” (sobretudo no IST) uma suspeição e inimizade ou antagonismo (Mao-Tse Tung diria e muito bem, “contradições antagónicas”) tão grandes pela actividade artística e pela experiência estetico-filosófica.
Confesso que não sabia que os “cientistas portugueses” detestavam tanto a arte e o pensamento contemporâneos. Andei pela escola (FBAUL) como estudante, depois pelos círculos do costume, galerias (como crítico e como artista), museus, história da arte, filosofia, estética, depois pela escola novamente como professor, etc. Vivi num microcosmo, sinceramente, muito salutar. Numa escola diferente onde não há nem nunca houve praxes académicas, não há vivência, da parte dos finalistas, de fitas e fitinhas para bênçãos, nunca vi na faculdade ninguém de capinha preta de “estudante”, não há uma tuna da FBAUL, etc, etc. De facto, o meu mundo é diferente do mundo “científico”.


Mantenham-se pois “cientistas” nos vossos rituais que não apreciamos, nada de misturas, portanto. Por mim, antagonismo total, e tudo marchará bem como sempre. Como diria um cineasta de que eu gosto muitíssimo (o Pedro Costa, que realizou um dos melhores filmes internacionais das últimas décadas, o “Juventude em Marcha”): “FORA !”

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39 respostas a “FORA!”

  1. porra diz:

    és uma besta gorda de presunção

  2. Carlos Vidal diz:

    Sim, sou uma besta gorda de presunção, sim senhor.

  3. Almajecta diz:

    Não te preocupare, da Ciência do Técnico, há muito que não sai nada. Nem tão pouco os engº civis, pois estão reduzidos a um guettozinho. Já nem vão para o LNEC, para aqui, ali ou acolá, são todos investigadores em rede glocal. Nem para o Tagus Park ou para o CERN. Deixa-os falar, que eles calar-se-ão. Volta EngºBrotas, estás perdoado. Presentemente os que estão a dar são os de Coimbra-Porto, mui literatos e faladeiros.

  4. PDuarte diz:

    é tudo pacifico.
    é tudo pacifico porque eu estava lá e assisti.

  5. miguel dias diz:

    Caro Carlos Vidal:
    O Bunuel escreve na sua autobiografia que o Breton costumava dizer que quando não percebemos nada do que um filósofo diz é porque o fulano é um canalha. E acrescentava que muitas vezes não percebia nada do que o Breton dizia.
    Não acha que dizer que “E=mc2 é uma equação sexista porque … «privilegia a velocidade da luz em relação a outras velocidades que nos são vitalmente necessárias” é uma canalhice?

  6. Carlos Vidal diz:

    Ora ainda bem que nem para o Tagus Park servem, e ainda bem que o eixo mudou para Coimbra-Porto, pois do Técnico (além do Jorge Calado, um melómano respeitável) vêm uma química admiradora do Sokal (quinze anos depois) e uma maltosa que acha que nós, artistas da treta, estamos aqui para lhes embelezar “sem sermos chatos” (que horror!!) os seus fins-de-semana no Douro, depois de passearem pelo lagar de Serralves (ah o jardim que belo, e que bela a alameda das tílias, ah). Por mim pagavam a entrada em Serralves, mas só com acesso aos jardins – para o resto teriam de fazer exames de admissão à classe de espectadores.

  7. Nuno Anjos diz:

    Carlos, para despedida quero dizer-lhe
    que para si ainda há esperança

    Em dois post no 5dias,

    http://5dias.net/2008/12/13/alain-badiou-e-a-arte-explicado-as-criancinhas-parte-2-a-minha-escola-e-esta-desigualdades-academicas-chateza-e-gajas/

    http://5dias.net/2008/11/21/post-com-inicio-aparentemente-macabro-mas-com-um-happy-end-prefiro-as-ossadas-de-salazar-a-toda-a-carne-deste-governo-mas-de-quem-eu-gosto-mesmo-e-da-victoria-silvstedt-admitindo-a-opcao-pelas-gem/

    teve como musa a Victoria Silvstedt.
    Pois bem, se se tornar conselheiro artístico do Berardo e sacar
    umas boas comissões por cada aquisição, ainda pode conhecer
    a sua musa de perto. Ela está aberta para o convívio.

    http://www.celebitchy.com/2006/06/victoria_silvstedt_receiving_o.html

  8. Carlos Vidal diz:

    Obrigado, Nuno Anjos, vou procurá-la incessantemente.

