Não se distribuam culpas: é preciso tomar partido, claramente!

e-preciso

PS: Do lado judaico, ver, por exemplo, o site Independent Jewish Voices e o recente livro A Time To Speak Out (Verso, 2008). (A Verso também edita Eyal Weizman, que o Tiago Saraiva em cima apresenta.)

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118 respostas a Não se distribuam culpas: é preciso tomar partido, claramente!

  1. Carlos Vidal diz:

    Podemos fazer muitas leituras sobre os números que, contudo, não os podemos mudar. Os seus números estão correctos. Cerca de 1947 existiam na Palestina 1 300 00 árabes e 600 000 judeus. O que não está correcta é a sua leitura, duplamente. Tenho junto a mim um mapa da proposta de partilha logicamente recusada pelos árabes: como pode testemunhar o estado judaico e o estado árabe têm significativamente a mesma dimensão no dito mapa, o que era (e é) inaceitável. Por outro lado, não podemos extrapolar como o meu caro faz sobre o crescimento populacional. Pelo seguinte. Na Palestina existiam em 1920, ou cerca de 1920, 60 000 judeus. Como é que se multiplicaram tanto em tão pouco tempo? Como é que em vinte e poucos anos passaram de 60 a 70 mil para 600 000? Não foi por reprodução, mas por colonização abusada e já na altura denunciada por várias entidades árabes. Quem lhe garante as suas contas sobre os ditos “dois estados” árabes ao ritmo de crescimento populacional de então – e está a usar que critérios? O índice de natalidade? E para que serve o índice de natalidade perante uma deslocação massiva de pessoas? O que é que Estaline fez na União Soviética para russificar certas províncias ou repúblicas? Para que serve ou servia ou serviu o índice de natalidade dos naturais quando submetidos a uma deslocação populacional desproporcionada, incontrolada e imposta? Olhe, a isto nem o David Oppenheimer soube responder.
    Sabe o que aconteceria se os árabes aceitassem o plano de partilha? Uma coisa parecida com o absurdo de Hébron (que acabou por acontecer, de qq modo).
    De qualquer forma, como não aceitaram e bem, foram “obrigados” a aceitar, apesar da sua justa resistência e declaração de guerra e guerra efectiva, de que sairam derrotados.
    O que se passa em Hébron?
    Há 400 fanáticos sionistas protegidos militarmente dispondo de 20% da cidade, da melhor parte da cidade, do centro da cidade e cerca de 160 000 (!!) mil árabes ocupando o resto da cidade sem condições mínimas de habitabilidade. É um exemplo da desproporção inicial de 1947. Mas a situação de Hébron foi aceite por Arafat em Oslo2, 1995. E Oslo foi uma grande traição a todo um povo, pois aí Arafat errou, aceitou a administração de bantustões, ou seja, de cidades despegadas e de pedaços de território sem coerência. A aceitação do plano de Oslo é mesmo, creio, a fonte de todos os impasses e problemas actuais, portanto não nos apressemos a felicitar Arafat (que teve a importância que teve e quando teve) e os judeus moderados, a chamada “esquerda judaica”, porque Oslo foi vergonhoso para os palestinianos, como prova o caso de Hébron.
    Entretanto, consulte os seguintes mapas:
    – um mapa de colonatos na Cisjordânia, com seu crescimento e datas de implantação.
    – um mapa de estradas que ligam os colonatos e cortam a Cisjordânia do modo mais repugnante e infame que se possa imaginar, acabando com a actividade agrícola e a economia de milhões de pessoas.
    – Junte a tudo isso a consulta de um mapa de chekpoints, permanentes (para a segurança dos colonatos e das suas vias de comunicação, estradas e vias rápidas) e móveis, pois eles tb aparecem todos os dias em pontos diferentes.
    – Tudo isso feito, fica a saber o que é humilhação e vida impossibilitada, morte antecipada, lenta, agonia imposta por sádicos (e não consigo chegar a outro nome).

    De resto, não sou anti-judaico, se eu fosse anti-qualquer coisa seria, no máximo dos máximos, anti-sionista. Mas o problema é muito mais complicado do que estar a reduzir quem quer que seja a um “nome”.

  2. tribunus diz:

    O Comentário de Carlos Vidal
    Data: 8 de Janeiro de 2009, 20:19

    Ó Carlos, os dados demográficos da Palestina em 1947 não são meus, são os do censo levado a cabo pela Comissão Especial da ONU que fez a recomendação que resultou na Resolução 181 (II). São dados correctos e oficiais retirados do site da ONU. Engraçado, o Carlos arredondou para cima os Árabes e para baixo os Judeus…

    Cito o Carlos: “Tenho junto a mim um mapa da proposta de partilha logicamente recusada pelos árabes: como pode testemunhar o estado judaico e o estado árabe têm significativamente a mesma dimensão no dito mapa, o que era (e é) inaceitável”. Mas afinal estamos a falar de gente ou de mapas? Ora se ficavam no estado denominado Judaico 498.000 Judeus e 407.000 Árabes, num total de 905.000 Judeus+Árabes e no estado denominado Árabe 725.000 Árabes e 10.000 Judeus, num total de 735.000 Árabes+Judeus, sem deslocar ninguém de um estado para o outro, tínhamos um estado denominado Judaico com 49% da população mista (Judeus+Árabes) e tínhamos no estado denominado Árabe 39.8% da população mista (Árabes+Judeus). Não consigo entender o seu raciocínio – aplicado à época – de ser a divisão da terra inaceitável? A mim parece-me equilibrada. A menos que o Carlos pretendesse fazer o que de facto aconteceu, uma guerra para obrigar os Árabes 407.000 Árabes vivendo em Israel a mudarem-se. E mesmo assim, acabaram por ficar em Israel 156.000 Árabes.

    Repito – por que creio que se debruçou sobre mapas e não sobre seres humanos, ficavam no estado denominado Judaico 407.000 Árabes e ficavam no estado denominado Árabe 10.000 Judeus. Esse era o Plano de Partilha rejeitado e mal, o que a história das 6 décadas posteriores provaram. Por que as guerras resultantes da rejeição também resultaram em perdas territoriais.

    Cito o Carlos: “Por outro lado, não podemos extrapolar como o meu caro faz sobre o crescimento populacional.” Ora essa! Se estamos a falar de 1947 para a frente e temos dados correctos dos respectivos índices de natalidade e é para isso que os dados servem? Prove-me lá, então, por que razão o simples facto de 407.000 Árabes passarem a se cidadãos de um estado Judaico, tivesse aceite, reduziria o seu índice de natalidade? Pelo contrário, juntos aos Judeus, teriam melhores cuidados médicos e melhor alimentação. Os que lá ficaram cresceram 10 vezes, os Judeus cresceram 7 vezes e tiveram de recorrer à imigração.

    Cito o Carlos: “Na Palestina existiam em 1920, ou cerca de 1920, 60 000 judeus. Como é que se multiplicaram tanto em tão pouco tempo? Como é que em vinte e poucos anos passaram de 60 a 70 mil para 600 000?” Não leu ou não quis ler! Gromyko explicou esse crescimento à Assembleia Geral das Nações Unidas na sua alocação de 14 de Maio de 1947 assim (vou ter de repetir-me):

    <> Andrei Gromyko na ONU em representação da União Soviética – 14 de Maio de 1947.

