O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (III – Julho a Setembro)

Para Fernanda Câncio, os portugueses consideram o catolicismo como parte integrante da sua nacionalidade. Curiosamente, o número de praticantes não pára de diminuir. Ainda no dia 1 de Julho, a jornalista volta à carga com o tema dos senhorios. «Sequestro dos senhorios, take 2», e Filipe Moura já a ferver.
«Algumas delícias sobre esses parasitas chamados senhorios», foi a resposta do autor. Gosto muito do Filipe Moura, mas é realmente um texto delicioso. «A minha tia avó morreu há oito anos. Pagava cerca de mil escudos de renda. Tinha uma reforma de trinta contos. Que renda é que queriam que ela pagasse? (…) O Salazar fez muito bem em ter congelado o preço das rendas. (…)Em que é que o aluguer de casas por privados desenvolve a economia, estimula o crescimento? Por isso eu tenho pena de o Vasco Gonçalves não ter nacionalizado a habitação – embora esteja longe de defender um Champalimaud ou um Mello, consigo ter mais respeito por estes senhores do que por um senhorio. Por isso, aos senhorios queixosos eu pergunto: e se vendessem as vossas casas, que não vos fazem falta nenhuma?»
Não admira que, depois destas pérolas, Filipe Moura tenha conseguido 106 comentários! (ó Filipe, não me leves a mal).
A ferver teria ficado Scolari com a derrota frente aos alemães, se já não tivesse um lugarzinho assegurado no Chelsea, onde, suspeito, não terá grande sorte. «Nós e o futebol alemão» é um «post» de João Pinto e Castro.
A ferver ficaria Manuela Ferreira Leite se visse a caricatura do Irmaolúcia: a Dr.ª Manela a ser fornicada por si própria!
A ferver terão ficado os membros da FARC quando vieram que foram enganados e que Ingrid Bettancourt foi finalmente libertada. Triunfante, Ana Matos Pires escreve: «Estou contente».
A ferver ficou Fernanda Câncio. Quando ouviu Manuela Ferreira Leite dizer que se pode chamar uma coisa qualquer à ligação entre pessoas do mesmo sexo, mas que não se chame casamento. «A importância de ser retrógada». Antes, já difundira um comunicado da ILGA sobre o asssunto.
Inês Meneses chega à conclusão de que concorda com Fernanda Pessoa no que diz respeito a Fátima: «Morte à religião, aos cristãos, aos judeus, aos gays, aos árabes. / Não vos bastai putas e vinho verde?» Mais tarde, Inês Meneses volta a espantar-se: « O quê? O casamento não serve para ter filhos?! Os filhos não dependem do casamento?!»
Cá por mim, agora que estamos no início de Julho, fico à espera do sentido de voto do PS quando for discutida esta matéria no Parlamento.
«Falsos gémeos» é um «post» de Rui Tavares acerca das semelhanças e das diferenças entre PS e PSD. São praticamente iguais, diz a opinião pública, e eu subscrevo. Para o «blogger», são mais parecidos do que deviam ser, mas não tanto como as pessoas pensam.
Num irónico «post», «A grande fractura», Nuno Ramos de Almeida vem dizer que PSD e PS são exactamente iguais: «Na semana passada, a esquerda responsável e a direita do arco da governação mostraram as suas inultrapassáveis diferenças. Estavam a votar uma proposta do PS e PSD. Os homems de Sócrates chumbaram a proposta do PSD e aprovaram a sua. Mostraram, mais uma vez, a aleivosia daqueles que teimam em considerar que há um centrão dos interesses. Que diabo! Ainda existem convicções!»
A 8 de Julho, Filipe Moura retoma a questão dos senhorios. Mais um «post» delicioso a terminar assim: «O mais curioso é que os maiores defensores do arrendamento de casas têm todos casa própria! Defendem o estímulo do arrendamento, mas arrendar casa não é com eles. Quem os quer ver é nas suas casinhas próprias. Se viver em casa alugada é tão bom, por que não alugam as suas casas uns aos outros e deixam os trabalhadores terem casa própria, uma ambição justa e legítima?» João Galamba responde-lhe alguns «posts» depois. É a «silly season», na óptica de Luís Rainha. Ou, num João Pinto e Castro gozão, com foto de deportados, «Deportação para a Patagónia de senhorios exploradores».
