Pequeno esclarecimento sem importância (por causa de algumas insistências)

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Augusto Alves da Silva, 1992.

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Augusto Alves da Silva, 2005.

Só mais um esclarecimento (porque toca em questões profissionais relevantes), de uma vez por todas, pois parece que Carlos M Fernandes se tornou involuntariamente (por ele e por mim) protagonista desta discussão sobre “arte”. Conheço as fotos de Carlos M Fernandes. Agora, aqui, neste espaço não digo o que penso delas, não faço juízos positivos nem negativos, NESTE ESPAÇO atente-se, pois não o acho parte desta discussão, por mim.
O contacto mais próximo que com Carlos M Fernandes tive, foi aqui numa discussão sobre Israel. A sua posição é extremista e oposta à minha. Sobre outros assuntos fui constatando as suas posições, que eu classifico (de acordo com meus parâmetros ou pontos de vista, etc) de um reaccionarismo extremo! Portanto, não é muito nem pouco lá de casa – digo mesmo, não é nada lá de casa.
Que não se distorçam estas coisas, numa qualquer conversa tem de haver boa fé. Durante vários anos fiz crítica de arte semanal (Público, Independente, A Capital, e hoje em revistas fora de Portugal) e diria o mesmo “não conheço”, sobre muitos dos artistas sobre quem escrevi, dezenas e dezenas, tal como amigos e inimigos (estas coisas têm consequências).
Hoje não tenho obrigações de crítica semanal, até porque a crítica desapareceu dos jornais e as revistas escasseiam (e as que existem não têm muito espaço para uma escrita mais desenvolvida). Se mantivesse essa obrigação, escreveria objectivamente sobre Carlos M Fernandes se, por exemplo, para tal fosse mandado e convencido pelo editor da secção. Se não, não escreveria, porque não as escolheria como assunto. Não é um juízo de valor, pois há ensaístas que têm como referência 3 ou 4 artistas e não mais. E, para terminar, já que esta polémica parece andar pelos lados do Técnico (também involuntariamente) diria que, falando de alunos ou ex-alunos do Técnico, prefiro infinitamente um milímetro quadrado de uma fotografia de Augusto Alves da Silva (sobre quem escrevi muito) do que a obra toda até agora realizada por Carlos M Fernandes (também não é um juízo de valor, é apenas uma comparação). Exactamente por isso e porque não tenho obrigações críticas de escrita actualmente, prefiro dizer que não conheço Carlos M Fernandes. Entendido ??

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17 respostas a Pequeno esclarecimento sem importância (por causa de algumas insistências)

  1. Por acaso não, não está entendido. É aliás uma posição parva. Bastava dizer o que disse: que prefere debruçar-se sobre apenas meia dúzia de autores, seja lá por que motivos for e portanto prefere não escrever sobre Carlos M. Fernandes. Sim, é subjectivo, mas também objectivo.

    Dizer que não o conhece ou à sua obra é apenas uma atitude subjectiva, sem nada de objectivo e que apenas diz que não quer falar dele porque não gosta das posições dele. Uma atitude parva, portanto (e isto é um juízo de valor).

  2. Carlos Vidal diz:

    Então é subjectivo ou objectivo?
    Olhe, não é uma coisa nem outra. Não sabia até onde poderia ir a estupidez antes de vir para aqui (blogosfera) – e isto é muito genérico.

    Mas, dirigindo-me ao comentador acima, agora sim, só para si, saiba que quase todos os críticos ou ensaistas de arte historicamente marcantes desenvolvem as suas teorias, escritos ou pensamentos sobre arte a partir de um núcleo reduzido de artistas (Benjamin Buchloh, que ninguém por cá conhece nem tem de conhecer, durante mais de 30 anos, teve/tem três ou quatro artistas recorrentes. Clement Greenberg teve Jackson Pollock, etc).

    O caso de um historiador de arte é diferente, mas não há aqui espaço para explicar o tema (até porque há linhas de trabalho que devem muito a Warburg, outras a Gombrich, etc).

    De resto, nem sequer percebo este comentário deste João André.

  3. ezequiel diz:

    ” JIMMY EDGAR (the ” signifies: does not Originate in the intellect of the writer. LOL, mine = ezequiel)

    Color Strip (Warp)

    Even if he’s still only 22, Jimmy Edgar has to be a bit sick of the wunderkind tag. After all, the Detroit resident has been making music for half a dozen years. With his first album under his own name managing to sound fresh despite the weight of expectation, Edgar shows there is a reason people have been fawning over him since his early recordings as Kristuit Salu vs. Morris Nightingale. It’s not all smooth sailing for Edgar. Following the shimmering, deliciously disjointed strut of “Prêt à Porter,” which opens the album, the robotic — but not in a good way — vocals and dull lyrics on “My Beats” threaten to derail what is otherwise a shimmering, slinky electro workout. Still, Color Strip has enough moments when the attitude and execution live up to the hype, and such missteps can be overlooked. “Color Strip Warren,” for instance, includes treated, semirapped vocals, which Edgar buries beneath a percolating rhythm and almost subliminal synth pads to stunning effect. At his best, as on the aggressive bleep and bounce of “Semierotic” or the slinky thrust of “Hold It, Attach It, Connect It,” Edgar delivers electro that is at once technically gorgeous and dead sexy. The producer may have dropped out of fashion school, but he obviously retains some of that medium’s flair for spectacle. (Peter Nicholson)
    JIMMY EDGAR ”

