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Elogio do populismo (e um comentário sobre o «pacifismo democrático»)

20 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal

laclau-portada

 
1.
O Nuno Ramos de Almeida diz que eu ataquei o «pacifismo» de Daniel Oliveira (que criticava os tumultos violentos gregos) sem contra-argumentar. Paralelamente, o ministro Augusto Santos Silva escreve um arrazoado irreflectido contra o populismo na revista on-line falso «Outubro» («falso Outubro» é o meu nome para essa publicação). O que aqui escrevo, de seguida, é uma tentativa de resposta aos dois (sabendo que D. Oliveira se encontra, felizmente, muitíssimo distante de AA Silva).

2.
No consenso da democracia liberal, onde a escolha é livre se for a «boa escolha», acompanhada dos dogmas da tolerância e da ética da moda (Badiou) ou dos direitos (humanos, à segurança, à vida, etc), num tempo em que o multiculturalismo é uma arma eficaz de anulação dos conflitos «verticais» substituídos por «horizontais» dissolvidos na diferença e no pluralismo, em que escolhas e estratégias heterogéneas são desprezadas como «populismos», é importante ouvir a voz socialista de Ernesto Laclau atenta, desde os anos 60 e 70, aos antagonismos sociais em sentido amplo (ou seja, não restringidos à luta de classes) e às hipóteses de uma democracia radical. Trabalho que prossegue com este estudo sobre o populismo: On Populist Reason (Verso, 2005).

Desde Politics and Ideology in Marxist Theory (1977), ou, em conjunto com Chantal Mouffe, Hegemony and Socialist Strategy (1985), Laclau tem estudado os movimentos sociais de resistência procurando concretizar os princípios de igualdade, liberdade e justiça inscritos (mas adiados) pela democracia existente. Assim, para Laclau e Mouffe, realizar aquilo que a democracia promete é muito mais radical do que desencadear uma revolução, conceito que Laclau não adopta para a sua democracia radical. Afastando-se também de um pensamento da emancipação predeterminado pelo capitalismo (como se este fosse a única causa das lutas), interessa-lhe explicar formas de resistência libertas da luta de classes que considera redutora.
À luta de classes Laclau prefere a ideia de hegemonia em Gramsci, em busca (como em Rousseau na «vontade geral», ou Badiou na definição igualitária de movimento) de uma «vontade colectiva comum» e hegemónica. O populismo como «significante vazio» é uma estratégia de detecção da vontade colectiva. Gramsci explicou como o Partido Comunista de Itália patrocinou alianças entre o movimento operário e outras forças contra o inimigo comum representado pela Máfia. Isto é, há momentos de opressão que podem juntar pessoas de formação política diversa formando uma equivalência de «vontades».
O populismo é uma operação política central para a formação do que chamamos «povo» (e Laclau estuda factos como a Revolução Francesa ou a recuperação do lumpenproletariat por Frantz Fanon), que se interliga com o conceito de hegemonia. Funciona como um «significante vazio» que, quando hegemónico, guia um colectivo para além das ideologias disponíveis, para além do poder e dos sistemas institucionais. Este significante (que pode ser «Péron», «liberdade», «igualdade», etc) institui uma equivalência de interesses ou uma «parte» que se torna «todo». O populismo é uma forma de construção do político e a sua rejeição é a rejeição da política. O populismo mostra como uma vontade colectiva pode superar os interesses de um grupo. E é uma ferramenta adequada para estudar questões como as identidades nacionais na globalização e as particularidades da representação democrática.

3.
Mas atente-se que o populismo prefere, numa radical perspectiva de emancipação, a identidade popular à identidade cultural ou nacional. Neste sentido, Chavez e os tumultos na Grécia devem ser aproximados. Diz Laclau: «pretendo mostrar que o populismo não tem nenhuma unidade referencial, porque não se dirige a um fenómeno delimitado, mas antes a uma lógica social cujos efeitos são transversais a muitos fenómenos». Para Laclau, o desdém pelo populismo é o desdém pela política, pois a formação do povo como sujeito colectivo tem de passar por aí, pelo populismo. Diz Laclau: «muito simplesmente, o populismo é a forma da construção da política e dos sujeitos colectivos» (na Venezuela como na Grécia, direi eu).
O populismo e as lutas de rua, eventualmente violentas, recusam a ideia pré-estabelecida, de uma «boa» comunidade: «o que está implicado numa rejeição desdenhosa do populismo, penso eu, é a recusa da política tout court, e a asserção de que o governo de uma comunidade é a principal preocupação de um poder administrativo que encontra a sua legitimidade na defesa do seu conhecimento do que é ou não é uma “boa comunidade” ».
Portanto, o populismo reformula a ideia de comunidade, e aqui Laclau, muito justamente, socorre-se de Jacques Rancière:

«O demos atribui-se a si mesmo como seu próprio terreno uma igualdade [representativa, acrescento eu] que pertence a todos os cidadãos. Assim, o partido democrático que não identifica a sua propriedade imprópria com o princípio exclusivo da comunidade, identifica o seu nome – o nome das massas indistintas de homens de nenhuma posição – com o nome da própria comunidade. O povo apropria-se desta qualidade comum como sua».

