O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (I – Janeiro a Março)*

No «5 Dias», o ano de 2008 começou logo no dia 1 de Janeiro, com um «post» de António Figueira. Um texto no qual o autor deseja um Bom Ano a todos através de um olhar pessoal sobre dois fimes, «Drôle de Jeu» e «Triple Agent». Ou a mão dos poderosos que, nos bastidores dos acontecimentos, comandam os destinos da humanidade e de uma «arraia-miúda» que, no fundo, não conta para nada.
Na análise a este «post», o comentador Carlos Clara não podia ser mais certeiro: «Feliz Ano Novo” será com certeza para todos os “chulos” que espreitam todas as hipóteses de roubo. Tudo lhes foi devolvido com juros e em bandeja de prata, mesmo aquilo que não tinham. A electricidade, a gasolina, as comunicações, o pão e em breve a água serão cada vez mais o grande furo de quem nada arrisca.»
A 3 de Janeiro, Ana Matos Pires escreve mais um texto para o «5 Dias». Não era ainda autora do blogue, mas faz mais esta incursão – e outras que se irão seguir – via Fernanda Câncio. Neste primeiro «post», critica o Banco Alimentar pelo facto de este se recusar a ter ligações políticas – ou pelo facto de dizer que não tem. «Vai-se a ver e é do meu mau feitio», diz no título, como auto-crítica.
Nesse mesmo dia, Fernanda Câncio aborda a nova lei do tabaco, tema que irá retomar nos dias seguintes por diversas vezes.
Aliás, «rebenta» nessa altura a primeira grande polémica do ano, com o director-geral da ASAE, António Nunes, a ser apanhado a fumar depois da meia-noite. Nuno Ramos de Almeida, num «post» intitulado «Bem prega Frei Tomás» e acompanhado por uma ilustração do Irmaolúcia, também se refere a este assunto.
Se Nuno Ramos de Almeida se fica por um título que diz tudo, Fernanda Câncio vai mais longe: «O pior de tudo isto, porém, não é o péssimo exemplo que o dirigente da ASAE, grande inquisidor da colher de pau e da bola de berlim, deu ao país todo na matéria do cigarro, numa espécie de licença tácita para abandalhar. Nem a descredibilização do seu papel e do da entidade que chefia. Nem o facto de vermos deputados a terem de “analisar” uma lei que aprovaram, a ver se a percebem (e a exigirem ao director-geral da Saúde que os esclareça, que lata), ou um casino a tentar não pagar uma multa. O pior de tudo isto é a pacovice provinciana de um país que, cinco meses e meio após a aprovação da lei, acorda para a realidade como se lhe tivessem decretado de surpresa as novas regras e como se leis como esta – e mais rigorosas que esta – não estivessem em vigor, há anos, noutros países, onde, diz-se, parece que também há casinos, e discotecas, e restaurantes, e cafés, e pubs e, imagine-se, fumadores.»
Após as análises literárias de António Figueira, num «post» dividido em duas partes, Nuno Ramos de Almeida compara as preocupações sociais de Cavaco com a falta delas por parte de Sócrates, aproveitando para zurzir numa classe empresarial que «tenta enriquecer à custa de esmifrar os empregados, em vez de construir empresas de sucesso.»
O mesmo Nuno Ramos de Almeida aproveita para enunciar, logo a seguir, as várias Esquerdas do «5 Dias»: a de António Figueira, a de Joana Amaral Dias, a de Fernanda Câncio e a sua própria.
Luís Pacheco morreu a 5 de Janeiro e o acontecimento não passou despercebido ao «5 Dias», que lhe dedicou vários «posts».
Na política internacional, as eleições americanas começam a «mexer», a situação no Quénia merece uma palavra e o Tratado de Lisboa é comparado com o defunto Tratado Constitucional. Pelo meio, saúda-se que chamar palhaço a alguém não seja considerado um insulto, assinalam-se as incongruências de Vasco Pulido Valente e Pacheco Pereira (Rui Tavares) e confessam-se, pela prosa de António Figueira, os mais íntimos prazeres.