    Em resumo, nós, os Europeus exterminámos 6.000.000 de Judeus entre 1939 e 1945, depois, como disse Gromyko, deixámos o milhão e meio de Judeus sobreviventes à deriva, sem abrigo, sem possessões, sem país, sem protecção… Naturalmente parte desses Judeus, não absorvidos por terceiros países, fizeram aquilo com que despediram uns dos outros durante 1.865 anos: rumaram em direcção a Jerusalém.

    A partir deste ponto o Carlos está a misturar alhos com bugalhos, isto é o que teria sido a União Económica Europeia, como o que se passou depois da rejeição Árabe do Plano de Partilha de 1947. Ninguém pode prever os resultados de guerras. Se até desta, a decorrer há 13 dias sob os nossos olhos, vamos ter de esperar pelo resultado…

    Cito o Carlos: “Sabe o que aconteceria se os árabes aceitassem o plano de partilha?” Não! Não aconteceu, rejeitaram-no mesmo, logo essa história não se desenvolveu. Não sou muito bom em futurologia, preferido assentar as minhas análises em factos e dados reais, o que tenho feito até aqui. Mas se os Árabes tivessem tido a coragem de mandar para as ortigas o impedimento corânico que comanda que “os territórios conquistados pela força pelos Muçulmanos a outros povos, foram consagrados às gerações Muçulmanas até ao Dia do Juízo”; e NÃO tivessem rejeitado o Plano de Partilha, teriam ficado 407.000 Árabes para 498.000 Judeus no estado denominado Judaico pelas Nações Unidas e só 10.000 Judeus no estado denominado Árabe pelas Nações Unidas. No estado denominado Árabe esta etnia teria uma maioria esmagadora Árabe, logo não punha nenhum problema. No estado denominado Judaico teriam um razoável equilíbrio entre as duas parte, sendo que a minoria Árabe poderia sempre recorrer aos seus irmãos no estado Árabe, numa altura em que o novo estado de Judaico estava ainda praticamente desarmado (1). 407.000 não se matam – sem provocação – assim tão facilmente, nem a comunidade internacional na altura o permitiria. Os países membros das Nações Unidas estavam ainda muito próximos uns dos outros, devido à 2.ª Grande Guerra. As questões de princípio ainda tinham grande peso e a criação do Plano de Partilha tinha sido uma questão de princípio. Do mesmo modo que a União Soviética correu a armar Israel, aquando da invasão Árabe em 1948, qualquer outra das potência europeias teria corrido a armar os Árabes se o estado de Israel tivesse ousado exterminar os seus próprios cidadãos Árabes. Creio que se teriam habituado a viver juntos e hoje a União Económica da Palestina proposta pela Nações Unidas seria uma potência económica a ter em conta!

    O colonato de Hebron, já por mim mencionado, foi encorajado e autorizado ainda pelo muçulmaníssimo Império Otomano, colonizador da Palestina durante 401 anos (1516 a 1917). Esse não pode pregar ao peito dos colonizadores europeus!

    No concernente a Arafat e Oslo em 1995, Arafat limitou-se a aceitar a realidade que as sucessivas guerras de INICIATIVA Árabe produziram. As guerras têm consequências!

    Por outro lado, Ehud Barak em 1999 ofereceu a Arafat em Campo David:
    • Israel liberta 95% do West Bank e 100% da Faixa de Gaza
    • Criação do Estado da Palestina nas áreas libertadas por Israel
    • Remoção dos colonatos isolados e transferência da terra evacuada para a soberania Palestiniana
    • Troca de terras israelitas por colonatos que ficassem no West bank que passavam para a soberania israelita.
    • Controlo Palestiniano sobre Jerusalém Oriental, incluindo a maior parte da cidade antiga
    • “Soberania religiosa” sobre Temple Mount, substituindo a soberania israelita desde 1967

    incluindo corredores que ligavam os territórios uns aos outros e Arafat rejeitou! Estranho tenha pegado em 1995 e se tivesse omitido quanto a 1999. Explique!

    “Check-points, estradas cortadas, etc..” Que queria? Ao mais pequeno descuido bombistas-suícidas fazem-se explodir em escolas, paragens de autocarro, restaurantes, dentro de autocarros públicos dentro de Israel, o que configura terrorismo, uma vez que os alvos são intencionalmente civis! Não brinquemos com coisas sérias! A missão nobre de qualquer estado é a protecção das vidas dos seus cidadãos! O gostaria que os Judeus se deixassem matar? Se não desconfiou ainda que os Judeus disseram BASTA, nunca mais vai entender e deve , penso, ter menos dos 60 anos que não ensinaram a liderança Palestiniana.

    Neste momento, até assiste ao inédito: Os Árabes a encanarem a perna à rã nas Nações Unidas a dar tempo a que o Hamas absorva a lição.

    Tenho de suspeitar que há algo mais nos sentimentos do Carlos Vital do que compaixão pelos Palestianos que tão desatrosos líderes têm tido, sobretudo desde que perderam o apoio militar do Egipto, Jordânia e Arábia Saudita…

    (1) Armamento dos Judeus em 15 de Maio de 1947, aquando da invasão Árabe: 10,073 rifles, 1.900 submachine guns, 186 machine guns, 444 light machine guns.
    There was not a single cannon, and only one heavy machine gun. There was no anti-tank weapon, or anti-aircraft gun, no armored car, and nothing at all for naval or air combat.

  3. Carlos Vidal diz:

    Caro tribunus, em primeiro lugar aprecio o seu rigor e a sua coerente posição aqui defendida com uma qualidade invulgar.
    Mas, repare, a história não provou que a rejeição árabe do plano de partilha foi errada, porque desde aí Israel, estado que continuo a considerar artificial e fruto de migrações inabituais (mas um facto hoje consumado e um problema ainda por resolver), desde aí Israel conseguiu impor tudo pela força mais brutal que se possa imaginar com a cumplicidade osmótica dos Estados Unidos que ajudaram, desde sempre, a tornar inaplicáveis toda e qualquer resolução da ONU. A história não provou que as decisões árabes estiveram erradas. Vamos lá a ver: a história apenas provou que Israel era e é o mais forte. Nada, mas mesmo nada mais.

    O plano de 1999 foi recusado por Arafat, pela razão que Oslo 1 e 2 deveria também ser recusado: a Palestina como nação ficaria um gueto gigantesco, pois Israel teria todo o direito a controlar as fronteiras externas. A Margem Ocidental ficaria uma Gaza gigante e destruída como está por colonatos disseminados e sem hipótese qq de remoção com a terra agrícola palestina completamente destruída por um mapa absurdo de ligações viárias sem sentido para o futuro estado palestiniano.
    O que Gromyko disse não importa muito. Como sabe a União Soviética sempre acarinhou um estado israelita por pensar nele como um estado de tendência socialista e não fundamentalista, como é.

    A conversa seria interminável e nada de anti-judaico me move. Já disse que posso ser ou já fui anti-sionista, agora penso que há que resolver a questão de outro modo: defendo um só estado bi-nacional, como o malogrado Edward Said, um estado laico e de cidadãos. A minha ligação à cultura judaica é forte, de S. Paulo a Marx, de Marx a Derrida, como tenho vindo a demonstrar noutros escritos, aqui ou noutros lugares.