  9. João Urbano diz:

    Sokal e o texto da Palmira revelam ignorância e um sectarismo patético mas o que afirma o Nuno Anjos é de bradar aos céus, e apenas alimenta a pior cegueira. Pior, é o reverso exacto do que disse a Palmira. Estão bem uns para os outros.

  10. Almajecta diz:

    continua a não te preocupare, quanto á engª química, se fôr da orgânica desde já me prontifico para a colaboração no work in progress da investigação e respectiva adulação emotiva na construção da teoria objectiva. Pois tenho um fraquinho pelas plataformas de petróleo da Noruega, visto o frio-cristalização no ortorrombico estar a tornar-se mais do que o centésimo paper de referring internacional e etc e tal. Providenciado o modelo low-level dito de Victória Silvestedt a quimera resultará da cópia de annie sprinkle demonstrando que não tem dentes.

  11. João Urbano diz:

    Peço desculpa ao Nuno Anjos pelo erro de o mencionar no comentário assima que fiz ao post. Não era a ele que me referia mas ao autor do post, o Carlos Vidal. Que dirá ele, que tanto gosta da Badiou, de tiradas do mesmo Badiou como esta: “O ser em si advém à transparência do pensável na matemática.”(Court Traité d´Ontologie Transitorie)

  12. Carlos Vidal diz:

    Não digo que a frase seja claríssima, não é. Mas digo que é correctíssima. Se falarmos do ser, podemos começar em Parménides (e Badiou não o nega, pois está mais interessado na sua imobilidade do que, digamos no “fluxismo” de Heraclito): para Parménides o ser é, o não ser não é. Não quero dizer que Parménides seja igual a Badiou. Mas veja o que está aqui subjacente. Se o ser “é”, é porque o ser é igual “em todos os seres”. Não estamos a falar no ser “A”, no Manuel, no Joaquim, etc, ok? Estamos a falar de uma igualdade que só a matemática pode transmitir – tudo bem até aqui? Então se só a matemática o pode transmitir, a ciência do ser passa a ser a matemática e não a filosofia. Daí que o ser seja pensável na matemática ou pela matemática.
    A frase entronca-se no pensamento do autor e eu tentei explicá-la. Não tem nada de especial e muitos filósofos podem partilhá-la.
    Não é uma frase simples, mas é a forma encontrada pelo autor para mostrar aquilo que revela o ser, que revela o modo como o ser se torna transparente.

  13. “Mas a blogosfera abriu-me horizontes espantosos.
    Vivi mais ou menos fechado no universo das belas-artes mais de dez anos, primeiro como aluno, depois como professor (actualmente).”

    Ora ainda bem que reconhece que é um alienado. Fico contente de lhe ter aberto horizontes. Deixe-me abrir-lhe mais uns.

    A horrível tradição académica não é característica do mundo científico. É um hábito localizado. De fora de Lisboa. Trazido por moços da aldeia que querem tirar um curso decente. Quantos dos seus alunos não são de Lisboa?

    O Técnico tradicionalmente sempre foi antipraxe, e o Mariano Gago é disso o expoente máximo. Infelizmente, actualmente já não posso dizer a mesma coisa. Mas e um paraíso, em termos de praxes, quando comparado com a Coimbra ou Porto que o seu amigo refere.

    O António Brotas é o tipo que chegou a catedrático com um artigo publicado na vida. Coisas da academia tradicional portuguesa. Tenho muito respeito por ele, não científico (é da sua “escola” na relação com os alunos) mas político (é um grande soarista). Que saudades, não é?

    Finalmente, não é um assistente de quarenta anos que vai opinar sobre a investigação científica no Técnico e em Portugal. Não se cubra mais de ridículo.

