Duas ou quatro imagens para o Filipe Moura não falar mais sobre artes – e espero que o ajudem a calar-se (pelo menos para o meu lado)

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JOSEPH KOSUTH, da série “Art as Idea as Idea”. 1967.

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ROBERT BARRY, 1969.

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JOSEPH KOSUTH, “One and Three Chairs”, 1965.

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ON KAWARA, “Date Paintings”.

Eu não tenho nenhuma obrigação em discutir ou conversar sobre questões artísticas com Filipe Moura. Nem tenho obrigação, nem quero! – neste âmbito acho-o desprovido de tudo o que pode proporcionar um entendimento mínimo sobre uma obra de arte: saber, disponibilidade, apreço pela transgressão e transfiguração das finalidades (que as obras não possuem, a não ser o facto de existirem), educação de gosto, sensibilidade, inteligência crítica. Desprovido de capacidades mínimas, quer entrar em polémica interminável comigo, misturando dados, frases, ou julgando apressadamente (e só porque em tempos entrou em apoplexia com um antigo post em que comparei nalguns pontos Sócrates e Bush, e o blogger é apoiante de Sócrates!). Entende, de forma totalmente ignorante, que um artista que recebe $$$$ do Estado tem de apresentar trabalho público e justificar esse $$$ (nem sabe que a arte é uma forma de recolhimento e pensamento !!). Há artistas que actualmente só o fazem porque querem, nomeadamente escritores que considero muitíssimo (e não são poucos) e adquiriram o direito ao silêncio – fulcral em arte. Podem ou não publicar com regularidade, mas é certo para mim que o país lhes deve imenso. Não se passa o mesmo com Carlos M Fernandes (que F Moura trouxe à conversa), que sei que é fotógrafo (e depois?, conheço imensos que não sabem articular duas frases seguidas sobre as obras acima expostas, por exemplo), e sei representado pela P4Photography. Ó Filipe, e depois? Tenho de conversar sobre artes com CMF, a quem aqui chamei de reaccionário político, por ter entrado de rompante e de forma extremista numa equilibrada discussão sobre o delicado assunto “Israel”? Tenho de ser tolerante?
Quanto ao resto, pronto, enfim, as obras expostas estão acessíveis a todos, mas estou certo que não são acessíveis a Filipe Moura. Nem nunca serão, porque há nele uma insensibilidade estética que o faz olhar para obras e artistas com uma entranhada suspeição (é preciso justificar o $$$ que se recebe), além de um desrespeito profundo e intolerável pelos gostos minoritários. Ele confundirá o que reproduzi atrás com Rivera. Saberá alguma vez as diferenças? Uma pessoa assim nunca perceberá nem sentirá nada do que vê e ouve. E é uma opinião totalmente partilhada por muita gente que consulta esta página: F Moura revela um atraso irrecuperável quanto a questões estéticas. E qual é o problema? Não se recupera esse atraso à força !

 

ACRESCENTO: Desprovido de todo e qualquer tipo de graça, Filipe Moura padece de um mal gravíssimo: não tem o menor pingo de sentido de humor, postura grave, muito grave, chegando a levar à letra um título de um post onde falo de “gajas”. E, por fim, pede ao ministro Mariano Gago que me “trate da saúde”, quer dizer, do emprego. Cúmulo da abjecção mental.

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14 respostas a Duas ou quatro imagens para o Filipe Moura não falar mais sobre artes – e espero que o ajudem a calar-se (pelo menos para o meu lado)

  1. Eu não tenho e nunca tive a menor intenção de discutir assuntos de arte ou estética consigo (ou aqui no blogue, seja com quem for). A minha discussão consigo não era estética: era política. Se você a encara como estética é porque não sabe discutir mais nada que estética, e prefere tentar levar a discussão para a única área que sabe discutir.
    Se eu discuti consigo não foi por causa da estética: foi para lhe apontar as variadas asneiras que ia escrevendo. Só no meu último texto coleccionei mais algumas – e aquela do Carlos Miguel Fernandes, que você sem conhecer declarou que “não poderia alguma vez ser um apaixonado sensível das imagens”, é antológica. Apontei-lhas todas. Você prefere passar por cima de tudo e refugiar-se na “estética” (de que ninguém falou), onde pode aplicar os seus argumentos de autoridade (a única coisa que sabe fazer). É a sua escolha. Continue a falar com os seus amigos que frequentam esta página (e a julgar que são “muitos”). Visto de fora, você é muito cómico.

  2. Carlos Vidal diz:

    Conheço as fotos de Carlos M Fernandes. Como não é muito lá de casa, prefiro dizer que não o conheço – é assim que faço quando me apetece. Além do mais, politicamente prefiro não o conhecer de forma alguma.

    Quanto a discussões políticas.
    Sou muito mais visitado por elas, pelas políticas, do que pelas artísticas, como o sr. muito bem sabe!
    E escrevo no 5dias muito mais sobre política do que sobre “artes”. O sr. de facto não ignora que os que visitam o que escrevo aqui sobre política são muitos.
    Ignora?