    Agora, em conclusão: estamos totalmente em desacordo quanto à responsabilidade da situação actual – para mim é israelita, para si é repartida (ou principalmente árabe).
    Ainda há pouco, violando todos os acordos internacionais e a própria hospitalidade francesa, eu vi Sharon convidar os judeus franceses a emigrarem para Israel. Aliás Sharon sempre achou que a Margem Ocidental, Judeia e Samaria nos termos sionistas, seriam sempre judaicas. Mas, com o passar do tempo o sonho do grande Israel contendo Gaza, Judeia e Samaria foi-se desfazendo e nem o próprio Sharon já o defendia.
    Onde concordamos: numa solução não violenta para o futuro.
    Onde aqui, mesmo assim, voltamos a discordar: no presente, compreendo as reacções violentas de qq Intifada que possa explodir, tal como o pacifista Mustafá Barghouti, um interlocutor altamente credível para futuras negociações.
    Onde, por fim, voltamos a discordar: eu creio que um plano de reconciliação nacional deve retirar ilações da África do Sul do apartheid, porque acho que é apartheid que vigora em Israel. O que passa por uma assunção de responsabilidades por parte de Israel, em primeiro lugar, para se chegar ao último lugar: precisamente, o estado bi-nacional, onde, depois da lição e exigência de Mandela e da reconfiguração da África do Sul, sabemos que só há democracias quando o laicismo “um homem um voto” se instalar no referido estado bi-nacional, tenha ele o nome que tiver. Até lá, haverá guerra e conflito, e instabilidade mundial, até ao dia em que Israel deixar de gozar de impunidade.
    Despeço-me aqui, e agradeço-lhe a inestimável colaboração.
    Acho mesmo que este é um dos posts (ou é mesmo o post) com mais e melhor informação da blogosfera portuguesa em torno desta trágica questão. Muito graças à sua tenacidade.

  4. JC diz:

    ” nada de anti-judaico me move. Já disse que posso ser ou já fui anti-sionista”
    (Carlos Vidal)

    ” nada me move contra os judeus, mas antes contra os que são sionistas. Somos contra os judeus sionistas”, assim como há judeus que são contra os judeus-sionistas. ”

    (Mário Machado, em julgamento)

    Mário Machado é o mais “mediático” neonazi português.
    Situa-se na extrema-direita trauliteira e reclama-se herdeiro do socialismo do tipo “nacional”, numa comunhão de ideias com Le Pen, Wilis Carto, etc.
    Estas suas afirmações são de uma subtileza notável, porque repetem ipsis verbis a ideologia da chamada “esquerda moderna” que o Carlos Vidal aqui representa.

    MM defendeu-se em tribunal com um piscar de olhos à inteligentsia esquerdista que domina a nossa cultura.
    O que confirma aquilo que todos sabem, isto é, que o “anti-sionismo” é apenas uma forma politicamente correcta de dizer o indizível.
    A verbalização do anti-semitismo “racial”, está hoje limitada aos meios neonazis, que suscitam pronto repúdio, e islâmicos que, em vez de repúdio, suscitam “compreensões” e “explicações”.
    O “anti-sionismo” é, pelo contrário, uma doutrina com larga aceitação nos meios de esquerda.
    Todos os esquerdistas são “anti-sionistas” e até Mário Soares se sente à vontade para largar as suas ventosidades sobre o tema.
    Este “anti-sionismo” tem profundas raízes na esquerda, do sec. XIX, que se indignava com o “feudalismo financeiro” atribuído a proeminentes homens de negócios de origem judaica .

    A mutação “anti-sionista”, de um bem sucedido virus milenar, infecta hoje por completo a “esquerda moderna”, que se sente perfeitamente livre para invocar o velho demónio do antisemitismo, agora convenientemente travestido de anti-sionismo, ou “apoio à causa palestiniana”.
    Mário Machado percebeu que se pode perfeitamente ser antisemita sem incorrer na condenação intelectual, moral e legal devida aos imbecis, aos canalhas e aos criminosos.
    Basta reclamar-se de “anti-sionismo” e ganha imediatamente como fellow travelers todas as luminárias da “esquerda moderna”, incluindo o Dr Mário Soares, Dr Miguel Portas, Daniel Oliveira e o Carlos Vidal que, de resto, também estão com Mário Machado na “luta” contra a globalização, contra o mercado e contra o “neoliberalismo”.
    Na verdade é bem maior aquilo que os une do que aquilo que os separa.

  5. JC diz:

    “nada de anti-judaico me move. Já disse que posso ser ou já fui anti-sionista”
    (Carlos Vidal, esquerdista radical)

    “nada me move contra os judeus, mas antes contra os que são sionistas. Somos contra os judeus sionistas, assim como há judeus que são contra os judeus-sionistas. ”
    (Mário Machado,neonazi, em declarações num julgamento)

    As semelhanças não são mera coincidência.

  6. Carlos Vidal diz:

    JC,
    Como deve calcular, com toda a certeza, ser POR SI comparado a Mário Machado não me causa a mais leve comichão.

  7. tribunus diz:

    O Comentário de Carlos Vidal
    Data: 9 de Janeiro de 2009, 15:50
    Caro Carlos Vidal, agradeço o tom civilizado das suas palavras que, como disse anteriormente, é uma raridade nos dias que correm. Vou tentar sintetizar:
    1. Sendo Israel hoje uma realidade inamovível, aliás aceite como tal por países da região – como o Egipto, Jordânia e Arábia Saudita – seria muita presunção da minha parte querer de outro continente sobrepor-me à actual posição dos países referidos. Considero, pois, um inútil exercício em futilidade estar neste passo ainda a debater que Israel é um país artificial, nomeadamente quando quase 70% dos actuais Judeus israelitas é “sabra”, isto é, já nasceu em Israel. Seria, se o fizesse, obrigado a trazer à equação outros países da região, e também noutras paragens, tão artificial e recentemente formados como Israel. E se fosse um pouco mais longe no tempo, até a formação de Portugal poderia estar em causa. Compreenderá a futilidade que nos podia tentar a parar no tempo, sem nada resolvermos dos problemas que hoje enfrentamos. A imigração de Judeus para a Palestina nos séculos XIX e os 17 primeiros anos do século XX ainda sob o domínio colonial Otomano, está na mesma categoria de futilidade.
    2. A fonte das nossas divergências assenta na sua omissão quanto ao “pecado original” dos Árabes na rejeição do Plano de Partilha, isto é, o facto do estado denominado Judaico (o baptismo com o nome “Israel” em 14 de Maio de 1948 é posterior à aprovação da partilha) seria um estado não confessional com uma população de 905.000 PESSOAS, incluindo 407.000 Árabes. Por que foge a este facto, escapa-me ou talvez nem tanto…
    3. Ora, se foi oferecido em 1947 numa bandeja transportada pela ONU – agora invocada contra Israel – um estado aos árabes palestinianos, integrado numa União Económica da Palestina, em conjunto com outro estado e uma Cidade Internacional, e 6 décadas e rios de sangue mais tarde os árabes ainda não têm um estado, nem a cidade de Jerusalém, parecer-me-ia que a história provou que a escolha árabe foi a pior. Por que é a realidade! E a realidade sobrepõe-se a idealismos, tal como o essencial se sobrepõe ao acessório.
    4. Ao contrário do que o Carlos afirma, Israel não partir como o mais forte, nem os EUA lhe prestaram ajuda militar “ab initio”. O Carlos parece apanhar este comboio em andamento, entre estações, é não na estação de partida. Por que se omitiu, eventualmente por razões suas, no concernente aos dados de assistência militar e donde veio que lhe forneci. Foi a União Soviética, por coerência com o seu voto favorável à partilha, e também na esperança de que Israel se tornasse um aliado seu na região, quem salvou os Judeus do extermínio anunciado em 15 de Maio de por Abdul Rahman Hassan, secretário-geral da Liga Árabe. Os EUA, então, respeitaram rigorosamente o embargo de armas à região decretado pela ONU. Ah! Que houve um entendimento secreto entre a URSS e os EUA – ex-aliados fresquinhos na 2.ª Grande Guerra – sobre quem socorreria Israel não tenho dúvidas nenhumas. Dificilmente uma das duas superpotências emergentes dessa guerra actuaria nos bastidores sem consultar-se.
    5. Não acredito que figurinos importados doutras áreas geográficas, como o exemplo sul-africano, funcionem no Médio Oriente. Nem Mahatma Gandhi, profundo conhecedor da realidade sul-africana país onde viveu e iniciou o seu activismo pelos Direitos Humanos (1893 – 1914), conseguiu evitar a divisão entre indianos hindus e muçulmano, vendo o seu país dividido entre Índia e Paquistão, numa das mais sangrentas guerras da história – pelo mesmo “pecado original” consagrado no Corão que mais tarde dividiu palestinianos árabes e judeus. É que o Carlos – tal como muito dos comentadores ocidentais que leio – peca terrivelmente quando ignora, creio que intencionalmente por que não acredito o ignore – ao denunciar Israel como estado confessional, mas não traz à equação a realidade de que os líderes palestinianos têm por constituição o Corão. O Carlos, por mais que se lhe ponha à frente, prefere fazer de conta que os Estatutos do Hamas não existem e não dizem o que dizem! Não considera que, havendo em Israel uma população religiosa a quem a posição dos líderes palestinianos empresta mais força do que devia ter, a maioria que compõe o Knesset e o governo israelita, onde estão representados de pleno direito os 1.5 milhões de cidadãos árabes israelitas, não é religiosa. 66% dos judeus israelitas definem-se como não tradicionalistas religiosos (22%) ou seculares (44%). Exactamente para fugir à influência religiosa, os fundadores do estado optaram por não ter uma constituição escrita e tinham conseguido amortecer a influência dos religiosos, não tivessem sido invadidos pelos árabes que reacenderam e perpeturam a chama religiosa.
    6. Já lhe provei, não por “trinta e um de boca”, mas citando as Resoluções das Nações Unidas que, entre palestinianos e israelitas nenhum as respeitou. Nem vejo como podem respeitar, enquanto os líderes palestinianos tiverem por objectivo estatutário a destruição de Israel ou o “pecado original”. Este não é um pormenor, é o cerne da questão que, equivalendo a uma declaração de guerra permanente, transfere para os líderes palestinianos a culpabilidade de (a) terem rejeitado o Plano de Partilha e (b) estarem em completa contravenção de qualquer resolução que mencione “paz”, “cessar-fogo”, “cessar todas as hostilidades” ou “reconhecer soberanias”. Convenhamos, uma perpétua declaração de guerra não se casa com nenhuma dessas referências enunciadas! É uma questão de coerência.
    7. Por último, creio que diferimos quanto ao verdadeiro significado de PAZ. Eu sou pela PAZ, mas não sou PACIFISTA. Para mim a definição de PAZ é “um período de acalmia entre duas guerras” e a História da Humanidade, que tentei aprender, confirma que o vocábulo PAZ não existiria sequer se a humanidade não entrasse em guerras de quando em vez, por que não faria sentido nenhum. Em vez de PAZ, se a humanidade não entrasse em guerras de quando em vez, imperava o termo PACIFISMO a definir a situação de PAZ absoluta. Não é minha culpa que os PACIFISTAS tenham posto a carroça à frente dos bois, razão pela qual a carroça da PAZ não arranca. Para se atingir o PACIFISMO é indispensável conquistar primeiro a PAZ absoluta.

    Como tenho por hábito dizer o que “aprendo da história é que poucos aprendem com a história”.

    Um abraço e bom fim-de-semana.

  8. Carlos Vidal diz:

    Um excelente fim-de-semana para si também tribunus.

    E verá que não vale a pena valorizar excessivamente os Estatutos do Hamas. Verá que esses estatutos serão modificados num ápice com uma negociação séria, nunca com um massacre como o actual.
    Hoje mesmo, foi veiculado, mas não confirmado por ninguém, que Obama poderia abrir canais de diálogo com o Hamas – mas não como faz Israel, terá de ser de outra maneira. Oxalá Obama seja lúcido.

    Bem haja e um abraço amigo.
    CV

  9. tribunus diz:

    O Comentário de Carlos Vidal
    Data: 9 de Janeiro de 2009, 23:58

    1. Cito o Carlos: “E verá que não vale a pena valorizar excessivamente os Estatutos do Hamas. Verá que esses estatutos serão modificados num ápice com uma negociação séria, nunca com um massacre como o actual.” Pasmo com esta sua afirmação. Qunado uma das condições do Quateto é que o Hamas reconheça Israel e desista de atacar a população civil israelita – porque é o que faz -, o Carlos acha que se deve deslavorizar o cerne da questão que neste momento matas palestinianos? Isso não é um pouco o pensamento do vice-presidente do bureau político do Hamas, Abu Marzouq, que a 100km do teatro de guerra, mais precisamente vivendo em Damasco em relativa segurança, disse:

    “Vamos ganhar a guerra em Gaza.

    Sabemos que vamos perder muita gente, mas vamos ganhar, se Allah assim nos ajudar”?

    Fonte: http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2009/01/200918155333111890.html

    Duas coisas saltam destas declarações. Uma. é que o Carlos se preocupa mais com as mortes palestinianas que o Hamas; outra, é que os mortos palestinianos são o meio utilizado pelo Hamas para ganhar a guerra… Isto só reforça a importância dos Estatutos do Hamas que estão acima do povo palestiniano e são o impedimento à paz.

    2. Cito o Carlos: “Hoje mesmo, foi veiculado, mas não confirmado por ninguém, que Obama poderia abrir canais de diálogo com o Hamas” Ó Carlos, desculpe mas essa informação não faz nenhum senso político e muito menos militar. O que hoje aconteceu foi que a Câmara de Representantes do Congresso dos EUA, de maioria Democrata (Obama), endossou uma resolução de apoio ao direito de defesa de Israel por 390 votos a favor e 5 contra. Fonte: http://english.aljazeera.net/news/americas/2009/01/20091920212870205.html.

    As coisas a determinado nível têm de ser pensadas com a razão. Tendo o Hamas derrubado em Gaza pela força o Presidente da Autoridade Palestiniana, o homem que está um furo acima do governo, nenhum governo digno falará formal e directamente com o Hamas por cima da cabeça de Abbas.

    Oiça Obama sobre os ataques com rockets sobre Israel – http://www.youtube.com/watch?v=PFoj-PKJhck&feature=channel, http://www.youtube.com/watch?v=oLLCdb9kwI0.