  14. Carlos Vidal diz:

    Vou ter que aturar este pateta até quando?

  15. Vai ter que me aturar, sim. Eu saí do Cinco Dias para isso. Era muito cómodo para si eu não poder denunciar os seus disparates. Preferi sair por isso. Denuncio-os de fora.

  16. Carlos Vidal diz:

    Vou repetir o que no meu post sobre Heidegger disse sobre este indivíduo e o seu Sokal:
    Sokal não sei quem é nem de onde veio.
    É um anti-intelectual primário.
    O anti-intelectualismo serve os interesses da direita política (da social-democracia à extrema-direita) que detesta o pensamento especulativo.
    E tu, ó F Moura, não tarda muito corto-te a palavra.

  17. Miguel Dias diz:

    “E tu, ó F Moura, não tarda muito corto-te a palavra.”

    Afinal o Breton não tinha razão.
    O Vidal não é um canalha, porque não se percebe o que ele diz.
    É um canalha precisamente porque se faz entender perfeitamente.

  18. helderega diz:

    “De facto, o meu mundo é diferente do seu, ó Nuno Anjos, mantenha-se no seu, nos seus rituais que nós não nos apreciamos, nada de misturas. Por mim, antagonismo total, e tudo marchará bem como dantes.”

    Bem, só resta: SO-KAl fé-fé-fé SO-KAL fé-fé-fé

    “E tu, ó F Moura, não tarda muito corto-te a palavra”

    Muito revelador! Que figura tenebrosa!

  19. Carlos Vidal diz:

    Quase me revejo na totalidade do que leio – refiro-me ao último comentário de Miguel Dias. Grato, portanto.

  20. Carlos Fernandes diz:

    Bem, aqui vai a minha opinião (os meus 5 centimos) sobre Sokal.
    Do que tenho lido aqui parece-me que as dois posições – as que aqui desvalorizam, como as que o sobrevalorizam em demasia (como Palmira Silva e afins), estão erradas.

    A importância de Sokal – que é bastante, e incontornável- não está em nenhuma descoberta ou nenhuma teoria económica ou filosófica original que tenha elaborado, está no facto de ter chamado a atenção para “o rei ir nu” e para o charlatanismo e mediocridade que campeia nas revistas científicas, nas editoras e nos papers científicos, e que se disfarça e “embrulha” sob uma linguagem propositadamente erudita e cuidada para ser facilmente aceite pelos leitores “papalvos”.

    Ou seja ( e um pouco na linha de G. Debord que criticava certeiramente a sociedade do espectáculo, embora não concorde com muitas ideias políticas suas) o facto, objectivo e irrefutável, é que que conta hoje em dia nas nossas sociedades dominadas pelos mass-media, é a “imagem” (no triplo sentido da palavra) e o facto de o cientista ou o artista X ou Y ter acesso a mais ou menos minutos de antena ou dez ou vinte centimetros de espaço de jornal favorável e propagandistísco, é, tal como o código postal, meio caminho andado para esse tal X ou Y, por muito pouco talentoso e medíocre que seja, passar a ser visto pela sociedade como alguém de sucesso e prometedor…

