Gaza, Jenin, Sabra, Chatila, os massacres de Israel, ainda e sempre (e mais um case study)

Esta foto é de Gaza. Há milhões de outras iguais de outros lugares da Palestina mostrando a obra de Israel nestes últimos 60 anos.
Tenho escrito sobre Israel tomando como referência Edward W. Said e Daniel Barenboim, um palestiniano e um judeu que acreditam que a música é política. Tenho recebido comentários absolutamente desprezíveis a este propósito, uns chamando animais (!?) a Said e a Berenboim, mas mais a Said (talvez por ter sido um árabe de Nova Iorque, não sei), outros comparando Allende (?????) a Hitler e ambos ao Hamas (porque todos foram “ditadores eleitos”), e todos eles à sociedade palestiniana (que é sub-humana e inferior, para essa gente, porque votou Hamas em Gaza).
De todos os comentários e palavreado um blogue chamado “Fiel Inimigo”, pela sua obsessão fascizante, me despertou a atenção (arruma o 5dias, o arrastão e o sem muros numa secção chamada “campo de tiro” !!). Os comentários que recebo são assinados por um tal “Range-o-Dente”. São tão desprezíveis que assumindo e clamando em voz alta o meu gesto como gesto de liberdade e intervenção, não os apago, mostro-lhos e literalmente os despejo na própria caixa de comentários do tal “Range-o-Dente”. Sugiro-lhe depois que faça sangue com eles, muito sangue. 

E peço-lhe que daí, dessa sua casa, o Fiel-Inimigo, me tratasse como quisesse: terrorista, hamasiano, etc. Como o homem faz disto uma questão pessoal e eu não sou tolerante, disse-lhe expressamente que não sou seu interlocutor. Como não tenho que ler os livros de Paulo Coelho ou de Margarida Rebelo Pinto (que nada têm a ver com isto). O homem tem batido várias caixas de outros bloggers daqui, 5dias, queixando-se porque quero pôr os indesejáveis na fronteira. Escapa-lhe uma coisa: EU NÃO ESTOU A PÔ-LO NA FRONTEIRA, HOMEM, ESTOU A PÔ-LO NA SUA PRÓPRIA CASA !! E lá, na casa dele, exponho-lhe as minhas opções. Nela tenho sido “analisado” de todas as maneiras, e de formas sempre muito interessantes. E não estou a ironizar: o blogue dele está linkado. Que é que ele quer mais? Que lhe diga boa tarde? Que o felicite? Que o convide para jantar e para o 5dias? Tenho mel na blusa?

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56 respostas a Gaza, Jenin, Sabra, Chatila, os massacres de Israel, ainda e sempre (e mais um case study)

  1. Rita diz:

    Ó Vidal, há aí um enganito.

    O massacre de Sabra e Shatila não foi cometido por judeus mas sim por “irmãos” libaneses, prontos, enquanto Ariel Sharon assobiava para o lado. O Sharon não é flor que se cheire mas nesta só é culpado de não impedir o massacre.

    Anote aí, entre 2 300 a 3 500 civis palestinianos foram massacrados pelas milícias cristãs maronitas libanesas, em 16 de Setembro de 1982.

  2. Carlos Vidal diz:

    Rita, temos de ir ao fundo da questão. Ariel Sharon foi responsabilizado pelo massacre, quer em tribunal de Israel, quer em manifestações em Jerusalém que chegaram a reunir 500 000 pessoas. Responsabilizado, em 1983, deixou de ser Ministro da Defesa. Detalhes no meu post acima.

  3. Carlos,
    Se o range qualquer coisa é desprezível pq dar-lhe tempo de antena? Responder não torna a discussão completamente envenenada?

  4. Rita diz:

    É pá Ó Carlos, parece que os israelitas não são essas bestas sanguinárias que insinuas: então os libaneses mataram os palestinianos e um tribunal israelita condena o Sharon porque considerou que este tinha responsabilidade moral na coisa porque não impediu o massacre.

    E, bolas, meio milhão de israelitas manifestaram-se contra o massacre?? Estou toda baralhadinha, atão não foram palestinianos que foram mortos?

    E chuta aí um exemplo em que umzinho para amostra palestiniano não tenha vindo para a rua disparar tiros de felicidade quando morre um judeu num ataque suicida? Mesmo que sejam adolescentes que estudavam numa biblioteca e um chanfrado se explode? Queres ver como reagem os palestinianos?

    At mosques in Gaza City and the northern Gaza Strip, many residents performed prayers of thanksgiving — only performed in cases of great victory to thank God.

    About 7,000 Gazans marched in the streets of Jebaliya, firing in the air in celebration, and visited homes of those killed and wounded in the last Israeli incursion. In the southern town of Rafah, residents distributed sweets to moving cars, and militants fired mortars in celebration.

  5. Carlos Vidal diz:

    Torna, Nuno, é verdade. Mas por isso é que este post se subintitulou de “case study”, porque revela a fibra do sionismo fanatizado de direita. Além do mais, o homem tanto força para entrar aqui com queixas e vitimismos de censura que, depois do meu post, as portas ficam-lhe totalmente abertas. Agora pode atirar à vontade sobre o 5dias e sobre CV.

  6. Carlos Vidal diz:

    Rita, o seu argumento não pega. Israel responsabiliza alguém quando o mundo está atento em demasia. De resto, como agora, o mundo está ao mesmo tempo atento e distraído. Por isso, é o que se vê. O resto é seu jogo de linguagem. Language game, tem jeito para isso, mas não muito. Eu fui aqui o primeiro a postar e a indicar sites de vozes de israelitas dissidentes ou independentes. Por isso, sei que as manifestações anti-ocupação e anti-massacres em Israel também são, felizmente, frequentes. Deixe-se de jogos de linguagem. Passe a outra.

  7. Rita diz:

    Carlos Vidal:

    Xiiii, que coisa mais baralhada. Acalma-te e v~e lá se consegues não te trocar nas voltas. Só deu para perceber que Israel é mau, péssimo mas há umas vozes israelitas (que não são israel) que são porreiras, pá.

    Continuo a querer umzinho exemplozitoo de manifestações (não precisam ser de mais de 10% da população palestiniana) a protestar por um judeu ter sido morto… 🙂

    Já postei informação no outro malvado, malvado judeu mas não aparece… tenho a certezinha que não fui censurada, só estão para aí a ler o artigo fabuloso do Israel Shahak, o chairman da Israeli League for Human and Civil Rights

  8. cfa diz:

    O encontro improvável de Barenboim com Said e a obra que dele nasceu (A Divan Orchestra, por exemplo), é uma histórias magnífica. Há outras, que também revelam que a civilização surge neste conflito em condições adversas. O que os dois homens diziam um do outro e do que os juntou e as posições públicas e políticas que tomaram são inspiradoras e, concordo com o Carlos Vidal, devem ser repetidas mais vezes. Entretanto, a orchestra toca aqui ao lado, em Sevilha.

  9. Carlos Vidal diz:

    Ainda bem que aparece aqui este comentário de cfa, a recordar o que eu disse ontém sobre a reconciliação entre árabes e judeus, ainda bem. Explico porquê. Como hoje postei sobre massacres israelitas e a sinistra figura de Shamir pode-se pensar que abandonei o “projecto Said-Barenboim”.
    Nada mais errado. O que o projecto Said-Barenboim pressupõe é que Israel assuma as suas responsabilidades num processo de reconciliação. A lista de massacres israelitas não pode ser esquecida. É a ocupação que acima de tudo tem de ser aquilatada. os massacres de Israel estão relacionados directamente com a ocupação.

  10. CV. Bolas tu tb tens cá uma capacidade para perder tempo com ” Rosnérios” ( V~es! Humor em criar palavras da blogosfera.. 😉 2x) …

    Tb a frase: “Esta foto é de Gaza. Há milhões de outras iguais de outros lugares da Palestina mostrando a obra de Israel nestes últimos 60 anos.” é a pender para o redutor: Logo Mais Vale LERES ISTO:

    “Como curar um fanático? Perseguir um punhado de fanáticos através das montanhas do Afeganistão é uma coisa. Lutar contra o fanatismo, outra muito diferente. Receio não saber muito bem como perseguir fanáticos pelas montanhas, mas talvez possa apresentar uma ou duas reflexões acerca da natureza do fanatismo e sobre as formas, se não de curá-lo, pelo menos de controlá-lo.A chave do ataque de 11 de Setembro contra os Estados Unidos não deve ser apenas procurada no confronto existente entre pobres e ricos. Esse confronto constitui um dos mais terríveis problemas do mundo, mas estaríamos errados se concluíssemos que o 11 de Setembro se limitou a ser um ataque de pobres contra ricos. Não se trata apenas de «ter ou não ter». Se fosse assim tão simples, deveríamos esperar que o ataque viesse de África, onde estão os países mais pobres, e que talvez fosse lançado contra a Arábia Saudita e os emirados do Golfo, que são os estados produtores de petróleo e os países mais ricos. Não. É uma batalha entre fanáticos que crêem que o fim, qualquer fim, justifica os meios, e os restantes de nós, para quem a vida é um fim, não um meio.ento não há tempo tempo tempo”