Se bem entendi, esta transformação «democrática» de uma parcialidade numa totalidade social tem um objectivo: a contenção, aqui tornada sinónimo de representação.
Ora o populismo e as acções de rua ilegais (violentas ou não) são formas de não aceitar essa contenção nem a «boa» comunidade. Além do mais, como disse, se não arriscarmos a ilegalidade nem sequer teremos qualquer futuro. Generalizando, não há evolução sem violência. Ou dificilmente tal será possível.

———————————————————————————–

Ernesto Laclau
On Populist Reason
Londres, Verso, 2005.

Comentários

Comentário de DM
Data: 20 de Dezembro de 2008, 19:39

Muito bom, Carlos Vidal – e sem palavras escritas em maiúsculas! Fiquei com vontade de ler Laclau. Já uma vez, noutra ocasião, questionei esse uso do populismo como insulto político – chama-se populista às pessoas como se fosse um defeito. O texto do ASS então é absolutamente fantástico vindo de um político. Será que ele acredita mesmo naquilo que escreveu? Será que é burrice, ingenuidade, estratégia ou manipulação?
Na senda do mesmo tipo de desvios das palavras, também não percebo porque nem como é que “moralista” também passou a ser usado como uma espécie de insulto político legítimo. Parece que se confunde moralismo com dogma, com tradição, com religião, embora eu veja esse tipo de insulto ser geralmente invocado por pessoas que sabem bem distinguir entre uma coisa e outra. É uma das ambiguidades deste sistema: o relativismo para semear um certo caos intelectual e legitimar uma data de desigualdades e diferenças, reforçando ao mesmo tempo um consenso quanto à arena onde essa discussão acontece e aos princípios que a guiam, os tais que chamam de tolerância, de igualdade e de liberdade.

Comentário de DM
Data: 20 de Dezembro de 2008, 20:00

Já agora, e sem desenvolver muito, questiono como é que esses pseudo-pacifistas conseguem criticar a violência dos protestos na Grécia como se eles andassem a caçar pardais. Será que não vêem que se insurgem contra uma violência muito maior – e que não se resume à palavra “sistema” nem ao assassinato do jovem? Esse é o problema do vosso pacifismo, pois ao estarem a criticar a insurgência dos jovens gregos legitimam o outro tipo de violência que eles têm enfrentado, não só nas suas vidas quotidianas, nas mais variadas formas, como agora como consequência das suas acções. O que está ali em jogo é uma relação de forças profundamente desigual; pessoas contra o Estado, sendo que este último tem sempre a legitimidade da violência, não precisa de fazer o mesmo para justificar o seu uso como acontece como os primeiros.
Fica a pergunta para os pseudo-pacifistas (com todo o respeito): Como é que se pode confrontar algo em que a sua característica mais consensual é a posse do monopólio da violência e dos meios coercivos? Julgo que, infelizmente, não há outra forma de o defrontar E à luz disto, só tenho a acrescentar que o que se passa na Grécia não chega a ser violência, e ainda bem. A não ser que se queira tomar o todo por uma parte muito pouco significativa do que acontece naqueles protestos, como tem acontecido como os diversos comentadores (“orgia de violência”? Bolas, o que é que vai na cabeça dessa gente para chegar ao ponto de comentar o que não conhece nem quer conhecer?)

Comentário de viana
Data: 21 de Dezembro de 2008, 0:41

O populismo, a defesa de ideias em prol do povo ou com o intuito de obter apoio do povo, não pressupõe e não necessita da violência. E nada do que Carlos Vidal escreve demonstra o contrário. O único sítio onde tenta ligar a sua dissertação sobre as características do populismo com o uso da violência (que é o que está em discussão no post do Daniel Oliveira) é no último parágrafo:

“Ora o populismo e as acções de rua ilegais (violentas ou não) são formas de não aceitar essa contenção nem a «boa» comunidade. Além do mais, como disse, se não arriscarmos a ilegalidade nem sequer teremos qualquer futuro. Generalizando, não há evolução sem violência. Ou dificilmente tal será possível.”

Concordo com as duas primeiras frases. A terceira frase cai do céu. Nada do que é dito antes em todo o texto justifica tal conclusão. Nas duas primeiras frases o ênfase é dado à necessidade de desafiar a “legalidade”. Com o que concordo, como disse. Mas, e é exactamente aí que está a discordância, o desafio à legalidade não requer a execução de actos de violência para atingir os fins a que se propõe. Há vários exemplos históricos de movimentos não-violentos, “ilegais”, que não necessitaram da violência para atingir os seus fins. O exemplo mais conhecido é o do movimento Quit India, liderado por Ghandi e iniciado em 1942, com o objectivo de levar o Império Britânico a dar a independência à India. Isto também serve de resposta a DM.

Não há qualquer evidência empírica, ou histórica, que demonstre que o exercício da violência consegue produzir mudanças mais rápidas na direcção de sociedades mais democráticas, igualitárias e justas. Infelizmente, de modo demasiado frequente a revolução violenta mesmo com os intuitos “mais nobres”, acabou em regimes fortemente repressivos. E é fácil de perceber porquê: num ambiente onde a violência é valorizada, inevitavelmente quem chega a líder são aqueles que menos pruridos têm em exercer a violência, em particular sobre quem discorde deles.

