Resolução de Ano Novo

Carlos Vidal não tem aquele dom tipicamente bushista (e de que eu tanto gosto) da transparência – “I mean what I say and I say what I mean”, como diria a desbocada matriarca Barbara (ou pelo menos a sua caricatura do Conan O’Brien). Vidal brindou-nos durante uma ou duas semanas com textos sobre a temática da arte “que não é para toda a gente”. Apontei algumas contradições nesses textos, mas escapou-me na altura a mais óbvia: dizer que algo não deve ser acessível a todos é a melhor maneira de despertar curiosidade sobre esse algo. É um recurso do artista que nos quer provocar. No fundo, o homem só quer que a gente ligue alguma coisa ao que ele escreve, e fica nitidamente nervoso se não lhe prestam a atenção de que se julga merecedor: recorde-se por exemplo até que ponto ele chegou só porque o Daniel Oliveira não lhe respondeu a um comentário no blogue.
A melhor coisa a fazer seria portanto o contrário daquilo que ele tão enfaticamente me pede, apesar de ser o contrário do que quer (estão a ver onde entra a cena dos Bush?): justamente, não lhe ligar nenhuma. Tentar não dar por ele. Passar por cima dos seus textos. No fundo, fazer como se ele não existisse.


Só que tal seria difícil (dado o estilo espalhafatoso do autor, cheio de imagens, negritos e maiúsculas, e a sua linguagem assumidamente populista). E mesmo que fosse fácil seria absurdo. Porquê? Simples: é evidente que quando lemos um blogue colectivo deve haver uma certa identidade entre os seus elementos. Aliás, o blogue deve ter uma identidade como um todo. Caso contrário, não faz sentido que as pessoas se juntem para escrever.
É claro que os membros de blogues colectivos não devem concordar em tudo entre si, e podem (e devem) debater, e mesmo polemizar. Mesmo assim creio que devem ter algo em comum. Era assim que eu concebia o Cinco Dias: um colectivo de pessoas de esquerda, de tendências diferentes, que fossem capazes de debater entre si. E é naqueles dois aspectos que surgem os meus problemas com Carlos Vidal. Para começar, há muito pouco que eu possa a dizer que tenho em comum com o senhor. Qualquer leitor do Cinco Dias poderá aferir isso, das divergências que temos tido e têm sido manifestas. Dos seus textos, os únicos com que posso dizer que estou minimamente de acordo são os recentes sobre o conflito israelo-palestiniano. É muito pouco como denominador comum para escrevermos no mesmo blogue, a menos que fosse um blogue exclusivamente sobre este conflito. Mas o principal problema tem a ver com o outro aspecto: a capacidade de debater. E creio não ser injusto ao verificar que essa capacidade em Vidal é praticamente inexistente. Tirando dois ou três louvaminheiros, Vidal não é capaz de ter uma conversa com um comentador sem lhe colar rótulos políticos, ameaçar censurar (por opiniões “impróprias”) ou mesmo insultar. Os insultos ocorrem principalmente quando Vidal faz a sua jogada preferida, que já deve ser conhecida de todos: foge do assunto em debate e desvia-o para a sua área de eleição (a arte). Mesmo que ninguém tenha falado, mesmo que ninguém queira falar de arte, Vidal faz questão de responder a todos os debates como se debates de arte se tratassem, para os assuntos que ele domina, para então poder fazer o que melhor sabe: aplicar “argumentos” de autoridade (que não são argumentos nenhuns) e chamar ignorantes aos seus interlocutores. Foi assim quando escrevi um texto sobre Manoel de Oliveira, um texto que não era de forma nenhuma destinado a Vidal e onde eu exprimia a minha perspectiva de amador perante a obra do cineasta (um direito inalienável que qualquer espectador tem). Vidal quis ver naquele texto uma crítica cinematográfica (algo que não era nem nunca pretendeu ser) e respondeu com a famosa série “a arte não deve estar acessível a todos”.
Um exemplo mais recente passou-se na reacção a este texto da Palmira Silva. O texto original não tem absolutamente nada a ver com arte mas que foi logo atacado nos comentários por Vidal como se tivesse (leiam e confirmem). Nos exemplares comentários de Vidal (que Sokal gostaria de ler) podem ler-se afirmações deliciosas como “Quando estou por Londres ou Paris, o que se lê é Deleuze, Foucault, Derrida e não Sokal. Pelos vistos, Sokal, agora inesperadamente desenterrado (vá lá saber-se porquê) não existe em lado nenhum.” Ou “Sokal, ele está esquecido e Lacan ou Deleuze ou Derrida são dos autores mais importantes em qualquer ramo de estudos nos Estados Unidos e ocupam mais de metade das estantes de filosofia entre Londres e Nova Iorque, etc, etc. Felizmente, sinal de inteligência. Sokal, zero. O obtuso já desapareceu. Finito. ZERO !!”