    2″Trata-se de uma luta entre os que pensam que a justiça, o que quer que se entenda por tal palavra, é mais importante do que a vida, e aqueles que, como nós, pensam que a vida tem prioridade sobre muitos outros valores, convicções ou credos.A actual crise mundial, no Médio Oriente, em Israel e na Palestina, não é uma consequência dos valores do Islão. Não se deve à mentalidade dos Árabes, como proclamam alguns racistas. De forma alguma. Deve-se à velha luta entre fanatismo e pragmatismo. Entre fanatismo e pluralismo. Entre fanatismo e tolerância. O 11 de Setembro não é uma consequência da bondade ou da maldade dos Estados Unidos, nem tem a ver com o capitalismo ser perigoso ou esplendoroso. Nem tão-pouco com ser oportuno ou com a necessidade de travar ou não a globalização. Tem a ver com a típica reivindicação fanática: se penso que alguma coisa é má, aniquilo-a juntamente com aquilo que a rodeia.O fanatismo é mais velho que o Islão, do que o Cristianismo, do que o Judaísmo. Mais velho do que qualquer Estado, governo ou sistema político. Infelizmente, o fanatismo é um componente sempre presente na natureza humana, um gene do Mal, para apelidá-lo de algum modo. Aqueles que fazem explodir clínicas onde se pratica o aborto, nos Estados Unidos, os que incendeiam sinagogas e mesquitas na Alemanha, só se diferenciam de Bin Laden na magnitude, mas não na natureza dos seus crimes. Naturalmente, o 11 de Setembro produziu tristeza, raiva, incredulidade, surpresa, abatimento, desorientação e, é certo, algumas respostas racistas – antiárabes e antimuçulmanas – por todo o lado. Quem teria ousado pensar que ao século XX se seguiria de imediato o século XI?A minha própria infância em Jerusalém tornou-me especialista em fanatismo comparado. A Jerusalém da minha infância, lá pelos anos 40, estava repleta de autoproclamados profetas, redentores e Messias. Ainda hoje, todo o jerosolimitano possui a sua fórmula pessoal para a salvação instantânea.Todos dizem que chegaram a Jerusalém – e cito uma frase famosa de uma velha canção – para a construírem e serem construídos por ela. Na realidade, alguns (judeus, cristãos, muçulmanos, socialistas, anarquistas e reformadores do mundo) acudiram a Jerusalém, não tanto para a construírem ou serem construídos por ela, mas para serem crucificados ou para crucificarem outros, ou para ambas as coisas ao mesmo tempo. Há uma desordem mental muito arreigada, uma reconhecida doença mental chamada «síndrome de Jerusalém»: uma pessoa chega, inala o ar puro e maravilhoso da montanha e, de repente, inflama-se e pega fogo a uma mesquita, a uma igreja ou a uma sinagoga. Ou, então, tira a roupa, sobe a um rochedo e começa a fazer profecias.Já ninguém escuta. Mesmo hoje em dia, mesmo na Jerusalém actual, em qualquer fila de autocarro, é provável que surja uma exaltada conferência na via pública entre pessoas que não se conhecem de nenhum lado, mas que discutem política, moral, estratégia, História, identidade, religião e as verdadeiras intenções de Deus. Os participantes nessas conferências, enquanto discutem política e teologia, o Bem e o Mal, tentam, no entanto, abrir caminho à cotovelada até aos primeiros lugares da fila. Toda a gente grita, ninguém ouve. Excepto eu. Eu escuto, às vezes, e assim ganho a vida.Confesso que em miúdo, em Jerusalém, também era um pequeno fanático limitado por uma lavagem cerebral. Com a presunção de superioridade moral, chauvinista, surdo e cego a qualquer ponto de vista q ue fosse diferente do poderoso discurso judeu sionista da época. Eu era um rapaz que atirava pedras, um rapaz da Intifada judaica. Na verdade, as primeiras palavras que aprendi a dizer em inglês, à parte o yes e o no, foram British, go home!, que era o que nós, rapazes judeus, costumávamos gritar enquanto apedrejávamos as patrulhas britânicas de Jerusalém.Falando de ironias da História, no meu romance de 1995, Uma Pantera na Cave, descrevo como um rapaz chamado ou com a alcunha de Profi perde o seu fanatismo, o seu chauvinismo, e muda quase por completo no espaço de duas semanas ao tornar-se mais relativista. Em segredo, ficara amigo de um inimigo: concretamente, de um sargento da polícia britânica muito afável e pouco competente. Os dois encontravam-se às escondidas e ensinavam inglês e hebraico um ao outro. E o rapaz descobre que as mulheres não têm cornos nem cauda, uma revelação quase tão chocante para ele como a descoberta de que nem todos os Britânicos nem os Árabes têm cornos ou cauda. De algum modo, o rapaz desenvolve um sentido de ambivalência, uma capacidade para abandonar as suas crenças a preto e branco. Mas, naturalmente, paga um preço por isso: no final deste pequeno romance já não é uma criança, mas uma pequena pessoa mais velha, um pequeno adulto. Grande parte da alegria e do fascínio, do entusiasmo e a singeleza da vida desapareceram. E, além disso, ganha outra alcunha: os antigos amigos começam a chamá-lo de traidor.”
    3″Vou citar a primeira página e meia de Uma Pantera na Cave, porque julgo que é a melhor forma de exprimir aquilo que eu penso em matéria de fanatismo. É o primeiro capítulo de Uma Pantera na Cave:
    Fui apelidado de traidor muitas vezes durante a minha vida. Da primeira, tinha eu doze anos e três meses e vivia num bairro de um dos extremos de Jerusalém. Foi nas férias grandes, a menos de um ano de os Ingleses deixarem o país e de o Estado de Israel nascer no meio da guerra.Certa manhã apareceu uma inscrição a grossos traços negros na parede da nossa casa, por baixo da janela da cozinha: PROFI BOGUED SHAFEL – «Prodi é um reles traidor». A palavra shafel, reles, levantou uma questão que ainda hoje, ao escrever esta história, me intriga: poderá um traidor deixar de ser reles? Se a resposta for não, por que motivo é que o Tchita Reznik (conheci-lhe logo a letra) se teria dado ao trabalho de acrescentar a palavra «reles»? Se for sim, em que circunstâncias é que a traição não é um acto reles?Foi a partir dessa altura que me colocaram a alcunha de «Profi», abreviatura de «Professor», resultante da minha obsessão em examinar as palavras. Ainda hoje gosto imenso de palavras, de as reunir, ordenar, misturar, inverter, combinar – um pouco ao jeito dos avarentos, obcecados por moedas e notas, ou dos jogadores por cartas de jogar.O meu pai tinha saído às seis e meia da manhã para ir buscar o jornal e deparara-se com a inscrição logo por baixo da janela da cozinha. Ao pequeno-almoço, enquanto barrava uma fatia de pão integral com compota de framboesa, cravou a faca no boião, quase até ao cabo, e exclamou com o seu tom pausado:«Mas que surpresa! Que patifaria cometeu Vossa Excelência para merecermos tamanha honra?!»«Não o aflijas logo pela manhã!» – atalhou a minha mãe. – «Já lhe basta aturar os outros rapazes.»Nessa altura o meu pai vestia roupa de caqui, como a maioria dos homens do nosso bairro, e tinha os modos e a voz de uma pessoa cheia de carradas de razão. Ergueu a faca e retirou do fundo do frasco um pedaço viscoso de doce de framboesa; espalhou-o por igual sobre as metades da fatia e replicou:«É verdade que hoje em dia quase toda a gente usa a palavra traidor com demasiada leviandade. Mas o que vem a ser um traidor? Sim, o que é, com efeito? É um homem sem honra, um sujeito que, às escondidas, por detrás das costas, por um qualquer benefício insuspeito, ajuda o inimigo contra o seu povo, chegando mesmo a desgraçar a sua família e amigos. É mais infame do que um assassino. E tu, faz-me o favor de acabar de comer esse ovo! Na Ásia há quem morra de fome, está aqui escarrapachado no jornal.»A minha mãe puxou o meu prato para si e acabou de comer os restos do meu ovo e pão com doce – não por força do apetite, mas por amor à paz – e rematou:«Quem ama não atraiçoa.»
    Mais à frente no romance, o leitor pode descobrir que a mãe estava completamente enganada. Só quem ama se pode converter num traidor. A traição não é o reverso do amor: é uma das suas opções. Traidor, julgo, é quem muda aos olhos daqueles que não podem mudar e não mudarão, daqueles que detestam mudar e não podem conceber a mudança, apesar de quererem sempre mudar os outros. Por outras palavras, traidor, aos olhos de um fanático, é qualquer um que muda. E é difícil a escolha entre converter-se num fanático ou converter-se num traidor. Não converter-se num fanático significa ser, até certo ponto e de alguma forma, um traidor aos olhos do fanático. Eu fiz a minha escolha e esse romance é disso a prova fiel.”
    4″Intitulei-me especialista em fanatismo comparado. Não é nenhuma piada. Se alguém souber de uma escola ou universidade que vá abrir um departamento de Fanatismo Comparado, cá estarei para solicitar o lugar de professor. Na minha qualidade de antigo jerosolimitano, e como fanático reabilitado, sinto-me plenamente qualificado para esse posto. Talvez seja chegado o momento de todas as escolas, todas as universidades, facultarem pelo menos um par de cursos de Fanatismo Comparado, pois este está em toda a parte. Não me refiro tão-só às óbvias manifestações de fundamentalismo e fervor cego. Não me refiro apenas aos fanáticos natos que vemos na televisão entre multidões histéricas que agitam os punhos contra as câmaras, ao mesmo tempo que gritam slogans em línguas que não entendemos.Não, o fanatismo está em todo o lado. Com modos mais silenciosos, mais civilizados. Está presente à nossa volta e talvez também dentro de nós. Conheço bastantes não-fumadores que o queimariam vivo por acender um cigarro ao pé deles! Conheço muitos vegetarianos que o comeriam vivo por comer carne! Conheço pacifistas, alguns dos meus colegas do Movimento de Paz israelita, por exemplo, desejosos de dispararem directamente à minha cabeça só por eu defender uma estratégia ligeiramente diferente da sua para conseguir a paz com os Palestinianos.Não afirmo que qualquer um que levante a voz contra alguma coisa seja um fanático. Não sugiro que qualquer um que manifeste opiniões veementes seja um fanático, claro que não. Digo que a semente do fanatismo brota ao adoptar-se uma atitude