  21. De nada.
    Permita-me apesar de tudo o seguinte elogio:
    O caro amigo (desculpe a intimidade) é, apesar de canalha, notável.
    Uma besta quadrada (ou mais correctamente redonda) de grande qualidade. Fazem falta ao país vilões da sua qualidade, e creia-me que não ironizo. Vilõezinhos de trazer por casa, escondidos e envergonhados é o que não falta por aí. O Vidal não, abre o peito às balas e venha lá quem vier leva troco. Quem se mete com consigo leva e má nada, `à sua beira o Coelho é um menino de coro. Com o Vidal não se brinca.
    Determinado, vai a todas. Se fosse jogador de futebol jogava no meio campo a varrer tudo inclusive os da sua equipa. É daqueles que calça a chuteira até ao pescoço e enche o campo a distribuir pancada.
    Esmaga a ralé com toneladas de erudição, como uma divisão de tanques israelitas em dia de invasão. Uma verdadeira arma de destruição maciça.
    No entanto, aqui e ali, ameaça que, tal como os meninos ricos mimados que tinham uma bola de cautchú, que vai levar a bola para casa se fulano continuar a jogar. A Palmira hoje não joga, porquê? O Vidal não quer. O Moura não joga. Porquê? O Vidal está mal disposto. Mas é tudo basófia e bluff, no fundo o que quer é continuar a jogar para dar pancada. E levar (Freud explica isto? Ou é o Lacan?).
    É um homem que vai à luta. Qual? Não sei. Ninguém sabe. Mas que luta, luta. É uma espécie de Santana Lopes da…da… mas afinal o que é você é? É professor, é critico, é intelectual? Não é o Super-Intelectual. Vidal o Super-Intelectual.
    E o que é um intelectual ? Para que serve um intelectual, ó Vidal. Para mais se for super.
    Segundo o Vidal, já se sabe que é um gajo(a) que não milita da social-democracia até à extrema-direita. E pensa. Pensa muito. E escreve, escreve muito. E que os outros não gostam dele, porque não percebem o que ele escreve, os burros. Por isso tem prerrogativas como exclusividade para entrar em Serralves, ele e os amigos, os outros intelectuais, os eleitos que atingiram o Nirvana da erudição. Desde que ele seja o guia grande timoneiro, o que explica às criancinhas o que é ARTE.
    (continua se você deixar)

  22. Carlos Vidal diz:

    Caro Miguel Dias,
    Grato pelo seu comentário. Mas olhe, tudo isto tem a ver com o facto de a arte ter as costas largas, mas veja como ela é frequentes vezes mal-tratada – de “chata” para baixo. A especulação então ainda é pior, é de “fraude” ou “impostura” para baixo. E eu aqui estou a defender estas coisas, por razões de gosto e profissão (ou gosto e ordenado, para ser mauzinho). Mas não percebo a última frase, “continua se você deixar”.
    Continue, claro, como quiser. Até agora, está a elogiar-me, mas se não quiser elogiar, diga o que quiser. Um intelectual pode ser tudo o que você disse, mas também o contrário. Por isso, porque não tem definição possível, é que chateia certos tipos das ciências (mas não todos, obviamente).

    PS: Você sabe escrever, você não é o F Moura.

  23. Almajecta diz:

    Caro superVidal, ora cá está o que mais admiro, a Verdade e o seu contrário, permite-me o comentário embebido no centro nevrálgico da essencia das ideias, especulação e problematização da perspectiva temática Arte/Ciência. Começa pelo método da modernidade nada formalístico nem vazio por estar virado para o centro do ser do ente ( uma igualdade apenas transmitida pela matemática),não é aquele sinalito de igual? Nem a confusão de igualdade com equivalência, mui viva e actuante para além do dinamismo autónomo continua a deixar-nos na ignorância. Tal sapiência, jeito e destreza com as formiguinhas bem arrumadas em conceitos, avança pouco.
    Começo a irritar-me, a criançada ligou a Wii e já estou a ouvir a música de criação dos personagens. Mas adiante, vamos, vou dizer-te – e tu escuta e fixa o relato que ouviste.
    – quais os únicos caminhos de investigação que há para pensar;
    Sem que possamos ter uma ideia precisa da extensão suprimida de poema – na verdade, praticamente sem transição -, a deusa começou o seu discurso.

  24. Ó Vidal, você agora derreteu-me todo. Eu aqui a pensar que o estava a desancar e o amigo passa-me a mão pelo pêlo,e cheio de falinha mansa, diz que estou a elogiá-lo, que escrevo bem e mais não sei o quê. Ora bolas, assim não dá gosto. Assim não continuo.

    Mas permita-me antes de desistir as seguintes achegas.