Parte do «5 Dias» não gostou do relatório da SEDES que «cascava» no Governo. João Pinto e Castro, pelo menos, não gostou. E também não gostou da opinião de Vicente Jorge Silva sobre a relação entre o aumento dos combustíveis e o novo Aeroporto de Lisboa e, vai daí, chamou-lhe cretino. Ao invés, Fernanda Câncio gostou de um hotel do Porto, apesar da gritaria dos AC/DC.
Ainda no Porto, qual «agente provocador» do «5 Dias», Filipe Moura pensa que se devia «acabar de vez com o Porto», que o problema do Porto é «a inveja de Lisboa» e que se devia «regionalizar todo o país excepto o Porto». Este vosso escriba chamou-lhe inimputável na caixa de comentários. Agora que até já se dá bem com ele, diria apenas que tenho pena que ele não se chame Lacerda. Mais tarde, João Pinto e Castro volta a brincar com uma fotografia: «Exilados abandonando Gaia após anexação pelo Porto».
Voando para o sul do país, Paulo Pinto está a passar férias numa das partes mais interessantes do Algarve, ali para os lados de Castro Marim e Vila Real de Santo António. Entre outras, refere-se à curiosa configuração dos municípios da zona. Para quem não sabe, o concelho de Vila Real de Santo António está dividido em duas partes, sendo que há uma distância considerável entre essas duas partes. Pelo meio, encontra-se o de Castro Marim.
Fernanda Câncio assume o amadorismo do «5 Dias», já que foi o único que não falou da violência na Quinta da Fonte. Há pretos racistas, há ciganos racistas, disse João Miranda, e Nuno Ramos de Almeida anotou. Rui Tavares também fala do assunto nos «posts» «Pretos e ciganos» e «Um espasmo». Afinal, fala-se da Quinta da Fonte no «5 Dias»!
Qual Robin dos Bosques, José Sócrates é alvo da ironia do Irmaolúcia: «Petrolíferas, tremei, vem aí o herói em collants». Pena que nenhuma petrolífera tenha chegado a pagar um cêntimo de impostos a mais.
No «post» «Espírito Reformista», Nuno Ramos de Almeida aborda a sobrelotação das maternidades de Lisboa, algo que, por vezes, obriga as mães a ir ter os filhos para o Barreiro.
Henrique Raposo e José Manuel Fernandes sabem que o que está por trás dos casamentos «gay» é, no fundo, a adopção de crianças. Que virá a seguir. Ana Matos Pires exclama: «Para o que lhes havia de dar».
Nuno Ramos de Almeida ironiza com a situação no Médio Oriente: «Mais um terrorista palestiniano que agrediu uma bala israelita».
João Ubaldo Ribeiro ganha o Prémio Pessoa e Maria João Pires e o Irmaolúcia assinalam o acontecimento. O mesmo Irmaolúcia põe o rei de Espanha às cavalitas de Hugo Chávez. «Porque no te bañas?»
O Insurgente chamou «esquerda caviar» a Nuno Ramos de Almeida e este ficou irritado, porque é mais esquerda tremoços. Pois então o Insurgente é direita cro-magnon que veste na Cenoura!
Quem anda muito calado é Manuel Maria Carrilho, que não fez uma única intervenção na sessão legislativa 2007/2008. Nem um simples requerimento, uma interpelação, um relatório. Nada. «O problema é que a vaidade tanto incita à produção como condena à prostração, tudo depende do contexto», refere Maria João Pires. João Galamba debruça-se sobre a obsessão (a palavra é minha) de Paulo Portas pelo Rendimento Mínimo. São as «certezas apriorísticas» da inqualificável criatura. João Cravinho, por sua vez, critica o Governo num desenho do Irmaolúcia. «Está lá sossegadinho, ó João».
Como resolver o problema da pobreza? Não fazer nada, parece ser a solução de Rui Ramos, como nota Rui Tavares no seu «post» «Ideias perfeitas».
Como estamos na «silly season», Marta Rebelo dá-nos conta de que as massagens passam a ser proibidas no Algarve. Porque toda a gente sabe como é que acabam, dizia então o senhor comandante.
A frente ribeirinha de Lisboa já está em debate público e Rui Tavares dá a sua opinião sobre o que fazer com o Terreiro do Paço.