    Oiça-me, Carlos, lá no topo deste blog lê-se: “É preciso tomar partido, claramente!” E embaixo um cartão diz: “Stop Israel Crimes”. É difícil perceber por que quando Israel mata um palestiniano é “crime” e quando o Hamas mata um israelita é “resistência”! Pena não podermos perguntar ao morte se eles percebem que morreram por razões diferente, mas eu suspeito o que ambas as partes diriam… No concernente ao tomar partido entenderá que logo que se toma partido perde-se a neutralidade e passa-se a fazer parte do problema; uma vez parte do problema fica-se impedido de resolvê-lo. O conflito árabo-palestiniano (a ordem que lhe dão os árabes, sabia?) é a prova viva de muita gente a tomar partido, incluindo organizações de todos os tipos (Nações Unidas, ONG’s, partidos políticos, etc.) que, ao tomar partido, se desqualificaram para encontra-lhe uma solução.

  10. Carlos Vidal diz:

    Ó meu caro amigo, vamos ficar por aqui na nossa frutuosíssima discussão.

    Nenhum de nós vai mudar de posições.
    A minha posição aproxima-se e copia mesmo a de Edward Said, palestiniano, americano, eminente universitário, ensaísta, activista, músico e crítico musical, um intelectual dos mais valorizados das últimas décadas (não por mim, atente, mas também), com obra incontornável sobre o problema palestiniano (extensíssima), sobre o conceito de crítica, sobre o conceito de intelectual, sobre música e musicologia, sobre cultura e filosofia. Enfim, está apresentado o homem.
    Depos de Said, entretanto falecido, vejo com muito interesse a trajectória de Mustafá Barghouti, médico na Margem Ocidental e muito próximo de Said. Falei-lhe do estado bi-nacional, falei-lhe de hipóteses de solução para o problema, pelo menos naquelas hipóteses em que eu acredito. Da sua parte, permita-me, como solução estável, eu não ouvi nem li nada.

    Soluções concretas para problemas concretos e não resenhas históricas de como se chegou aqui, que o meu amigo fez melhor do que ninguém (apesar disso, eu reservo-me o direito de discordar dos factos tal como o meu caro amigo os apresenta, da FORMA como os apresenta, melhor dizendo).

    Como sabe, desde o princípio que a OLP tinha uma Carta ou Estatutos que não reconhecia Israel. Mudou-os. O Hamas mudá-los-á com uma negociação bem conduzida pelo Quarteto ou outros interlocutores, mas bem conduzida e séria. Sem massacres.

    Cito-o:
    “É difícil perceber por que quando Israel mata um palestiniano é crime e quando o Hamas mata um israelita é resistência!”

    Pense bem nesta sua frase, se faz favor.
    Israel matou agora mais de 500 pessoas!
    Em 2006, por causa de 2 soldados matou mais de 1500 pessoas no Líbano (se não estou em erro). Não sei quantos desalojados e um país que voltou à Idade Média (chegaram a dizer as autoridades de Israel). Se isto não é de loucos, eu não sei o que é a loucura.
    Repare: mesmo com milhares e milhares de mortos, ninguém, no fundo, tem medo no Médio Oriente desse Golias enlouquecido.
    Mesmo sabendo que morrem 100 palestinianos por cada israelita morto, os palestinianos não deixam de lutar e combater. Não temem morrer porque Israel já os matou e os vai matando lentamente, de muitas formas.

    O que eu disse de Obama reprta-se a uma espécie de boato que circulou na net hoje. Eu não disse que era notícia oficial nem oficiosa, nem que a fonte era ou não fidedigna. Mas a ideia inscreve-se nas promessas de Obama: abrir canais de diálogo com os inimigos, e, logicamente, com os inimigos dos amigos, de Israel nomeadamente.

    Creia-me, agora sim, com a máxima consideração. Guardemo-nos para os próximos desenvolvimentos – temos aqui lugar marcado para conversar, sem limites, sobre este problema que dura há sessenta anos (ou que dura desde Herzl ou Dreyfus).
    C Vidal

  11. tribunus diz:

    O Comentário de Carlos Vidal
    Data: 10 de Janeiro de 2009, 2:35

    “Ó meu caro amigo, vamos ficar por aqui na nossa frutuosíssima discussão.
    Nenhum de nós vai mudar de posições.” Começo a desconfiar que assim é. Todavia faz uma ou duas acusações que não posso deixar passar em branco.
    Cito Carlos Vidal: “A minha posição aproxima-se e copia mesmo a de Edward Said”. A minha posição é minha e de mais ninguém, “cogito, ergo sum”! Conheço muito bem o perfil e currículo de Edward Said, com laços palestinianos embora, era muito mais um intelectual da esquerda americana. Aliás, o título que escolheu para a sua autibiografia – OUT OF PLACE – define bem o homem. Mas, morreu já ultrapassado pelos eventos. Quando digo morreu ultrapassado pelos eventos não estou sozinho, estou acompanhado por pensadores, jornalista e chefes de estado genuinamente Árabe (Not “Out of Place”):
    1. “Nem os árabes nem os palestinianos têm tido uma visão clara de como resolver a crise palestiniana. Desde a decisão de Anwar Sadat de assinar um tratado de paz com os israelitas, apesar de ter sido acusado de traição à época, as coisas tornaram-se mais claras. A ideia de atirar Israel ao mar e libertar todo o território palestiniano do rio ao mar deixou de ser uma opção realista ou viável”. Mshari Al-Zaydi, um jornalista saudita, peiro em movimentos islâmicos e fundamentalistas e assuntos sauditas, e editor-chefe da página “Opinião” do jornal Asharq Al-Awsat. Fonte – http://aawsat.com/english/news.asp?section=2&id=15310

    2. “The Arab Peace Initiative (de autoria saudita), aprovado por unanimidade na 14.º Sessão Ordinária da Liga Árabe em Beirute – Fonte: http://www.jordanembassyus.org/arab_initiative.htm#ai

    O Hamas, outros grupelhos palestinianos e o Hezbollah, mal grado a perda do apoio militar árabe, a mudança de circunstâncias, da apresentação da “Iniciativa de Paz Árabe” continuam a não entender que “A ideia de atirar Israel ao mar e libertar todo o território palestiniano do rio ao mar deixou de ser uma opção realista ou viável” (vide ponto 1).
    Cito o Carlos Vidal: “Falei-lhe do estado bi-nacional”. Ambos os estados oferecidos pela ONU em 1947, bem como a cidade internacional, eram bi-nacionais.
    Cito Carlos Vidal: “Da sua parte, permita-me, como solução estável, eu não ouvi nem li nada”. Nem podia ter ouvido! Primeiro por que sei analisar uma situação, mas não sou perito em Acordos de Paz, segundo por que enquanto o Hamas não aceitar negociar não há nenhum acordo de paz, terceiro por que há a Inciativa de Paz Árabe (vide ponto 2) que me serve muito bem. Seria, portanto, presunção da minha parte querer vender “a missa aos padres”, neste caso “vender a paz aos árabes”.
    Cito Carlos Vital: “desde o princípio que a OLP tinha uma Carta ou Estatutos que não reconhecia Israel. Mudou-os. O Hamas mudá-los-á com uma negociação bem conduzida pelo Quarteto ou outros interlocutores, mas bem conduzida e séria. Sem massacres.” O hamas não só não mudou, disse abertamente que não mudava, sendo, portanto, responsável pelos massacres, dado que reconhecer Israel e renunciar à violência são condições “sine qua non” do Quarteto desde 2002, há 6 anos! Quando é que o Hamas vai mudar? Quantas mais mortes tem de causar?
    Cito Carlos Vidal: Pense bem nesta sua frase, se faz favor. Israel matou agora mais de 500 pessoas! Em 2006, por causa de 2 soldados matou mais de 1500 pessoas no Líbano (se não estou em erro). Eu faço sempre por pensar bem. Por exemplo, neste momento estou a pensar que a sua ideia de proporcionalidade em guerra é tu matas-me dois, eu mato-te dois e paro ai até tu me matares outros dois e assim por diante. Mas não é assim, Carlos! Ambos matam para atingir objectivos, nonas posições no terreno ou políticas. Os árabes não matam mais israelitas, não é por falta de vontade, é por que os israelitas tomaram mais e melhores precauções para protegerem os seus civis. E talvez a morte de dois israelitas doa tanto aso israelitas como a morte de 100 ou mil. Do lado palestiniano nem tenho que pensar é só ler ou ouvir:

    A. Musa Abu Marzouq, vice-presidente do bureau político do Hamas, em plena segurança em Damascos

    “Sabemos que vamos perder muita gente do nosso lado, mas vamos ganhar, se Allah quiser ou se Allah nos ajudar!?) Fonte: http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2009/01/200918155333111890.html
    B. JANUARY 09, 2009 – Raafat Morra, um dirigente do Hamas em segurança em Beirute, disse que o grupo palestiniano também rejeitou a resolução da ONU, por que “não é no melhor interesse do povo palestiniano”. Fonte: http://english.aljazeera.net/news/middl … 27784.html

    A julgar pelas declarações destes dois senhores dirigentes do Hamas, ambos ao “fresco” a dezenas de quilómetros do teatro de guerra, eles estão a ganhar e, parece, a gente que estão a perder já o sabiam e é um “fim” para ganhar a guerra!

    Agora, caro Carlos Vidal, já sei o que nos separa neste conflito: eu estou com a maioria árabe organizada em governos capazes de solucionar o problema racionalmente, como fica provado acima, nomeadamente com a Iniciativa de Paz; o Carlos está com os grupos islâmicos fundamentalistas, a rua árabe e na moda com uma determinada esquerda europeia que se opõe à existência do estado de Israel, como se fosse possível mudar a realidade instalada. São, portanto, parte do problema.

    Agradeço a sua atenção e dou por terminado um debate tão bipolarizado como as posições actuais da maioria árabe organizada e os variadíssimos movimentos fundamentalistas islâmicos palestinianos.

    Grande abraço.

  12. JC diz:

    “Como deve calcular, com toda a certeza, ser POR SI comparado a Mário Machado não me causa a mais leve comichão.”

    As suas comichões em particular e os seus problemas fisiológicos de um modo geral, não me interessam patavina nem, creio, a quem lê isto.
    É até bastante constrangedor que o Carlos Vidal se ponha aqui a fazer confidências deste tipo.

    Mas sobre o caso em si, a comparação entre o Mario Machado e o Carlos Vidal não é minha….resulta daquilo que ambos dizem e dizem exactamente o mesmo.

    O que deveras espanta é que o Carlos Vidal, que quer parecer tão sofisticado e moderno e de “esquerda, pá”, não entenda que tem as mesmas ideias….as mesmíssimas ideias de um gajo que não é nada disso e , pelo contrário, é visto como um burgesso.
    A diferença entre o Mario Machado e o Carlos VIdal, nesta matéria, é que, sendo ambos racistas e antisemitas, o Mario Machado não tem a mania que é espero. Basicamente ele sabe que nada sabe mas, paradoxalmente, sabe mais que o Carlos Vidal, que nem isso sabe.
    O Mario Machado é um ignorante. O Carlos Vidal é um ignorante convencido.

    E onde lê Mário Machado e Carlos Vidal, entenda direita trauliteira e esquerda festiva.

    Os mesmos coliformes fecais, analisados em lamelas diferentes.

  13. tribunus diz:

    Obama está neste momento a falar na Secretaria de Estado encabeçada por Hillary Clinton e deu um aviso ao Hamas e seus aliados no sentido de que o lançamento de rockets contra Israel tem de cessar completamente, como prioridade para consolidar o cessar-fogo e voltou a reafirmar que o apoio dos EUA ao direito de Israel face aos ataques do Hamas e doutras seitas armadas de Gaza. E também disse: “O mundo tem de entender que os EUA não hesitarão em defender-se”!

    Este artigo de um jornalista árabe, que traduzi e ora estou a postar, revela uma nova era no conflito árabo-israelita. De notar, para começar, que é difícil de entender por que os árabes apelidam – e sempre apelidaram – o conflito de árabo-israelita nesta ordem, e os europeus o apelidam de israelo-árabe nesta ordem. A história não é clemente e registou que os árabes estão correctos, uma vez que eles próprios deram início ao conflito, daí a ordem árabo-israelita, e os europeus estão errados por terem invertido a ordem histórica. A inversão pelos europeus, que faz parte do modismo “usurpação da consciência” tem servido bem os movimentos fundamentalistas palestinianos que continuam a ter por objectivo e rejeitam a paz por esse mesmo motivo; mas tem sido um desserviço aos países árabes mais importantes que há anos (depois da guerra de 1973) a esta parte decidiram aceitar e reconhecer a existência de Israel e trabalhar por uma paz duradoira que vêem abortada pela irracionalidade do Hamas e seus aliados.

    Dito isto, repito que Israel tem gerido o conflito em seu benefício, o que se tem revelado um desastre para o lado palestiniano em termos de perda de vidas e destruição de infra-estrutura, e serve também de desculpa para não se apressarem em negociações de paz. Mas sem que os grupos fundamentalistas rejeitem a violência e aceitem Israel como uma realidade inultrapassável, nada feito. Este é o cerne da questão! Mas a parte optimista é que a maioria árabe – mais de 200.000.000 – parece apostada em obter a paz! Que oportunidade de ouro para Obama e Hillary Clinton!

    Fracturas e Ferimentos Árabes
    por Jameel Theyabi Al-Hayat – 19/01/09//

    Sobre os ombros do Hamas assenta uma enormidade de culpas. A Autoridade Palestiniana carrega outras responsabilidades. Os governos árabes também têm de ser responsabilizados por muitas das questões depois que forças regionais lograram infiltrar e fragmentar as fileiras árabes e dispersar os seus esforços, dado que esses governos falharam em conter certos estados e movimentos árabes.

    As mulheres e crianças morrem diariamente, enquanto Khaled Mashaal – vindo de Damascos e não de Gaza – vende em Doha os cadáveres dos inocentes para ganhar os corações dos seus aliados sírios e iranianos, depois de ter dividido a decisão árabe e criar um profundo abismo palestiniano, colocando a Causa Palestiniana na Unidade de Cuidados Intensivos.

    Nada a opor que se realizem reuniões ou cimeiras práticas das quais saiam soluções e recomendações viáveis. Mas do que vale usar a “reunião de Gaza”, realizada em Doha 48 horas antes da “Cimeira do Kuwait” onde se prepara um compreensivo plano de acção árabe que dá a prioridade máxima “ao problema de Gaza”, como foi previamente anunciado?

    Por que razão o Qatar e a Síria estão apostados em entrincheirar a hegemonia iraniana na decisão árabe, como se a intenção fosse integrar Teerão na Liga Árabe e no Conselho de Cooperação do Golfo (acrónimo inglês CCG)?

