O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (II – Abril a Junho)

O primeiro «post» de Abril é de João Pinto e Castro, acerca das vigarices de instituições bancárias que venderam produtos de alto risco como se fossem aplicações inofensivas. Chamando ao «post» a ASAE, o autor compara: «Quando uma empresa vende croquetes estragados pode ser penalizada por esse facto e obrigada a indemnizar os consumidores. Pelo contrário, um banco que vende instrumentos de investimento inquinados não é forçado a assumir a responsabilidade perante os seus clientes.»
Nesse mesmo dia, Palmira Silva estreia-se no blogue. O «post» versa as «Guerras de água benta» do catolicismo.
As ondas de choque do caso do telemóvel na sala de aula prolongam-se pelo mês de Abril. Rui Tavares relembra, dirigindo-se a Constança Cunha e Sá, «uns coleguinhas na sala de aula tão bem-comportados que só atiravam bolas de papel quando o professor estava de costas». Luís Rainha critica o eduquês de João Miranda em todo o seu esplendor.
Fora do país, ficamos a saber que existe a possibilidade de criação de um buraco negro que “engula” todo o planeta Terra (Filipe Moura) e que Robert Mugabe não abandona o Zimbabué (Maria João Pires e Palmira Silva).
Ana Matos Pires, por seu lado, anda pelas questões da Justiça: cita o Bastonário da Ordem dos Advogados acerca do skinhead Mário Machado e critica um juiz pelo facto de alegar o «estilo de vida nocturna» e para retirar uma criança à progenitora. «Merda», desabafa no final.
António Figueira continua no mundo do futebol, debruçando-se sobre o «Apito Dourado» e em especial sobre o Boavista. «Quantos são?», pergunta Paulo Pinto, embora o tema seja completamente diferente.
Um especial em microexpressões garante que Bush não mentiu antes da invasão do Iraque. A este propósito, João Galamba, comparando com a posição de Pacheco Pereira, refere que «foram as acções sucessivas de alguns líderes como Bush e Blair (memorandos, intimidações, tentativas de encobrimento, hipóteses delirantes de ligação a Al Qaeda,…) e a interpretação que fazemos delas, e não a sua “sinceridade expressiva”, que nos permitiram formar um juízo sobre a honestidade de quem decidiu invadir o Iraque.»
Os números da crise financeira vão aumentando. Valores astronómicos! Um milhão de milhões de dívidas mal paradas, 300 mil milhões de dólares de perda noutro mercado. «Nem me pergunte», desculpa-se Paul Krugman. Maria João Pires e Rui Tavares dão voz a preocupações que se vão avolumando.
Mas nem tudo são tristezas. «Hoje é só para falar de pessoas boas», proclama Zé Nuno. «O meu pai está preso, tralalá», cantarola Luís Rainha a propósito do disco «O Filho do Recluso». E à regra que diz que até um relógio parado dá as horas certas duas vezes por dia, Rainha contrapõe uma excepção: o Blasfémias, que, sem dúvida, não acerta uma.
Fernanda Câncio debruça-se sobre um artigo de Constança Cunha e Sá acerca da separação entre Estado e Igreja. Zé Nuno mostra-nos o que se passa em salas de aula noutros pontos do mundo e o Irmaolúcia caracteriza a «escola à portuguesa» (GoodChelas). Pelo meio, Ana Matos Pires glosa com a proibição de entrada de jornalistas no Congresso do PSD/Madeira.
No «post» «Escola de palhaços», Nuno Ramos de Almeida defende Fernanda Câncio, acusada pelo PSD de não ter experiência profissional suficiente para apresentar documentários na RTP2.
O significado de autoridade a propósito do caso do telemóvel (Fernanda Câncio), a Lisboa de Rui Tavares (Maria João Pires), a auto-masturbação de Alberto João Jardim (Ana Matos Pires) e a guerra no Iraque (Zé Nuno) precedem um texto de Filipe Moura acerca do ensino privado. Nele, o autor desmente que a classe média coloque os seus filhos nos colégios. Porque, como é óbvio, paga a casa e é quando pode.
