Alain Gresh: Gaza, choque e pavor

“Esta ofensiva coloca-se também no quadro, se assim se pode dizer, da campanha eleitoral israelita. No dia 10 de Fevereiro de 2009 terão lugar eleições gerais e cada um dos candidatos faz apostas ousadas. Mesmo o partido de esquerda Meretz apelou, antes do desencadeamento do ataque israelita, a uma acção armada [1]. Em contrapartida, o Gush Shalom, a organização de Uri Avnery, condenou firmemente a acção israelita e os ditos apoiantes da paz, como Amos Oz, que a apoiam. Lembremos que em Fevereiro de 1996, o primeiro-ministro de então, Shimon Peres, tinha lançado uma ofensiva contra o Líbano («Uvas da cólera») – que ficou célebre pelo massacre de Cana, com uma centena de refugiados mortos – na esperança de ganhar as eleições que se preparavam. Resultado: Benyamin Netanyahu ganhou e tornou-se primeiro-ministro. No sábado à noite, um milhar de pessoas manifestou-se em Telavive contra os ataques israelitas.”

Ler o artigo no site do Le Monde Diplomatique, versão portuguesa.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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6 respostas a Alain Gresh: Gaza, choque e pavor

  1. “No dia 10 de Fevereiro de 2009 terão lugar eleições gerais e cada um dos candidatos faz apostas ousadas”

    Pois… e convem nao esquecer que o mandato de Bush termina no inicio de Janeiro, ha que aproveitar agora enquanto ha cobertura do imperio, enquanto nao chega Obama.
    Mas, apesar da mobilia partida, o Hamas tambem esta a ganhar muitos votos ‘a custa disto…

  2. Ana Paula diz:

    Inscrevem-se estas lógicas eleitorais em formas, quase tradicionais, de perpetuação do poder… próprias da crueldade fundamentalista que a direita de ambas as facções, exerce em nome de valores de que estão sedentas as pessoas perturbadas e massacradas pela desordem da guerra… seria bom que, todas soubessem, pelo menos!, da manifestação em Telavive.

  3. Terra Santa… que lata!
    1º Um tal Moisés (ao que parece um infante egípcio em atritos com o seu pai, Ramsés II), foge com os hebreus e mete-se naquele buraco arenoso, onde não havia nem leite, nem mel. Pega no atonianismo (a tal pseudo-religião que arruinou o Egipto e aparentemente foi a causa da zanga com o grande progenitor) e decide “refundir” a cega-rega, arranjando o que se sabe, sem sequer se preocupar em disfarçar as orações, etc. FRAUDE!
    2º O atonianismo volta a sofrer uma cisão, aquela que ainda hoje vivemos como a legítima e verdadeira. Sem mais comentários.
    3º Nova cisão na religião de Aton, o deus único: um piolhoso e barbudo cameleiro de turbante, decide arranjar sarilhos e re-interpreta a coisa, adaptando-a à sua gente. É o que se sabe e o que vemos à hora do telejornal.

    * Vão lá viver para um sítio onde os Hamazes vos bombardeiem todos os dias com rockets. Sempre quero ver como aguentam a valentia…

  4. Grunho diz:

    Uma guerra como aperitivo para uma campanha eleitoral.

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