de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos. É uma praga muito comum que, certamente, se manifesta em diferentes graus. Um ou uma militante ecologista pode adoptar uma atitude de superioridade moral que impeça a obtenção de consensos, mas causará muito pouco dano se o compararmos, por exemplo, com um depurador étnico ou terrorista. Mais ainda, todos os fanáticos sentem uma atracção, um gosto especial, pelo kitsch. Muito frequentemente, o fanático só consegue contar até um, já que dois é um número demasiado grande para ele ou para ela. Ao mesmo tempo, descobriremos que, com alguma frequência, os fanáticos são sentimentais incuráveis: preferem muitas vezes sentir do que pensar, e têm uma fascinação especial pela sua própria morte. Desprezam este mundo e estão impacientes por trocá-lo pelo «Paraíso». No entanto, o seu Paraíso é geralmente imaginado como o final de uma mau filme.Vou contar uma história em jeito de divagação: eu sou um reconhecido divagador, estou sempre a divagar. Um querido amigo e colega meu, o admirável romancista israelita Sammy Michael, passou uma vez pela experiência, por que todos nós passamos de vez em quando, de andar de táxi durante um bom tempo com um condutor que lhe ia dando a típica palestra sobre como é importante para nós, judeus, matar todos os Árabes.Sammy ouvia-o e, em vez de lhe gritar ‘Que homem horrível que você é! É nazi ou fascista?’, decidiu ir por outro caminho e perguntou-lhe: «E quem acha que deveria matar todos os Árabes?» O taxista disse: «O que quer dizer com isso? Nós! Os Judeus Israelitas! Temos de o fazer! Não há escolha. Veja só o que nos fazem todos os dias!»«Mas quem, especificamente, é que deveria fazer o trabalho? A polícia? Ou o Exército, talvez? O corpo dos bombeiros ou as equipas médicas? Quem deveria fazer o trabalho?»O taxista coçou a cabeça e disse: «Penso que deveríamos dividi-lo em partes iguais entre cada um de nós, cada um de nós devia matar alguns.»E Sammy Michael, ainda no mesmo jogo, disse: «Pois bem, suponha que a si lhe toca um determinado bloco residencial da sua cidade natal, Haifa, e que bate às portas ou toca às campainhas, e pergunta: ‘Desculpe, senhor, ou desculpe, senhora. Por acaso é Árabe?’ E se a resposta for afirmativa, você dispara. Quando acaba o seu bloco, dispõe-se a regressar a casa mas, ao fazê-lo», continuou Sammy, «ouve, algures no quarto andar do seu bloco, o choro de um bebé. Voltaria para matar o bebé? Sim ou não?»Houve um momento de silêncio e, então, o taxista disse a Sammy: «Sabe, o senhor é um homem muito cruel.»Esta é uma história significativa, porque há algo na natureza do fanático que, essencialmente, é muito sentimental e, ao mesmo tempo, carece de imaginação. E isto, às vezes, dá-me esperança – naturalmente, muito limitada – de que injectando alguma imaginação nas pessoas, talvez as ajudemos a reduzir o fanático que trazem dentro de si e a sentirem-se incomodados. Não é um remédio rápido, não é uma cura rápida, mas pode ajudar.”
    5″Conformidade e uniformidade, a urgência de «pertencer a» e o desejo de fazer com que todos os demais «pertençam a» podem constituir perfeitamente as formas de fanatismo mais amplamente difundidas. Lembrem-se de A Vida de Brian, esse filme magnífico dos Monty Phyton, em que o protagonista diz à multidão dos seus futuros discípulos «Sois todos indivíduos!» e a multidão responde aos gritos «Somos todos indivíduos!», excepto um lá no meio, que diz timidamente com um fio de voz: «Eu não.» Mas todos o mandam calar furiosos.Uma vez tendo dito que a conformidade e a uniformidade dão formas moderadas mas expandidas de fanatismo, devo acrescentar que, com frequência, o culto da personalidade, a idealização de líderes políticos ou religiosos, a adoração de indivíduos sedutores, podem muito bem constituir outras formas disseminadas de fanatismo. O século XX parece ter dado mostras excelentes neste sentido. Por um lado, os regimes totalitários, as ideologias mortíferas, o chauvinismo agressivo, as formas violentas de fundamentalismo religioso. Por outro, a idolatria universal de uma Madonna ou de um Maradona. Talvez o pior aspecto da globalização seja a infantilização do género humano – «o jardim de infância global», cheio de brinquedos e adereços, rebuçados e chupa-chupas.Até meados do século XIX, mais ano menos ano – varia de um país para outro, de um continente para outro – mas grosso modo até um determinado momento do século XIX, a maior parte das pessoas em grande parte do mundo tinha, pelo menos, três certezas básicas: onde passarei a minha vida, o que farei para viver e o que acontecerá comigo depois de morrer. Quase toda a gente – há uns cento e cinquenta anos – sabia que passaria a sua vida onde nascera ou em algum lugar próximo, talvez na povoação vizinha. Todos sabiam que ganhariam a vida como os seus pais ou de forma semelhante. E que, portando-se bem, iriam para um mundo melhor depois de mortos. O século XX provocou uma erosão destas e de outras certezas, destruindo-as muitas vezes. A perda destas certezas elementares pode ter originado o meio século mais ferozmente egoísta, hedonista e mais virado para a superficialidade. No que respeita aos movimentos ideológicos da primeira metade do século passado, o mantra costumava ser: «Amanhã será um dia melhor – façamos sacrifícios hoje, levemos os outros a fazer sacrifícios, para que os nossos filhos herdem um paraíso no futuro.»Num determinado momento à volta de meados do século, esta noção foi substituída pela da felicidade instantânea. Não se tratava do já famoso direito a lutar pela felicidade, mas da ilusão – actualmente tão difundida – de que a felicidade está exposta nas prateleiras, de que basta chegar a ser suficientemente rico para comprar a felicidade a troco de dinheiro. A ideia do «foram felizes para sempre», a ilusão da felicidade duradoura, é, na verdade, um oxímero. Pode ser pontual ou prolongada, mas a felicidade eterna não é felicidade, do mesmo modo que um orgasmo sem fim não seria de forma alguma um orgasmo.A essência do fanatismo reside no desejo de obrigar os outros a mudar. Nessa tendência tão comum de melhorar o vizinho, de corrigir a esposa, de fazer o filho engenheiro ou de endireitar o irmão, em vez de deixá-los ser. O fanático é uma das mais generosas criaturas. O fanático é um grande altruísta. Está mais interessado nos outros do que em si próprio. Quer salvar a nossa alma, redimir-nos. Livrar-nos do pecado, do erro, do tabaco, da nossa fé ou da nossa carência de fé. Quer melhorar os nossos hábitos alimentares, ou curar-nos do alcoolismo ou do hábito de votar. O fanático morre de amores pelo outro. Das duas uma: ou nos deita o braço ao pescoço porque nos ama de verdade, ou se atira à nossa garganta em caso de sermos irrecuperáveis. Em qualquer caso, topograficamente falando, deitar os braços ao pescoço ou atirar-se à garganta é quase o mesmo gesto. De uma maneira ou de outra, o fanático está mais interessado no outro do que em si mesmo, pela simples razão de que tem um mesmo bastante exíguo, ou mesmo nenhum mesmo.
    O senhor Bin Laden e os da sua laia não se limitam a odiar o Ocidente. Não é assim tão simples. Creio antes que querem salvar as nossas almas, querem libertar-nos dos nossos horríveis valores, do materialismo, do pluralismo, da democracia, da liberdade de opinião, da emancipação da mulher… Tudo isto, segundo os fundamentalistas islâmicos, é muito, mas mesmo muito prejudicial à saúde.
    Com toda a certeza, o objectivo imediato de Bin Laden não era Nova Iorque ou Madrid. O seu objectivo era converter os muçulmanos pragmáticos, moderados, em crentes «autênticos», no seu tipo de muçulmanos. O Islão, para Bin Laden, estava debilitado pelos «valores americanos» e, para defender o Islão, não basta ferir o Ocidente e feri-lo forte e feio. Não. No final, o Ocidente deve ser convertido. A paz só prevalecerá quando o mundo se tiver convertido, não já ao Islão, mas à forma mais rígida, feroz e fundamentalista do Islão. Será para nosso bem. No fundo, Bin Laden ama-nos. O 11 de Setembro, no seu modo de pensar, foi um acto de amor. Fê-lo para nosso bem, quer mudar-nos, quer redimir-nos.”
    6″Muito frequentemente, tudo começa na família. O fanatismo começa em casa. Começa precisamente pela urgência tão comum em mudar um ser querido para seu próprio bem. Começa pela urgência do sacrifício para bem de um vizinho muito amado. Começa pela urgência de dizer a um filho: «Tens de fazer como eu, não como a tua mãe» ou «Tens de fazer como eu, não como o teu pai» ou «Por favor, sê muito diferente de ambos». Ou quando os cônjuges dizem entre si: «Tens de mudar, tens de fazer como eu, ou, de contrário, o casamento não resultará.» Com frequência, começa pela urgência em viver a própria vida através da bida de outrem. Em anular-se a si próprio para facilitar a realização do próximo ou o bem-estar da geração seguinte. O auto-sacrifício costuma infligir terríveis sentimentos de culpa ao seu beneficiário, manipulando-o ou mesmo controlando-o. Se eu tivesse de escolher entre os dois estereótipos de mãe da famosa anedota judaica – a mãe que diz ao filho «Acaba o pequeno-almoço ou mato-te», ou a que diz, «Acaba o pequeno-almoço ou mato-me» -, provavelmente escolheria o menor de dois males, não acabar o pequeno-almoço e morrer, em vez de não acabar o pequeno-almoço e viver com um sentimento de culpa para o resto da minha vida.Voltemos agora ao sombrio papel dos fanáticos e ao fanatismo no confronto entre Israel e a Palestina, outro Israel e grande parte do mundo árabe. O choque entre israelitas e Palestinianos não é, na sua essência, uma guerra civil entre dois segmentos da mesma população, do mesmo povo, da mesma cultura. Não é um conflito interno, mas internacional. Felizmente. Porque os conflitos internacionais são mais fáceis de resolver do que os internos – guerras religiosas, lutas de classes, guerras de valores. Disse mais fáceis, não fáceis. Na sua essência, a batalha entre Judeus Israelitas e Árabes Palestinianos não é uma guerra religiosa, embora os fanáticos de ambos os lados façam