    Diz que está chateado por andam para uns meliantes dizer que a Arte é chata. Mas há alguma dúvida que a Arte é chata? E depois? O futebol também é chato, a tourada é chata, jogar sueca é chato, cuspir para o chão é chato. E que dizer da ciência ou da filosofia? Chatas.
    A chatice está inscrita em todas as actividades humanas. Só deixam de ser chatas quando começamos a olhar para elas e, após um primeiro deslumbre, nos inquietamos e ficamos perturbados. Aí passa a interessar, deixa de ser chata. Queremos saber como é? Como é que se faz aquilo? Porquê? E queremos respostas às nossas perguntas. Por isso especulamos.

    E o que é a especulação senão uma fraude e uma impostura. Veja o fulano da Bolsa que lhe diz que amanha o PSI vai subir 10 pontos. O tipo está cheio de boa fé. Estudou a conjuntura, analisou a estrutura, dissecou o raio que o parta. E no dia seguinte, pimba, crash. Isto não é fraude? Especular é dizer como vai ser, como foi ou como é, sem ter a certeza. Fraude, portanto. Caramba veja o F de Fraude do Orson Welles.

    O que provavelmente chateia os cientistas (alguns, como você diz e muito bem) é que a fraude deles tem perna curta. Testa, ensaia, postula, experimenta, sai-se com uma, recebe o Nobel, o pessoal aplaude e passados quinze dias aparece outro caramelo a dizer precisamente o contrário, que aquilo está tudo mal, que não é assim. And so on.

    A fraude filosófica é outra conversa, demora mais tempo, não é de um dia para outro. Quem é que desmascarou o Sócrates ( o grego)? Ah pois é… Peça lá a um cientista para provar que o só sei que nada sei está errado. Ou cogito ergo sum. Nem o António Damásio,que é doutro campeonato, que só provou(?) , e não foi pouco diga-se, que a separação cartesiana entre corpo e mente é errada(por enquanto).

    Outros cientistas que não são burros, espantam-se perante a especulação filosófica. Ousam perguntar:queres ver que isto dava-me imenso jeito? Veja o supracitado Damásio, que no “Sentimento de si”, se deslumbra perante a especulação “fraudulenta” do Espinoza.

    E o que dizer da fraude e a impostura da arte? Nada. Arte é fraude. E depois? Vem mal ao mundo por isso? Muito pelo contrário. Ainda por cima não pode ser desmascarada, porque antes de o ser, já nasceu assim. Peça lá a um cientista para desmascarar a Vénus de Milo. Não consegue. Tinha de chamar o Pessoa, este sim, um vigarista de grande calibre.

    Resumindo o amigo anda a gastar saliva sem necessidade.

    Quanto aos intelectuais é outra conversa, e porque a noite vai longa, fica para outra ocasião.

    Sempre a desconsiderá-lo

  25. Carlos Vidal diz:

    Caro Miguel Dias, sempre bem-vindo, evidentemente.

    Quando concordo com alguém, no mínimo, felicito-o!

    Eu não me queixo que considerem a arte chata, eu queixo-me que a considerem de chata para baixo (aí o tempo de trabalho de resgate e redenção de nada serve – estamos todos tramados).

    Eu também acho que o especulador está em todo o lado.
    Mas repare, o especulador bolsista é nocivo para a comunidade.
    Para mim e para si.
    O especulador artístico, critico-filosófico, por seu lado, tem a virtude de ser inútil.
    Não destrói nem melhora a vida de ninguém (ao contrário do que julgam alguns humanistas sem tino).
    Entre ser nocivo e inútil, a comunidade TEM de escolher o inútil (como eu e muitos). TEM MESMO. Tem mesmo.

    O sonho do Damásio era conhecer o cérebro de Mozart, nunca percebi para quê – eu contento-me em ouvi-lo e tentar perceber se o ouço melhor com Karl Böhm ou René Jacobs (o último, sem dúvida, é imbatível – melhor que o Damásio em tudo, até porque quase é uma reencarnação “melhorada” de Mozart).

    Que ando a gastar saliva para nada – isso sei eu: não foi o que lhe acabei de dizer elogiando-me como inútil?