Em resumo, nada demonstra que a execução de acções violentas garante maior eficácia na obtenção do objectivo duma sociedade mais democrática, igualitária e justa. Por outro lado, como o Daniel Oliveira menciona, actos violentos são actos cujo objectivo consiste na opressão, subjugação, no domínio de Outro. Por isso, na minha opinão, deviam ser inerentemente repulsivos para quem se assume de Esquerda, cujo objectivo último é eliminar a subjugação, o domínio, do Outro. Porque acham que o pacifismo é uma das vertentes da Esquerda mais odiada pela Direita? Porque acham que uma das características centrais do Facismo é a glorificação da violência?… Por vezes torna-se útil definirmo-nos de forma negativa, em oposição ao que achamos abominável. Experimentem.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 21 de Dezembro de 2008, 1:42

Viana, em primeiro lugar creio que o seu texto expressa firmemente a sua opinião, que não coincide com a minha. De modo nenhum.

E o seu argumento tem três pontos:
- não há uma relação entre ilegalidade e violência
- mesmo se houvesse tal relação, tacticamente, não era seguro que a violência fosse a forma mais eficaz de emancipação ou libertação
- a violência é de direita, pois os actos de violência conduzem à repressão.
Discordo dos três pontos.
Permita-me que lhe responda algo apressadamente, não deixando eu de voltar posteriormente ao assunto.
A resistência através da ilegalidade, com a qual concordamos como necessária, é sempre, mais cedo que tarde, reprimida pela violência do Estado. O Estado é sinónimo de violência, pois (recorrendo a autores como Badiou, Lacan ou Zizek, e desculpe-me as referências para tentar “autorizar” a minha reflexão) o Estado obriga-nos a inscrever-nos numa ordem significante (um nome, um papel, um desempenho, etc) que, por sua vez, tem de caber ou circunscrever-se numa global ordem simbólica (a ideia é de Lacan e dela faz Zizek uma leitura política, como sabe). Badiou descreve este fenómeno a partir do Estado duplicar-se a si mesmo e tentar pela força fazer-nos caber nos espaços designados dessa grelha: é aqui que Badiou diz que o Estado existe sempre em excesso (a grelha, a duplicação e a nossa inclusão nela), o excesso do estado, o estado da situação (ordem simbólica) é sinónimo de Estado. Que em nós se manifesta impondo-nos uma contenção mais ou menos conseguida chamada “democracia parlamentar”.
Como sabe, todo o gesto de contestação tem de ser aqui autorizado previamente (autorização pelo Governo Civil, etc). Por isso, creio logo aqui que você está errado – um movimento não autorizado legalmente é sempre violento e violentamente reprimido. É a relação entre ilegalidade e violência confirmada.
Passemos à ineficácia táctica da violência. Preferia que me afirmasse uma recusa ontológica da violência e não uma recusa táctica. Isso é pouco sério. Não sei se a recusa é ontológica (ao defender Ghandi, que militava ontologica, religiosa e politicamente na não-violência) ou tacticista. Se é tacticista, então isso significa que você admite a violência – se der melhores resultados. É incongruente.
Por último, a violência é de direita – não é. O pacifismo de Ghandi teve os seus resultados, os combates de Franz Fanon tiveram também os seus. O que desmente duas coisas: nem a não-violência é mais eficaz (e não quer dizer que seja menos, apenas por vezes), nem a violência é de direita.

Por último, o populismo é uma das molduras que podem definir a necessidade da violência: ele promove uma dimensão inédita de colectivo ilegal – esse colectivo ilegal sinaliza uma espécie de niilismo activo. O passivo aceita a situação: é indiferente à situação, tudo é “plural”, “multiopinativo”, etc. O activo recusa tudo por igual – diz-nos que algo só nasce depois de um movimento destrutivo. NO niilismo passivo, tudo é igual e aceite. No activo, tudo é igual e tudo pode ser rejeitado. É este o princípio da violência emancipadora. O princípio e não o fim. O fim é imprevisível, abertura ao inédito. Isso passa-se um pouco na Grécia – os tumultos não têm um programa unitário e definido, como sabe. Tenho apreço pelos tumultos (e digo assim na falta de melhor expressão) pois eles sinalizam uma revolta que não quer substituir uma coisa por outra, ao contrário do que diz Daniel Oliveira ao afirmar que a pedra que é lançada pode ser aquela que depois o vai reprimir. Ora é isso que ele não sabe nem pode saber: O que vem é imprevisível, e não forçosamente triste.

Comentário de De Puta Madre
Data: 21 de Dezembro de 2008, 2:51

Esta coisa da aversão nacional a Espanha y aos espanholitos tem destas desvantagens, a saber: poderiamos estar Aqui a Argumentar fluentemente sobre o mundo em estado Custardoy… pois. pois, não leram “O teu Rosto Amanhã” do javier Marías. Logo, estão num estádio primário/singelo/inocente/puritano ( eh eh ehe heh) da questão da “violência”. Aborrecida irei comprar o El País Amanhã, para me compensar …

Comentário de De Puta Madre
Data: 21 de Dezembro de 2008, 2:53

Já agora: O Próximo Primeiro Ministro- se o mundo fosse sensato – era o Augusto Santos Silva! Homem deveras Brilhante.