Recorde-se que quem escreveu isto (ou, noutra parte, “Fico a saber que de arte e estética contemporânea nada sabem. (…) Passem pelo Prado e vejam o Rembrandt, que é o que deveriam fazer para respeitarem os outros e aquilo que não sabem. Ou comecem pelo Giotto, já agora. (…) Vão-se lixar com o vosso Sokal”) insurgia-se contra a arte “popular” e os artistas que são apreciados por multidões mas que não deveriam ser para todos (mas pelos vistos a popularidade já serve se for para avaliar “os livros que se lêem” em Paris ou Londres ou Nova Iorque). Mas o mais engraçado é a forma deste artista avaliar um cientista: para Vidal, a forma de um cientista provar que está vivo será não escrever artigos, dar palestras e ser citado pelos seus pares (algo que Sokal continua a fazer muito bem), mas vender uns livros que sejam discutidos em círculos filosóficos! (Para governo de Carlos Vidal o caso Sokal continua bem vivo e tem tido novos desenvolvimentos – ver a cronologia completa aqui.)
A questão abordada pela Palmira neste texto – o combate ao obscurantismo resultante do relativismo pós-moderno – é para mim de extrema importância. É que não é só nos mercados financeiros especulativos que há fraudes. Neste caso trata-se de uma denúncia de fraudes intelectuais. Para mim este é um combate político absolutamente prioritário, e é-me difícil partilhar um blogue com quem a ele se oponha, principalmente da forma tão veemente como Vidal o faz. Para além de, em termos estritamente pessoais (e profissionais), ser-me difícil partilhar um blogue com quem julga – escreveu-o duas vezes, aqui e no Jugular – que “Badiou, como Cavaillés, Albert Lautman (…), são filósofos matemáticos (alguns só matemáticos) que sabem mais – tecnicamente – de matemática que todos os matemáticos cá do burgo juntos.” (Paul Cohen já é outro nível, mas desse não falou Sokal.) Há limites mínimos de respeito; quando não existem por parte do nosso interlocutor, não adianta manter uma discussão. Para além de que em matemática, e em ciência em geral, não estamos habituados a esse tipo de “argumentos” de autoridade. Pelo menos a avaliar por Vidal, esta é uma diferença fundamental entre ciência e arte. Dito isto, é claro que esta opinião é risível, e muita gente se vai rir dela. Como já disse várias vezes, visto de fora Carlos Vidal é muito cómico. Quem não o consegue ver de fora… deve sair.
Para que fique bem claro, e em resumo: o meu problema com Carlos Vidal nem são propriamente as suas posições (políticas e não só), apesar de eu discordar totalmente de grande parte delas. Não teria problemas com posições divergentes se Vidal as soubesse defender. O problema é que Vidal apresenta as suas posições num estilo populista sem nunca se preocupar em argumentar para as defender, e quando confrontado é nítido que não sabe debater (algo que – já o escrevi e reitero – é característico de muitos sectores do meio académico português: não é só Carlos Vidal). O meu problema com Vidal, bem mais do que de opiniões, é de estilo. Afinal o estilo sempre serve para alguma coisa!
Dito isto, e porque Carlos Vidal é membro do Cinco Dias, não estou disposto a continuar a pertencer a este colectivo. É uma decisão difícil, porque aqui encontro pessoas com quem é um prazer partilhar um blogue. Era isso que ainda me fazia hesitar. Ainda no passado fim de semana, após me ter encontrado com o Nuno Ramos de Almeida, não pensava tomar esta decisão. Digamos que a questão do Sokal me fez ver claramente que o equilíbrio que o Nuno nos pedia (a mim e ao Carlos Vidal) era instável e na prática impossível de alcançar, a menos que eu não escrevesse o que quisesse escrever (algo que nunca ninguém impediu ninguém no Cinco Dias) ou declarasse sistematicamente “para mim, o Vidal não existe”. Em ambos os casos é melhor sair. Deixo um abraço a todos os outros colegas de blogue e um especial ao Nuno, que me convidou e a quem serei sempre grato. Nuno, desculpa qualquer coisa mas, convenhamos, depois disto, se eu não saísse doentinho seria eu.