  26. Não menospreze tanto o Damásio, que um dia pode lhe fazer falta
    Vai o cavalheiro a andar na rua e cai-lhe um vaso na cabeça.
    Já viu o sarilho: Ó Damásio venha rápido que o Vidal levou com um vaso na mona. Ai sim, ele que chame o Jacobs, que é melhor que eu.

    Quanto ao resto, e como milito na zona que fica entre a social-democracia e a extrema direita, nunca nos iríamos entender!

    Adeus, até ao meu regresso

  27. Carlos Vidal diz:

    Então até ao seu regresso.
    De qq maneira, um conselho: fique pelas bandas da social-democracia. Não avance mais para lá.
    Até breve.
    CV

  28. deixa-me rir diz:

    ” Andei pela escola (FBAUL) como estudante, depois pelos círculos do costume, galerias (como crítico e como artista), ”

    Como artista…eheheheheheh….

  29. Carlos Vidal diz:

    Artista intermitente, quando quero e me apetece, ó “cão triste” (teu endereço de e-mail), e muito bem representado no MACS e no MEIAC, o que o meu bolso agradeceu muito na devida altura. Ah, “cão triste”, sabes muito pouco. Ri-te, ri-te.

  30. ezequiel diz:

    … para o resto teriam de fazer exames de admissão à classe de espectadores.”

    Claro, Vidal. Proletecos na 3 classe. É assim mesmo. Cuidado com aqueles insípidos vestidos com casaco azul, sem gola. Tão muito na moda, mas falsificaram os resultados dos exames e entraram incógnitos, qual maoistas do MRPP, naquela exuberante manifestação artística que não compreendem, coitados. Manda-lhes para a China, pá. Há esperança!!

  31. Carlos Vidal diz:

    Zeque, aprende a ver o cinema do Pedro Costa:

    Fora !

    (e o maoismo está renascidíssimo)

  32. ze diz:

    o newton era facho ou tinha mau gosto? avisem lá sff, para saber se a gravidade é uma conspiração do fmi ou algo assim.
    quem não sabe o que é ciência não pode de facto entender que não há implicações morais ou estéticas nos fenómenos físicos.

  33. ezequiel diz:

    Vou tentar, Carlos, vou tentar ascender à condição de aprendiz. Não sei se conseguirei mas morrerei tentando!! Sinceramente, não sei se conseguirei suportar aquelas bestas proletecas a quem exiges os exames. É uma pena. Somos tão poucos e eles tantos. Temos que fazer qualquer coisa para resolver este problema. Podemos usar o capitalismo para revitalizar o maoismo. Foi isto q os chinocas fizeram. Que tal?

  34. e eu que pensava que o binómio de newton era mais bonito que a vénus de milo

  35. JC diz:

    ” o maoismo está renascidíssimo”

    O Carlos Vidal tem razão. E como está renascido, aqui ficam algumas geniais saudações do Grande Timoneiro, perante o qual os Carlos Vidais deste mundo esgalham pívias em orgasmos múltiplos:

    1-Estou ocupado a comer bem todos os dias, quer saciando o meu estômago, quer melhorando a minha saúde.

    2- O Partido Nacionalista ( Chiang Kay Chek) é um partido proletário e deve ser reconhecido pelas Internacional Comunista.

    3-Uma ou duas pessoas espancadas até à morte não é grande coisa.

    4-Uma revolução não é um jantar de festa; implica violência. É necessário provocar um reinado de terror em todos os condados.

    5-Se os inimigos de classe e grandes proprietários forem teimosos, rasgamos-lhe os tendões do tornozelo e cortamos-lhe as orelhas.

    6-Temos de esmagar os tiranos proprietários de terras e se as massas não compreendem o que significa “tiranos proprietários de terras”, podem dizer-lhes que significa os que têm dinheiro.

    7-Para fazer com que os camponeses adiram à revolução só há uma forma: utilizem o terror vermelho para os incitar a fazer coisas que não lhes deixem qq hipótese de mais tarde estabelecerem compromissos com a aristocracia e burguesia.