o impossível por transformá-la numa guerra religiosa. Fundamentalmente, não é mais do que um conflito territorial sobre a dolorosa questão: «De quem é a terra?» É um doloroso conflito entre quem tem razão e quem tem razão, entre duas reivindicações muito convincentes, muito poderosas, sobre o mesmo pequeno país. Nem guerra religiosa, nem guerra de culturas, nem desacordo entre duas tradições. Simplesmente uma verdadeira disputa teritorial sobre quem é o proprietário da casa. E eu acredito que isto se pode resolver.Acredito, de uma forma simples e cautelosa, que a imaginação possa servir de protecção parcial e limitada contra o fanatismo. Acredito que uma pessoa capaz de imaginar o que as suas ideias implicam, como no caso do bebé a chorar no quarto andar, pode converter-se num fanático parcial, o que já constitui uma ligeira melhoria. Neste momento, bem gostaria de vos dizer que a literatura contém um antídoto contra o fanatismo, que é a injecção de imaginação nos leitores. Gostaria de poder recitar simplesmente: leiam literatura e ficarão curados do vosso fanatismo. Infelizmente, não é assim tão simples. Infelizmente, muitos poemas, muitas histórias e dramas ao longo da História foram utilizados para fomentar o ódio e a superioridade moral nacionalista. Apesar de tudo, há algumas obras literárias que julgo poderem ajudar até certo ponto. Não operam milagres, mas podem ajudar. Shakespeare pode ajudar muito: todo o extremismo, toda a cruzada intransigente, toda a forma de fanatismo em Shakespeare acaba, mais tarde ou mais cedo, em tragédia ou comédia. No final, o fanático nunca está mais feliz ou mais satisfeito, ora morrendo ora convertendo-se em bobo. É uma boa injecção. E Gogol também pode ajudar: faz com que, grotescamente, os seus leitores tomem consciência do pouco que sabemos, mesmo quando estamos convencidos de ter cem por cento de razão. Gogol ensina-nos que o nosso próprio nariz pode transformar-se num inimigo terrível, num inimigo fanático até. E pode acontecer que acabemos por perseguir fanaticamente o nosso próprio nariz. Em si, não é uma má lição. Kafka é um bom educador a este respeito, se bem que tenho a certeza de que ele nunca pretendeu leccionar contra o fanatismo. Mas Kafka mostra-nos que também existe escuridão e enigma e engano quando pensamos que não fizemos absolutamente nada de mal. Isso ajuda. (Se houvesse tempo e espaço, poderia falar muito mais sobre Kafka e Gogol e sobre a subtil conexão que vejo entre ambos, mas vamos deixá-lo para outra ocasião.) E William Amijai expressa tudo isto melhor do que eu poderia fazer, quando afirma: «Onde temos razão não podem crescer flores.» É uma frase muito útil. Assim, de certo modo, algumas obras literárias podem ajudar, mas não todas.”
    7 “E se me prometerem não levar à letra o que vou dizer, atrever-me-ia a assegurar que, pelo menos em princípio, julgo ter inventado o remédio contra o fanatismo. O sentido de humor é uma grande cura. Jamais vi na minha vida um fanático com sentido de humor, nem nunca vi qualquer pessoa com sentido de humor converter-se num fanático, a menos que ele ou ela tivessem perdido esse sentido de humor. Os fanáticos são frequentemente sarcásticos. Alguns deles têm um sarcasmo muito agudo, mas de humor, nada. Ter sentido de humor implica a capacidade de se rir de si próprio. Humor é relativismo, humor é habilidade de nos vermos como os outros nos vêem, humor é a capacidade de perceber que, por muito cheia de razão que uma pessoa se sinta e por mais tremendamente enganada que tenha estado, há um certo lado da vida que tem sempre a sua graça. Quanto mais razão se tem, mais divertia se torna a pessoa. E, neste caso, pode dar-se ser um israelita convicto da sua razão ou qualquer pessoa convicta da sua razão. Com sentido de humor, bem pode acontecer que se seja parcialmente imune ao fanatismo.Se eu pudesse comprimir o sentido de humor em cápsulas e, depois, persuadir povoações inteiras a engolirem as minhas pílulas humorísticas, imunizando desse modo toda a gente contra os fanáticos, talvez um dia chegasse ao Prémio Nobel de Medicina, em vez de Literatura. Mas esperam! A simples ideia de fazer com que os outros engulam as minhas pílulas humorísticas para seu próprio bem, curando-os assim do seu mal, já está ligeiramente contaminada de fanatismo. Muito cuidado, o fanatismo é extremamente infeccioso, mais contagioso do que qualquer vírus. Pode-se contrair fanatismo facilmente, até mesmo ao tentar vencê-lo ou combatê-lo. Basta ler os jornais ou ver televisão para verificar como as pessoas se convertem facilmente em fanáticos antifanáticos, em fanáticos antifundamentalistas, em cruzados antijihad. Afinal, se não podemos vencer o fanatismo, talvez possamos, ao menos, contê-lo um pouco. Como disse antes, a capacidade de nos rirmos de nós próprios constitui uma cura parcial, a capacidade de nos vermos como os outros nos vêem é um outro remédio. A capacidade de conviver com situações cujo final está em aberto, inclusivamente de aprender a desfrutar com essas situações, de aprender a desfrutar com a diversidade, também pode ajudar.Não estou a pregar o relativismo moral total, com certeza que não. Tento realçar a nossa capacidade de nos imaginarmos uns aos outros, Façamo-lo a todos os níveis, começando pelo mais quotidiano. Imaginemos o outro quando lutamos, imaginemos o outro quando nos queixamos, imaginemos o outro precisamente quando sentimos que temos cem por cento de razão. Mesmo quando se tem cem por cento de razão e o outro está cem por cento equivocado, continua a ser útil imaginar o outro. Na verdade, fazemos isso a todo o momento. O meu último romance, O Mesmo Mar, versa sobre seis ou sete pessoas espalhadas pelo globo e que têm entre si uma comunicação quase mística. Pressentem-se, comunicam constantemente entre si de forma telepática, embora se encontrem disseminados pelos quatro cantos da Terra.A capacidade de conviver com situações de final em aberto está, imaginariamente, em aberto para todos nós; escrever um romance, por exemplo, implica, entre outras responsabilidades, a necessidade de nos levantarmos todas as amnhãs, tomar um café e começar a imaginar o outro, Como seria se eu fosse ela, e como seria se eu fosse ele? E na minha experiência pessoal, na minha própria história de vida, na minha história familiar, não consigo deixar de pensar frequentemente que, com uma ligeira modificação dos meus genes ou das circunstâncias dos meus pais, eu poderia ser ele ou ela, poderia ser um colono da Margem Ocidental, poderia ser um extremista ultra-ortodoxo, poderia ser um judeu oriental de um país do Terceiro Mundo, poderia ser alguém diferente. Poderia ser um dos meus inimigos. Imaginar isto é sempre uma prática útil. Há muitos anos, quando ainda era uma criança, a minha sapientíssima avó explicou-me com palavras muito simples a diferença entre um judeu e um cristão, não ente um judeu e uma muçulmano, mas entre um judeu e um cristão: «Olha», disse, «os Cristãos acreditam que o Messias já cá esteve uma vez e que, certamente, regressará um dia. Os Judeus defendem que o Messias ainda está por chegar. Por isso», disse a minha avó, «por isso, tem havido tanta raiva, tantas perseguições, derramamento de sangue, ódio… Porquê? Por que não podemos simplesmente esperar todos e ver o que acontece? Se o Messias voltar e disser, ‘Olá, estou muito contente por vê-los de novo’, os Judeus terão de aceitar. Se, pelo contrário, o Messias chegar e disser, ‘Como estão, prazer em conhecê-los’, toda a Cristandade terá de pedir desculpa aos Judeus. Entretanto», disse a minha sábia avó, «vive e deixa viver». Ela era, definitivamente, imune ao fanatismo. Conhecia o segredo de viver em situações de final em aberto, no meio de conflitos não resolvidos, com a diversidade de outras pessoas.Comecei por dizer que o fanatismo muitas vezes começa em casa. Quero terminar dizendo que o antídoto também se pode encontrar em casa, praticamente na ponta dos nossos dedos. Nenhum homem é uma ilha, disse John Donne, mas atrevo-me humildemente a acrescentar: nenhum homem e nenhuma mulher é uma ilha, mas cada um de nós é uma península, com uma metade unida à terra e a outra a olhar para o oceano – uma metade ligada à família, aos amigos, à cultura, à tradição, ao país, à nação, ao sexo e à linguagem e a muitas outras coisas, e a outra metade a desejar que a deixem sozinha a contemplar o oceano. Penso que nos deviam deixar continuar a ser penínsulas. Todo o sistema político e social que converte cada um de nós numa ilha donneana e o resto da Humanidade em inimigo ou rival é uma monstruosidade. Mas ao mesmo tempo, todo o sistema ideológico, político e social que apenas nos quer transformar em moléculas do continente, também é uma monstruosidade.A condição de península é a própria condição humana. É o que somos e o que merecemos continuar a ser. De modo que, em certo sentido, em cada casa, em cada família, em cada condição humana, em cada relação humana, temos de facto uma relação entre um certo número de penínsulas, e será melhor que nos lembremos disso antes de nos tentarmos modelar uns aos outros, de virarmos as costas uns aos outros e de tentarmos que quem está ao nosso lado se torne igual a nós, enquanto que o que ele ou ela necessitam é de contemplar o oceano durante algum tempo. E esta é a verdade para os grupos sociais, para as culturas, para as civilizações, para as nações e, é verdade, para os Israelitas e os Palestinianos. Nenhum deles é uma ilha e nenhum deles pode misturar-se inteiramente com o outro. Estas duas penínsulas deviam estar relacionadas e, ao mesmo tempo, deixadas à sua vontade. Sei que esta é uma mensagem pouco usual num tempo em que a violência, a ira, a vingança, o fundamentalismo, o fanatismo e o racismo capeiam livremente no Médio Oriente e noutros lugares.Sentido de humor, a capacidade de imaginar o outro, a capacidade de reconhecer a capacidade peninsular que existe em cada um de nós, pode pelo menos constituir uma defesa parcial contra o gene fanático que todos temos dentro de nós.”
    Amos OZ

