Com que então tem de ser aqui o maçarico a salvar a honra do convento no dia de Natal!
Já que ninguém me apresenta, aqui vai. É a minha declaração de interesses, para que ninguém diga que não avisei. A propósito, já entreguei os meus rendimentos no Tribunal Constitucional.
37 anos, natural do Porto, residente até hoje na Invicta, embora com incursões pelos subúrbios.
Licenciado mesmo por uma Universidade a sério (Universidade do Porto), com diploma passado num dia que não era Domingo.
Professor do ensino secundário (ui, que corja!) numa escola da província. A viver nessa terrinha durante a semana e com acesso limitado à internet a partir das 18 horas, porque na escola desligam a rede. No único café com internet na região, 1 euro por 45 minutos de utilização. Não avaliado, por decisão própria e da escola, durante este ano lectivo.
Apartidário. Embora claramente posicionado à Esquerda dos Partidos de Direita (CDS, PSD e PS).
Ateu. Embora mais cristão do que muitos cristãos.
Vegetariano sempre que possível. Activista da causa animal.
Portista ferrenho. Ex-membro da antiga claque dos «Dragões Azuis». Firmemente convicto de que o sr. Jorge Nuno Pinto da Costa jamais seria capaz de cometer qualquer acto ilícito.
Profundamente apaixonado pelo Porto. Mas também, embora mais moderadamente, por Cerveira. E por Lisboa. E por Paris.
«Cinema Paraiso» como filme da vida. «A Festa do Chibo», do futuro Nobel Vargas Llosa (sobre a ditadura de Rafael Trujillo Molina na República Dominicana), como livro da vida.
Cronista do «5 Dias» com verdadeiro amor à camisola. Embora o ordenado principesco também ajude, claro, a cimentar esse amor. Com carta branca para escrever seja o que for. «Não há limites para a tua liberdade», disseram-me o Nuno Ramos de Almeida e o Luis Rainha, «desde que não digas mal do Bloco de Esquerda». «Já tivemos de despedir alguns que queriam dizer mal do nosso grande chefe, o inigualável Louçã.»
Assim será, que o dinheiro dá jeito a todos.




Bem vindo, Ricardo. Tiveste mais sorte do que eu: ninguém me comunicou que não poderia escrever mal do Bloco de Esquerda. Se o tivessem feito, nem o meu nome emprestaria, credo!
Obrigado, Emídio. Claro que essa conversa nunca aconteceu, a minha liberdade – tal como a de todos nós – é total. Apenas uma brincadeirinha para quem quiser entender.
Ricardo,
Temos uma profunda divergência: As Conversas na Catedral, A Guerra do Fim do Mundo e O Paraíso na Outra Esquina fazem da Festa do Bode um livrito engraçadote, mas só isso.
Caro Nuno,
A divergência não é assim tão grande. Afinal, gostamos do mesmo autor.
Aliás, do Mario Vargas Losa, apetece-me referir também «A tia Júlia e o escrevedor» ou o «Pantaleão e as visitadoras». Esses sim, são engraçados, mas mesmo muito engraçados.
natal sem confessional não tem piada nenhuma…
Caríssimo, embora eu também seja novo na casa não posso deixar de dar as boas vindas a quem já foi meu interlocutor muitas vezes, sempre com proveito para mim. Gosto da frase: “ateu, embora mais cristão que muitos cristãos”. Tenho várias razões para partilhar a frase: primeiro, o “monstruoso” cristianismo (é do Zizek a expressão) é uma religião profundamente materialista, materialismo que defendo em arte e na política. Depois, aprendi a conviver com imensa santeria (que é uma religião afro-caribenha, mas aqui quer dizer outra coisa), aprendi a lidar com “santeria” e, de novo, com proveito próprio, para mim e para o meu entendimento da história da arte, de onde não me movo muito (é o medo do desconhecido). De resto, não partilho a “causa animal” e, pedindo imensa desculpa a muita gente, trocaria o Vargas Llosa pelo Bataille no topo dos topos. Coisas da vida. Ninguém é perfeito. Um abraço.
