Marxismo Mota-Engil

Tomás Vasques depois de nos explicar as virtudes e defeitos do uso da vaselina na praia, vem agora descobrir que não aconteceu nada na Grécia e que é falso um certo regresso ao marxismo. Explica-nos, o antigo chefe de gabinete de João Soares , que só Marx e , talvez, Engels eram marxistas e que só sobraram da morte do autor funestas caricaturas como o estalinismo, trotskismo, maoismo, castrismo, etc… Tomá Vasques devia puxar pela memória e lembrar-se do que já soube. Marx sempre negou ser marxista, numa célebre frase, e o marxismo há para todos os gostos e matizes e não se resume aos “ismos” de que falou. Escola de Frankfurt, Gramsci, Negri, Luckács, Rancière, Althusser, Balibar, Lacan, Zizek e muitos outros já foram beber ao marxismo.
Mesmo o PS que Vasques abrilhanta, antes desta deriva para a “esquerda dos interesses” (usando a definição de Blair) e dos empreiteiros, já teve como referência o marxismo.
Para esclarecer a social-democracia esquecida, com os seus próprios profetas, quando o director do FMI, Dominique Strauss-Kahn, e o director da Organização Mundial do Comércio, Pascal Lamy, falam de uma necessidade de voltar a estudar Marx, não estão a pensar das trapalhadas do Bloco Central português nos negócios, embora a rapina dos capitalistas já tivesse sido devidamente retratada pelo filósofo alemão ( “O capital tem horror à ausência de lucro. Quando fareja um benefício razoável, o Capital torna-se ousado. A 20 por cento, fica entusiasmado. A 50 por cento, é temerário; a 100 por cento, enlouquece à luz de todas as leis humanas, e a 300 por cento não recua diante de nenhum crime”, KARL MARX, O Capital. ), o que estes ilustres senhores pensam , quando afirmam ser necessário um certo regresso a Marx, é que é necessário reflectir sobre o que este autor escreveu sobre a dinâmica do capitalismo e as suas crises.
Claro que para um não social-democrata isto sabe a pouco. Mas qualquer anti-capitalista sabe que qualquer “regresso” a Marx não se faz pela recitação, mas pela intenção de continuar a arranjar formas e maneiras de superar o capitalismo. O problema é que muitos tipos do PS cansaram-se de mudar a vida e ficaram-se por mudar de vida. Como muito sucesso, olhando o exemplo promissor de um Jorge Coelho.

PS- Tomás Vasques, já esqueceu mesmo as categorias marxistas. Se os seus tags referem-se a mim, corrija SFF, eu não sou pequeno-burguês, sou, pelo menos, médio burguês.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.

5 respostas a Marxismo Mota-Engil

  1. ana diz:

    Tomás Vasques não chegou a sr vereador de João Soares, esteve na lista que não chegou a ser eleita. Foi sim chefe de gabinete do dito, enquanto presidente da CML.

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Obrigado, vou corrigir

  3. isabel diz:

    a respeito da esquerda e do marxismo, li uma entrevista de Hosbawm (penso que no Carta Maior) em que ele dizia que Marx não voltará como inspiração politica para a esquerda até que se compreenda que os seus escritos não devem ser tratados como programas políticos. Mas é preciso ler Marx.
    NRA, médio burguês? não seja modesto. Significará isso que trocou o sistema operativo windows pelo mac?

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Olá Isabel,
    Não troquei. Mas avisei, provavelmente por isso, que era pelo menos médio burguês. 🙂

Os comentários estão fechados.