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35 respostas a Resolução de Ano Novo

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  2. j diz:

    Ó Filipe desculpe lá.

    Eu fui brindado a propósito de um comentário a um post, onde Vidal me disse para “ter elevação”, sobre um tipo que estava sentado numa sanita e onde apenas quis gozar sobre o seu estilo superior e professoral, mas passei a achar piada a Carlos Vidal.

    Tenho a modéstia de reconhecer que não tenho a cultura (artística…) de Vidal, mas deixe lá o senhor masturbar a sua intelectualidade.

    Também, apesar de ser praticamente um analfabeto cultural (tenho outras coisas para fazer…), consigo perceber que o post de Palmira sobre «o combate ao obscurantismo resultante do relativismo pós-moderno» é de «extrema importância» e que as reacções de Vidal não fazem sentido, digo eu, repito, que sou ignorante nestas coisas.

    Concluindo…
    Acho que é dar muita importância a Carlos Vidal o facto de decidir deixar o blogue, e penso que não o devia fazer.
    Afinal, Vidal diverte-nos, mas você escreve melhor (e não precisa de justificações estéticas para argumentar sobre onde se deve pôr um “?” numa frase…) e faz aqui mais falta.

  3. Carlos Vidal diz:

    Parece-me que este Filipe Moura não tem nem teve outro tema desde que aqui cheguei senão o “Carlos Vidal”. Apesar da rezinguisse e da obsessão, eu não estou agradecido pela atenção do senhor.

    Quando vi mais um post, disse para mim: que doença fatal, é caso de polícia. Mas não estou agradecido pela atenção, lá isso não. Que acrescentar? Que Sokal é onanismo para cientistas anti-intelectuais?
    Que Derrida e Lacan estão hoje mais vivos e cada vez mais analisados depois de Sokal, que não interferiu em nada no seu prestígio de pensadores?? (Pois, é o tal onanismo para cientistas rígidos e anti-intelectuais.)

    Ó meus anti-intelectuais, e se fossem ver como está o tempo lá fora?

    Então este homem vem dizer-me que só falo de arte, mas que está de acordo minimamente com o que escrevi sobre Israel-Palestina? Parece-me que falo de muitas coisas, não? E que, ainda por cima, quanto aos oito ou nove posts que dediquei ao conflito Israel-Palestina, está de acordo comigo?
    Concorda com o que escrevi sobre Israel-Palestina?

    Que levo as coisas para o campo das artes?
    Fiz isso na discussão Israel-Palestina?
    Uma vez, claro, falei de uma artista israelita de ampla circulação internacional (última “DOCUMENTA”, por exemplo). Portanto, cultura, história, política, soluções politico-militares, arte, de tudo falei em nove ou dez (não estão contados) posts sobre o conflito do Médio-Oriente.
    Arte?
    Falo sim, às vezes.
    E falarei, porque há leitores para isso.
    Agora, duvido muito é que haja leitores só só para “Carlos Vidal”. Esse é que é um assunto sem interesse nenhum.

  4. j diz:

    «é caso de polícia»

    Meu caro Vidal,

    Polícia sou eu, e licenciado por uma escola superior, veja lá, eu sou um “artista” policial.
    E disto você nada percebe.

    Eu acho, antes, não me leve a mal, que é caso para divã, talvez com a Ana Matos Pires, que se baldou daqui para o Jugular.

  5. dlm diz:

    “Afinal, Vidal diverte-nos, mas você escreve melhor ”

    e a rebelo escreve melhor que o joyce

  6. Carlos Vidal diz:

    Nem mortos deixam Deleuzes e Derridas em paz, ó homens da ciência e da autoridade ………………………

  7. Carlos Vidal diz:

    Aliás, caríssimo dlm, para esta gente o Joyce nem escrever sabia e o “Ulisses” é lixo ilegível. Não pode ser testado num tubo de ensaio, diria a Palmira.

  8. j diz:

    Tá a ver, Filipe,

    Vidal é um senhor interessante, com um registo algo esquizofrénico que merece ser desconstruído “………………………”.
    Espero é que ele também não decida ir-se embora, que eu ando a aprender muito com ele. Seria óptimo é que se explicasse mais devagar para que melhor se percebam os seus conceitos.

