EDWARD W. SAID (III) e DANIEL BARENBOIM (I): Almas gémeas, amigos gémeos, uma obra comum que se prolongará
29 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal
A Orquestra Sinfónica West-Eastern Divan, criada em 1999, é constituída por músicos egípcios, israelitas, jordanos, palestinianos, foi o último sonho de EDWARD SAID, o último dos humanistas como eu gosto de o chamar, foi e é concretizada diariamente pela alma gémea de Said, o judeu DANIEL BARENBOIM, um dos grandes maestros do século XX (que dispensa apresentações, obviamente), Barenboim que também foi alma gémea da ideia e do projecto, hoje gerido pela Barenboim-Said Foundation.
De Barenboim, pouco mais há a dizer para além do que eu disse, mas um episódio recente merece referência. Em Israel, há pouco tempo, atreveu-se a interpretar Wagner, um excerto orquestral do “Tristão” se não me engano. Explicou porque o fazia e, na sua terra, viu metade da sala sair. A música impôs-se e Barenboim, conhecido wagneriano, continuou e permitiu que saísse quem quisesse.
Este vídeo é de Londres, dos Proms, e nele a Orquestra Divan interpreta a abertura dos “Mestres Cantores” (um excerto). Barenboim dirige-se à assistência londrina: “não estou aqui para apontar o que está mal no Médio-Oriente, estou aqui para dizer o que está bem” e aponta para a “sua” orquestra. Bem haja Barenboim, bem haja Wagner.
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Comentário de xatoo
Data: 29 de Dezembro de 2008, 18:49
pois claro:
“não estou aqui para apontar o que está mal” diz o Barenboim
não tomar partido, ser neutral, entre a formiga e o dinossauro é o que está a dar. Estes judeus, quando não são Sionistas, são uns grandes marados,
por acaso assisti a uma coisa dele na StaatsOpera de Berlim – uma obra do Schoenberg – a Espera – foi giro, muito pós-moderno, embora fosse areia demais para a minha modesta camioneta. A primeira parte decorreu com a orquestra e o gajo enfiados no fosso sem emitirem um único acorde e uns mimos em palco representando cenas de uma espécie de bailado em ultraralenti (a história). No final metade da assistência aplaudiu pateticamente, a outra metade assobiou freneticamente – e o Maestro Estrela Judeu do meio capitalizou mais um “escândalo” mediático – sim porque esta coisa da fama e proveito não se adquire tomando partido; instrumentalizar os dois lados é uma velha técnica da filosofia judaica.
shalom capitalism