31 de Julho. Aguarda-se a comunicação ao País do Presidente da República. De suprema importância, adivinha-se, até porque estamos em pleno Verão. Vai dissolver a Assembleia? Vai anunciar que está doente e tem de resignar? Não. Afinal, é o Estatuto dos Açores, de que poucos tinham ouvido falar até então. Afinal, segundo o Irmaolúcia, a montanha pariu um rato. É a «onda gigante» de Rui Tavares.
Filipe Moura aclama Gilberto Gil, o Ministro da Cultura do Brasil. «Alô Gil, aquele abraço». No dia seguinte, Luís Rainha dedica-lhe uma canção.
O Irmaolúcia «bate» em Miguel Sousa Tavares, como é habitual no «5 Dias». Agora, «o cientista social Sousa Tavares, pronto a lidar com a ciganada». Mesmo para quem gosta do homem, como eu, admito que algumas das suas opiniões põem os cabelos em pé a qualquer um.
Ana Matos Pires conta-nos a triste história de «O Primeiro de Janeiro». Ou como um empresário ganancioso e sem escrúpulos despede toda a Redacção de um jornal centenário para contratar meia dúzia de pessoas no seu lugar.
Para Rui Tavares, o Bloco de Esquerdo perdeu a virgindade no momento em que fez um acordo com o PS na Câmara de Lisboa. «Foi-se e não volta mais», refere o «blogger».
E como o Presidente da República é muito importante, vai de proibir os aviões de sobrevoarem a sua casa de férias. Sua Excelência não pode ser incomodada com o barulho. É o «bunker cavacus» do Irmaolúcia.
Paris Hilton responde a John McCain. E a comunicação social Americana discute a política energética do país. Nuno Ramos de Almeida andou pelo youtube. «Suck my dick», diz Fernanda Câncio a propósito das mulheres na tropa. Mas bem poderia ser a resposta de John McCain a Paris Hilton. «Tropas especiais portuguesas» – dias mais tarde, Inês de Meneses irá apresentar-nos uma mulher de barba rija.
8 de Agosto – começam os Jogos Olímpicos de Pequim. Afinal, não houve boicote. Michael Phelps é o grande vencedor. Francis Obikwelu desiludiu. Marco Fortes, de manhã, só se sente bem na caminha.
Quase no último dia, Vicente de Moura até já anunciara a demissão, é hora de celebrar o grande Nélson Évora, medalha de ouro do triplo salto. Maria João Pires rói as unhas, Inês Meneses nota que a felicidade foi-nos trazida por um imigrante não-PALOP, Filipe Moura dá os parabéns ao Benfica (?????). A caixa de comentários, no que diz respeito ao mulherio, está ao rubro: «Um colírio para os olhos», diz Maria João Pires; «aleijadinho de bom», junta Ana Matos Pires; «um bombom», acrescenta Manuela. E ainda não viram o vídeo no youtube, «The Biggest Bulge».
Entretanto, o país acompanha em directo o assalto a uma dependência do BES. O clímax dá-se quando um dos sequestradores aponta uma arma à cabeça de uma refém. «Sorte no BES», escreve Luís Rainha, num texto em que discorre sobre a actuação da Polícia. Só se lamenta, aqui, que no «5 Dias» tenha havido gente a festejar a morte de um dos reféns.
Zé Nuno defende as bicicletas nas cidades. Já! Luís Rainha compara a inteligência de José Rodrigues dos Santos com a do macaco Gervásio. Já Zé Nuno, dias mais tarde, apresenta a conferência de imprensa do Presidente da Ryanair, em que ele justifica a oferta de «blowjobs» aos clientes como uma das razões do sucesso da empresa; e apresenta também o anúncio da «Heinz», censurado em Inglaterra.
Continua o debate sobre a Polícia, a actuação da Polícia e o número de polícias em Portugal. João Pinto e Castro apresenta Portugal como o sétimo país da União Europeia com maior número de agentes, Fernanda Câncio corroborará a opinião. Claro que metade deles ou mais está dentro das esquadras a fazer trabalho de secretaria, mas isso agora não interessa nada…
No início de Setembro, Fernanda Câncio retoma o tema da desertificação da Baixa lisboeta. De Lisboa e, digo eu, do Porto.