Zé Nuno divulga a história do electricista Pedro Jorge, que falou no «Prós e Contras» sobre a arrogância e mediocridade do tecido empresarial português e agora enfrenta um processo disciplinar por delito de opinião. «E a classe operária?», pergunta.
Nos «posts» seguintes, Henrique Raposo «leva nas orelhas» pela falta de preocupações ambientais (texto de Vasco Barreto); mas Miguel Sousa Tavares, para variar, é elogiado no que diz respeito às uniões de facto. Fernanda Câncio apresenta-nos um texto dos anos 90 sobre a Quinta do Mocho. Rui Tavares faz prognósticos (antes do jogo, para variar) sobre as eleições legislativas de 2009: PS ganha sem maioria absoluta, PSD e CDS descem e PCP e Bloco de Esquerda sobem.
«Esta gente ofende-se com muito pouco». Maria João Pires escreve assim sobre mais uma censura publicitária, desta vez relacionada com a visita do Papa aos Estados Unidos. Fernanda Câncio e Ana Matos Pires falam de tornados, cada uma à sua maneira, e o Irmaolúcia e Luís Rainha fazem o mesmo, mas acerca dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Fernanda Câncio volta a cascar no PSD por causa da questão dos documentários. «A qualidade desta democracia» merece 56 comentários. Alguns deles pertencem a este vosso escriba, que assim se estreia, de forma pouco feliz, neste extraordinário mundo que é o «5 Dias». No final de uma troca de comentários, a autora manda-o passear, ele, ainda assim, replica uma última vez.
Por falar em democracia, aproxima-se o dia maior da Democracia portuguesa, e Maria João Pires, a esse propósito, apresenta-nos as memórias da Reforma Agrária. É uma série de murais que se prolongará pelos quinze dias seguintes. «Porque é Abril».
A nova lei do divórcio é objecto de um «post» de Fernanda Câncio, que também aborda o novo combustível – óleo de fritar batatas – no texto «A florinda, os polícias, o mercedes, a sic e o óleo de fritar batatas».
Os centímetros de Berlusconi são o tema do «post» de Nuno Ramos de Almeida após alguns dias sem escrever (as eleições italianas estão à porta); as barbas dos comentadores (à excepção de António Costa), o tema de Fernanda Câncio, que alvitra a hipótese de estarem à espera de uma mulher barbuda para comentadora. Ora, tirando as velhas minhotas, a única barbuda conhecida é Santa Liberata e essa não parece que esteja muito apta para fazer comentário político.
A 15 de Abril, Zé Nuno dá conta de uma raridade: um noticiário canadiano de 1993 em que se fala, provavelmente pela primeira vez, numa revolução informática que dá pelo nome de Internet.
Por estes dias, Filipe Moura anda a dedicar-se às eleições americanas: primeiro, dez coisas a saber sobre McCain; depois, um ponto a favor de Hillary. Rui Tavares, por sua vez, explica como destruir um Partido, que, na sua opinião, é o que se está a fazer no PSD. Em especial o politicamente hábil Rui Gomes da Silva. Tão hábil, digo eu, como um elefante a saltar elegantemente de nenúfar em nenúfar. Entretanto, Nuno Ramos de Almeida contribui para a destruição do capitalismo com um artigo sobre correctores da Bolsa («a culpa é das gajas»).
Estamos no início da segunda quinzena de Abril e Luís Filipe Menezes demite-se da liderança do PSD, queixando-se de uma campanha inominável contra a sua pessoa. Uma campanha, diga-se em abono da verdade, jamais vista na história da política portuguesa. Ou melhor: uma campanha que já não se via desde a curta passagem de Fernando Gomes pelo Ministério da Administração Interna.
O Irmaolúcia escolhe Aguiar Branco, grande burguês do Porto, como o Messias que sairá dos escombros para salvar o PSD; João Galamba fala da análise de Luís Delgado; Filipe Moura «defende» Menezes; de novo o Irmaolúcia, agora a «meter-se» com Ribau Esteves duas vezes seguidas; e Ana Matos Pires a glosar a mesma personagem.
