Aqui jaz um artigo infeliz

Hoje de manhã escrevi aqui um artigo infeliz sobre o caso de um miúdo de 14 anos morto por fogo de um agente da PSP.
Ao longo do dia, fui tentando defender um ponto de vista que, fui-me apercebendo, só perdeu ao ser apresentado como o fiz. As alterações ao artigo que fui fazendo não chegavam para cobrir a borrada, e as sucessivas clarificações nas caixas de comentários também não.

Meti-me neste blogue para tentar ser mais eficaz, mais “equilibrado”, não no sentido de moderar uma posição, mas de conseguir apurá-la e defendê-la da forma mais eficaz. Falhei.

Tenho que reconhecer razão aos meus detractores, e reservar para mais tarde um artigo melhor documentado sobre a forma como a polícia portuguesa lida com o seu poder de fogo, sobre a conivência de muita gente com certos abusos, que me parecem ser um problema grave. E ainda outro sobre uma sociedade que dispense o mais possível o músculo estatal para se regular. Neste falhei, misturei tudo, com a minha opinião sobre a polícia e insultos à mistura. Foi um artigo mau, não havia solução senão eliminar, desculpem.

Espero que as cabeças mais ajuízadas que me ajudaram a ver este desiquilíbrio não levem a mal que com a eliminação do artigo, se foram também os seus comentários.

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18 respostas a Aqui jaz um artigo infeliz

  1. rms diz:

    Só lhe fica bem. Um abraço.

  2. GL diz:

    Mantenho entretanto a minha aposta: o miúdo que foi morto era negro.

  3. PMA diz:

    n me considero uma das “cabeças ajuizadas” a q se refere no post, mas n posso deixar de espressar o meu agrado por uma atitude q só lhe fica bem. A si e ao blogue(por ser colectivo).

    como os comentários tb se foram, n me resta alternativa a responder aqui à Berta:
    Toda a gente lamenta a morte de um jovem, em q condições forem;
    “fundamentalismo securitário histérico” será a sua interpretação do q se passou, com base nos seus testemunhos (n vou questionar quais);
    não vi nenhum júbilo pela morte de um jovem em nenhum comentário ao anterior post;Ninguém disse q pena para roubo seria a morte.
    Como me considerei visado no seu comentário de um profundo maus gosto,n considero exagerado o adjectivo de estúpido, para o qualificar(e n a si q n conheço).

  4. j diz:

    João Branco,

    Fica bem esta sua atitude, embora ache, mantenho, que não devia ter retirado o post, onde devia incluir os íltimos comentários que fizemos fora da caixa de comentários.

    Porque cada um é livre de ter as ideias que entende, desde que as manifeste “democraticamente”.
    Não foi o caso, mas, enfim, todos temos os nossos dias bons e maus.

  5. João Branco diz:

    PMA, olhe que a Berta sabe do que fala: há muita gente, incluindo quem escreveu “vítima” entre aspas e chamou ironicamente “coitadinho” ao miúdo assassinado que deixou implícito que isto não é grave. Que não se devem tirar ilações. Aposto que se fizer um inquérito à população portuguesa grande parte até lhe dirá que o polícia não deve ser julgado.

    Se não acredita, leia os comentários do Público e do DN, e recorde esta notícia não tão antiga, de uma manobra populista e decerto desiquilibrada.

  6. Su diz:

    Todos temos dias assim, João. Só que tê-los num blog destes é “tramado”…
    Venha de lá essa posta para se discutir com a seriedade que merece o tema.
    E bem-haja pela sua atitude, que só o eleva enquanto pessoa e blogger.

  7. rms diz:

    Aqui tem algo para ler quando tiver tempo e interesse, não pretendia ver este comentário publicado e apenas o envio como tal porque não encontro o seu endereço de email, para onde posso enviar-lhe mais algumas ligações que permitem conhecer o outro lado da coisa.

    http://umtaldeblog.blogspot.com/2009/01/tiro-ao-lado.html

    Nota: não sou polícia, nem militar, nem sequer fui à tropa.

    Um abraço e mais uma vez a minha admiração pelo seu acto.

  8. diz mescalero (não sei como que o artigo já nem existe):

    “E que tal deixar o suspeito – e friso aqui a palavra “suspeito” – ir embora, fugir como já estava a fazer, depois de feitas as tais advertências e antes de se começar a disparar a matar??”

    A verdade, caríssimo, é que nem sei porque responde a polícia a chamadas.

    Se o meu amigo, a sua casa, o seu estabelecimento, estiverem a ser assaltados, não se dê ao trabalho de chamar a polícia: é deixá-los ir não vá o sr. polícia fazer das suas.