Comentário de DM
Data: 21 de Dezembro de 2008, 2:58

Caro viana, ao contrário do CV eu sou muito bem capaz de aceitar a sua opinião. Não escrevi aqueles dois comentários por defender a violência. A violência é um acto que a existir exige sempre uma dose maior de legitimação do que qualquer acto pacífico. Pode ser um recurso muito poderoso, mas é também aquele que mais facilmente descamba para o lado pior. Como afirmou, “não há qualquer evidência empírica, ou histórica, que demonstre que o exercício da violência consegue produzir mudanças mais rápidas na direcção de sociedades mais democráticas, igualitárias e justas”, mas sendo assim também não há qualquer evidência empírica que nos permita tirar uma opinião sólida para o que diz a seguir: “infelizmente, de modo demasiado frequente a revolução violenta mesmo com os intuitos “mais nobres”, acabou em regimes fortemente repressivos”.
De resto, nesse mesmo parágrafo, a sua conclusão é muito correcta e é precisamente por esse risco que a violência deve ser a última opção. O seu raciocínio apenas tem um problema: a violência não é valorizada por ninguém como recurso político no caso da Grécia e digo-lhe porque: porque quem a usa indiscriminadamente não tem qualquer propósito político (por exemplo, quem destrói gratuitamente as montras de qualquer loja – o “erro” na argumentação dos Daniel Oliveiras é em tomar esta pequena parte pelo todo -; embora o mesmo não se aplique a um banco ou multinacional) e, segundo, porque quem a usa politicamente não considera o uso de qualquer tipo de violência nem em qualquer situação: que eu saiba, a única morte de que se ouviu falar vinda da Grécia foi a do jovem grego e foi a de um velhote falecido entretanto que se especula ter morrido devido ao gás lacrimogéneo (sublinho o especula-se). De resto, a violência física, que atenta contra as pessoas, quando existe é recíproca e afecta apenas os manifestantes e a polícia. E, já agora, veja como a tal violência reduziu drasticamente na semana passada quando acabou o gás lacrimogéneo da polícia; essa redução não foi coincidência nenhuma!
A ideia de que só se deve usar a violência – simbólica! – quando já estamos a morrer de fome e sei lá em que estado, como parecem defender alguns comentadores, é bastante perigosa. Eu cá recuso ter que esperar passar fome e viver na miséria para poder agir pelas minhas próprias mãos quando sou eu mesmo o violentado, porque ainda resta uma coisa chamada dignidade. Mas há um valor, acredite, que quando existir de forma transversal na nossa sociedade tirará qualquer sentido à violência seja em que circunstância for: a igualdade. Estamos longe de a ter. Muitas vezes, a violência não é uma opção ou um recurso por essa mesma ausência, é uma inevitabilidade.
De resto, estou de acordo com todos: a violência não é democrática e raramente é a melhor opção. O problema é que não vivemos nesse tal mundo democrático. E quando assim é não se pode exigir que um dos lados da barricada seja democrático quando o outro faz todo o jogo sujo. O único problema na Grécia é a falta de uma alternativa significativa, não de poder mas sim de organização social. No entanto, ela existe – há assembleias, há pessoas organizadas – não pode é ser filmada da mesma forma que os confrontos. As ideias e a imaginação não vendem assim tanto. Tem o exemplo do que está a acontecer em termos sociais na Islândia – tenho a certeza que não viu nada sobre isso nas notícias!

Comentário de Spartakus
Data: 21 de Dezembro de 2008, 8:45

Como Democracia pouco terá a ver com Liberdade.
Gostei. Levanta pontas francamente interessantes.
Por uma vez a revolta grega faz sentido: obriga a discutir a violência Revolucionária. Sinal dos tempos. E da falência dos modelos servidos pela esquerda parlamentar. ( A direita já conhecemos ).

Comentário de o sátiro
Data: 21 de Dezembro de 2008, 10:41

curiosidade: se se analisasse a violência dos protestos chineses (dos trabalhadores escorraçados pelos governo e gestão de fábricas, sem apoio social do governo comunista), em vez da destes meninos-caviar gregos, produtos e utentes da sociedade de consumo, as opiniões seriam as mesmas? Ou as teorias e os teóricos citados não sabem/conseguem explicar os protestos populares (estes sim, do povo trabalhador) contra governos e Estados comunistas? Como na Eurnpa de Leste nos anos 50 a 80?