    AQUI:

    http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendID=59622789

    ———

    é por estas e por outras que eu prefiro (só uma pref minha, + por formação do que por deliberação instrumental) a música às restantes artes. é muito mais imediata e honesta. Seria interessante ler a tua interpretação da pergunta mui elementar: o que é a arte? qual é o verdadeiro significado da palavra “arte”? eu defendo a ideia de que uma definição de arte ou de poder ou de significado ou de linguagem é formalmente impossível. Por formal entendo: significação linguística e práticas estabelecidas. Afirmar que a arte é inacessível a alguns pressupõe uma delimitação da Experiência da arte (experiência social, claro) que simplesmente não pode ser corroborada. pode ser imaginada. as artes Versus as ciências!!! bolas, não há pachorra. uma oposição falsa e estúpida que muita gente inteligente perdeu tempo a explorar. explorar uma pergunta estúpida é coisa insensata: é evidente que as duas artes e letrinhas pertencem à mesma natureza até porque “saem” ambas do mesma coisa, a chamada “meloa.” eh ehe ehhe he he he he h nunca percebi estes psico dramas. a coisa resume-se ao seguinte: os meninos das letras aprenderam que quem gosta de letras não pode gostar muito de ciências exactas (na medida do possível, com muita probabilidade à mistura pois seria insensato presumir a infalibilidade)…enfim, uma falácia abismal. Aliás, uma das principais reformas no nosso sistema de educação deveria ser a erradicação desta percepção estereotipada e redutora da educação, da relação das artes com as ciências exactas (ui ui ui…isto nunca mais acaba!). é uma perfeita imbecilidade que se transformou numa prática cultural, com os devidos ornamentos retóricos e rituais de exclusão-inclusão , para os quais já não há pachorra, de facto. (refiro-me a toda à problemática, caro Carlos)

    o que não me é acessível são os teus conhecimentos imensos sobre as obras de q falas…que…creio, são consideráveis e, acima de tudo, genuínos. mas, os teus conhecimentos, ou a partilha dialógica das tuas experiências, fazem parte do Teu mundo, do teu horizonte. Eu, por exemplo, pouco sei sobre arte. mas quando vi os quadros de pollock, adorei. por razões mui distintas das tuas, certamente. usei o vocab interpretativo que conhecia: alguma história política, política internacional e uns livrinhos de filosofia. pronto. era isto que eu tinha na meloa na altura. acredito que seja possível escrever um ensaio brilhante sobre um quadro do pollock sem nunca recorrer á linguagem da arte “propriamente dita” (jamais pensei fazer tal coisa. apenas a ilustrar um point). um poeta pode escrever a melhor prosa de sempre sobre o mesmo quadro. enfim. Mill, como marx (e julgo ter sido Cohen, de oxf, a reconhecer esta semelhança pela primeira vez???..mas não tenho a certeza), acreditava na multi-dimensionalidade do humano. a tal multid que inspira o conceito de species-being, de onde se derivam os as defs dos “alienados” ih ih ih. neste particular (apenas neste particular, julgo eu) compartilhamos um valor.

  4. ezequiel diz:

    e, claro, a tal multidimensionalidade é fortemente favorecida pelas tecnologias emergentes (que são intrinsecamente relacionais). a dita multidisciplinaridade não é uma ideia nova. é uma prática com mais de mil anos.

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  6. «dirigindo-me ao comentador acima, agora sim, só para si, saiba que quase todos os críticos ou ensaistas de arte historicamente marcantes desenvolvem as suas teorias, escritos ou pensamentos sobre arte a partir de um núcleo reduzido de artistas» – meu caro se ler o que eu escrevi notará que eu percebi isso no seu post.

    O que critico como atitude parva é o facto de fingir que não conhece o trabalho de alguém (ou sequer a pessoa em causa) quando até conhece mas prefere não se debruçar sobre o assunto.

  7. maria joão diz:

    hihihihihihihi, tudo ignorante e ninguém pesca nada sobre arte, a não ser o Sr. especialista, que é um carneirinho quando o mandam escrever sobre algum autor hihihihihihihi que absurdo!

  8. O Carlos continua a abordar só o que lhe convém (a sua especialidade) e a ignorar o principal que está em jogo. Neste caso o principal é (parecem dois mas no fundo é só um):
    – referindo-se ao Carlos Miguel Fernandes, diz que a sua “arrogância reaccionária julga-se conhecedora de crítica”. Ou seja, as posições políticas reaccionárias do Carlos Miguel Fernandes interessam-lhe, são-lhe relevantes, para você avaliar a capacidade dele enquanto crítico de arte (neste caso fotografia);
    – você declarou que um fotógrafo já com uma certa reputação “não poderá alguma vez ser um apaixonado sensível das imagens”. Isto demonstra bem a essência da sua tese de que a arte “não é para todos”: a arte é para si e para os seus amigos e protegidos (ou quem o protege). É um bom retrato de uma certa mentalidade portuguesa, ainda presente em muitos sectores do meio académico.

