Sobre a culpa

Após uma leitura rápida da blogosfera nacional, constata-se um conjunto de textos que nos alertam para “leituras simplistas” ou “fáceis” da guerra em Gaza. Os argumentos centram-se, fundamentalmente, na atribuição da culpa. Sou sensível a este argumento, até porque a minha leitura e estudo da situação, se tem suportado a partir da análise de israelitas e judeus. Lembro-me de sentir o ambiente de terror, conversando com um arquitecto israelita, que me dizia nunca deixar os seus três filhos irem para a escola no mesmo autocarro. Por maior desespero em que se tenha vivido, não consigo compreender aquele que se faz explodir junto do maior número possível de pessoas.
Também sei que a guerra actual se faz sempre na cidade, matando sobretudo quem dela procura fugir. Todos sabemos que nos ataques de homens/mulheres-bomba raramente morrem as altas patentes do Estado ou do Exército israelita e que as operações israelitas vêm em qualquer palestiniano um alvo a abater. É a guerra a esta guerra que, sem prudências e sem disfarces, se deve declarar. É meio século de carnificina que atinge os povos.
Mas há uma coisa que sinto intelectualmente inegociável.
A violência, os meios e as proporções com que Israel investe, numa atitude periódica, destruindo qualquer forma de ocupação e vida palestiniana é uma forma de genocídio. E, num processo de genocídio, os culpados existem!

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Uma resposta a Sobre a culpa

  1. “…ou do Exército israelita e que as operações israelitas vêm em qualquer palestiniano um alvo a abater.” Não é isso propriamente. Talvez apenas os bombistas suicidas se disfarcem demasiado de inocentes civis – ousem usar o cidadão comum como máscara – por aí, é talvez a tua observação possa na frase atingir o alvo.
    ………
    Já agora, conto um episódio. O nosso ( digo nosso por questões geográficas, não religiosas!) Ex-rabino de lx, confessava a um amigo meu que sentia-se obrigado a abandonar Lx, não considerava a sua zona residencial ( Telheiras!) segura o suficiente para, descansado, ver crescer os seus filhos. Vai dai, mudou-se para Jerusalém. Y esta!? Perplexos, rimo-nos eu y o meu amigo, quando ele me contou a estória. O medo que o estranho ( nós tugas perigossos!) causamos …

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