Bem Vindo
Aceito e agradeço a declaração de interesses .
Só a do Pinto da Costa não condiz com a perdigota.
Mas vamos lá a ver as seguintes botas…quero dizer “posts”!
Ricardo, também gosto bastante do Vargas Llosa apesar do meu preferido ser “Pantaleon y las visitadoras”. Sobre a «A Festa do Chibo» na altura em que o li um amigo sul-americano aconselhou-me um livro do Montalban sobre o mesmo tema: Galindez. Mesmo tratando de um aspecto completamente diferente da ditadura de Trujillo tem alguns pontos comuns com o livro de Llosa, nomeadamente o papel dos Estados Unidos.
Galindez é um excelente romance, talvez o melhor livro de Montalban, tirando a série Pepe Carvalho. A história verídica de um nacionalista basco que colabora com CIA, a denunciar republicanos e comunistas, na esperança de uma invasão norte-americana a Espanha e que acaba torturado e morto por Trujillo.
És storinho de quê? Ou melhor, andas a dar cabo da sabedoria dos putos em que matéria ( Vá, confia lá no mail que te devia y já não devo) … Y já viste o Doc q te deixei de presente de Natal ( deu escarcéu nos UK …) …” O Campo não é um Parque infantil” cito de cor … Faz lá um post ( Um dia destes, porque este país tb tem que elevar o carácter animal, tá).
Vale.
PS.: Sou alérgica a isso do bloco, y do Louçã … bem um dia farei a lista de frases hilariantes que o homem mais sábio que por esta lusitânia existe tece sobre esse ser …
PS’s
eheheh eheh
já sabes que vais apanhar com os meus palpites a lá “balde” …
ouuuups a f têm um texto fixe sobre touradas vou lá ver as cornadas y os ferros …
Ó aviador, a do Pinto da Costa era uma entre várias ironias.
Sou portista, mas não sou cego.
Bem vindo, Ricardo. E o Vargas Llosa é o escritor favorito da esquerda, pelos vistos (meu também).
Este 5dias são mais que as Mães.
Do curriculum safava-se o passado futebolístico. Mas a boca sobre o Pinto da Costa para beneficiar do beneplácito dos lampiões diz tudo sobre uma peça cuja coragem vai ao ponto de deixar bem esclarecido que estava só a fazer ironia. Coitado, que pedido de desculpa tão comovente . Ou seja, portista mas tendência Américo de Sá, não vão os mouros ficar mal impressionados…
Ricardo, espero que não esteja a fugir das nossas desavenças quanto à escola.Passo frequentemente por aqui não vai ser fácil livrar-se de mim.Bem vindo!
Independentemente de acreditarem ou não em quotas e na sua aplicação, faz-me espécie não contratarem nem uma gaja para amostra…
Há aqui pessoal que ficou traumatizadinho? Ou isto é mesmo para ser um boys club?
De qualquer forma, Ricardo, bem-haja.
Ricardo, é evidente que deveria ser ironia.
Mas ultimamente houve uma bruxa que me enfeitiçou e já não consigo distinguir ironia de tonteria.
Mas tudo isto não passa de ironia, não é?
Ó Juta, como disse antes, sou portista, mas não sou cego. Isso não quer dizer que admire menos o Pinto da Costa e não quer dizer que não ache que tudo o que o Porto é hoje o deve a ele. E também não quer dizer que, para mim, o Pinto da Costa seja um diabo no meio de anjos. Sei bem que há muitos bem piores do que ele a esse nível (não sei por que razão, lembrei-me repentinamente do presidente do Benfica). Sou e sempre fui pintodacostista. O que não faz de mim cego, como já disse.
Luis Moreira, obrigado pelas boas-vindas. Voltaremos ao assunto da escola pública, não se preocupe. Já sei: autonomia, autonomia e autonomia das escolas, não é? concordo consigo.
Bem vindo, Ricardo!