    O presidente iraniano veio a Doha com a missão de lançar chavões ressonantes, despertar emoções, assacar culpas, e expelir a sua fúria sobre certos estados árabes.

    Por que razão insiste o Hamas implementar os interesses de Damascos e Teerão e as suas intenções “desnudadas” para causar ferimentos e criar fracturas profundas na anatomia árabe?

    Pareceria que Doha trouxe o Hamas a bordo de um avião privado para organizar a cerimónia de discursos exibicionistas e exigir a transmissão via satélite das intervenções dos presidentes sírio e iraniano, ignorando a Carta de Liga Árabe e a necessidade de dignificar a imagem interna e externa dos árabes.

    A “Reunião de Gaza” foi realizada em Qatar terminou sem nenhuns resultados tangíveis. Isto não é uma conclusão apressada, mas antes uma análise resultante do facto de que a resolução mais importante ali tomada foi o congelamento “temporário” das relações de Doha e Nouakchott com Telavive. Isto quer dizer que as relações serão eventualmente retomadas logo que acabe a agressão. Não teria sido possível a Qatar e Mauritânia anunciar esta decisão na reunião de ministros dos negócios árabes no Kuwait, coincidente com a de Doha, a fim de compelir outros estados árabes a tomarem as mesmas medidas no âmbito de um consenso árabe que teria reduzido as fracturas e aproximar as diferenças?

    A Síria, que também se apresentou em Doha, sem anunciar a completa cessação das suas conversações de paz com Israel, embora tenha a capacidade de abrir uma frente nos Golan, no seu papel de um país de confrontação.

    Assim sendo, pergunta-se se a reunião de Doha não atingiu o seu ponto mais alto minando o empenho e as posições árabes? Disto infere-se que a memória dos árabes é fraca e indiferente, no momento em que a máquina terrorista israelita assassina com indiferença crianças inocentes.

    Os movimentos árabes “politizados” têm a intenção de sequestrar a rua árabe em apoio da “agonia” da crise e de aventuras, para puderem abrir novas páginas de perdas e derrotas “mal calculadas” e mais assassínios depois de encherem essa mesma rua de chavões vazios mas ressonantes.

    Tinha esperanças que qualquer cimeira serviria para salvar com sucesso os habitantes de Gaza das chamas. Mas a reunião de Doha aparentemente consagrou as divisões entre árabes, e só foi bem-sucedida na arte da retórica, particularmente com a presença de dois países exímios na fabricação de chavões e querendo minimizar e descarrilar a “Cimeira de Kuwait” que gozava do consenso árabe.

    A “Cimeira de Emergência de Riade” tentou unir as démarches e restaurar a coesão dos países do Golfo face aos desafios instalados, de modo a unir primeiro as posições do Golfo e depois as árabes como um todo.

    Qatar não devia ter atropelado o consenso do Golfo, particularmente depois de dois países do Golfo e a cimeira de Riade terem definido como prioridade à convergências das acções do Golfo para conseguir transformar a “Cimeira do Kuwait num sucesso, em vez de esvaziá-la com outra reunião promovida por um estado membro do Conselho de Cooperação do Golfo e da Liga Árabe.

    A “Cimeira do Kuwait” poderá assinalar optimismo, mas cuidado com as expectativas de soluções auspiciosas, enquanto os políticos “adolescentes” são aplaudidos sem a preocupação de se inspeccionar as suas intenções e objectivos, e quando as posições de outros são ridicularizadas por via de certos chavões e discursos feitos sob o nome de resistência e de um “duvidoso” nacionalismo.

    Aquele que reivindica vitória no momento em que Gaza é arrasada e a contagem das suas vítimas continua a crescer está equivocado. De qualquer maneira, a história é inclemente.

  14. Carlos Vidal diz:

    Diálogo longo o nosso, meu caro amigo.

    Obama não vai dar carta branca, espero, à “violência defensiva” de Israel.
    Espero, esperamos, que vá mais longe na resolução do problema do que foi George W. Bush. Por agora não posso dizer mais nada.
    Com toda a consideração.

  15. tribunus diz:

    O Comentário de Carlos Vidal
    Data: 23 de Janeiro de 2009, 3:09

    O Carlos está enganado mais uma vez. Qualquer governo honesto, racional, está obrigado a conceder aos outros aquilo que é a sua obrigação primária: proteger os seus cidadãos! O sentido de estado não é exactamente uma conversa de café. Ai vai o discurso pronunciado hoje por Obama no Departamento de Estado onde reafirma o direito de Israel a defender-se, marginaliza o Hamas como organização terrorista, reafirma que o interlocutor priviligiado é o presidente Abbas da Autoridade Palestiniana e avisa os governos da região para pararem com o apoio externo de armas a organizações terroristas. Nem doutro modo poderia ser, a menos que governos dignos enveredassem pelo sectarismo que confundem alhos com bugalhos.

    Washington Post

    Transcrição – Excertos

    Presidente Obama Fala no Departamento de Estado
    Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009; 16:03
    Será política da minha administração procurar activa e agressivamente uma paz duradoira entre Israel e os Palestinianos, bem como entre Israel e os seus vizinhos Árabes. Para nos ajudar a perseguir esses objectivos, a Secretária de Estado Clinton e eu pedimos a George Mitchell para servir como Enviado Especial para a Paz no Médio Oriente.
    Ninguém duvida que o caminho que temos pela frente é difícil, e o George enunciou algumas das dificuldades. A trágica violência em Gaza e no sul de Israel são um sério lembrete dos desafios instalados e dos recuos inevitáveis que temos pela frente.
    Porém, isto também deve assinalar-nos um senso de urgência, como a história nos ensina de que uma América solidamente empenhada pode reduzir divisões e construir a capacidade que apoia o progresso. Por isso estou a mandar o George para a região tão depressa quanto possível para ajudar as partes a assegurar que o cessar-fogo que foi conseguido é consolidado e duradouro.
    Deixem-me ser claro. A América está comprometida com a segurança de Israel. E nós apoiaremos sempre o direito de Israel a defender-se contra ameaças legítimas.
    Durante anos o Hamas tem lançado milhares de rockets contra cidadãos inocentes israelitas. Nenhuma democracia pode tolerar tal perigo para o seu povo, nem a comunidade internacional, nem o próprio povo palestiniano, cujos interesses só sofrem recuos por via de actos de terror.
    Para ser um parceiro genuíno na paz, o Quarteto tornou claro que o Hamas deve observar as seguintes condições: reconhecer o direito de Israel à existência, renunciar à violência e honrar os acordos anteriores.
    Para se avançar, os contornos para um cessar-fogo duradoura são claros: O Hamas deve cessar com o lançamento de rockets, Israel deve retirar as suas forças de Gaza, os EUA e os nossos parceiros apoiarão um regime de proibição credível de contrabando, de modo a que o Hamas não possa rearmar-se.
    Ontem, falei com o presidente Mubarak e expressei-lhe a minha aprovação pelo papel importante do Egipto em conseguir um cessar-fogo. E nós olhamos com esperança para a continuação da liderança e parceria que o Egipto mostrado em lançar os alicerces para uma paz mais abrangente por via do seu empenhamento em por fim ao contrabando (de armas) dentro seu território
    Convenhamos, porém, que tanto como o terror do lançamento de rockets contra israelitas inocentes é intolerável, também o é um futuro sem esperança para os palestinianos.
    Fiquei estarrecido pela perda de vidas de palestinianos e israelitas em dias recentes e pelo grande sofrimento e necessidades humanitárias em Gaza. O nosso coração está com os palestinianos civis que necessitam de alimentação imediatamente, água potável, e cuidados médicos básicos, e que têm sofrido de uma pobreza sufocante durante tanto tempo.
    Agora devemos estender a mão da oportunidade àqueles que buscam a paz. Como parte de um cessar-fogo duradouro, as fronteiras de Gaza devem ser abertas para permitir o trânsito de ajudas e comércio, com um adequado regime de monitorização com a participação internacional e da Autoridade Palestiniana.
    A assistência humanitária deve poder chegar aos palestinianos inocentes que dela dependem. Os EUA apoiarão firmemente uma conferência internacional para encontrar os meios para assistência humanitária a curto prazo e a longo prazo reconstruir a economia palestiniana. Esta assistência será entregue e controlada pela Autoridade Palestiniana.
    Uma paz duradoura precisa de mais do que um cessar-fogo duradouro e, por isso, eu asseguro um compromisso activo em busca de dois estados vivendo lado a lado em paz e segurança.
    O senador Mitchell desenvolverá esse compromisso, tal como assistirá Israel a chegar a uma paz abrangente com o Mundo Árabe que reconhece o seu (de Israel) lugar legítimo na comunidade de nações.
    Devo acrescentar que a Iniciativa de Paz Árabe contém elementos construtivos que poderão contribuir para o esforço de paz. Chegou a altura dos estados árabes actuarem na promessa da iniciativa apoiando o governo palestiniano encabeçado pelo Presidente Abbas e o Primeiro-Ministro Fayyad, tomando medidas para a normalização de relações com Israel, e de enfrentar os extremistas que nos ameaçam a todos.
    O papel construtivo da Jordânia treinando as forças de segurança palestinianas e cultivando as suas relações com Israel servem de modelo para estas acções. E, para irmos em frente, devemos afirmar claramente a todos os países da região que o apoio externo a organizações terroristas tem de cessar.