Comentário de De Puta Madre
Data: 21 de Dezembro de 2008, 12:34

Sátiro:
“em vez da destes meninos-caviar gregos,” . Por causa de uns, não vamos castigar os outros, n é? Estes Jovens-Gregos estão acima de tudo a reivindicar o direito a n se sr morto aos 15 anos às mãos do Estado. Como já aqui escrevi, aos 15 anos é para se morrer de tudo … y mais o direito ao suicídio. Betos aparicados ou não estão a defender um direito, a impor limites à acção do Estado. Coisa que os Adultos andam meio apardalados, como se diz na minha terra Pampos. ( Pampos é um peixe que facilmente se pesca, dando-lhe uma pancada quando eles aparecem à tona de água). Vale.
………..
PS.: Já sabes que a malta do Sindrome Comunista é tendenciosa. A Coreia do Norte é um paraíso Social…. O branco está frente mas o pessoal vê cerejas vermelhas y ou na palavra civies vêm kivis ( uma espécie de civis verdes, eh ehe he )

Comentário de Carlos Vidal
Data: 21 de Dezembro de 2008, 13:03

Este texto, o meu arrazoado digamos, interessante ou péssimo, deverá ser considerado em quatro pontos (atenção Daniel Oliveira e Nuno), pois aquilo que Viana me obrigou e desenvolver (grato estou ao comentador) em comentário de 21 / 12 às 1.42h serve de ponto 4. da minha argumentação.

Comentário de puta_madre
Data: 21 de Dezembro de 2008, 13:42

Disse-me uma boa amiga que tinha feito um comentário neste blog porque visualizou o seguinte nick: Puta Madre. Por coincidência (ou talvez não, não faço a mínima ideia), uso o nick puta_madre (note-se a diferença) desde Novembro de 2004. Serve o presente comentário apenas para esclarecer que pelos vistos já somos duas (ou dois?): a puta_madre (eu) e a Puta Madre, que não conheço. Já agora, prazer em conhecê-la(lo), Puta Madre.

Comentário de Almajecta
Data: 21 de Dezembro de 2008, 15:04

Rush.

Comentário de viana
Data: 21 de Dezembro de 2008, 16:12

O debate está interessante, mas infelizmente esta vai ser a minha última contribuição hoje, dado que vou viajar daqui a pouco.

É essencialmente verdade que, como diz o Carlos Vidal, a “resistência através da ilegalidade (…) é sempre, mais cedo que tarde, reprimida pela violência do Estado.” Daqui não decorre, no entanto, que a resposta à violência do Estado seja a execução de actos violentos por quem se opõe ao Estado. Não foi isso que aconteceu, genericamente, no caso dos movimentos liderado por Ghandi e Martin Luther King, e como sabemos, “mesmo assim”, uma parte substancial dos objectivos desses movimentos foram atingidos.

“Como sabe, todo o gesto de contestação tem de ser aqui autorizado previamente (autorização pelo Governo Civil, etc). Por isso, creio logo aqui que você está errado – um movimento não autorizado legalmente é sempre violento e violentamente reprimido. É a relação entre ilegalidade e violência confirmada.”

Não é verdade. Um movimento não autorizado legalmente até pode ser sempre violentamente reprimido, mas, repito, de tal não resulta necessária a violência como resposta (a não ser como último recurso de defesa da integridade física de quem se manifesta, o que não é o caso em discussão).

“Não sei se a recusa é ontológica (ao defender Ghandi, que militava ontologica, religiosa e politicamente na não-violência) ou tacticista. Se é tacticista, então isso significa que você admite a violência – se der melhores resultados. É incongruente.”

Não é incongruente. Como disse anteriormente, a execução de actos violentos sobre o Outro é uma forma de opressão, pois limita a vontade de Outro (seja ela qual fôr). Como para mim o objectivo central da Esquerda é a eliminação da opressão, do meu ponto de vista a violência é intrinsecamente contrária aos propósitos da Esquerda. O que eu quero dizer com isto é que o exercício da violência apenas deve ser visto como acção de último recurso pela Esquerda. E quando exercida, que o seja de modo limitado e eficaz, e apenas quando não há qualquer via alternativa (isto é minimamente viável) para acabar, evitar ou menorizar os efeitos de actos opressivos. Pelo que acabei de dizer a violência indiscriminada nunca poderá, na minha opinião, receber o apoio de alguém de Esquerda.

“Por último, a violência é de direita – não é. O pacifismo de Ghandi teve os seus resultados, os combates de Franz Fanon tiveram também os seus. O que desmente duas coisas: nem a não-violência é mais eficaz (e não quer dizer que seja menos, apenas por vezes), nem a violência é de direita.”

Eu não disse que a não-violência é mais eficaz. Disse que não há evidência que a violência seja mais eficaz, e portanto quer por razões de princípio (ver acima) quer utilitárias, deve apenas ser utilizada quando a via não-pacífica não existe. A violência é (intrinsecamente) de Direita não porque apenas a Direita a utilizou de modo eficaz, mas por razões de princípio (acima expostas).

“É este o princípio da violência emancipadora.”

A execução de actos violentos até pode ser libertadora para quem os executa, como defende o fascismo. Mas nunca é libertadora ou emancipadora para quem os sofre. A Democracia não é compatível com a opressão, nem que esta seja executada com o propósito de emancipar ou libertar a maioria. É um contra-senso. A verdadeira emancipação chega apenas quando perante múltiplas possíveis escolhas, se escolhe aquela que nos liberta da opressão. Tem de ser uma escolha consciente e livre. Não é atingida quando somos obrigados a escolher apenas e somente determinada via, mesmo que seja a “melhor para nós”. A Democracia não passa a existir apenas quando todos concordam connosco. Pelo contrário, apenas existe quando por se discordar não se é obrigado a (algo).

