Se eu arrasar Gaza inteira com seus vários milhões de habitantes, não conseguirei eliminar as rampas de lançamento de rockets? Se sim, porque não o fazer, já?

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Exactamente. Se sim, porque não o fazer já? Pois daí viria seguramente a paz perpétua e o triunfo da democracia no Médio-Oriente. Porque espera Israel? Por Sharon? Pelo Messias? (Este post tem de ser dedicado ao homem da foto, que se defenda a si e aos seus – porque ele não pode desempenhar outra tarefa: não pode avançar, não pode recuar.)
Há um blogue português (sem link, não cito o nome, não é necessário) que hoje, sobre os massacres de Israel em Gaza, e já vamos nisto há sessenta anos, publicou dois textos, qual deles o mais despudorado: num, questionava a existência de Maomé (um belo dia para tal reflexão!); noutro, lia-se isto:
“Não vejo nada de criticável, até ao momento, no ataque de Israel contra alvos militares do Hamas, depois de este ter unilateralmente escolhido o caminho da provocação bélica. Só espero que mantenha a sua acção dentro dos limites impostos pela proporcionalidade e pelo respeito pelos civis palestinianos.” Isto por um tal J. Pinto e Castro.
Por ligação clara desse blogue (vá lá, linkei) ao Partido “Socialista” julguei poder colocar J P Castro numa espécie de ala “extrema-direita” do dito P”S”, que não me custa nada vê-la como contígua à extrema direita tout court. A ser assim fica reforçada a minha comparação ou paralelo entre o socratismo do referido blogue e o bushismo ou o pinochetismo (que não massacrou chilenos durante 60 anos). Se J P Castro não é do P”S” (e desde que militei no Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado que sempre escrevi este “S” assim entre aspas e nunca me dasabituei), então aproxima-se aqui da direita e extrema-direita tout court com alguns riscos que passo a citar:

– A direita, ou o neoconservadorismo bushista (de Cheney e Rice, já que, consensualmente, Bush parece não contar para nada) nunca escreveria nada como J P Castro: a administração americana apelaria para o fim dos bombardeamentos afirmando ao mesmo tempo o direito de Israel se “defender”. Subtil, cínico e monstruoso, mas mais elaborado que J P Castro.
– à extrema-direita a prosa de J P Castro também desagradaria. Se for uma extrema direita anti-semita, a prosa é violenta demais, pois pode ser lida por cidadãos normais como um incitamento imediatista e fácil contra os judeus e nem hoje a extrema-direita anti-semita escreve como J P Castro. É demasiado arriscado. Demasiado fácil. Além do mais, a extrema-direita gosta da força bruta (e prefere atacar os judeus pelo “sangue” do que pelo seu uso da força bruta que, repito, a extrema-direita aprecia).
– Se se tratar de uma extrema-direita islamofóbica, a prosa de J P Castro também é desagradável, pois mostra os árabes como vítimas e com direito a defenderem-se – esses sim, a defenderem-se!!

Fazendo o jogo da direita política e da extrema-direita e a nenhuma agradando, que resta a J P Castro ??

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18 respostas a Se eu arrasar Gaza inteira com seus vários milhões de habitantes, não conseguirei eliminar as rampas de lançamento de rockets? Se sim, porque não o fazer, já?

  1. Luis Moreira diz:

    Carlos, você e o JPC não trazem nada de novo e útil à discussão.Só ódio e sectarismo vesgo.Ele fica contente porque morreram 300 pessoas inocentes entre os árabes.O Carlos fica contente sempre que morrem inocentes entre os Judeus.Com um pouco de dignidade vocês resolvem isso.Falem um para o outro em privado!

  2. Carlos Vidal diz:

    Caro Luís Moreira, eu pelo menos consigo confessar que não imagino o que sejam duas toneladas de bombas em cima de uma terra pouco maior do que Cascais.
    J P Castro tem, pelos vistos, um sentido das “proporções” mais apurado do que o meu. “Nada de criticável”.
    Eu não sei o que significa essa quantidade de bombas naquele pedaço de território.
    Olhe, num post abaixo linkei para uma Independent Jewish Voices.
    Consultou ??
    Se não consultou, não critique o que eu escrevi. Saiba que me preocupam as vozes dissidentes de judeus de Israel e do exterior.
    E eu conheço-as. E procuro-as.

  3. Francisco diz:

    Então a “revolução grega” já triunfou ou está só a distrair a malta qcom esta “nova estória” ?