Mudando de assunto. Paulo Pinto faz um «post» sobre a Ministra da Defesa de Espanha, grávida de sete meses. Um Governo com mais mulheres do que homens (relembre-se que o português só tem mulher e meia). «A mim diverte-me e causa-me um profundo respeito, por constituir um inequívoco sinal de maturidade.», diz o autor.
Nuno Ramos de Almeida, através de um texto de Pedro Ferreira, actual «blogger» do «5 Dias», encontra a génese da actual crise financeira: «A crise actual dos mercados financeiros começou em Agosto de 2007 e tem-se prolongado até hoje. Na origem dos problemas actuais está a especulação com produtos derivados de empréstimos imobiliários de risco, donde o nome de crise dos subprimes. Nos mercados europeus e americanos a maioria dos bancos não financia os empréstimos imobiliários com fundos próprios, os empréstimos concedidos aos clientes são refinanciados nos mercados financeiros: os bancos emprestam aos clientes e pedem emprestado no mercado finaceiro. (…)Em Agosto do ano passado um número importante de americanos deixaram de poder pagar os empréstimos imobiliários o que causou uma baixa dos preços dos mercados imobiliários. As consequências desta queda nos mercados financeiros foram enormes, os preços dos derivados de crédito como os CDO cairam bruscamente (num dos casos a que assisti numa horas o preço de um CDO passou de 97% a 3.5%). Grande parte dos fundos e bancos de investimentos que investiram neste mercado foram surpreendidos pela dimensão da crise e os modelos de previsão e controlo de risco revelaram-se totalmente inúteis.»
«Sem um pingo de vergonha». João Galamba reflecte sobre a visita de Cavaco Silva à Madeira e as imposições feitas por Jardim. Bate em Guilherme Silva por estar a defendê-lo e, de passagem, acerta também em Mário Crespo.
Ainda dentro do PSD, Luís Rainha revela-se premonitório. Sobre a corrida à liderança do Partido, «Manuela Ferreira Leite sempre conseguiu infundir terror nos corações dos seus correligionários/adversários apenas por… ficar quieta e muda.» Mal imaginava que, após ganhar as eleições internas, a septuagenária teria como principal característica, durante longos meses, a quietude e a mudez. Rui Tavares e Paulo Pinto também dedicam «posts» a este assunto.
O aparecimento das licenças de paternidade, licença da qual acabo de beneficiar por um bom período de dois meses, é o tema dos textos de João Galamba e Maria João Pires. É aplaudida a medida, mas criticada a reacção do CDS, que fala na reacção das empresas.
Para José António Barros, futuro Presidente da AEP, não faz sentido a nova lei do divórcio. Diz ele que as leis conjugais deviam ser menos flexíveis do que as leis laborais e não é isso que acontece. Fala um homem que já vai no quarto casamento, como muito bem nota Filipe Moura.
25 de Abril. «Esta é a madrugada que eu esperava / O dia inicial inteiro e limpo / Onde emergimos da noite e do silêncio / E livres habitamos a substância do tempo.» (Sophia). Sete «posts» sobre o assunto: «A revolução na montra» de Fernanda Câncio; «Viva a liberdade, viva a igualdade, viva a democracia», de Filipe Moura; «Porque é Abril», de Maria João Pires; «O 25 de Abril do Saloio» (um dos comentadores residentes do «5 Dias») e «Lembrem-se como foi», de Fernanda Câncio; «Crónica de Abril», de Paulo Pinto; e «Liberdade a plenos pulmões», de Nuno Ramos de Almeida.
«O incrível regresso do candidato zombie», desenha o Irmaolúcia, referindo-se a mais um regresso de Santana Lopes. «Desta vez, Ana Lourenço teve de o aturar até ao fim», gracejara Ana Matos Pires na véspera.
«Ó sôtora, então?» é o «post» de Fernanda Câncio que mereceu 68 comentários e uma acesa discussão na respectiva caixa. A autora encontrara uns putos e com eles falara sobre os seus professores e sobre o caso do telemóvel.