“Tenho apreço pelos tumultos (e digo assim na falta de melhor expressão) pois eles sinalizam uma revolta que não quer substituir uma coisa por outra, ao contrário do que diz Daniel Oliveira ao afirmar que a pedra que é lançada pode ser aquela que depois o vai reprimir. Ora é isso que ele não sabe nem pode saber: O que vem é imprevisível, e não forçosamente triste.”

Isso é esquecer o antecedente histórico. O passado não determina o futuro, mas serve de (bom) guia para quantificar as probabilidades associadas a diferentes acontecimentos futuros tendo em conta o que se está a passar no presente. E tendo em conta a história passada, o mais provável é que a violência indiscriminada resulte numa resposta mais opressiva do Estado, com o apoio da população, ou numa revolução violenta que acaba numa ditadura repressiva.

Caro DM, concordo com a essência do que diz. Mas relativamente aos tumultos na Grécia, há claramente violência exercida de modo indiscriminado e sem ser em resposta directa à violência do Estado. Por exemplo partir aleatoriamente montras. Acho isso condenável pelas razões acima expostas. Diz que quem usa a violência na Grécia não tem motivos políticos. Primeiro, isso não desculpa a violência, diria que até a torna pior. Pelo que disse acima, apenas a violência direccionada, e como ultimo recurso, deve ter algum tipo de apoio da Esquerda. De qualquer modo, como alguém já disse, tudo o que fazemos tem em última análise significado político. A possível ignorância das consequências políticas das acções violentas dos manifestantes gregos por parte destes não os pode desculpar, nem tornar aceitáveis essas acções.

Comentário de Daniel Marques
Data: 21 de Dezembro de 2008, 18:14

Pensava que a justificacao intelectual da violencia e o experimentalismo social nas maos de uma minoria iluminada era chao que ja nao dava uvas. Parece que nao…

Comentário de Amajecta
Data: 21 de Dezembro de 2008, 19:43

Não é o populismo o sindroma de uma democracia incompetente?
Uma democracia sem cidadãos, um post marxismo á la Carl Schmit, antiliberalismo folclórico.
Nos idos de 60/70 a nossa criatividade seguia as vanguardas do México/França, nos tempos que correm com o nascimento do conclave da aula magna seguimos as da Argentina/Eslovenia.
Rush, Carlos, Rush.

Comentário de De Puta Madre! F-se!
Data: 21 de Dezembro de 2008, 23:17

Para o comentário do bloguer: “Comentário de ”
Ouuuuuuuups! Direitos de Autor??
Bizzarrro!
É uma expressão espanhola! Há um blog Português ( de alguém que n eu!) que é “De Puta Madre”… Há N espanhóis e n Espanholas a usar este Nick “DE PUTA MADRE”. Mas parece-me que tu não deves ter problema, pois pelo que avanças usas apenas o “PUTA MADRE”
…………
Como tenho sempre a idendidade do meu Blog a descoberto podias ter-me contactado directamente. Seria, talvez divertido! Assim parece-me que me acusas de Roubo, sonegar Algo Altamente Público!! Ou achas que Alguma besta neste mundo terá o despautério de achar que “Amo-te” é uma palavra exclusivamente sua??, p. Exemplo.
…………
Por último: ROUBAR!!!???!!! ROUBAR!, ME ROUBOU A DELTA-CAFÉS O PROJECTO POESIA NAS CIDADES, UM INTENTO DIMENSIONADO À PESSOA. Y PAVONEIA-SE AARMAR-SE EM EMPRESA PROMOTORA DA RESPONABILIDADE SOCIAL!
QUANDO TOMARES CAFÉzinho DELTA Y LERES OS PACOTINHOS DE AÇÚCAR ……….. LEMBRA-TE QUE FOI IDEIA/PROJECTO/TRABALHO!!!! ROUUUUUUUUUUBBBBAAADDDA à De Puta Madre. Por isso, vai armar-te em tola vítima y pindérica! Para outro Lado! Y aproveita para te informares melhor sobre direitos de Autor!
………

Comentário de De Puta Madre
Data: 21 de Dezembro de 2008, 23:22

CV … Desculpa lá o comentário anterior para a que não tem “De” no nome! ………….. Era só para te convocar a ti y ao Sátiro para uma Garreia sobre a Nova arte Chinoca … tenho lá material-visual no blog … Vale.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 21 de Dezembro de 2008, 23:37