  9. lm diz:

    Filipe, não sejas palerma. Não vês que toda a gente acha graça ao homem por ser completamente desiquilibrado? Queres ofender-te com ele como se fosse uma pessoa normal? Deixa-te estar onde estás, que isto não dura muito.

  10. nuno castro diz:

    é Carlos Vidal – chama-se inveja, invejazinha, mesquinha, pequenina…isso que o seu dr. Filipe exuda pelos porozinhos. O Gil descreveu isso e designou-a (ou lá perto) como a doença nacional.

    Lendo os seus posts e os do Filipe e Palmira a diferença é de facto o arroto de arrogância que os dois últimos geralmente emitem.

    É preciso sempre muito cuidado com quem está permanentemente a queixar-se que “com aquele senhor não se pode discutir…é muito mau, e não ouve ninguém”. Os putos! Ora lá está: com ele não se pode brincar. Cuidado, esta coisa de não aceitar posições irredutíveis tem muito de narcisismo. E esse anda a rodos pelas bocas citadas.

    Como prefiro mil vezes os emails do Vidal sobre arte do que os arrazoados pedantes sobre fotões e o raio que os parta dos últimos visados, que fique o Vidal e que vá o seu Filipe. E já agora junte-se com jubilo e alegria à jugulação de insignes “fasços” (que bela expressão!) pró-israelitas extrema-direita que por lá acampam. Juntem-se todos num kibutzzinho e lutem pelo estado socialista do PS, bem entendido.

    é que se vê imediatamente donde vêm (I see where you come from…): do crepúsculo socialista do banho-maria.
    donde se amarfanhem filósofos tão díspares quanto Baudrilard e Badiou sem isso colocar nenhum engulho em tão prezadas gargantas (se ao menos os lessem…).
    e se querem dar porrada dêem porrada nas ideias, e não no Vidal! Em vez disso, alçam-se de tamanquinhas e começam a debitar (valha-nos S. Isidro!)…o Sokal.

    Há que dizê-lo com frontalidade: bardamerda pó Sokal e mais pá merda de livro que escreveu (e isto para apenas ficarmos no plano da discussão objectiva!). Bem fraca é a argumentação quando time and again se ressuscita o Sokal e o seu affair. Irra! Que conspiração de estúpidos.

    E depois, não há nada de anti-científico no Badiou e não é descoberta nenhuma que os pós de modernismo sempre fizerem comichão na pituitária de tipos como o Zizek (citar zizek a esse propósito, como faz Palmira Silva, como exemplo de conversão tardia mas inexorável é não perceber nada do assunto) e sobretudo de Badiou.

    isto faz lembrar aquele ataque (noutras proporções) capcioso ao Boaventura. E claro que ele estava errado, e muito daquilo era disparate; mas discutam-se as ideias, não o Boaventura. Estes senhores que enchem a boca para falar de democracia científica e quejandos, muito se abespinham em ataques ad hominem.

    aqui digo o mesmo: discutam-se as ideias, não o Vidal (não desmerecendo)!

    ps- uma delas, irritantemente defendida (mal) pelo seu Filipe é a da arte para o povo – eu acho que devia ser levada a moção no próximo congresso do PS.

  11. Carlos Fernandes diz:

    Bem, Carlos Vidal pode defender as suas causas algo apaixonadamente, mas do que tenho lido neste Blog (e alguns posts de pintura – a minha Arte preferida- muito bons e instrutivos, que agradeço) não me parece que seja uma pessoa, contrariamente à Palmira do Jugular, intolerante, rígida e dogmática, aliás tão ou mais intolerante nos seus dogmas do que alguns que ela critica, como os Criacionistas, aliás foi por isso que eu deixei de comentar lá no Jugular.

  12. Diniz diz:

    CV, do aeroporto mandam dizer que o seu ego está a dificultar o tráfego aéreo.

  13. Carlos Vidal diz:

    Grato Carlos Fernandes e Nuno Castro. Nuno, a trampa do Sokal foi arrumada numa altíssima estante cá da casa. Quis ir buscá-lo ontém ou anteontém. Mas, você tem razão. Usar a minha escada para aquilo só se estivesse doido!
    Parece-me que a moda jugular agora é a de chamar FREAK a Derrida. Pobre Jacques. Pobre Jacques.

    Diniz, o que você diz não é verdade. Não brinque.

  14. Filipe Abrantes diz:

    Acho que concordo com tudo o que está no post, do início ao fim.

    Há pessoas que não conseguem viver em sociedade, há quem lhes chame malucos, há quem prefira chamar-lhes “artistas”.