«Na Margem Sul, Jamais!» Frase célebre do ministro Mário Lino, alvo da ironia de vários «posts». «Podemos acusar este governo de tudo, menos de lerem lentamente. O executivo recebeu o Relatório do LNEC há poucas horas e hoje à tarde tomou uma decisão política. São 355 páginas de uma assentada. É obra!», relembra Nuno Ramos de Almeida em tom jocoso.
A 18 de Janeiro, Zé Nuno faz mais uma das suas fantásticas descobertas no youtube, a de um jovem australiano que organizou uma gigantesca festa.
No mesmo dia, Fernanda Câncio volta à carga com a lei do tabaco, declarando a sua morte por causa das excepções que se vão abrindo. Antes, critica toda a novela que se gerou em redor da vida privada do presidente Sarkozy – por culpa própria, anota a autora. Num tom mais intimista, dois dias depois, relembra o seu «cavalinho dling dlong», que montou inúmeras vezes enquanto tamanina.
Os efeitos da crise começam a atingir o sistema financeiro. Embora na altura nem todos nós tivéssemos reparado, o BCP perde 600 milhões de euros num só dia, como relembra Nuno Ramos de Almeida no «post» «Economia estúpida».
Nos dias seguintes, e após um «post» de António Figueira com caixa de comentários fechada, Fernanda Câncio descansa os leitores do «5 Dias» acerca da ameaça terrorista chegar a Portugal («quando nos vierem atacar, eles avisam»), explica Pavlov e empresta uns óculos a Gonçalo Moita. Não sabemos se ele os aceitou. Quase no fim do mês, uma crítica ao Governo português pelo facto de não aceitar casais do mesmo sexo como famílias de acolhimento.
Uns dias depois, Nuno Ramos de Almeida não quer Deus na sua cama. Nem Sócrates! Nem Prodi. Louvo-lhe os gostos.
Anunciam-se novos reforços, no mercado de Inverno, para o «5 Dias». «Muito bem vindas e bem vindos, senhorias. é entrar, é entrar», anuncia Fernanda Câncio.
Nos dias seguintes, Paulo Pinto, Maria João Pires, Pedro Vieira, o Irmaolucia, Ana Matos Pires, Luís Rainha e João Pinto e Castro fazem a sua estreia no «5 Dias». São «posts» em que os autores se vão apresentando.
De destacar Maria João Pires, que, nas suas próprias palavras, desarruma a casa toda; o Irmaolúcia com uma alusão ao Bastonário da Ordem dos Advogados; Luís Rainha com uma chalaça relativa ao nome do novo Ministro da Cultura; e Ana Matos Pires com um «post» muito curto mas significativo: «Com seis anos não se morre. Com oito anos não se fica sem um irmão. Puta que pariu a morte. Desprezo-a profundamente.»
No último dia do mês, Paulo Pinto aborda a questão da demissão do Ministro da Saúde. Que, ao que parece, deu jeito a todos: «Toda a gente respira de alívio. Quem está acima livrou-se da impopularidade da figura com as eleições no horizonte, quem está na oposição vê a confirmação da “política errada” e o recuo governamental, quem está abaixo festeja a vitória e já faz ultimatos à nova titular.»
Filipe Moura também se estreia nesse dia. Aludindo a um «post» anterior de Maria João Pires, pergunta no título: «Em que altura é que se fodeu este blogue?». Bem se pode dizer que, para estreia, é um «post» do caralho! Embora um comentador anónimo não concorde: «O caralho do texto é uma merda».
O mês de Fevereiro inicia-se com a evocação de uma efeméride pelo Irmãolúcia, o regicídio: «O dia em que a piolheira borrifou o rei quitoso». No mesmo dia, vem a público o conjunto de projectos assinados por José Sócrates na Guarda durante os anos 80. Paulo Pinto não acha assim tão grave, Luís Rainha põe a tónica na reacção do primeiro-ministro, que assume serem seus os projectos já conhecidos como «Triângulo Monumental Rapoula – Valhelhas – Covadoude». Maria João Pires, por sua vez, integra aquelas obras na corrente artística do Feismo.
Fernanda Câncio, antes de iniciar a «luta armada», divulga um abaixo-assinado pelo cumprimento da lei do tabaco. No dia seguinte, volta a falar do assunto. Pelo meio, estreia-se mais um autor no «5 Dias», Ezequiel.