O estudo «Os jovens e a política» é motivo para João Pinto e Castro perguntar que estudo leu o Presidente, que falou do assunto no discurso do 25 de Abril. Filipe Moura escreve sobre os fantasmas sexuais de Max Mosley e João Galamba retoma o tema da «esquizofrenia presidencial».
Berlusconi ganhou em Itália e os seus apoiantes comemoram com a saudação fascista. Uma foto reveladora, diz Nuno Ramos de Almeida.
Quase no fim do mês, Maria João Pires ameaça Inês de Meneses, que anda há meses desaparecida. A bem dizer, ainda não escreveu um único «post» em 2008. Mas, em contrapartida, Marta Rebelo estreia-se nesse ano com o «post» «A ponte é uma passagem… para que margem?» . «Cá estou eu de volta. Para alegria, neutralidade ou descontentamento dos nossos leitores. E tentando evitar a pena capital a que os meu caríssimos co-bloggers já me terão sentenciado.»
No Dia do Trabalhador, Rui Tavares regressa ao estudo sobre os jovens e a vida política, aproveitando para dizer que não foram os jovens que elegeram Salazar o maior português de sempre.
Ainda no Dia do Trabalhador, Inês de Meneses aproveita para trabalhar pela primeira vez para o «5 Dias». Fora convidada há muito e só agora se iniciava nestas funções. Que não a confundam com a outra Inês de Meneses, é o seu primeiro pedido.
Fernanda Câncio debruça-se sobre o monstro austríaco Fritzl, que enclausurou a sua filha numa cave e que com ela teve sete filhos ao longo de 24 anos. É «a humanidade do mal». Como referia o sociólogo Sedas Nunes, quando se anda pela cidade e se vê a cortina de uma sala ou de um quarto, não sabemos o que está por trás. «Não se deve confiar em austríacos com bigode», avisará o Irmaolúcia dias depois.
O mesmo Irmaolúcia intitula «La dolce fascio-vita» um «post» relativo à vitória de Mussolini, perdão, de Berlusconi, em Itália.
Zé Nuno evoca o 25 de Abril de 1988 através de um discurso de Vasco Lourenço e Vasco Barreto elogia uma outra figura que, no passado, teve momentos de grandeza: Chalana, hoje em dia um treinador de méritos discutíveis – nada que apague o seu passado.
Pelo regressado António Figueira, sabemos que Marcuse fazia compras nos hipermercados ao Domingo à tarde. Com Nuno Ramos de Almeida, tomamos contacto com novas formas de censura (ou como a violência é preferível ao sexo, na óptica dos inquisidores)
«Grandes marcas com quantos por cento de desconto?», pergunta Filipe Moura num «post» que merece 57 comentários. «RDA, volta estás perdoada. Afinal tu eras mesmo o paraíso.», ironiza o comentador Filipe Abrantes, enquanto que «Toulixado» ironiza noutro sentido: «A ASAE está mais preocupada com o vinho a copo que se vende na “tasca” do Sr. Narciso.
Rui Tavares coloca dúvidas sobre a falta que o PSD faz à democracia portuguesa. E será que Manuela Ferreira não mente mesmo?, questiona-se Ana Matos Pires. E por que razão é que estão a ligar o Metro ao Aeroporto da Portela quando se sabe que o Aeroporto vai mudar-se para outro local? E por que razão surge a proposta de desactivação da Estação de Santa Apolónia?, pergunta Filipe Moura. São as obras à portuguesa, digo eu. Zé Nuno, por seu lado, chama à colação o poder dos consumidores.
A 8 de Maio, Ana Matos Pires aborda uma temática que lhe é muito cara, a da violência sobre as mulheres. Será este, cada vez mais, o seu tema de eleição. «Assumidamente monotemática», dirá meses mais tarde numa casa que não esta.
No dia 9, ainda todos se davam bem, o «5 Dias» foi jantar. Cabeça de xara, farinheira frita, salada de favas, ovos com tomate, cação frito com ameijoas, pezinhos de coentrada e um vinho «Quinta da Ervideira» – eis a ementa.