  11. cfa diz:

    Concordo muito com os pressupostos da resposta. Aproveito para dar o nome todo, porque acredito que é preciso tomar posição nesta coisa: Cristina Ferreira de Almeida

  12. Carlos Vidal diz:

    Aprecio a frontalidade, Cristina Ferreira de Almeida. Grato.

  13. Seria fabuloso, o senhor redactor apresentar fotografias dos crimes quotidianamente perpetrados pelos governos árabes – sem excepção – contra os próprios árabes. E já agora, gostava de saber a sua opinião acerca da liberdade de expressão e de organização – para não falar dos direitos de género – em Israel, comparando-os com todos os seus vizinhos.

  14. Caro Carlos

    Por curiosidade, e para ver se percebo melhor de onde vem este seu ódio visceral a Israel, na sua opinião o que é que leva os israelitas a cometer estes “massacres” todos? O que é que os motiva? Pura maldade? Já alguma vez trocou duas palavras com um israelita sobre isto?
    Deixe-me dizer-lhe uma coisa. Acho admirável a iniciativa de Said/Barenboim e o muito que Barenboim fez pela paz. Mas há uma grande diferença entre si e Barenboim. É que este último não acredita que “a obra de Israel nestes últimos 60 anos” se tenha resumido a massacres inocentes.

    Esta sua frase que eu citei parece-me revelar (corriga-me se eu me estou a enganar) que para si Israel nunca foi mais do que um cancro, uma pústula no Médio Oriente. Parece-me revelar que lhe é completamente indiferente que Israel, Estado Membro das Nações Unidas, um país minúsculo num contexto regional tremendamente hostil, tenha demonstrado – “nestes últimos 60 anos” – uma excepcional vitalidade cultural, económica, tecnológica e política, produzindo várias gerações de gente talentosa. Em 60 anos. Em que também houve guerras e erros, como Sabra e Chatila.

    Por isso o Carlos não me convence quando fala de Paz. Para si Israel é o Mal. Para si Israel é um Erro. Para si Israel é culpado. O Carlos acredita genuinamente na Paz com este ogre?

    Perdoe-me o lugar-comum, mas enquanto o Carlos, e outros cujas opiniões contam mais, não aceitarem que Israel tem direito a existir, não há Paz que pegue. E lembre-se que o que para si é, acima de tudo, um “problema” (Israel e a sua aspiração a viver em segurança), é para muitos milhões de judeus uma “solução”: ao fim de séculos de dependência da boa vontade de outros povos para viver e sobreviver, pelo menos agora – com todos os defeitos do Estado de Israel – os judeus já não estão à mercê dos caprichos dos outros.

    A diferençe entre nós é que o Carlos acha que esta história começou “nestes últimos 60 anos”, ao passo que eu prefiro lembrar-me dos séculos de diáspora em que gerações após gerações de judeus sonharam com Jerusalém – e durante os quais nunca deixou de haver uma presença judaica na Palestina.

    A diferença entre nós é que eu sonho com dois Estados (um palestiniano e outro israelita) a viver lado a lado em paz e segurança. Com uma Jerusalém partilhada, capital de ambos os Estados. Com uma solução que ambos os lados considerem digna para os milhões de refugiados palestinianos que os países vizinhos de Israel deixam a definhar em campos de refugiados. E com relações normalizadas entre Israel e toda a região.

    O Carlos – depreendo dos seus posts sobre este tema – sonha com um Médio Oriente em que Israel tenha pago o preço pelos seus crimes hediondos. Com um Médio Oriente sem Israel.

    Eu só espero que o meu sonho se torne realidade e que um dia sonhos como os seus sejam vistos como aquilo que eles são. Puro ódio.

  15. ezequiel diz:

    bolas, Puta Madre…!!

    nice! 🙂

  16. ezequiel diz:

    refiro-me ao texto do amos Oz, evdt.

  17. Almajecta diz:

    Fez uma neve óptima, muitos noruegueses, conferencistas das fraudes em comunicação a fazer ski e algumas vedetas de hollywood como habitualmente.
    E por cá? A indignação habitual dos camaradas desorganizados, a renovação comunista em marcha, a vida presente e o futuro histórico mais o hedonismo e a militância política.
    Fotos de criancinhas a sangrar do west bank e de gaza com nome e tudo, isto vai de estado binacional, mui publicista, divulgador e de proselitismo em popa, sim senhor. Ainda não tive tempo para leituras blogásticas mas pelo que parece tem sido bordoada de meia-noite. E isto do santinho da prometida em pluralismo, alteridade e mais o habitual? Bravo.

  18. ezequiel diz:

    Bem dito, David.

    Mas, sinceramente, não creio tratar-se de ódio.

    Parece-me algo diferente.

  19. Carlos Vidal diz:

    Caro David Oppenheimer, gostaria de lhe explicar este post cordatamente e dizer-lhe que ele em nada de substancial se afasta das teses defendidas por Barenboim e Said (e curiosamente, meu caro, não o vi falar em Said especificamente – mas isso não é relevante). Ora bem, não é possível uma reconciliação sem uma assunção das responsabilidades do que sucedeu historicamente, desde 1948, desde um plano que os árabes não podiam aceitar, pois não se pode partir um território em duas partes iguais e oferecê-las uma a uma maioria outra a uma minoria. Os árabes não aceitaram, não podiam aceitar. Isso é passado, mas coisas começaram muito mal. Este momento fundador é fulcral.
    Depois, a emigração judaica para a Palestina foi desproporcionada, e cirrija-me se erro nos números, mas não me corrija se o engano não é calamitoso. No princípio do século XX, digo 1910-14, viviam na Palestina cerca de 60000 judeus, hoje vivem 6000000 (ou mais). Não vê nenhum problema nesta migração em massa? Certo, para si não existiam palestinianos, nem sociedade palestiniana organizada, estruturada como sociedade.
    Acho que quem tem que assumir o desencadear da violência são os judeus que emigraram em massa para um território habitado que constituia uma “sociedade” (eventualmente “atrasada”, mas uma sociedade). É neste sentido que Said diz que Israel tem de assumir uma história de despossessão que protagonizou para se proceder a uma reconciliação nacional, e nacional no quadro de um estado em que um judeu tenha os mesmos direitos de um árabe. É o tal estado bi-nacional de Said, dois povos, um estado. Um estado de cidadãos iguais. Arafat, com seu movimento laico, estava próximo disto. Oslo não resultou, como a solução “bantustão” nunca resultaria na África do Sul. Mandela nunca aceitaria o que Arafat aceitou em Oslo.
    Noutro ponto, eu não disse que a vida em Israel se resumia a massacres, disse que houve massacres e os enumerados são factuais. Conheço a cultura judaica muito bem, e a diáspora não a beliscou em nada: alguns dos maiores músicos, intérpretes e compositores do século XX, que muito admiro, são judeus, desde Shoenberg, Barenboim e Itzhak Stern ou Perlman, de Marx e Freud a Jacques Derrida e Harold Bloom. “Shoah” de Claude Lanzmann é um dos meus filmes de cabeceira. Tenebroso filme em que o testemunho se sobrepõe à imagem. Se eu fosse israelita seria um dissidente, israelita e judeu assumido, mas dissidente ou independente dos poderes vigentes e da história tal como ela decorreu e derrapou. Todos os nomes que eu citei e deles necessito para viver e pensar não necessitaram de nascer no território de Israel. Foram génios absolutos sem território. O problema foi a ligação entre identidade-casa-território, o que julgo mesmo ser anti-judaico.
    Permita-me que eu o cite:

    “A diferença entre nós é que eu sonho com dois Estados (um palestiniano e outro israelita) a viver lado a lado em paz e segurança. Com uma Jerusalém partilhada, capital de ambos os Estados. Com uma solução que ambos os lados considerem digna para os milhões de refugiados palestinianos que os países vizinhos de Israel deixam a definhar em campos de refugiados. E com relações normalizadas entre Israel e toda a região.