«Yes we can» e as eleições americanas no youtube, sempre pela mão de Zé Nuno. Ou, do mesmo autor, “We need God in our governments».
«Que viva Guevara!» – proclama António Figueira a 5 de Fevereiro. Trata-se, afinal, de um excerto do «Regicida», de Camilo.
Telmo Correia, o despachador, visto pelo Irmaolucia; uma crítica ao «Rio das Flores» (Miguel Sousa Tavares) que nunca chegou a ser publicado no «Expresso», segundo Luís Rainha; o estado da corrupção em Portugal, por Nuno Ramos de Almeida; e «o presidente da câmara, o sr Júdice, o seu restaurante e a renda dele», desenho do Irmaolúcia onde se percebe melhor o serviço público que José Miguel Júdice está sempre pronto a prestar. Em nome de Portugal, claro.
A nível internacional, a greve dos argumentistas nos Estados Unidos afecta os principais programas de televisão e a Super Terça-Feira ameaça tirar muitas dúvidas, sobretudo do lado Democrata.
A figura do despedimento para renovação dos quadros da empresa, que a CIP e a CCP defendiam, é alvo da ironia de Luís Rainha, que critica António Vitorino por debitar lugares-comuns a uma velocidade vertiginosa. Enquanto isso, Fernanda Câncio informa os leitores do «5 Dias» que Soraia Chaves gosta de um bom chouriço.
A 8 de Fevereiro, Ana Matos Pires aborda o problema da violência doméstica, sem dúvida o seu tema de eleição ao longo do ano. No caso, o de um cirurgião plástico que batia na mulher – e não era pouco. No dia seguinte, um «post» de Fernanda Câncio vai merecer 82 comentários. Tratava esse «post» das ameaças de uma tal Carmex, que prometia revelar todos os podres da jornalista.
Dias depois, o «Alegre da Fonte» é o tema de mais uma ilustração do Irmaolúcia. «Talvez não ficasse pior de Madalena Arrependida», comenta Luís C..
Regressa o aborto e o balanço que é feito da aplicação da lei, em «posts» de Maria João Pires, de Ana Matos Pires, Zé Nuno e Fernanda Câncio, numa altura em que se completa um ano sobre o referendo.
No momento em que «Thriller», de Mickael Jackson, faz 25 anos, Barack Obama ultrapassa Hillary Clinton no número de delegados. «O que pode Hillary fazer?» João Pinto e Castro sugere que se divorcie do marido.
O dia 13 de Fevereiro, data em que se assinalam os 43 anos do assassinato de Humberto Delgado, marca o aparecimento no «5 Dias» de um novo «blogger», João Galamba. «(In)sapienza», texto relativo ao Papa, é o título. Ainda nesse dia, Darko Phallu reinventa Marco Paulo («post» de Luís Rainha)
No texto «Escola e sociabilização», a propósito do alargamento da escola a tempo inteiro no segundo ciclo, Maria João Pires cita o «Pai da Nação», o impagável Albino Almeida, e defende a auto-gestão do tempo, por parte dos alunos, a partir de certa idade. A escola como espaço de sociabilização, defende, está a morrer.
José Pedro Barreto é o senhor que se segue na lista dos autores do blogue. «Ceci n’ést pás un post», refere em jeito de apresentação.
A 15 de Fevereiro, Luís Rainha descobre que o novo Ministro das Obras Públicas é Carlos Matias Ramos, presidente do LNEC. Quanto a Mário Lino, « encafuado no ministério a fazer não sei bem o quê, já deve ter saudades dos seus dias na Acção Revolucionária Armada, do PCP: então, só era preciso mandar coisas abaixo, sem ter de aturar batalhões de auto-nomeados especialistas a criticar qualquer coisa que se queira construir. Lá ia bomba e pronto. Agora, do Miguel Sousa Tavares ao Zé dos Anzóis, todos têm ideias firmes e originais sobre obras públicas.»
Retomando um tema já abordado, Nuno Ramos de Almeida refere que a Esquerda do PS simplesmente não existe. O que seria trágico se Portugal não fosse um país tão cómico. Resta Manuel Alegre que, ainda assim, fala, fala, fala e não faz nada.