João Pinto e Castro não concorda que o capitalismo tenha vencido o socialismo. Por isso é que hoje, dia, estamos todos na social-democracia. O estudo da política e dos jovens ainda é tema e Maria João Pires e João Galamba voltam à carga. Será que quando era jovem Cavaco se interessava pela política?, pergunta Maria João Pires. É que ninguém diria.
Entretanto, ainda na primeira quinzena de Maio, José Sócrates é apanhado a fumar a bordo do avião que o levava em visita de Estado à Venezuela. Ele e outros elementos da comitiva. Pessoalmente, concordo com o que disse Fernanda Câncio, alguns meses antes, aquando de um caso semelhante: «O pior de tudo isto, porém, não é o péssimo exemplo que (…) deu ao país todo na matéria do cigarro, numa espécie de licença tácita para abandalhar. Nem a descredibilização do seu papel e do da entidade que chefia.»
Não. Para mim, o pior é mesmo ter dito que não sabia se era proibido. E pior ainda foi ter dito, no fim, que ia deixar de fumar, como se alguém tivesse alguma coisa a ver com isso.
Entretanto, Ana Matos Pires destaca um debate promovido pela APF e pela Ilga no Dia Mundial contra a Homofobia. Por Maria João Pires, ficamos a saber que, para o Instituto da Droga e da Toxicodependência, Betinho é aquele que não se droga, que é conservador e desinteressante. O dicionário de que se fala no «post» foi retirado pouco tempo depois.
A 16 de Maio, surge no «5 Dias» a polémica da Feira do Livro e do tentacular grupo editorial Leya, de Pais do Amaral. Aos olhos do Irmaolúcia, «A Princesa Leya, agora do lado negro da força, dois segundos antes de engolir a Feira do Livro». Luís Rainha, uns dias mais tarde, censura um «post» do 31 da Armada em que se goza com José Saramago por este não concordar com as excepções feitas à medida da Leya.
«Um mundo liberal», de João Galamba, é uma análise à visão que Rui Albuquerque tem da sociedade e da economia. Muito a propósito, Luís Rainha aborda o preço do petróleo («100 dólares? Que alarmistas!). Rui Tavares aborda o discurso liberal do candidato à liderança do PSD Pedro Passos Coelho em contraposição a um texto de Pacheco Pereira sobre o desemprego. E Fernanda Câncio apela à adesão ao Movimento dos Sem-Petróleo.
«Afinal de contas, todos os homens normais gostariam de “pôr-se” no máximo de mulheres, e todas as mulheres normais gostariam de ser apreciadas pelo máximo possível de homens, para poderem escolher o que lhe interessa mais.» Um comentário destacado por Ana Matos Pires, do leitor Lidador. O mesmo que diz também que «a homossexualidade é uma “anormalidade” estatística»
Quase no fim do mês, a propósito da ida de Marco António Costa ao Funchal, Luís Rainha cita Mário de Sá-Carneiro: «Eu queria ser mulher para ter muitos amantes / E enganá-los a todos – mesmo o predilecto – / Como eu gostava de enganar o meu amante loiro, o mais esbelto, / com um rapaz gordo e feio, de modos extravagantes…»
Provocatório, acerca dos lugares de estacionamento maiores para mulheres, Luís Rainha mostra um carrinho de supermercado, dizendo que, com aquele veículo, os perigos de as mulheres terem acidentes são menores. Nuno Ramos de Almeida, por sua vez, convida-nos a ver um documentário em esloveno. Em 500 palavras, António Figueira conta a história do insuportável J. P.. João Pinto e Castro informa-nos que o Professor Bambo foi detido no Porto.
«O ano da desigualdade» é o tema de um «post» de Rui Tavares. Dantes, diz o blogger, era quase desagradável, por tão pouco usual, o filho do caseiro chegar a doutor. Hoje em dia, parece que temos doutores a mais.