    Excelente post, pena ser o F.Moura a saír, e não o “artista”.

  15. z diz:

    dizer que a realidade é uma entidade física é uma afirmação metafísica e só pode ser debatida nesse domínio de metalinguagem,

  16. Carlos Vidal diz:

    F. Abrantes, “artista” não, artista sff.
    E muito trabalho essas coisa dão.

  17. Su diz:

    Seria assim tão difícil a estas duas almas concordarem que discordam e continuarem civilizadamente a postar? Aceitar diferenças dos nossos pares é um princípio que devia ter vir com o cházinho que presumo tanto filipe como vidal tomaram.
    Isto não parece serem diferenças irreconciliáveis, mas uma birra. Resolveram embirrar, agora sai um amuado. Mas também “vencer” por desistência do adversário não creio que dê muita pica…

  18. ana diz:

    O Carlos Vidal sabe lá o que é chá…ouviu falar em pequenino, mas apanhou alergia aos taninos.

  19. Carlos Vidal diz:

    Su, nunca estive em guerra com ninguém aqui no blogue.

    ana, não a conheço. Gosta de provocar comentários meus (raros) no jugular. Ora volte a essa proveniência. Neste momento, não estou lá a comentar nada, nem sobre arte nem sobre ciência. Por isso, volte lá – desse modo nem você me lê nem eu a leio.

  20. ana diz:

    Olhe que é preciso ter lata!!! O post nem é seu para correr comigo desta maneira.

  21. Ana diz:

    Vidal rima com Buçal.

  22. m&m diz:

    sempre me fez confusão haver mais artistas do que obras de arte

  23. xatoo diz:

    já não me lembro quem é que dizia (mas deve ter sido algum banqueiro, não o anarquista, mas algum artista accionista) que a verdadeira arte é a arte de ganhar dinheiro
    Se isto vier de algum modo a ajudar a derimir a contenda, façam o favor de aproveitar, ou pôr a questão à consideração da comissão económica da ala esquerda do P”S” – sobre Arte não vale a pena falar com esses gabirús, por via da interposta e excelsa besta que vai postar à frente do teatro nacional um gajo cujo único curriculo é ser amigo pessoal do 1ºministro
    Levando em linha de conta o histórico destes compadres, quer-me parecer que a escolha entre arte e “artista” até se revela ser fácil

  24. Jerónimo diz:

    Este Vidal, por mais toneladas de livros que leia e viagens a Paris e Londres que faça, para saber o que está na moda, aparenta ter uma enorme dificuldade em deixar de ser um grande parvo.

  25. j diz:

    Quem é Buçal?
    Algum pintor renascentista, músico?

    Soa a artista.

  26. Berardo diz:

    “Olhe que é preciso ter lata!!! O post nem é seu para correr comigo desta maneira.”

    Isto é tudo do Carlos Vidal. Incluindo esses pontos de exclamação que a minha amiga usa com imprudente abandono. O Vidal é artista e leu todos os livrinhos da Phaidon.

  27. Carlos Vidal diz:

    caro Jerónimo,
    Aprecio a sua linguagem directa.
    De qualquer maneira, um esclarecimento: não disse que ia muitas vezes a Paris ou Londres ou coisa que o valha (até detesto viajar pois gosto do sedentarismo). O que é importante reter é que, tendo partido de Sokal, há muitos anos, este achincalhamento dos filósofos franceses, poderíamos pensar que há uma grande diferença nas leituras filosóficas em França e no contexto anglo-saxónico. Nada mais errado. O que eu disse, fixe isto (se lhe interessar), foi que as estantes de pensamento crítico e filosófico em Londres ou Paris são iguais, ou seja, maioritariamente compostas (esmagadoramente compostas) por autores franceses, por aqueles que Sokal ligou às “fraudes”: Lacan, Deleuze, Derrida, Foucault, etc, etc.

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  29. JC diz:

    O Filipe Moura tem razão: este Carlos Vidal ( não o conheço pessoalmente), projecta uma imagem de um puto ignorante, com as borbulhas em ponto de rebuçado e com as certezas arrogantes que só a ignorância permite.
    Dar-lhe-ia uma idade mental de, digamos, 19 anos. Não sei se corresponde à verdade mas todo o seu discurso, na forma e conteúdo, apontam para aí.

    E, contrariamente ao que o FM concede, isso é tb visível nos seus posts sobre o conflito israelo-árabe. O FM não nota, porque neste particular, sofre da mesma acne mental e quem o feio ama, bonito lhe parece.