Fernanda Câncio escreve sobre Esmeralda, a criança que foi entregue (não se sabe a troco de quê) a um casal que, durante os anos seguintes, se negou a entregá-la ao pai biológico. O ponto de vista expresso no «post» não é bem este, mas o que interessa realçar aqui é a quantidade de comentários: 59. É um tema que divide opiniões e isso reflecte-se na forma como os leitores do «5 Dias» abordam o tema.
Dois velhinhos acabados em cadeiras de rodas. É a forma como o Irmaolúcia vê a passagem de testemunho dos irmãos Castro, em Cuba. As eleições americanas, os Balcãs, a entrevista de Bob Geldof acerca de África e de novo o Kosovo são outros dos temas internacionais que estão na agenda.
Após três anos de autópsias ao país dos precários, na visão do Irmaolúcia, reaparece, após uma longa ausência, Joana Amaral Dias, que já não escrevia no «5 Dias» há quase um ano. Foi, de resto, o último «post» da autora no blogue. Neste caso, acerca de um debate em Coimbra sobre cultura. O texto é de José Manuel Pureza.
Fevereiro está a chegar ao fim e Maria João Pires evoca a transexual Gisberta, assassinada no Porto, dois anos antes, por um grupo de jovens.
Nos dias seguintes, a suposta ocupação do «Insurgente» e o jantar do «Atlântico» no «Tromba Rija» dão que falar. No mesmo dia, o célebre Marco di Camillis é proposto pelo Irmaolúcia para substituir Luís Filipe Menezes na liderança do PSD.
«Os homossexuais são responsáveis pela onda de sismos que atingiu Israel nos últimos meses, porque Deus advertiu que não se deve «menear» os genitais indevidamente, disse esta quarta-feira no Knesset (Parlamento) um deputado israelita ortodoxo», refere Ana Matos Pires no «post» «Gays e parkinsonismo da Terra».
O mês acaba com a série de «Português para não-especialistas», da autoria de João Pinto e Castro, com o rotundo falhanço do «Porta 65», por Paulo Pinto, e com uma intervenção humanitária de Nuno Ramos de Almeida.
No dia 1 de Março, percebe-se como vai ser feita a avaliação dos professores. Um dos critérios de uma escola de Leiria é a forma como avaliam a política educativa do Ministério. Maria de Lurdes Rodrigues desmente, mas afinal ela é que estava a mentir.
Maria João Pires mostra-se incrédula por causa de uma entrevista de D. José Policarpo, na qual se relaciona a diminuição da natalidade com a vinda para Portugal de emigrantes provenientes de países terroristas. Ana Matos Pires e o Irmaolúcia reforçam essa incredulidade em «posts» seguintes.
Luis Rainha pergunta-se como seria um Forrest Gump tipicamente português? «Hmmm, deixem lá ensaiar uma historieta fantástica: era uma vez, lá na província longínqua, um humilde técnico, formado num curso rápido, que se dedicava a uma tristonha rotina de projectos manhosos, feiíssimos casebres erguidos a trouxe-mouxe, sinecuras camarárias. Nada o parecia destinar a um fado sequer mediano. Mas ele tinha um tesouro mais precioso do que inteligência, charme ou fortuna: um “ar” decidido. E havia uma indústria a precisar de matéria-prima assim como de pão para a bocarra: a Política». Quem será?
Um texto de Rui Tavares celebra os 18 anos do «Público»; Maria João Pires continua a série de «posts» com o título «Pela moral e bons costumes»; o Irmaolúcia ironiza com o Movimento Esperança Portugal («no meio está a virtude») e com as pesquisas dos deputados no Parlamento; e Luís Rainha aborda a obsessão em bater em Luís Filipe Menezes.
Nas vésperas da primeira grande manifestação dos professores, ficamos a saber que a Polícia visitou algumas escolas do centro do país; e sabemos também que o ministro Augusto Santos Silva acusa os professores de não saberem distinguir entre Salazar e a democracia e compara o paladino da liberdade, Mário Soares, com… Mário Nogueira, a quem, seguramente, não se deve a democracia em Portugal. «Novas vítimas do LSD» é o título do «post» de Nuno Ramos de Almeida.