Na mesma linha, João Pinto e Castro fala da distribuição da riqueza: «Logo a seguir ao 25 de Abril, para contrariar as reivindicações salariais, o PPD argumentava que era preciso produzir-se mais primeiro para depois se poder distribuir.
Passados mais de 34 anos, o nosso produto per capita mais do que duplicou em termos reais, mas o momento da distribuição parece não ter ainda chegado.»
Fernanda Câncio, ainda sobre o mesmo tema, desvaloriza um recente relatório que coloca Portugal na cauda da Europa a nível de pobreza e distribuição de riqueza. «Parece pois lícito concluir que a democracia portuguesa falhou dois dos seus objectivos essenciais: promover a coesão social e melhorar o nível de vida.», começa por dizer, para em seguida apresentar argumentos que vão num sentido oposto.
«A alma penada vai continuar a andar por aí?», pergunta Luís Rainha no dia das eleições internas do PSD, a 31 de Maio.
Afinal, ganhou mesmo Ferreira Leite, e João Pinto e Castro é da opinião de que Passos Coelho causaria mais problemas ao Governo. Para Rui Tavares, o derrotado da noite foi Rui Rio, que agora tem Pedro Passos Coelho à sua frente.
Enquanto isso, José Sócrates vai alardeando o fantástico Inglês Técnico que aprendeu na Independente, como mostra Luís Rainha no «post» «Technical English for dummies». Angela Merkl bem tinha razões para rir às gargalhadas.
Logo a seguir, Luís Rainha congratula-se pelo facto de o FC do Porto ter sido afastado da Liga dos Campeões por causa do «Apito Dourado». Azarito, falou antes da hora e a UEFA voltou atrás. Temos pena! Mas teríamos mais pena ainda se fosse o Benfica a substituir o FC do Porto. Teríamos pena por Portugal, claro! Vendo a triste figura que o Benfica fez na Taça UEFA desta época, imaginamos o que não faria na Liga dos Campeões. Só por me teres convidado para escrever no «5 Dias», estás desculpado, ó Rainha!
José Sócrates, um governante colérico. A Ana Drago, diz que é muito nova. A Francisco Louçã, que não tem idade nem currículo para o criticar. Esquecendo que a idade de ambos é igual e que, quanto ao curriculum, basta comparar o de cada um. Ou, como dizia João Pinto e Castro alguns dias antes, os portugueses começavam a ficar fartos das birras públicas do primeiro-ministro.
Por falar em Francisco Louçã, parece que o Zé andou a privatizar a Praça das Flores a uma marca de automóveis, a Skoda. Nuno Ramos de Almeida publica a resposta de Daniel Oliveira, do «Arrastão», sobre o assunto. «E os munícipes que skôdam», graceja o Irmaolúcia.
Nuno Ramos de Almeida vai aos arquivos da História e relembra um episódio trágico da luta sindical. Porto, 30 de Abril de 1982. Na Praça da Liberdade, a CGTP preparava-se para comemorar o 1.º de Maio. A polícia tinha ordens para não autorizar essas comemorações e entrou a disparar. 58 feridos e 2 mortos. O sangue escorreu pelas ruas da Invicta.
A 9 de Junho, Paulo Pinto faz uma «crónica anti-patriótica» acerca do Euro 2008 de Futebol. Fala de Pepe, de Deco e até de Bosingwa como não sendo portugueses. Curiosamente, não fala do Scolari. Nem do Cristiano Ronaldo, que não parece saber falar português.
Por falar de estrangeiros, Fernanda Câncio diz que Fernanda Freitas não diz pretos, nem negros, nem mulatos, mas sim «pessoas de cor». O politicamente correcto, onde estará? Nos dias seguintes, a blogger falará ainda das praxes académicas e do Dia da Raça que orgulhosamente o Presidente da República achou por bem chamar ao Dia de Portugal. «Dia da Raça, de Camões e das Imbecilidades». O Irmaolúcia desenha um Cavaco em trajes da Mocidade Portuguesa.