    O Carlos – depreendo dos seus posts sobre este tema – sonha com um Médio Oriente em que Israel tenha pago o preço pelos seus crimes hediondos. Com um Médio Oriente sem Israel.”

    Concordo com tudo o que disse, menos em dois pontos: não acredito na solução dois estados (com Said, acredito na solução “um estado” de cidadãos iguais, bi-étnico, mas “um” estado); não acho que Israel tenha de pagar por nada, tão só assumir o que achar que deve assumir num processo de reconciliação.

    De resto, a estranheza deste post tem uma explicação: peço-lhe desculpa, mas ele dirigia-se a um grupo de indivíduos que acha que a população de Gaza deve ser brutalizada, porque escolheu votar no Hamas, e assim sendo escolheu o seu caminho errado e a opção de um grande castigo – que decorre neste momento. É só isto. Não sei se me entendeu.
    Não sou certamente aquilo que V. julga.

  20. Carlos Vidal diz:

    ezequiel,
    Também acho o texto de David Oppenheim muito bom, e respondi-lhe o melhor que sei e posso. O post é inflamado e nem sequer lhe é dirigido. Peço que se reflicta no que escrevi para David Oppenheim.

    Caro almajecta, o teu regresso a Lisboa tem de ser celebrado de forma especial: uma vera dourada escalada no melhor restaurante da margem sul. E uma leitura do que escrevi, repito, para David Oppenheim.
    Continuaremos a falar, almajecta.

    David, leia e diga-me, se achar que deve dizer algo mais, se fui claro. Tentei sê-lo.

  21. Caro Carlos

    O seu post foi esclarecedor: o Carlos é adepto da solução bi-nacional e eu da solução “dois povos, dois Estados”. É um desacordo legítimo. Vamos ver se também eu me explico bem. O Carlos salientou que da diáspora judaica brotou muito talento e mencionou alguns exemplos. E tem razão. Mas porque será que o sionismo (laico) teve tanto sucesso entre as comunidades da diáspora? Porque por detrás de muitas dessas histórias de “sucesso” (Einstein é o exemplo clássico) se escondem vidas marcadas pelas desilusões e pela violência do anti-semitismo. É muito fácil louvar a creatividade e o dinamismo cultural e científico da diáspora judaica, mas foram muito poucas as gerações de judeus na Europa que não tiveram que viver com perseguições e discriminações mais ou menos institucionalizadas. Eu sei que o Carlos sabe isto tudo. Só estou a tentar explicar-lhe porque é que Israel, um Estado judaico, se tornou imprescindível para o povo judeu.

    Não queria discutir consigo a velha história da legitimidade da emigração judaica para a Palestina e dos conflitos que se seguiram, ou até se o plano da ONU de 1947 era inaceitável para os árabes. O Carlos já me disse o que pensava e pode adivinhar que eu discordo de si.

    Só lhe peço que, quando escreve sobre Israel, não se esqueça que os israelitas não são diferentes dos outros: também acordam de manhã para ir trabalhar e também querem ver as crianças crescer em paz. O que eu quero dizer com esta frase um pouco naïf é que os “massacres” que o Carlos elenca noutro post têm todos histórias, contextos e alguns não são massacres nenhuns (como Jenin). Não é fácil para Israel defender-se e a inevitabilidade da guerra naquela vizinhança resulta, por vezes, em acções condenáveis (como Sabra e Chatila, em que Israel partilha a responsabilidade moral pelos massacres com a milícia cristã).

    Mas olhe à volta, veja os inimigos de Israel, veja a retórica deles: Nasser, Assad, Nasrallah, Ahmadinejad. Israel não decide o destino da região sozinho! A aparência de poderio militar esconde a impotência de Israel de escolher unilateralmente a paz.

    Enfim, divago. Só queria terminar com um pequeno comentário a propósito da sua foto das crianças mortas. Acho obsceno. Acho obsceno que crianças morram neste conflito. Mas também acho obsceno que imagens de crianças mortas sejam utilizadas para adornar um post anti-israelita. Repare Carlos que era fácil para mim por fotos dos israelitas civis que têm morrido nesta e noutras guerras. Era fácil para mim por fotos dos corpos despedaçados por atentados suicidas do Hamas nos anos 90 e na Segunda Intifada. Mas não ponho. Porque me parece obsceno tentar sublinhar um argumento com fotos de civis mortos. E porque, na verdade, os israelitas não põem as fotos dos seus civis online. Têm algum pudor.

  22. Carlos, tentei deixar um comentário muito longo, mas agora não aparece. Espero que tenha ficado.

  23. ezequiel diz:

    ó Carlos Vidal, deixe-se de merdinhas.

    O David tem razão.

    A minha opinião é esta: tu és um demagogo do piorio. Já explico.

    afirmas, num outro post, que Shamir “colaborou” com a Alemanha Nazi tal ” como o

    mufti de Jerusalem”

    este “como o mufti” é sórdido e injusto.

    O chamado Stern Gang, imagino eu, terá tentado liberar os Judeus que viviam nos países fascistas europeus, proporcionar-lhes safe passage para Israel.

    Não há nada de novo aqui. Há muita gente por aí que defende o dialogo com amdinejah, e há partidos neo nazis eleitos (localmente) por toda a Europa. Entrar em contacto e colaborar são coisas distintas. Para os demagogos como tu, não!

    Com quem é que eles teriam que contactar para tentar libertar os seus?? Explique-me. Com o Papa? Com a USSR? Com quem, concretamente? O que é que tu querias que eles fizessem, hey?? que deixassem os seus morrer sem os ajudar?? A QUEM terias tu recorrido??

    Shamir nunca foi um nazi. O Mufti FOI um nazi. Quer queiras quer não. Não tentes estabelecer uma equivalência moral entre shamir e o mufti.

    O que estás a tentar fazer é uma perfeita nojice.

    Eu não leio gente desta.

    És um nojento.

    Nothing more to say.

  24. ezequiel diz:

    David,

    Carlos is full of sheit!

    clear enough?

  25. PMA diz:

    gostava só de deixar aqui a minha concordância com o David Oppenheimer e as suas posições..
    Invejando a qualidade da sua escrita(!!), mas revendo-me completamente nas ideias neles contidas..

  26. pcarvalho diz:

    Bem só falta apelidar de anti-semitas,para o pagode ser total e um descobrir carecas sobre coltura…..Bem,os palestinos são mais judeus do que os judeus da Razharia,do Magrebe e de todos os que se converteram ao judaísmo.O Judaísmo foi uma religião prosélita até volta do séc.VI.Ver Shlomo Sand…
    Assim,os judeus da Khazaria estão a matar os antigos judeus Semitas,os originais!
    Puta que Pariu as religiões!É mesmo um ópio.

  27. Carlos Vidal diz:

    ezequiel, apesar de não te conhecer de lado nenhum, nem tu a mim, foda-se, porta-te como não sabes. Podes interromper as vezes que quiseres uma conversa educada e interessante que de nada servirá. Merda para os chatos de toda a espécie. Caralho, ok ?
    Pr’á semana ofereço-te um F-16.

  28. Carlos Vidal diz:

    Caro David Oppenheim,

    Espero que esteja tudo regularizado com os comentários e que nada do que me enviou se tenha perdido.

    Não posso concordar com quase nada do que me diz, lamento.
    Diz-me que os israelitas não são pessoas diferentes das outras, que querem viver e crescer em paz. O que se tem de alargar aos judeus ao longo da história. Somos humanos e todos mais ou menos judeus, mais ou menos árabes, somos iguais e impuros. Muito bem. Depois diz-me que a diáspora e a desilusão anti-semita foram a razão do sucesso dos judeus na arte, ciência, etc. Está a estabelecer uma diferenciação religiosa e biológica, se bem entendi. A fiferença é apenas cultural e nunca biológica. E não concordo com as razões que aponta para os sucessos das comunidades judaicas. Há sucessos em todas as comunidades, aliás.

    Também poderia falar, um exemplo que nada tem a ver com isto, do sucesso de italo-americanos no cinema americano. Razão de sangue?
    Religiosa?
    Onde quer chegar?
    Mas o essencial é a questão do “estado judaico”. Aí também nenhuma concordância. Como não consigo aceitar um “estado basco”, um “estado corso”, um “estado muçulmano” ………

    O meu caro David Oppenheim vê a necessidade e razão histórica de um “estado judaico”.
    Eu olho para Mandela e só vejo razões históricas para estados multi-religiosos e multi-étnicos. E daqui não sei se saímos.

    Entre o “estado judaico” e a solução “arco-íris” (acho que se chegou a chamar assim) de Mandela, eu escolho a solução Mandela: cidadania, um homem um voto.
    Com a máxima consideração. CV

  29. Carlos Vidal diz:

    Apenas um derradeiro comentário para quem me provocou sobre a relação entre o mufti e Shamir.

    Só uma besta não vê que Shamir ao “ajudar os seus” estava tb, no terreno, a combater os britânicos ao lado da Alemanha nazi.