Logo a seguir, Luís Rainha aborda o texto de Emídio-berbequim-Rangel, «Hooligans em Lisboa», no qual o autor comparava os professores a operários da Lisnave em manifestação. «A má-educação, a pesporrência e o lambe-botismo ao Governo transformados em ponto de vista. Um repositório agressivo de lugares comuns, insultos gratuitos e bílis interesseira. Isto à mistura com um panegírico desvairado da “ministra sábia, tranquila, dialogante”. Nem lido se acredita.», refere o blogger.
Ainda sobre o mesmo assunto, e após um texto de João Pinto e Castro a defender, como sempre, a Ministra, Rui Tavares refere que «insistir numa reforma apenas porque é “impopular” é uma desculpa fácil. Difícil é fazer uma reforma compreensível e motivadora para quem vai ter de participar nela. Mas às vezes é possível, e nesses casos é essencial.»
Sinais de Nuno Ramos de Almeida: o inenarrável Vitalino Canas é nomeado Provedor do Trabalho Temporário. Desconhece-se, até hoje, qual foi o trabalho feito pela criatura. «Vitalino, socialista não praticante», dirá Nuno Ramos de Almeida alguns dias depois.
Paulo Pinto aborda o estado do Sistema Nacional de Saúde e as burocracias que o rodeiam: « Por isso, da próxima vez que me vierem falar em simplexes, em confiança entre os cidadãos e o Estado, em reformas simplificadoras, em racionalização, no raio que os parta, não aceitarei tangas de orçamentos, taxas, estatísticas, milhões e outros grandes paleios da treta. Se alguém me pedisse opinião, sugeriria apenas “correcção” e “bom-senso”.»
«O aumento de as pessoas não saberem», texto de Fernanda Câncio, merece 110 comentários. E tudo porque a autora aborda uma entrevista na SIC Notícias» a Jerónimo de Sousa.
A 13 de Março, Maria João Pires dedica o seu «post» às virtudes da promiscuidade, Fernanda Câncio fala das políticas do acasalamento e Ana Matos Pires pergunta se alguém acha que «em política as mentiras graves são assuntos de pichotas e coninhas?» Pelo meio, a polémica das fotocópias de Paulo Portas no Ministério da Defesa e uma outra polémica com Paulo Pinto Mascarenhas.
Através de Ana Matos Pires, sabemos que o PS quer proibir o uso de piercings e tatuagens; com Zé Nuno, celebramos o May Day (dia dos trabalhadores precários); com Filipe Moura e vários outros bloggers, fazemos uma retrospectiva dos 30 anos de Alberto João Jardim na Madeira; e com o Irmaolúcia, caricaturamos os «recomendáveis chineses», numa altura em que se aproximam os Jogos Olímpicos e num momento em que se agudiza a repressão sobre os tibetanos. Maria João Pires convida mesmo a uma concentração em frente à embaixada chinesa.
Época pascal. 150.000 novos em pregos é o tema para mais um desenho do Irmaolúcia. O aquecimento global na Páscoa é a proposta de Zé Nuno. Os transgénicos são chamados à colação por Maria João Pires, que também fala do Maio de 68. Filipe Moura escreve sobre a ASAE, o encerramento de cinco hipermercados na Sexta-Feira Santa à tarde e as pequenas vigarices dos comerciantes tradicionais (serão senhorios?)
Nos finais de Março, dá-se a famosa cena do telemóvel do Carolina Michaelis, no Porto. «Dá-me o telemóvel já!», disse a aluna cavalona. «Autoridade, autoridade», proclama Rui Tavares; «A escola, a professora, a sua aluna e o telemóvel dela», refere Paulo Pinto. «O fim das pragas do telemóvel na sala de aula, por apenas 142 euros», graceja Luís Rainha. «Devo viver numa realidade paralela», confessa Maria João Pires. «Adolescentes, inimputáveis e tevês», escreve Fernanda Câncio.
António Figueira corta a tensão e dedica mais um «post» aos Cromos da Bola, a Rui Santos e às suas deliciosas expressões. «Bacoca mesmidade» ou «empirismo-vampirista» são duas das pérolas que fazem o autor perguntar-se a si mesmo o que será que aquilo quer dizer.