    Estou completamente de acordo com a indignação do FM relativamente à polémica sokaliana e o facto de o FM ter a posição que tem sobre esta temática, mostra que não é ainda um caso perdido e que não está ainda infestado pelos demónios de que falava Sagan.

    Quanto ao “argumento de autoridade”, o FM aqui devia evitar atirar pedras, por mero senso, uma vez que os seus telhados de vidro são bastante grandes. Estou a recordar aquela polémica com o Lidador, da qual o FM não se saíu de forma muito digna.

  30. J. e Filipe Abrantes, obrigado.

    Nuno Castro, Vidal escreve “Badiou sabe mais de matemática que todos os matemáticos cá do burgo juntos”, e eu e a Palmira é que emitimos “arrotos de arrogância”? Pode por favor exemplificar onde é que eu ou a Palmira alguma vez afirmámos algo deste calibre? Ou então deixe estar e fique com o Carlos Vidal, que vocês os dois estão muito bem um para o outro.

    Su, não é uma birra. São diferenças irreconciliáveis, sim. Carlos Vidal é meu adversário político. Vi-o logo com a história de Sócrates ser pior que Bush, e só o confirmei com a “arte que não é para todos” e, definitivamente, com esta questão do Sokal. Não se trata de simples divergências, normais em qualquer blogue colectivo: Carlos Vidal é mesmo alguém cujas teses políticas eu quero ver derrotadas, e para isso quero lutar. E não faz sentido partilhar um blogue político com alguém assim (nunca me senti assim em relação a nenhum outro companheiro de blogue: só a Carlos Vidal). Ainda mais sendo alguém com quem é manifestamente impossível debater.

    Um dia o JC há-de me mostrar onde é que eu usei argumentos de autoridade com o Lidador. Agora não, que estou estafado de discussões (e discutir com o Lidador é cansativo). De qualquer maneira o Lidador apresenta argumentos, ao contrário de um menino chamado Luís Oliveira, que escreve lá no Fiel Inimigo e que é bom para discutir aqui com o Carlos Vidal.

    A todos os que estiverem interessados, eu continuo a escrever no blogue O Avesso do Avesso. Passem por lá e, se quiserem debater, terei gosto nisso.

  31. C. Vidal diz:

    “Carlos Vidal é mesmo alguém cujas teses políticas eu quero ver derrotadas, e para isso quero lutar.”

    Nao estou em Pt. Mas já sinto o clamor dos canhoes. Mas acho que este é como o outro. Falou de Derrida (que nao me é nada) como um “freakalhao” e depois apressadamente foi retirar e mudar a palavrinha. Com gajos como vocês qq pessoa pode bem, pá.

  32. Su diz:

    Filipe, acha mesmo que a afirmação de que o sócrates é pior do que o bush era para ser levada a sério? Eu cá ri-me e pensei “este gajo passa-se!”, adiante – ou avante, conforme as preferências 🙂
    Com a série “a arte não deve ser para toda a gente” confesso que me iam saltando os bofes para fora. Mas os restantes posts sobre arte leio com muito interesse e proveito.
    Ainda bem que você diz num comentário onde posta, permitindo assim acompanhá-lo.
    God speed, Filipe!
    (e escolha bem as suas batalhas)

  33. Filipe, como te disse n’O Avesso, ainda bem que tens um sítio onde continuas. Ler-te-ei lá, como sempre. Já o Carlos Vidal, que tenha um bom ano de 2009 (que desejo a todos) com muitos e frutuosos posts mas, mais importante, posts que se possam ler. Quanto às discussões dele nas caixas de comentários, paleios sobre Derrida ou seja lá quem for, deixo-o de lado. Tenho outras coisas para ir lendo (autores como George Whitesides, por exemplo).

    Já agora Filipe, o Vidal não faz lembrar um bocadinho a Quitéria Barbuda e seus afilhados neste estilo de repetir os mesmos soundbytes e as mesmas ideias e discutir coisas que não estavam nos posts? A mim sim, para dizer a verdade. Embora lhe falte um pouco de imaginação. Pelo menos até agora…

  34. Carlos Vidal diz:

    João André,
    Bom 2009.
    E a fase de desancar no Derrida já passou de moda, francamente.
    Eu até esta semana vou tentar mostrar como aquilo é simples e útil.
    Falta-me tempo, mas terá de ser. Não acredite nos jugulares, faça-me esse favor.

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