Grécia: A explosão de cólera em Atenas tem não uma, mas muitas causas

http://www.lemonde.fr/europe/portfolio/2008/12/13/manifestations-dans-le-calme-en-grece_1130974_3214.html

A média capitalista, como de costume, omite a compreensão de todo o contexto desta explosão insurreccional na Grécia.
Lá como cá existe uma insatisfação cada vez maior da juventude, confinada entre empregos precários e mal pagos e o desemprego.
A juventude é cada vez mais culta, mais instruída; é inevitável que se politize e que adopte as tendências de esquerda libertárias, pois são as que lhes oferecem garantias de não comprometimento com um poder cada vez mais corrupto.

Por isso, não admira que exista um eco e solidariedade activa em Itália, em Espanha, em França ou na Dinamarca e em muitos países onde a situação dos jovens se torna cada vez mais destituída de esperança.
O ministro da economia Jorge Alogoskoufis, tem reduzido as despesas sociais e privatizado a torto e a direito, para manter o país dentro do «pacto de estabilidade», o que levou o orçamento da educação a 3,5% . Estudantes e alunos liceais são um segmento da população que tem sentido mais duramente esta austeridade.
´Lá como cá os políticos da maioria fazem pseudo-reformas no ensino, porém os resultados são tão maus que obrigam as famílias a despender em média cerca de 500 euros mensais com cursos nocturnos de complemento para seus filhos , para estes terem hipóteses de integrar a universidade.
E mesmo com um curso universitário, lá como cá, não há garantias de obter um trabalho. O mercado absorve apenas metade dos 80 mil diplomados universitários por ano.
O desemprego é mais elevado na fatia etária dos 15-24 anos (24,3%). O desemprego feminino geral é também o dobro do masculino.
A crise financeira ainda tornou mais reduzidas as hipóteses de emprego e aumentou a compressão dos salários – entre 700 e 900 euros – e sobretudo, os jovens vêm-se arredados do acesso ao mercado de trabalho. Ultimamente, assistiu-se a uma vaga de despedimentos colectivos, cerca de 100 000 despedimentos, que devem corresponder a 5% suplementares para a taxa de desemprego do país. A Grécia tem a taxa mais elevada de de trabalhadores pobres (14%), os que precisam de um segundo emprego para fazer face às necessidades básicas.

Luta Social

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5 respostas a Grécia: A explosão de cólera em Atenas tem não uma, mas muitas causas

  1. Matar um puto por dá cá aquela pedra é que é mesmo para os meter no sítio … Atrás de um vinham 1000. Há que colocar freio aos precedentes que se abrem. Abençoada juventude Grega!
    Aos 15 é para se morrer de motociclo na estrada, afogado num rio traiçoeiro, numa onde de mar matreiro, no mais angustioso dos cenário: o suicídio, porque a gente tb manda… Não é para se morrer às mãos do Faniquitos de um sistema, nesse exemplo de um Homem – apalhaçado de sistema -; Polícia de farda que nem ele sabe lá muito bem para que serve se da bala faz pontaria ao alvo, esse alguém que podia ser seu filho …
    É! Ainda são os Jovens que criativos impõem um rumo y limite às teorias dos Sistemas. … Abençoada juventude Grega!
    Claro que agora cabe aos crescidos serenar, como o fizeram os Profs y Funcionários Universitários Gregos.

  2. Pinto diz:

    “(…) Lá como cá existe uma insatisfação cada vez maior da juventude, confinada entre empregos precários e mal pagos e o desemprego (…)”

    Então a causa das escaramuças não era a morte de um jovem de 15 anos? Aquela morte que levou dois polícias para a prisão preventiva por homicídio doloso e que a balística já comprovou ter sido através de ricochete – pondo em causa o dolo – mas que mesmo assim não removeu a medida de coacção.

    “(…) A juventude é cada vez mais culta, mais instruída; é inevitável que se politize e que adopte as tendências de esquerda libertárias (…)”

    A juventude está particularmente culta em Portugal e na Grécia. Mas ainda muito atrasada na Suécia, Finlândia, Noruega, Inglaterra, Canadá … onde essa esquerda liberal (ou esquerda caviar, dá para todos os gostos) não tem, sequer, representatividade parlamentar.

    “(…) E mesmo com um curso universitário, lá como cá, não há garantias de obter um trabalho (…)”

    Quando entrei para a faculdade ninguém me prometeu emprego assim que terminasse o curso. E quando o terminei procurei emprego. Não andei a ostentar o canudo nem a fazer dele bandeira de protestos. É apenas um garu académico.
    Não há muito tempo foi notícia a falta de candidatos para a PSP e GNR – NÃO HAVIA CANDIDATOS PARA GANHAR €900 mês ao início de carreira. Por outro lado, sabem atirar pedrinhas a esses mesmos polícias como forma de protesto contra a falta de emprego. Realmente atirar uma garrafa cheia de gasolina a arder contra polícias é, sem sombra de dúvida, uma verdadeira manifestação de refinada cultura e civismo.