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  10. ezequiel diz:

    bem, filipe, it takes two or more to dance (if not to “tango”) 🙂 são coisas que acontecem. vocês andaram juntos no komsomol? ih ih ih LOL

    a vossa discussão fez-me lembrar este tema, chamado “side effects” do Chris Carter aka roxiller (o tema parece cheesy, mas não é, na minha opinião)

    http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewProfile&friendID=118491092

  11. ezequiel diz:

    dito isto, caro Carlos, não deixes de escrever os teus posts. Estou a gostar imenso de os ler. Já aprendi algumas coisas novas.(é acessível, tanto quanto consigo julgar) Deves ser um excelente professor.

    cumprimentos
    ezequiel

  12. Nuspirit diz:

    A ciência do paradigma emergente é mais contemplativa do que activa. Na verdade, a ciência assume cada vez mais uma dimensão estética . Não admira, por isso, que o discurso científico se aproxime também cada vez mais do discurso da crítica de arte. Aliás, o sistema de Newton é tanto uma obra de arte como uma obra da ciência.

  13. mitomano diz:

    Você também vende fotografias e das boas.

  14. Pedro diz:

    Portanto, Nusprit, no fundo tudo é arte. O que eu sei é que vocês se engalfinham aqui todos, mas depois vão beber bicas e petiscar todos juntos e tal. Quem é que querem enganar?

  15. mitomano diz:

    Engalfinham não só aqui, no tóquio a fazer chamadas na cama e onde calhar.

  16. Pedro diz:

    Come again?

  17. Carlos Vidal diz:

    “dito isto, caro Carlos, não deixes de escrever os teus posts. Estou a gostar imenso de os ler. Já aprendi algumas coisas novas.(é acessível, tanto quanto consigo julgar) Deves ser um excelente professor.”
    ezequiel

    Caríssimo ezequiel, tu és um daqueles interlocutores e contendores (nunca chegaremos a acordo sobre Israel pá !) que me faz aquietar-me e por aqui ficar no 5dias (e também o Nuno que me convidou e a quem agradeço a confiança e amizade bloguística e política).

    Até porque “graças” ao convívio com F Moura já pensei em regressar para o sossego da minha secretária (um ambiente fechado e solitário como convém). Grato ezequiel, continuaremos a conversar.
    Apesar das investidas doentias de F Moura (não poderia investir noutros posts ?????????????????? Não?, pronto, ok)

    mitomano, de facto faço e vendo fotos. Não sei se está a brincar ou se as conhece, ou se se refere às “boas” modelos que uso para vários fins (imaginísticos hã ? Quase só isso, nada mais, ok?).
    As minhas fotos por acaso estão, destacando, em alguns bons lugares, como em Serralves, já agora, no MACS, Museu de Arte Contemporânea e em número razoável.

    Voltemos à definição da arte: ezequiel, à pressa dir-te-ia que é possível definir arte – o que nos leva do “fazer algo” aristotélico ao “nome” ou “nominalismo” duchampiano. Longa história a que posso voltar.

    “O binómio de Newton é tão belo quanto a Vénus de Milo”, é Álvaro de Campos, não é, Nuspirit? – bonito verso.

    Conheço muitos artistas plásticos e fotógrafos e videastas, e conheço muitos que se estão nas tintas para a teorização das artes e da estética. Só um homem de ciência drasticamente limitado como F Moura é que podia achar estranho que um artista se esteja nas tintas para a teorização crítica e estética. Sinceramente, a pobreza intelectual e a falta de respeito pelos outros é deprimente. O que escreve F Moura é deprimente. Deveras deprimente.

    Porque é que, por ser fotógrafo, Carlos M Fernandes teria de automaticamente saber de crítica ou avaliar sensivelmente as imagens dos outros ?? Só na cabeça esteticamente pequena de F Moura é que isto é directo – é uma espécie de “ligação” inevitável.

    É mais do que um erro – é pobreza. Pobreza extrema.

    João André, percebo-o (mas não sei qual de nós dois é “parvo) mas já lhe expliquei o que tinha a explicar. Volto ao assunto: não tenho de acompanhar todos os artistas que conheço. Escrevi longas monografias, por exemplo, sobre João Onofre (um novíssimo videasta) e Jorge Pinheiro (na Caminho; Pinheiro que foi meu prof nas Belas-Artes e é um bom amigo). Escrevo sobre quem quero. Num jornal reunia para distribuição de serviço, agora não.

    Ainda quanto a Filipe Moura – é obsessivo e doentio extrapolar a partir de comentários irónicos (e um deles dirigido a um tal MARCOS DA COMUNA IGUALITÁRIA DE LISBOA – quem ???) ilações sobre o funcionamento da minha faculdade – isso é abjecto e doentio, reforçado pela boca “aí é assunto para Mariano Gago”. Verdadeiramente abjecto.
    Dá vontade de me pirar daqui, caramba. Pirar-me de onde esteja Moura.

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