    Ele há cada um.

  9. rms diz:

    Ok, uma vez que foi publicado, reitero que n é spam…

  10. PMA diz:

    (este meu comentário é apenas relativo aos comentários ao seu post, onde o comentário da Berta se insere e deve ser interpretado.)

    João,
    n vou afirmar q li todos os comentários, feitos em todos os meios de comunicação, sobre esta tragédia.
    nem vou me outorgar no direito de saber o q as pessoas pensam, ou querem dizer, ou o q implicitamente afirmam com os seus comentários.
    mas uma coisa lhe digo:

    a culpabilização intransigente e imediata da polícia (q como antes lhe disse, considero q nos defende a todos) e a permanente desculpabilização de criminosos (e com isto n estou a dizer q o rapaz devia morrer, nem levar de animo leve a sua morte) fazem com certeza sentir, a muitos cidadão, q algo está errado;algo n vai bem “no reino da dinamrca”!

    Se isso faz alguns expressarem-se de modo menos atencioso para com a vítima, é apenas (julgo eu) reflexo dos modos exageradamente agressivos com q o debate se inicia em relação à polícia, tornando este um debate de um(vítima) Vs outros (polícias) quando n é assim q devia ser.

    Neste blog n vi nada q pudesse, sob qql prisma, ser interpretado como a Berta o fez, pelo q mantenho o q disse em relação ao seu comentário.

  11. F.B. diz:

    Caro João Branco,

    Li o seu texto inicial e realmente era bastante excessivo. Contudo devo dizer que, apesar de não ter grandes informações sobre o assunto em questão, fico chocado a perda de uma vida e, em parte com a actuação da polícia. Como já disse não li grande coisa sobre o assunto mas se eu fizesse parte da policia só atiraria a matar quando a vida de terceiros (ou a minha vida) estivesse em risco, nunca numa perseguição…Talvez a polícia tenha que ser treinada a atirar ás pernas ou aos braços porque, numa situação destas, atirar para matar revela, entre outras coisas mais graves, uma enorme falta de preparação e de sentido de respeito pela vida humana…

  12. mescalero diz:

    David Fernandes,

    Duas coisas. Se o artigo já não está no ar e o meu comentário também não (pensei que nem tinha chegado a ficar) não é muito correcto copiar para aqui um excerto descontextualizado.

    Uma outra coisa que me ocorreu ao ler tão documentada resposta ao meu inexistente comentário foi: porque não?

  13. Muito bem.
    Acontece a qualquer um.

  14. Não chguei a tempo de ler o post inicial, nem isso interessa para nada.

    Muita gente se engana (ou muda de opinião), mas são pouco, muito poucos, os que os têm no sítio (pardon my french) para escrever um post destes.

    🙂

  15. m&m diz:

    fez bem. Sem mais palavras.
    cumprimentos

  16. fnv diz:

    Muito bem.

  17. mdsol diz:

    O outro post não li. Por este dou-lhe os parabéns!
    :))

  18. João Branco diz:

    Fontela, o que achas disto:

    “Às vezes mais vale deixá-los fugir”

    Ainda em relação à morte de um miúdo de 14 anos por balas da PSP, vale a pena recordar esta entrevista de há pouco mais que um ano.

    “Há por aí muita cowboyada de filmes americanos na mentalidade de alguns polícias […] As forças policiais devem ter consciência que as perseguições policiais criam uma adrenalina própria e geram muitas vezes asneira. Temos tido a esse nível casos recorrentes. Mas a repetição de casos isolados preocupa-me.”, avisava, preocupado, Clemente Lima, Inspector- Geral da Administração Interna.

  19. Quando ontem li esse artigo abstive-me de comentar. Acabara de chegar a Portugal e tive medo que os fusos horários me estivessem a trair. Ainda bem que reconhece o erro. É de gente assim que precisamos na blogosfera. Para teimosos e abstrusos já chega o Pacheco Pereira.

  20. Fez o meu amigo muito bem.
    Essa atitude, e esta que aqui nos mostra só lhe ficam bem.

    Aceite os meus melhores cumprimentos

    JM

  21. O meu (também excluído) comentário ao Artigo excluído fora muito desaprovador: “(…) é indigno de um «blogue» sério, nem merece comentários”.

    O meu comentário a este “mea culpa” tão franco só pode ser de regozijo e admiração: os meus Parabéns pela humildade e pela lucidez! Duas das maiores qualidades humanas, que nunca é de mais exaltar.

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