    Não se tratava de defender os seus somente, à la Schindler, mas de combater os aliados numa guerra que era mundial.

    Isto é para as bestas fanáticas, apenas.

  30. Carlos

    Deixe-me começar por corrigi-lo. O meu nome é Oppenheimer. Depois queria esclarecer que nunca quis dizer que as histórias de sucesso dos judeus na diáspora têm a ver com razões religiosas e/ou biológicas. Concordo perfeitamente que são razões culturais que estão por detrás da especificidade da experiência judaica europeia. Não percebo onde possa ter havido mal-entendido. Repare que só mencionei as “histórias de sucesso” judaicas no contexto do seu post anterior em que diz:
    “Conheço a cultura judaica muito bem, e a diáspora não a beliscou em nada: alguns dos maiores músicos, intérpretes e compositores do século XX, que muito admiro, são judeus, desde Shoenberg, Barenboim e Itzhak Stern ou Perlman, de Marx e Freud a Jacques Derrida e Harold Bloom. “Shoah” de Claude Lanzmann é um dos meus filmes de cabeceira.”

    O que tentei questionar foi a ideia de que a “diáspora não [a] beliscou em nada” a cultura judaica. A diáspora foi demasiado longa e dura. Insuportavelmente dura. E as poucas histórias de sucesso (pelas tais razões culturais) não chegaram para imunizar a esmagadora maioria dos judeus contra o sionismo político (porque as origens do sionismo religioso se perdem na noite dos tempos).

    Quanto ao Estado judeu, repare. Os judeus, muito mais do que uma religião, constituem uma comunidade de destino partilhado. E esse destino partilhado culminou – sob influência das ideologias nacionalistas europeias do século XIX – numa ideologia nacional: o sionismo. O Carlos pode não gostar, mas ideologias nacionais há em todo o lado. Os judeus só decidiram a dada altura que também queriam aquilo que todos pareciam ambicionar, de Caracas ao Cairo e de Kuala Lumpur a Varsóvia: um Estado. Autodeterminação.

    Desculpe mas este debate é antigo e já está mais ou menos resolvido. Israel é um Estado. Aceite pela comunidade internacional. Membro das Nações Unidas. A questão agora é como tornar compatíveis as legítimas aspirações nacionais dos judeus, exprimidas pela existência do Estado de Israel, com as mesmas aspirações (igualmente legítimas) dos palestinianos. É essa a questão que importa resolver. E para a qual ninguém parece ter solução.

    Já agora, se tiver paciência: não me respondeu à questão da fotografia.

  31. Almajecta diz:

    Aceito e retribuo o convite. Dizeis com propriedade, contudo salvaguardai o nível e a elevação, não a urbano-carbonária se não me engano mas a republicana. Foi muita escalada, Zermatt e Matterhorn, as Edellweiss, trenó, ski, chablais e as fraudes da european graduate school faculty de media & communication.
    Por princípio não comento nem faço leituras atentas de outros comentários.
    Neste caso apresentas-te paladino do aqui e agora, novo, vanguardas e tal. E a reflexão da razão de ser e desenvolvimento dos novos países do novo mundo? U.S.A., Canadá, Austrália, África do Sul e Israel. Não serão invenções, criatividades, frutos do tambor da fleuma e cinismo U.K.? Talvez prestar atenção a estas beef alhadas. Passar Bem.

  32. CV: “Depois, a emigração judaica para a Palestina foi desproporcionada, e cirrija-me se erro nos números, mas não me corrija se o engano não é calamitoso. No princípio do século XX, digo 1910-14, viviam na Palestina cerca de 60000 judeus, hoje vivem 6000000 (ou mais). Não vê nenhum problema nesta migração em massa? Certo, para si não existiam palestinianos, nem sociedade palestiniana organizada, estruturada como sociedade.”
    Foram para a Terra deles, não?
    Já agora: qual é a tua posição face à novíssima lei da Emigração UE? Bo-ni-ta, não?

    “Arafat, com seu movimento laico, estava próximo disto. ” O Arafat é um DISPARATE Árabe! Um Homenzinho Ridículo que se babava por aparecer em Fotos! ( Como o são todos os que se embeiçam pelo viscoso poder, num ápice eles y o visco formam uma mesma massa. Bolas! O Nosso Socras é um Príncipe. O Nosso Santana Lopes é um Cavalheiro! O Jerónimo tem Classe! … falo dos mais televisivos… O Evidente do Arafat é que ele não gostava de ficar na sombra, como gostam os Viscosos, gostava de aparecer nas Fotos. Y tu não lhe topaste o ranço, hombre … que cegueta!!!) Sim. Somos de outra Escala. Eu sei. Sorte a nossa.

    Nota: Y com tudo, o Arafat ( Enquanto ideia de líder y seu conceito) foi mais Moléstia para os Árabes-Palestinos do que para os Judeus.
    ……………………
    “Conheço a cultura judaica muito bem, e a diáspora não a beliscou em nada: alguns dos maiores músicos, intérpretes e compositores do século XX, que muito admiro, são judeus, desde Shoenberg, Barenboim e Itzhak Stern ou Perlman, de Marx e Freud a Jacques Derrida e Harold Bloom. “Shoah” de Claude Lanzmann é um dos meus filmes de cabeceira.”

    Nota: Substitui tudo Isso por um Nome y os seus Livros. MELHOR Y MAIS COMPETENTE POETA DE SEMPRE É Português Y Judeu: ANTÓNIO FRANCO ALEXANDRE. Não o ler é perder a Oportunidad de não morrer completamente Burro ( Bem … a gente morresempre um bocadinho burros, mas dose de burrice seria mais quiquinina!) .. esta é mais para descomprimir. 😉
    ………………….

    ….. Por outro lado, acho que as Fotos Das Crianças Mortas já estão naque dimensão desta atmosfera da Instalação http://f-se.blogspot.com/2008/10/f-sethe-incommensurable-banner-2007.html é o mal de nós todos.
    Há já quem ( Já vou à procura dos Post’s estrangeiros, para n achares que invento!) avance que não devem sem mostradas imagens sobre o conflito para os Terroristas-Hamas não adarem embevecidos com o nosso coração mole.
    Bom Ano CV Y Resto Do Pessoal.

  33. Ezequiel
    Não fiques despondado … Eu tb sou capaz de grandes Versos ( eh ehe o meu leitor-secreto gosta mas dos meus versos do que dos romances do Amos Oz …. lol).
    Fica aqui uma amostra: http://mapas-de-espelho.blogspot.com/2008/12/respigar.html

    PS.: Mas quando for Grande quero ter as ganas y aquela furiosa elequência iluminada do Amos Oz. http://www.princeton.edu/WebMedia/lectures/20031110ozVN300K.asx
    Y o link foi aqui no 5dias que o encontrei, num comment a um post da f.

  34. Carlos Vidal diz:

    Caro almajecta, muito bem, está combinada a dourada escalada: do mar para as mãos do assador. Viste os nosssos amigos Alain e Giorgio ?? Muito bem, os beeffs inventaram/geraram novos países, mas é preciso ver quais deles implicaram guerras intermináveis e genocídios ou expulsões em massa de naturais há muito, toda a vida, instalados nesses locais.

    Caro David Oppenheimer,
    Em primeiro, desculpe o Oppenheim – é o nome de um artista dos mais interessantes internacionalmente vindo das vanguardas de 60/70 e, felizmente, ainda activo. Conheço-o e cito-o muito. Chama-se Dennis Oppenheim.

    Vamos ao essecial, para terminar. A diáspora beliscou ou não a vida e cultura judaicas? As perseguições, matanças e anti-semitismo ao longo da história o que é que provocaram na cultura judaica? Dou a minha modesta opinião: com a pujança com que ela chegou aos nossos dias sou obrigado a concluir que não. Spinoza e família tiveram de fugir de Portugal e aportaram na Holanda, onde uma obra filosófica insubstituível pôde desenvolver-se. Muitos de nós tivemos de fugir de qq coisa. Os judeus pior, claro, até essa coisa inominável que foi o Holocausto.
    Já agora, alguns dos meus críticos de arte e teóricos de referência do século XX são judeus: o já falecido Clement Greenberg, e os ainda activos Rosalind Krauss e Benjamin H. D. Buchloh. Se a diáspora e as perseguições afectaram a cultura judaica é, além de tudo o mais, algo que não podemos já ou jamais responder. Sinceramente. Falo-lhe na pujança dessa cultura, ela está vivíssima.
    De qualquer modo, afectada ou não (e eu julgo que não), os palestinianos não são os culpados dessa debilitação (que, repito, não vejo efectivada, como debilitação, claro). Nem os palestinianos são culpados das perseguições seculares, muitas delas em Portugal.
    Quanto ao estado judeu, mantenho a opção multi-étnica de Mandela. Não defendo um “estado judaico”, como não defendo “um estado basco”, defendo estados bi-nacionais (a “solução” de Said) ou multinacionais, federações ou confederações.

    Por fim, a questão ou querela das imagens. Em primeiro, acho que um povo habituado a ser bombardeado há décadas pelos mais sofisticados aviões, hoje os F-16 e às centenas por dia, deve querer mostrar as imagens dos seus filhos assassinados. Não posso condenar essa necessidade.
    Mas esta querela pode levar-nos a terrenos sem solução. Lendo Lutero e outros teólogos do protestantismo, digo-lhe que não pretendiam a destruição das pinturas, mas a sua retirada dos templos. Ou seja, que fossem mostradas como obras-primas em museus e em colecções particulares. Involuntariamente, como vê, criaram aquilo que é hoje a “colecção” ou o museu moderno, a moderna pinacoteca.
    Mas isso não me comove, pois eu vou a Roma, à Igreja de S. Luís dos Franceses, e quero ver e estudar os Caravaggios, e os Berninis de outros lugares. A querela das imagens não me interessa muito, porque conheço muitas querelas de imagens. E não sei que lhe responder sobre isso, como o meu caro também não me respondeu como é que a população judaica passou em poucas décadas de 60 000 para os actuais mais de 6 000 000 de pessoas que vivem no estado de Israel.