  16. tribunus diz:

    Não é de nos sentirmos inferiorizados no Ocidente aos confrontarmos o destaque que a nossa comunicação social deu a esta mesma notícia com o destaque dado pela cadeia de televisão árabe, Al-Jazeera? Eis os títulos:

    Lusa: O presidente norte-americano, Barack Obama, pediu hoje a abertura das fronteiras e dos pontos de passagem para a Faixa de Gaza para permitir a entrada da ajuda internacional.

    Al-Jazeera: Obama enuncia visão para Médio Oriente.

    Do lado da Lusa um título embusteiro, tentando fazer o leitor pensar que Obama censurava Israel; do lado da Al-Jazeera um título que abarca uma visão global da mesma situação.

    De um lado da Lusa a intenção de “enformar” a opinião pública, do lado da cadeia árabe a intenção de “informar” a opinião pública…

    Que tristeza!

    http://english.aljazeera.net/Media/Images/AJILogo.jpg
    23 DE JANEIRO 2009

    EXCERTO

    Obama enuncia visão para Médio Oriente
    http://english.aljazeera.net/mritems/Images//2009/1/22/2009122214457726734_5.jpg
    Mitchell,à direita, e Holbrooke, à esquerda, ambos diplomatas experimentados [AFP]

    O presidente dos EUA, Barack Obama, exortou Israel e o grupo palestiniano Hamas a honrar o cessar-fogo em Gaza na sua primeira intervenção depois de tomar posse.

    O líder Americano fez os comentários no Departamento de Estado na altura em que nomeava George Mitchell Enviado Especial para o Médio Oriente, o homem que ajudou a firmar o Acordo de Paz de Sexta-Feira Santa na Irlanda do Norte.

    Obama disse que estava “profundamente preocupado” com a perda de vidas em Gaza e também reiterou a visão americana de que Israel tem o direito de defender-se dos ataques dos mísseis palestinianos.

    “Será política da minha administração buscar activa e agressivamente uma paz duradoura entre Israel e os Palestinianos, bem como entre Israel e os seus vizinhos árabes. Devemos agora estender a mão da oportunidade àqueles que procuram a paz. Uma paz duradoura exige abertura das fronteiras para permitir o movimento de assistência humanitária e de comércio”, acrescentou Obama.

    Obama reiterou ainda o apoio dos EUA aos requisitos internacionais que exigem à facção Hamas que governa Gaza: que o Hamas reconheça Israel, rejeite a violência e aceite reconhecer os acordos anteriores negociados com Israel.

    Obama declarou também o apoio dos EUA aos mecanismos para impedir o contrabando de armas através da fronteira de Gaza com o Egipto.

  17. Carlos Vidal diz:

    tribunus, numa coisa estamos de acordo: queremos paz naquela região, e esperamos que o presidente Obama possa ajudar a realizar esse objectivo.
    Vamos ver, a mim, dos mais recentes presidentes americanos, parece-me ser o mais capaz de lá chegar.
    Com amizade e consideração.
    CV

  18. tribunus diz:

    Carlos, estamos irmanados do mesmo desejo fortíssimo. Chega de guerra! Principalmente uma guerra em é sempre o pobre palestiniano que leva a pior e como! E pouco me importa se é partidário do Hamas ou não, é o ser humano que me preocupa. Não vou dizer que um homem que acaba de chegar à Casa Branca e já bombardeia o Paquistão tem a chave para a solução. Tal como São Tomé “ver para crer”… Todavia, uma coisa parece certa: os países árabes mais importantes da região – desta vez – estão apostados na paz entre a Palestina e Israel. Obama aterra na Casa Branca encontrando condições favoráveis que os seus antecessores não tiveram; umas felizes como a vontade árabe, outra, a guerra mais recente, lamentável, mas cujo rescaldo pode contribuir para dar uma oportunidade à paz. Talvez, pela primeira vez em 60 anos, as mortes, lamentáveis embora, não tenham sido completamente em vão.

    A escolha de Mitchell não podia ser melhor, uma vez que tem provas dadas na Irlanda do Norte. Estou ciente que a cultura na Irlanda não é igual à do Médio Oriente, uma vez que os militantes do Ira não iam para a guerra dispostos a morrer, como os do Hamas ou Hezbollah; tão pouco iam à luta para destruir o Reino Unido. A diferença é grande. Mas a experiência provada de Mitchell, nomeadamente o seu poder de persuasão, sempre pode servir para encontrar a até agora elusiva chave da paz; que passa necessariamente por persuadir o Hamas, Hezbollah e seus aliados ou mentores a mudarem a sua escala de valores quanto à obliteração de Israel. Em 1948 até parecia possível por que contavam com todos os exércitos árabes. Hoje, tendo a maioria dos países árabes desistido de medir forças com Israel e tendo proposto o Plano de Iniciativa de Paz Árabe, é impossível! O Hamas, Hezbollah e seus aliados ou mentores não podem continuar indefinidamente a sacrificar as vidas do povo palestiniano em vão. Por que em vão a história de mais de 6 décadas nos ensina tem sido.

    É agora que vamos ver uma Palestina independente e segura ou nunca! Requer cedências territoriais israelitas e, quem sabe, até ainda pode ser possível “morder” algum território à Jordânia que foi formada com quase 80% de território historicamente palestiniano… (ver mapa – http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/69/BritishMandatePalestine1920.png/250px-BritishMandatePalestine1920.png)

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