  4. Francisco diz:

    A Faixa de Gaza encolheu 4 vezes para ficar do tamanho de Cascais ?
    Um milhão e 500 mil habitantes passaram a ser milhões ?
    Ai os “publicitários”…

  5. Adolfo Contreiras diz:

    Ah! o CV militou, superiormente suponho, no Movimento Reorganizativo do Partido do Proletariado. Bem me parecia que anda afanosamente à procura de tropas para comandar. E quando fôr a “persona”comandante supremo inamovível, na situação actual de Israel faria precisamente a razia que propõe para a “paz perpétua”. É que não é por acaso que tal hipótese vem à mente: só a quem é fácil e rápido a pensar nela como solução melhor é capaz de a pôr em prática em caso de necessidade.
    Bem, mas estive a descascar alcagoitas. O que eu queria era perguntar como está esse novo MRPP. Com a ferrabrás filosofia e argúcia revolucionária de CV o movimento deve rodar a alta velocidade, não?

  6. Carlos Vidal diz:

    Francisco, conheço-o de outros diálogos absurdos neste blogue (inclusive de textos meus). Estamos a falar de um conflito da segunda metade do século XX, de 300 mortos ontém, e você vem falar-me em “estórias” e no tamanho de Gaza.
    Já o avisei que o meu espaço tem limites.

  7. Carlos Vidal diz:

    Adolfo, não foi “superiormente”. O CV nessa altura ainda não era uma criança. E o Durão Barroso tem idade para ser meu avô.
    Além disso, não é esse o tema do post.
    Vá directo ao assunto, homem.

  8. “A Natureza do Fanatismo”, Texto do Amos Oz está no meu blog … que tal desconfundir a cabeça um bocadinho …

  9. Carlos Vidal diz:

    Não é necessário De Puta Madre. Primeiro, deve-se vasculhar bem toda a obra de Edward W. Said e a sua evolução da posição “dois povos, dois estados” para a posição “dois povos, um estado”, ou seja, um estado laico de cidadãos, um estado binacional.

  10. Francisco diz:

    CV,
    Não se atribua a importância que não tem.
    Não me dirigi a si.
    Dirigi-me a leitores (seus) menos avisados do que eu.

  11. Carlos Vidal diz:

    « Então a “revolução grega” já triunfou ou está só a distrair a malta com esta “nova estória” ? »
    De um comentador.

    Realmente, eu não estou a distrair a malta com “estórias” de centenas de mortos, lá isso é verdade.

  12. CV.
    Pois. Talvez agora se perceba que nada e inocente existiu na retirada de Judeus de Gaza, ou não é? Tás a ver a coisa? Fica mais fácil…

    Oh! Francisquíssimo explica lá essa, como se eu fosse uma neta do CV que ele já é um neto do DurãoBarroso …

  13. Francisco diz:

    Corrigo os erros dos meus dois comentários iniciais:
    onde se lê “está” leia-se “é”; onde se lê “qcom” leia-se “com”.

  14. GL diz:

    Quanta demagogia num só post. Ó Carlos, deixa-te disso.

  15. Carlos Vidal diz:

    Não, comentador: onde se lê “está” leia-se e deve ler-se “está”.
    O seu comentário veio para a minha caixa dizendo que eu “estava” a “distrair a malta”. E eu não “estava” a “distrair” ninguém.
    Não só não “estava” eu como não está o 5dias.
    Quando aqui se escreve sobre a tragédia Israel-Palestina, no 5dias não “é” a distrair ninguém.
    O “qcom” já eu tinha corrigido.
    E ficamos por aqui.

  16. Jose Simoes diz:

    Israel sabe que quando parar de bombardear o Hamas e semelhantes será apagado do mapa.

    Quando uma população não tem medo da morte e luta até ao último homem, vencerá ou será morta até ao último homem.

    Isto não é um desejo (de modo nenhum) é uma constatação da análise da História.

    José Simões

  17. Carlos Vidal diz:

    José Simões, obrigado por ter voltado ao assunto Israel nos meus posts. Dediquei a Israel críticas, apontei, com Edward Said, saídas homenageando também Nelson Mandela, voltei a criticar duramente e analisei alguns tópicos da arte contemporânea de Israel (através de um artista que muito me interessa: Yael Bartana). Nestes posts recebi cerca de 200 comentários ao todo. Mas este seu deixa-me confuso: é então preciso aniquilar toda a população de Gaza para que toda a população de Israel não seja aniquilada? É isso?

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