    Termino com desejos de um melhor 2009 para todos nós.

    CV

  35. Carlos Vidal diz:

    Um post-scriptum, caro David Oppenheimer,
    Saberá ainda que a maioria das fotos que refere não são de periodistas árabes, são de europeus e americanos chocados com o que viram e sentem a necessidade de revelar (como profissionais têm de o fazer).
    Como o que se passou em Timor no massacre do cemitério de Sta. Cruz.
    Com toda a consideração.
    CV

  36. Para a De Puta Madre:
    Já leste a entrevista que a Oriana fallacci fez a essa coisa nojenta que dava pelo nome de Arafat? Lê, é um mimo…, só comparável à do traidor Barreirinhas. Vale a pena.

  37. Carlos Vidal diz:

    Castelo-Branco, o que pensa é completamente irrelevante nesta discussão. A coisa nojenta que dá pelo nome Arafat, mais conhecido por Arafat I, deu a conhecer ao mundo que os palestinianos existiam contra a propaganda israelita de que a Palestina era um deserto de beduínos, sem cidades, sem gente, sem economia. E Arafat foi o primeiro rei da Palestina. Proferiu um discurso na ONU com uma ramo de oliveira numa mão e uma arma na outra. Para si, eu nem apontaria a arma nem a oliveira. O que é irrelevante permanecerá irrelevante.

  38. “Proferiu um discurso na ONU com uma ramo de oliveira numa mão e uma arma na outra.” Tás a ver CV, era esse boneco que eu referia, y tu no sortilégio. Mas estas paixões políticas assolapadas ainda são mais perigosas que as outras.
    Y eu tb quero um F-16 😉

    …..
    N C-Branco: N conheço ( penso… tenho má memória) se arranjares… avisa.

  39. Carlos Vidal diz:

    A esta hora já não consigo raciocinar:
    mas o F-16 é só para o ezequiel, lá do alto e de bem longe, matar árabes, seres ignóbeis.

  40. Gosto de n dar utilidade às coisas 😉 … y n sabes que as moças gostam de estrelaios, enfeites, uma versão séc.XXI ” F-16 is the girls best friends” 😉
    O Ano é Novo … Ainda estou a pensar no comment do post de cima … Y a Guerra Civil foi Espanhola, mais as Eta’s … andamos empatados na Violência Doméstica … por outo lado, a Sociedade Civil Espanhola é mais madura y preparada y esclarecida que a gente … Y como não há um “Sanguenómetro” y como isto é o País dos F’s y o nosso poder é Fantasma sem poder de Assombração … não somos nada carniceiros, qt muito somos desinformados y já Entramos para o estado de http://f-se.blogspot.com/2008/10/f-sethe-incommensurable-banner-2007.html flagelo planetário … de tanto se repetirem as imagens deixam de existir, são assimiladas por uma categoria que depressa engavetamos como sendo tudo o mesmo, enfraquecendo a capacidade de enquanto Opinião Pública intervir y fazer a diferença.

    PS.: O texto adenda daquele post é cristalino nesse factor.

  41. ezequiel diz:

    sim, não o conheço nem quero conhecer.

    Tese inédita: o stern gang colaborou com os nazis. Porquê? Porque lutaram contra os Britânicos na Palestina e porque tentaram ajudar os seus. Brilhante! A luta contra o domínio colonial Brit é, assim, transformada na prova de que os gajos colaboravam com os nazis. É evidente que eles (stern) sabiam que se a Alemanha ganhasse a guerra os Judeus teriam, finalmente, salvaguardado a sua segurança e bem estar. Ou seja, eles não sabiam que os nazis eram nazis. Foi por esta razão que colaboraram. Não sabiam o que era o nazismo. Que estupidez pegada!!

    Só me apetece perguntar-te o seguinte: será que colaboras com o fundamentalismo islâmico quando criticas as políticas de Israel??? Será que a malta do peace now são uma corja de colaboradores? E as manifs anti-guerra? Mais uma vez: um bando de COLABORADORES!! nice, innit?? Percebes onde quero chegar? uhm, não, não me parece.

    Carlos, será que me podes arranjar um destes?

    http://farm3.static.flickr.com/2389/2456776361_65306aa143.jpg?v=0

    É muito mais barato e infinitamente mais eficaz.

    fico a aguardar o dispatch da merchandise.

    PS: ao comprar uma pink panther não estás a colaborar com o nefasto ocidente. Ok! Devemos clarificar as coisas.

    “a combater os britânicos ao lado da Alemanha nazi.”

    Combateram os Brits, é vero. Mas NUNCA ao lado da Alemanha nazi. Sabes quantos Judeus Alemães e da Palestina se juntaram ao Special Boat Squadron e ao Special Air Service durante a segunda guerra???

    Sabes porquê, Carlos?: Eles sabiam muito bem q se a Alemanha vencesse a guerra os Judeus teriam mesmo que fugir para a Antárctida. Se a GB perdesse a guerra com a Alemanha a coisa teria sido ainda mais hedionda. Eles sabiam isto. Quem é que não sabia isto? Foi tudo anunciado no mein kampf e nos diários brancos. Com muita antecedência.

  42. OLP diz:

    O autor deste post como muitos tem o bichinho do anti-judeu anti-israel.
    Os palestinianos são para ele as juventudes hitlerianas ou revolucionárias, conforme o gosto, apenas o meio para mandar judeus para crematórios ou gulags.
    Sementes do socialismo nacionalista ou internacionalista é o que é.

  43. ezequiel diz:

    O raciocínio do carlos.

    Dois campos. Germany vs. Allies.

    Institui-se o paradigma bi-dimensional.

    Todos os conflitos neste período podem ser facilmente subsumidos, integrados no grand scheme of things. Anulam-se assim todos os antecedentes históricos, doravante integrados numa fantástica “grid” (of sheit) de inteligibilidade (germany vs allies) onde tudo é separado e analisado de forma autoritativa. Brilhante!

    Isto não é arcaico ou simplista. Acreditem. Foi mesmo assim. LOL 🙂

  44. Carlos Vidal diz:

    ezequiel,

    Só tenho charros e dos mais baratos.
    Carros e jipes, não.

  45. ezequiel diz:

    Bom proveito.

  46. ezequiel diz:

    se interessar a V. Exas: ver comentários no post Pecado Original. Resposta a António Figueira.

  47. ezequiel diz:

    Se Vos interessar: publiquei agora um comentário no Post “Pecado Original” (destinado a António Figueira)

  48. Tem toda a razão, sr. Vidal, tudo isto é irrelevante, desde o seu texto aos nossos comentários. Na verdade, não atrasam nem adiantam coisa alguma. Mas registo – dando uma passa no meu próprio charro de início do ano – a sua idílica imagem da pistola e do ramo de oliveira do effendi Arafat exactamente no momento em que dava ordens para queimar autocarros escolares israelitas, COM os miúdos lá dentro. O que faz o marketing…
    Registo igualmente essa sua nobre recusa da vontade em me fuzilar ou na melhor das hipóteses, em propiciar-me umas azeitonas. Obrigado, quanto à primeira das oferendas frustradas.
    Dado adivinhar as suas simpatias ex-geopolíticas (dado que a mostrenga esticou o pernil em 91), creio que para o Carlos Vidal, deve ser uma maçada não existir Pena de Morte em Portugal, não é? Enfim, uma excentricidade do sr. D. Luís I e do Fontes… Nem Salazar voltou a introduzi-la, mas justiça se faça ao sr. coronel (da Guarda Vermelha do Kremlin) Álvaro Cunhal: SE tivesse tomado o poder, decerto Portugal acertaria o passo com os outros países onde o Sol mais brilhava, disso estamos todos cientes. O eterno e espartano problema, foi, é e para sempre será o SE.

    Relativamente ao seu argumento teatral da “aliança” dos judeus com o chanceler Hitler, deve haver quem dê voltas no túmulo, a começar pelo sr. chanceler. Nesse aspecto, o paizinho Estaline era mais pragmático: servia-se dos judeus e depois inventava uma conspiração de batas brancas – o epíteto de “cosmopolitismo” serviu muito bem -, para ter o pretexto do famoso tiro na nuca com a não menos famosa Nagan. Sabe como é… coisas da vida!

  49. Almajecta diz:

    O homem de ciência pode demonstrar o erro e refutá-lo; mas o homem de opinião hesita, apresenta argumentos que não incidem no tema, alega que parece mal alterar a doutrina estabelecida. Se fosse sobre o negacionismo estes comentários haviam já sido em triplicado.

  50. y correa diz:

    Ó Carlos Vidal e Nuno Ramos de Almeida:
    Usted não teve este comportamento com o recente acto terrostista em Mumbai.
    Nem tal reacção com as crianças humilhadas na Casa Pia
    Vocês, por acaso, não são casapianos maltratados, pois não?
    Nos últimos anos houve mais de 700.000 árabes e não árabes, mas todos muçulmanos, desde o Marrocos imperial até ao Bangladesh, sem falar na Indonésia.
    É de lamentar que sejam mais anti-semitas que o próprio Eichmann.

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