    “(…) O mercado absorve apenas metade dos 80 mil diplomados universitários por ano (…)”

    Suponho que o Estado devesse absorver o resto na Administração pública com vencimentos que os mesmos achassem convenientes.

    E a crise em Portugal é, sem qualquer dúvida, uma calamidade: ontem estive 1 hora para estacionar o carro no parque do ALEGRO-ALFRAGIDE. Quem foi a outros centros comerciais dizia que a situação era similar.
    A Vorten e a media markt não têm mãos a medir: é um corropio de gente à procura de PSP’s, PS3, Ipod’s, GPS’s, PC’s do tamanho de uma folha A5, etc. etc. etc.
    A GALP à porta de minha casa tem filas intermináveis de carros a abastecer.
    As lojas de roupa do ALEGRO estavam ontem apilhadas de gente.
    As filas para os cinemas eram intermináveis e as salas esgotadas.
    O meu irmão foi ontem ao Toys ‘R’ Us de Cascais e diz que parecia que estavam a oferecer alguma coisa, tal a euforia na procura de brinquedos.
    Há duas semanas fiz uma coisa que já não fazia há muito tempo – saí à noite. Fui dar uma volta por Lisboa. Para conseguir estacionar foi um inferno e para entrar numa qualquer discoteca que vende uma cerveja a € 5, um martírio. As discotecas estão apilhadíssimas (e parecem autênticas feiras das vaidades).
    As corridas na Ponte Vasco da Gama e outras similares, não param. Cada carro tem, em apetrechos inúteis, milhares de euros pendurados; os carros têm consumos exorbitantes. Mas neste próspero sector também não há crise.

    Se o motivo fosse a crise económica e a actual qualidade de vida, porque razão os nosso pais que viveram (pelo menos a grande maioria) em incertezas que não se comparam com as de hoje, que emigravam clandestinamente para a França à procura não sabiam muito bem de quê, que eram empilhados em barcos para a África para guardar o “Império”, que trabalhavam literalmente de sol a sol, não se revoltavam da mesma forma? Eram cobardes? Ou serão os jovens de hoje um exemplo de coragem?

    A causa destas escaramuças são as mesmas que provocaram o Maio de 68 e os incidentes de 2005 na França: NADA EM CONCRETO. Por muitos estudos sociológicos que se façam. Por muitos motivos que se tentem arranjar posteriormente.

    Muitos responsáveis pelo Maio de 68 admitem hoje não saber bem o que os revoltava a não ser ideologias emocionais e doentias.
    Deixo aqui a entrevista de um antigo membro do movimento maoísta Gauche Prolétarienne e activista do Maio de 68, Olivier Rolin:
    “Foi um dos protagonistas do Maio de 68 em França. Encontra alguma legitimidade no paralelo que se tentou estabelecer entre essa revolução e a recente crise à volta do Contrato de Primeiro Emprego (CPE)?
    Não. O movimento do Maio de 68 era revolucionário, utópico e radical, enquanto que o movimento anti-CPE é conservador, quer segurança laboral. Não é um movimento que deseja uma sociedade nova. É um movimento que quer agarrar-se a formas antigas da sociedade.
    (…)
    No Maio de 68, eu integrava um movimento maoísta e acreditava que o futuro viria da Revolução Cultural chinesa, mas agora sabemos que era uma loucura. Os jovens de hoje não são ideólogos nem revolucionários, são conservadores e pragmáticos, então, não há comparação. Eles não têm ideologia e é melhor assim. As ideologias são uma forma de deformação e mentira. Eu fui ideólogo, mas agora não admiro as ideologias e, por isso, Tigre de Papel não é um livro de um ex-combatente, mas um livro irónico sobre o passado.
    Que herança deixou a sua geração?
    [silêncio] Em França essa é uma questão muito dolorosa. Acho que não teremos deixado nada de positivo, não deixámos uma conquista, destruímos o ensino. Eu penso que um dos grandes males actuais da França é que o ensino não funciona, no seu conjunto, não forma cidadãos (…)
    (DN, 23 de Abril de 2006)

    É bom olhar para o passado com olhos de ver e reflectir um pouco e principalmente ouvirmos os outros, antes de andarmos a tentar arranjar justificações para o injustificável.

  3. Pinto:
    “A juventude está particularmente culta em Portugal e na Grécia. Mas ainda muito atrasada na Suécia, Finlândia, Noruega, Inglaterra, Canadá … onde essa esquerda liberal (ou esquerda caviar, dá para todos os gostos) não tem, sequer, representatividade parlamentar.”

    Põe atrasada na Suécia!!! Acredita! Então, a beber, nem imaginas o adiantadinho y civilizado que o são. São muito limpinhos até matar, n te esqueças do Palm … Ou seja, os Estados Unidos Da Europa ( suecos (!) n s exemplo nada …)
    …………………
    Quanto aos Maios de 68 … eles andam por aí no Poder, né!
    ………..
    Quanto ao resto, a gente dança a Valsa.

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