* versão corrigida

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

7 respostas a O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (I – Janeiro a Março)*

  1. j diz:

    «Fernanda Câncio vai mais longe: «O pior de tudo isto, porém, não é o péssimo exemplo que o dirigente da ASAE…»

    Estava longe de imaginar que o PM viria a ser apanhado com as calças na mão quando ia (ou vinha) de avião em visita ao primo Chavez.

  2. Pingback: O ano de 2008 através do olhar do «5 Dias», ou uma homenagem a todos os autores e comentadores que por aqui passaram no último ano (I - Janeiro a Março) : jogos

  3. Não confirmei tudo, Ricardo Santos Pinto, mas deixe-me lá corrigir duas coisitas, uma delas relativamente “infeliz” – “Um texto de Rui Tavares, que ainda não fazia parte do blogue, celebra os 18 anos do «Público»” -… dá-se o caso do Rui ser um dos elementos fundadores do 5 Dias (se a memória não me engana é dele o post de apresentação, ora confirme, por favor). A outra, sem importância nenhuma, diz-me respeito – “A 3 de Janeiro, Ana Matos Pires estreia-se no «5 Dias». Não era ainda autora do blogue, mas faz esta incursão – e outras que se irão seguir – via Fernanda Câncio.”. Acontece que não foi a minha primeira incursão como não autora, já ao longo de 2007 o tinha feito pela mão da f., do Nuno e do António (por quem fui directamente convidada para participar no 5 Dias, aliás).

  4. Ps: só mais uma coisinha, “A 3 de Janeiro, Ana Matos Pires … critica o Banco Alimentar pelo facto de este se recusar a ter ligações políticas – ou pelo facto de dizer que não tem. «Vai-se a ver e é do mau feitio», diz no título, se calhar como auto-crítica”. Não é “se calhar” é assumido, daí o título do post ser “Vai-se a ver e é do MEU mau feitio”.

  5. Ricardo Santos Pinto diz:

    Ana Matos Pires,

    Peço desculpa pelos lapsos. Em relação ao seu, confesso que não fui aos Arquivos de 2007, daí o erro. Em relação ao Rui Tavares, é pura estupidez da minha parte. Até já tinha andado a ver os «posts» da fundação e tinha reparado que não só o primeiro como os seis primeiros «posts» foram de sua autoria. O que me confundiu foi aparecerem vários textos do Rui Tavares, no início de 2008, com o nome de outros autores. Muitas horas a pesquisar deu nisto.
    Sem quere reescrever a história, penso que devo corrigir imediatamente o meu texto.
    Obrigado pelas correcções.

  6. Ricardo santos Pinto,

    Por provável cansaço não reparou que eu assumo o meu mau feitio no título do referido post de 3 de Janeiro. E, já agora, deixe-me avisá-lo de outro “gato” relativo ao Rui, é aqui “Na política internacional (…) Pelo meio, saúda-se que chamar palhaço a alguém não seja considerado um insulto, assinalam-se as incongruências de Vasco Pulido Valente e Pacheco Pereira (primeiro texto de Rui Tavares no «5 Dias»)…”.

  7. Ricardo Santos Pinto diz:

    Tem toda a razão.
    Obrigado, mais uma vez.

Os comentários estão fechados.