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  6. grim diz:

    Também me parece que esta discussão não é “estética”, mas sim “política”.
    Sendo assim, avanço a razão, que já referi num comentário anterior, pela qual penso que esta oposição entre a ciência “democrática” e a arte “elitista” é um disparate pegado: sei bem, por experiência profissional, que, enquanto os estudantes de Ciências e de Medicina são oriundos de classes sociais médias ou médias-altas, os estudantes de Letras e de Belas-Artes são, no conjunto de todos os alunos universitários, de longe os de extracção social mais baixa. Por arrastamento, o mesmo se aplica a cientistas vs. artistas e escritores.

    Perante estes dados, como é possível falar de uma ciência “democrática” vs. uma arte “elitista”? É uma pergunta que deixo ao Filipe Moura.

  7. Carlos Vidal, você realmente é um brincalhão. Prega estas partidas ao Filipe para ele se enervar consigo e depois fica a brincar com o assunto. O Filipe, que é muito boa pessoa mas que se aborrece um bocadinho com discussões muito enviezadas caiu, está bom de ver. É realmente divertido, mas também já chega. Explique lá que estava apenas a brincar e deixe este assunto em paz. O Filipe, como você já reconheceu, até tem razão, por isso não vale a pena criar este ambiente, não é verdade? Deixe lá estas tretas homem. Já chega…

  8. Pedro diz:

    “Conheço as fotos de Carlos M Fernandes. Como não é muito lá de casa, prefiro dizer que não o conheço – é assim que faço quando me apetece.”

    Eu acho isto fantástico. É uma espécie de happening performativo, não é, Carlos Vidal? É como se o Carlos gritasse numa salinha do CCB perante uma audiência deslumbrada: “Eu sou imbecil e não me importo, pronto!”. Sempre é menos perigoso do que receber um tiro de um partenaire 😉

  9. João, fica descansado que eu não estou e nunca estive enervado com este assunto. Agora confesso que estou é a ficar cansado, e provavelmente os leitores do Cinco Dias também.

    Grim, repito parte do comentário que fiz noutro texto.

    “Este fim de semana estarei em Serralves; quando estiver em Lisboa, não deixarei de dar um pulo ao Museu de Arte Antiga. É este meu direito que eu defendo, e é este meu direito que o Carlos Vidal põe em causa. O que eu contesto não é nenhuma situação concreta, real: é o cenário proposto pelo Carlos Vidal.

    Quanto ao resto, é outra discussão que passa completamente ao lado desta. Mas contesto veementemente a sua visão de que as ciências são mais “elitistas” que as artes e letras devido ao nível socioeconómico dos alunos que a frequentam. Se isso fosse verdade, a universidade pública seria muito mais elitista que a privada: o nível socioeconómico dos alunos que frequentam a privada é muito mais baixo do que o dos que frequentam a pública. Pense bem nisto.”

    A isto eu acrescento que não é nada válido extrapolar como o grim faz, quando diz

    “Por arrastamento, o mesmo se aplica a cientistas vs. artistas e escritores.”

    Nem toda a gente que estuda ciências se torna cientista; nem toda a gente que estuda literatura se torna escritor (aliás a maioria dos escritores nunca estudou literatura). Essa sua conclusão não é válida. Ser cientista ou escritor só se atinge com mérito, pelo que esta extrapolação é desprovida de sentido.

    Se alguém aqui é preconceituoso é o grim, e contra a ciência e os cientistas, como as suas conclusões infundadas demonstram.

  10. Filipe, eu estava a ironizar um bocadinho com o CV, como deves ter percebido. Sei bem que isto não te enerva.

    Sobre o comentário do grim, deixo uma achega. Ele diz que os estudantes de ciências são de classes mais altas e os de letras e artes mais baixas. Até poderia ter alguma razão, mas convinha ver o porquê e para isso basta ir observando as médias de entrada de uns e outros cursos.

    As de ciências são habitualmente mais altas que as de letras, o que indicará que os alunos de letras não serão, em média e à partida, tão bons quanto os de ciências (ATENÇÃO, generalização excessiva, mas necessária). Isto porque não imagino que os cursos de ciências sejam mais fáceis que os de letras (nem mais difíceis, claro). Mas basta lembrar que os alunos oriundos de classes sociais mais baixas costumam ser piores para justificar a observação do grim. A razão para esses alunos piores irem para letras pode ter a ver com a matemática e o “papão” que ela é, com ou sem razão.

  11. E claro, subscrevo o Filipe nisto: «Nem toda a gente que estuda ciências se torna cientista; nem toda a gente que estuda literatura se torna escritor». E ainda acrescento que em letras não há apenas literatura. Penso que ninguém vai andar a argumentar que um tradutor é necessariamente um artista, pois não?