E Sarah Palin acaba de ser escolhida para candidata a vice-Presidente dos Estados Unidos pelo Partido Republicano. Nos meses que se seguirão, o «5 Dias» vai dedicar inúmeros «posts» à cómica personagem através de Palmira Silva, do Irmaolúcia, de Palmira Silva, de Luís Rainha, de Palmira Silva, de Maria João Pires, de Palmira Silva, de João Pinto e Castro, de Palmira Silva, de João Galamba, de Palmira Silva, de Rui Tavares, de Palmira Silva e de Zé Nuno. Ah, já me esquecia, e de Palmira Silva.
Zé Nuno encontra numa montra de Lisboa o livro do Menino de Ouro do PS, escrito pela Menina de Ouro da Antena 1.
Como todos os anos, começa a Festa do Avante. E Nuno Ramos de Almeida relembra que os Area estiveram na primeira edição. «Para os comentadores, com amor» – eis uma belíssima declaração do mesmo autor.
O Presidente da República vetou as alterações à lei do divórcio e Fernanda Câncio não gostou. «O veto paradoxal».
E Paulo Pinto fala da indemnização a que Paulo Pedroso vai ter direito por ter sido preso sem justificação. 58 comentários numa caixa quente e onde se percebe que nada mudou: a decisão nada significa acerca da inocência de Pedroso, apenas se diz que, por não existirem provas, o ex-ministro não devia ter sido obrigado a usar o balde higiénico (ei, De Puta Madre!).
Por falar nestas coisas, Paulo Portas, que tem muitos segredos, andou um ano a esconder que Nobre Guedes se demitira do PP. «Pinóquio!», desenha o Irmãolúcia. Foi o seu penúltimo «post».
A 8 de Setembro, Pedro Vieira, o Irmaolúcia, comunica que vai sair do «5 Dias».
A propósito das eleições americanas, João Galamba critica Luís Rainha.
No mesmo dia, Luís Rainha responde-lhe.
Entretanto, João Pinto e Castro vê tudo muito calado: «Agora, que as bolsas caem a pique, que os bancos de investimento vão à falência e que as seguradoras ameaçam deixar de resgatar os fundos de pensões, era interessante ouvirmos outra vez a opinião dos defensores da privatização da segurança social.» Ignorando, certamente, que o actual Governo colocou 20% do dinheiro da Segurança Social num desses fundos de investimento.
Para João Galamba, o combate à pobreza não se faz com artificialismos de mercado, porque este não tem uma lógica de justiça social nem quer saber disso para nada.
Parece que a Direcção da Bancada do PS no Parlamento vai impor o voto contra no projecto-lei do Bloco de Esquerda relativo ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ana Matos Pires propõe duas vezes: «E se fossem brincar com a pilinha pró sol?» Ou como, na visão de João Galamba, o pragmatismo eleitoral se sobrepõe aos princípios.
Maria João Pires tem o costumeiro ataque de fel de início de ano lectivo. E isto porque não concorda com um cartão magnético que controla a vida dos alunos ao pormenor.
O «Dia sem Carros» é, a bem dizer, o único dia em que os municípios se preocupam com os transportes públicos. Filipe Moura nota-o bem e propõe as bicicletas como alternativa.
Afinal, o PS também defende que o casamento é para procriação?, pergunta Fernanda Câncio, dando conta de mais um comunicado da ILGA sobre o tema. A mesma autora discorre sobre os Magalhães e sobre os «perigos» para as crianças quando escrevem vagina no Google. Mas não há que preocupar: o ecrã é tão pequeno que o mais certo é não perceberem nada do que estão a ver.
«Fomos muito coerentes, não é?», pergunta Nuno Ramos de Almeida ao PS a propósito do cartaz da JS «Fomos iguais a ti».
A propósito do cartão magnético nas escolas, Filipe Moura discorda totalmente de Maria João Pires.
Nos Estados Unidos, Cavaco abre a sessão da Wall Street, em forte queda, quando se sabe que nenhuma figura pública o quer fazer. McCain e Obama vão a debate logo mais.
E a Câmara de Lisboa anda há anos a dar casas a torto e a direito. Uma história manhosa, no dizer de Luís Rainha. Baptista-Bastos e Ana Sara Brito não acham. Afinal, é «a casa da gente».
Morreu Paul Newman. Outro colírio para os olhos de Maria João Pires?
António Figueira regressa com o «Dia da Raça», adaptação livre de «Une histoire du Petit Poulou».
E assim chegou o fim do mês. Vinham aí tempos quentes para o «5 Dias».

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.