O populismo não é o sindroma de uma democracia incompetente, é antes o sindroma de uma democracia inexistente. O populismo é o discurso e aura básicas para a formação da consciência de um povo, mais talvez do que a língua e o território. Quando Israel se forma, durante muito tempo a propaganda sionista desenvolveu dois tipos de argumentos: que a Palestina antes era um deserto; que o povo palestiniano não existia, ou seja, que não existia isso de “palestiniano”. Foi Arafat, um populista no sentido em que eu e, suponho, Laclau, empregamos o termo, que revelou uma realidade: que existia essa entidade colectiva chamada “palestinianos”. Foi neste caso o populismo de um líder (de um colectivo que se tornou agregado numa unidade política inevitavelmente violenta) que perturbou a falsa democracia de uma outra entidade, também ela recém-nascida (Israel). Apesar de ter falado em aura (não sei se fiz bem, porque é palavra problemática), não creio que o populismo tenha a ver com aquilo que os poderes democráticos necessitam sempre: de glória – ver Mitterand, por exemplo. E é aí que entra Carl Schmit, o poder actual é constituído de categorias religiosas secularizadas. E essa glória das democracias (Schmit) não pode ser confundida com o populismo, por muito que eleve a aura do chefe (Mitterand, de novo, o presidente mais apaixonado pela simbolização da glória, ou não tivesse um passado fascista). Por exemplo, o nosso amigo Frantz Fanon era um populista, no sentido em que populista é aquele que agrega o fragmento, neste caso o deserdado. Diferentemente de Marx, Fanon – que aqui como que copiava Mao – promovia uma energia de sublevação a partir do lumpenproletariat, daquilo que ele chamava a gangrena urbana, composta de marginais, prostitutas, desempregados, foras-da-lei, etc.
É o populismo que torna essas franjas em sujeito colectivo, esse povo deserdado e escorraçado em actor colectivo.
Por isso é que os motins da Grécia têm a força que têm: por serem protagonizados por, como diz o poder, marginais anarquistas que tomaram, ou vão tomando consciência do seu ser colectivo e do seu papel. O que eu defendo não é justiça pela violência, o que eu defendo é a “justeza” da violência. Corrigindo o que eu dizia num post abaixo, não é “importante que a violência exista”, não se trata de dizer “ela tem de existir”, trata-se de dizer antes “ela existe”.
À suivre, caríssimo.

Comentário de De Puta Madre
Data: 21 de Dezembro de 2008, 23:45

Dado que ao enviar o mail para a comentadora “Puta-Madre” foi devolvido. Aqui fica

This is an automatically generated Delivery Status Notification. Delivery to the following recipients failed. puta_madre@sapo.pt

–Anexo de Mensagem Encaminhado–
From: rosencrantz0@hotmail.com
To: puta_madre@sapo.pt
Subject:
Date: Sun, 21 Dec 2008 23:41:08 +0000

Oi.

PM

Deixei um Comente meio F-d-d no pstd Carls Vidal. Mas tenho o TRAUMA dos Plágios, Cópias, Roubos! FURTOS! como tb dou lá a referência … Por isso, numa primera leitura pareceu-me ter um dedo acusador … o que me pareceu disparatado, … numa 2ª Leitura ( talvez – ainda bem!) pareceu-me haver espaço para descobrir na afinidade de um 1/3 de Nick alguma coisa humana melhor que reivindicar Originalidades inexestentes …

Já vou lá deixar um comente de retracção … parece-me bem. Contudo tb me parecu bem pelo meio enviar-te este mail … passa pelo http://www.f-se.blogspot.com. tenho tb o http://www.mapas-de-espelho.blogspot.com.

Vale.

DPM

…………

PS.: N foi só a Delta-Cafés! Foi a Nicola! O Millennium bcp através da Fundação M bcp, o Sr. Jõaõ Miranda!) a Culturproject … Como vês, com ladrões deste calibre … detonei em segundos!

Comentário de Pedro
Data: 22 de Dezembro de 2008, 11:25

O camarada Daniel não é suficientemente revolucionário, como o Carlos Vidal explica nas suas teses.

Comentário de puta_madre
Data: 22 de Dezembro de 2008, 20:27

Para Puta Madre: não tenha trauma de plágios, roubos, cópias :-) Compreendo perfeitamente a sua 1ª reacção, tendo em conta a minha péssima experiência na blogosfera, que me chegou a afectar pessoalmente e à minha família. A minha intenção foi esclarecer quem sabe que eu tb uso esse nick e me perguntou pelo seu comentário, não apresentar qualquer reivindicação de originalidade.
Nada mais. Agradeço o convite para visitar os seus blogues. Boas festas!

Comentário de nuno castro
Data: 22 de Dezembro de 2008, 21:59

muito soreliano, sim senhora…

Pingback de Kalispera companheiros! « Solstício
Data: 22 de Dezembro de 2008, 22:06

[...] Kalispera companheiros! Os acontecimentos na Grécia têm suscitado as mais variadas reacções. Umas, escandalizadas com a erupção de violência apelam à paz e à razoabilidade. Outras, ofuscadas pela violência, intuem neles a grande mudança. [...]

Comentário de De Puta Madre
Data: 22 de Dezembro de 2008, 22:16

Puta Madre: eu sou De! .. Vale? Bons coments&post&blog.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 22 de Dezembro de 2008, 23:46