    8-Não tenham nem um pedacinho de sentimentos. Matem, matem à vontade. Matar os reaccionários é o trabalho de maior importância numa insurreição

    E estas, já no campo da Arte, tão querido aqui do cromo de serviço:

    1-Consigo comer muito e cagar muito.

    2-Se os detidos são incapazes de aguentar a tortura e fazem confissões falsas isso prova que são culpados de antibolchevismo. Como é possível que revolucionários leais façam confissões falsas para incriminar outros camaradas?

    3-Na Longa Marcha ia reclinado numa liteira e lia, lia muito.

    4-Democracia, liberdade, igualdade e fraternidade são conceitos que devem ser apenas utilizados para as nossas necessidades políticas. O camarada Peng De-Huai, não deve falar deles como ideais genuínos.

    5-Para aumentar a produção agrícola dependemos apenas de dois ombros e um rabo de cada camponês ( trabalho manual e estrume)

    6-As pessoas dizem que a pobreza é má, mas de facto a pobreza é boa. Quanto mais pobres, mais revoucionárias as pessoas são. É horrível pensar numa época em que toda a gente seja rica. O excesso de calorias não faz bem.

    O maoísmo está renascido

  36. Carlos Vidal diz:

    JC, vai ter de passar a engolir a sua matéria fecal a partir de agora, ou a partir de quando eu decidir e sempre que eu decidir. Não comentará textos com conteúdos que não lhe dizem respeito.

    Miguel Dias, o binómio de Newton nunca é mais belo que a Vénus de Milo – quando muito é tão belo quanto a dita cuja.

  37. JC diz:

    Carlos Vidal, é sempre um prazer expor à claridade as pulsões totalitárias dos pequenos Robespierres da nossa praça.
    A matéria fecal é do Mao…e foi o Carlos Vidal que a louvou.
    Gostos!

    De resto o verbo e o acto confirmam o diagnóstico. Já não sou o 1º comentarista a quem ameaça com o lápis azul.
    Parece que isso já é hábito em si, até o Filipe Moura já levou com ele na mona.
    Ainda bem que você só manda aqui. Um tipo como você chegou a mandar no Cambodja.
    Não foi bonito de ver…

    E quanto à Venus de Milo, falta-lhe qq coisa…acho que não tem anéis nos dedos, mas mesmo que tivesse, nem assim se compararia à extraordinária beleza da fórmula de Euler ( e**iPi +1 =0)

  38. Carlos Vidal diz:

    JC
    O que para aqui manda não tem utilidade.

    Não sabe insultar, coisa que aprecio (como apreciei a comparação com o Mário Machado – mas isso v. só sabe fazer uma vez por ano).

    Exponho-me como Robespierre porque aprecio Robespierre, como todos sabem.
    Consigo não uso lápiz azul: uso matéria fecal.
    O que se passou com F Moura nada tem a ver consigo – foi uma discussão que abandonou primeiro quem quis.

    Não encha esta caixa de comentários porque se não sabe o que dizer deve respeitar quem tem coisas para dizer, e aqui há matéria interessante, sobretudo por ser discordante e insultuosa comigo. Por isso é que é interessante.

    Da sua parte vêm letras que ocupam espaço. Espaço que outros precisam.

  39. JC diz:

    “Não sabe insultar”

    Essa é insultuosa, meu caro.
    Concordo que não é fácil insultar um indivíduo que considera elogiosa a comparação com Robespierre, o Grande Timoneiro e outros grandes imbecis da História, mas aqui este seu amigo, preza demais a arte do insulto para aceitar que a sua mestria no assunto seja posta em causa por estagiários imberbes e com as hormonas ainda aos saltos.
    O JC, além de falar na 3ª pessoa, como o Jardel e todos os bons avançados da ripa na rapaqueca, cultiva a sublime arte do insulto e, modéstia à parte, quando insulta, fá-lo com superioridade, sem se desculpar com falta de espaço e outros eufemismos para a tesoura de coronel da PIDE, ou censor do KGB.

    E não me venha para aqui com parlapatice, porque está cientificamente provado que não há relação entre a falta de espaço e a pulsão totalitária das repúblicas de virtude.

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