Palmira Silva «entra em estágio» para as eleições americanas. Faltam menos de cinco meses. Na Europa, vamos ter de trabalhar até 65 horas por semana, diz Nuno Ramos de Almeida, numa votação que contou com a abstenção do Governo português. Em Portugal, é a greve dos camionistas que começa a fazer mossa, mas Paulo Pinto acredita que, graças ao Euro, «a crise acaba amanhã, um bocado antes das 5, vai uma aposta?» Os «posts» seguintes tratarão do mesmo assunto. Já se fala do uso da força. Em breve, ano de eleições, voltaremos a ouvir falar deles – dos «camionistas do Apocalipse».
Sobre o Tratado Europeu, Nuno Ramos de Almeida devolve a traição de que acusaram os irlandeses: os políticos é que assinaram o Tratado à revelia dos europeus, não foram 3% dos irlandeses que bloquearam o Tratado, marco tão importante na carreira de José Sócrates.
Sobre futebol, Luís Rainha relembra uma famosa frase de um futebolista. Claro que a caixa de comentários não lhe fica atrás e os famosos «prognósticos só no fim do jogo» tinham de vir à baila.
Nuno Ramos de Almeida fala em «roubo legalizado» – a EDP queria que todos pagássemos as suas dívidas incobráveis. São as «maravilhas da democracia», presentes também na futura instalação de uma base americana na República Checa.
A 16 de Junho, Jorge Palinhos escreve o seu segundo «post», lamentando não ter entrado antes para assinalar a vitória do FC do Porto no Campeonato e outras coisas do género.
E João Pinto e Castro volta a falar do Tratado Europeu: «Luís Amado, que literalmente nunca tem opinião sobre nada, resolveu abrir a boca para emitir alvitres sobre a oportunidade de a Irlanda promover um novo referendo. Não tarda, temo-lo Ministro dos Negócios Estrangeiros da União Europeia.» E logo a seguir, sobre Manuela Ferreira Leite: «Cada um tem a sua técnica de encher a boca de bolo rei para evitar prestar declarações.» Vasco Barreto também falará do caso mais para a frente.
Violentíssimo, Bénard da Costa «bate» na ex-Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, dizendo por outras palavras, que não está para aturá-la. Maria João Pires anota a baixeza dos argumentos («rebaixolaria», como diria Ana Matos Pires) e a caixa de comentários fica acesa.
Após alguns «posts» de João Galamba sobre uma tal de Patrícia Lança, Fernanda Câncio fala do casamento entre pessoas do mesmo sexo, algo que é cada vez mais comum nos outros países, mas não em Portugal. Adiante se voltará a falar do assunto.
Jean-Claude Trichet é notícia para Nuno Ramos de Almeida. Foram 33 as vezes que o Banco Central Europeu aumentou as taxas de juro. «Aquela criatura teimosa, convencida e burra que tanto o irritava.»
Sobre o guarda-redes Ricardo, essa curiosa personagem inventada por Scolari: «Quando uma borboleta bate as asas na China, o Ricardo chega atrasado a um cruzamento», diz João Pinto e Castro. Cá para mim, a culpa nem será bem da borboleta, mas adiante…
A 27 de Junho, começa a polémica dos senhorios, com um «post» de Fernanda Câncio. No fundo, diz a blogger, que obras pode um senhorio fazer em casa quando recebe 50 euros de rendas por mês? E assim se chegou ao estado actual das nossas cidades. Filipe Moura, não muito tempo depois, irá responder.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

4 respostas a O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (II – Abril a Junho)

  1. Pingback: O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (II - Abril a Junho) : sexo

  2. Ricardo, eu afirmei que “existe a possibilidade de criação de um buraco negro que “engula” todo o planeta Terra”… no dia 1 de Abril. É bom fazer esta ressalva!

  3. Ricardo Santos Pinto diz:

    Desculpa lá, Filipe, não percebi que era mentirinha de 1 de Abril.
    Já agora, vou meter-me contigo na terceira parte deste balanço do ano. Não leves a mal…

  4. Pingback: neutralidade.net » Blog Archive » O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (II - Abril a Junho)

Os comentários estão fechados.