Caro Nuno
Chamar a este texto soreliano é uma forma talvez de confundir os eventuais leitores. É mais laclausiano que soreliano. É laclausiano, porque é das teses de Laclau que aqui se trata. Sorel, inspirador simultâneo de Gramsci e Mussolini, confunde. É de Laclau que se trata. E ainda, já agora, de Arafat (não o governante, mas o revelador de uma verdade que se pretendia ocultar: a existência de uma gente que se dizia não existir: os palestinianos) e de Frantz Fanon.
Também Badiou (outra vez ?!) pode ser convocado, pois a sua tese ou definição de situação (a nossa situação) implica, do Estado um excesso, uma violência. Tal, como sabes, é repetido por Zizek. Para Badiou, o Estado duplica-se a si mesmo para se sustentar: sutenta-se pela violência (excesso do estado e da situação). O Estado é excessivo porque se duplica numa grelha/rede onde temos de nos situar (somo nós que formamos essa mesma grelha, aliás), e nela desempenhar o que é suposto desempenhar. Ora, a vontade de quebra deste excesso não é soreliana.
Do mesmo modo, Badiou também cometeu o mesmo erro (que reconheceu depois) quando chamou fascista a Deleuze nos anos 70: porque a sua doutrina dos fluxos minoritários, a sua micro-política, poderia ser a base do fascismo ou do paganismo. Isto é um bocado um jogo, pois se aceitarmos que o começo de uma coisa é também o caminhar para o seu fim, tudo pode ser dito e considerado. Como coordenar uma polémica? Começando por uma frase que não aceito? Como a de Daniel Oliveira, por exemplo: “a mão que empunha um cocktail molotoff é aquela que futuramente me pode oprimir”. Absurdo completo. Nem um exemplo histórico para dar que seja “o exemplo” de todos os outros. Se um dia um tirano foi um jovem libertador, também temos inúmeros libertadores que nunca foram tentados pela tirania.

Comentário de Almajecta
Data: 23 de Dezembro de 2008, 1:06

como já por aqui passaram todos os pequenos e grandes libertadores do outro seculo, falta abordar a alma portuguesa pondo-a em contraste com a castelhana: ” Há no génio português o quer que é de vago e fugitivo que contrasta com a terminante afirmativa do castelhano; há na nossa vontade uma dignidade que difere da fúria dos nossos vizinhos; há no nosso pensamento uma nota profunda ou sentimental, irónica ou meiga, que em vão se buscaria na história da civilização castelhana, violenta sem profundidade, apaixonada, mas sem entranhas, capaz de invectivas, mas alheia a toda a ironia, amante sem meiguice, mais que humana muitas vezes, outras abaixo do nível do homem, a entestar com as féras”. Trágico e ardente (da aldeia galega do ribatejo) falta-te apenas e a pedido, o grande jovem comandante autoritário e oligárquico, o amigo galego. Dispenso á argumentação do carácter catalão positivista e previdente. Vamos, força.

Comentário de Adolfo Contreiras
Data: 23 de Dezembro de 2008, 3:51

Carlos Vidal
diz ” generalizando, não há evolução sem violência”. Esta conclusão é uma treta e é forçada(já foi assinalado num comentário atrás), porque CV de preconceito em riste quer ser à força um revolucionário incendiário para saltos no desconhecido. É o velho sonho, tal como outros muito inteligentes que construiram, livrescamente, sistemas folosófico-sociais de rotura revolucionária, e que quando aplicados contra-natura o Homem não pôde acompanhar e a “revolução” inicial regressa ou ingressa no ponto de partida.
Mosta a história das revoluções, sangrentas ou não, que logo que estabilizada a catarse, tudo volta ao ponto de onde partiu. A linha do percurso histórico, visto por que quer que seja o aspecto de desenvolvimento posterior, mesmo o cultural, não tem, não pode ter descontinuidades. Ela pode inflectir em todos os sentidos, incluindo o retrocesso, mas jamais na sociedade humana, condicionada pelo habitat da Natureza onde se move, esta jamais permitirá roturas e pontos descontínuos. É evidente que liquidar radicalmente o que existe para construir o desconhecido não é possível; o desconhecido não pode ser objecto de construção, é um absurdo.
Os filósofos que CV lê, tal como os monges eremitas, transportam-se do real para o trancendental, quer por rezas quer por osmose entre jogos de palavras e frases, colocam no mesmo cadinho o ontológico e o metafísico e da caldeirada retiram provas de que tudo é possível, como na demonstração da existência de Deus por Anselmo.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 24 de Dezembro de 2008, 1:34

Caro Adolfo Contreiras,
Deixe-me que lhe enumere algumas conquistas que os “revolucionários incendiários” da Comuna de 1871 obtiveram para nós todos com o seu “salto no desconhecido”:
- abolição do trabalho nocturno
- instalação de cooperativas em fábricas fechadas
- ocupação de casas vazias
- jornada de trabalho de 8 horas
- legalização dos sindicatos
- igualdade homem / mulher
- casamento gratuito e simplificado (o nosso Registo)
- abolição da pena de morte
- eleição de juízes
- separação entre o Estado e a Igreja
- educação secular e pública
- direitos iguais de cidadania para imigrantes
- reorganização de correios e telégrafos
etc
etc
O ESSENCIAL CHEGOU ATÉ HOJE.

Num mês esta gente reformou mais do que duzentos anos anteriores de política institucional.

Pelo pacifismo, sempre pelo pacifismo à la “Daniel Oliveira”, onde é que hoje ainda estaríamos ??

Saiba pois que tudo é possível. Sempre foi.

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Data: 7 de Janeiro de 2009, 2:20

[...] que D. Oliveira se encontra, felizmente, muitíssimo distante de AA Silva). 2. Veja o post completo clicando aqui. Post indexado de: [...]