  12. grim diz:

    João André:

    De facto, todos os estudos que li indicam uma disparidade cada vez maior entre o rendimento escolar médio dos estudantes de ciências e o dos estudantes de artes e de letras, combinada com a diferença cada vez mais acentuada da sua origem social. Note que esta é uma tendência internacional, indiferente a variantes de organização dos currículos no secundário, estruturação das faculdades ou diferenças nos custos de formação.
    Isto é tanto mais relevante quanto estudos fundadores da sociologia da educação, como os de Basil Bernstein e Pierre Bourdieu, descreviam uma situação de sentido completamente inverso: os estudantes de letras e de artes eram geralmente oriundos de extracção social mais alta, com melhor rendimento escolar, enquanto os de ciências vinham geralmente das classes mais baixas.
    A análise na linha de Bourdieu talvez refira que as classes dominantes, as “elites”, já não fazem do discurso artístico uma razão da sua reprodução social, mas creio que uma análise alternativa seria aqui mais adequada: um aluno mediano não receia o discurso artístico ou “humanístico” (por mais “elaborado” que seja, nos termos de Bernstein), mas será facilmente intimidado pelo discurso científico e o seu código “restrito”. Pensará que “um curso é um curso”, e como consequência optará por um curso “artístico” ou “humanístico”, em detrimento das ciências duras.

    Claro está que, como se não bastasse o seu pior rendimento escolar e a sua clara desvantagem social, carrega ainda com o desconhecimento e a ingenuidade de pensar que o curso de artes ou letras lhe vá servir para alguma coisa.
    Nas poucas vezes em que contactei com os responsáveis dessas faculdades, tenho dito que eles estão com uma bomba nas mãos e que devem mudar tão cedo quanto possível o funcionamento destas instituições. Não há curso, por exemplo, com menos “capital simbólico” do que o de Letras.

    Por isso, se algum jovem ler o 5dias e esteja a pensar nisso ;), dou este conselho amigo: não tenham ilusões sobre esses cursos, porque nem mesmo os melhores têm a garantia de que poderão continuar com a sua actividade….

  13. grim diz:

    Filipe Moura:

    Espero que fique claro que não é meu propósito fazer a oposição inversa entre a “arte democrática” e a “ciência elitista”. Apenas me parece que falar de uma “arte elitista” é, nos tempos que correm, algo disparatado, uma vez que é muito difícil, salvo raras excepções nos círculos hi-fashion ou na arquitectura, discernir qualquer coisa parecida com “elites” entre a actual comunidade artística.

    Reparo também que o “por arrastamento” não foi suficientemente claro. Espero agora explicar melhor o meu ponto de vista, e lembro um estudo de Bernard Lahire sobre a condição social dos escritores, que não esquece a dos artistas em geral.
    O autor parte de um dado fundamental: de todas as ocupações intelectuais, as ligadas às artes e às letras são de longe as piores remuneradas (quando o são), pelo que a esmagadora maioria dos artistas e dos escritores só o é enquanto “segundo emprego”; salvo os raríssimos que podem viver dos direitos de autor, têm uma primeira ocupação, mais distante das áreas artísticas ou menos (desde professor, publicista ou animador cultural a carteiro, empregado de serviços ou electricista).
    De qualquer forma, a figura do artista que vive de rendimentos independentes, o verdadeiro “escritor elitista”, como Gide ou Marcel Proust, está extinta (o que não saúdo!); o que se verifica, pelo contrário, é a emergência na cena literária e artística de indivíduos oriundos da dita classe média-baixa (curiosamente, muitas vezes de meios ligados ao operariado fabril). Não é um fenómeno novo, mas o que é inédito é o abandono das artes por parte das elites (quando não o nítido desdém!). Tendo em conta esta realidade, tenho muitas dificuldades em perceber aonde quer chegar o Filipe!

    Quanto à ligação entre as faculdades de letras e os escritores, estou a pensar sobretudo no meio anglo-americano, onde é visível uma cooperação muito estreita entre editores, livreiros, escritores e académicos (aliás, já estudada p. ex. pelo sociólogo Henry Giroux). Em países como Portugal, onde não há tradição p.ex. de cursos de escrita criativa, de facto não há uma ligação estreita entre o meio académico e o meio literário, mas não me parece que isso seja TÃO relevante, ou sequer que a situação aqui possa continuar tal como está. Como o próprio Giroux refere, esta é uma cooperação absolutamente essencial, uma vez que, sem ela, nenhuma das actividades teria os meios para ser continuada.

    Ainda há mais alguns pontos por discutir, se há mal em que a arte seja elitista ou não, se o artista tem um direito “divino” sobre a transmissão e divulgação das suas obras, até sobre a eterna questão dos subsídios, mas agora por aqui me fico. Fica para a próxima…

  14. Carlos Vidal diz:

    grim, eu também não sei o que é que o F Moura quer.
    E espero sinceramente que não queira nada!

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