Grécia: relato de um emigrante grego e reflexão

Relato de um ex-colega meu, grego, a trabalhar na Holanda, que viajou Sexta para Atenas e que me dará mais novidades amanhã:

I am just about to leave for Greece. Call me on my mobile tomorrow evening. 

The baseline of my answer is that there is frustration that has been cultivated for many years and it is now exploding due to an unfortunate event which itself is a scandal and part of the problem. The basis of the frustration are the big contradictions in the society with poverty on the one hand and violent consumerism advertising on the other, with minimum wage at 650 euros on the one hand and corruption scandals including monasteries and ministers on the other, with suffocating environmental problems on the one hand and 28 Billions offered to the Greek banks on the other etc etc….This is the basis. 

As for the damages to properties of ordinary people this is collateral damage for which everyone is sorry and everyone is thinking who is behind it. It can be even provocators from the right wing government. 

Next week the violence may be over but teh underlying feelings remain. 

Depois de ter discutido este email com outros colegas, e de ter ficado mais ou menos claro para mim que o que é mais difícil de compreender para os portugueses é a destruição provocada pelos manifestantes, a vandalização de propriedade e confronto com os agentes da autoridade como forma de luta, alinhavei esta reflexão:

Os bacanos que estão a partir tudo são os gregos. São as tais pessoas revoltadas. Não há uma separação clara entre o povo justamente indignado mas manso e os loucos que fazem pilhagens.
Pelo que tenho lido, não são “meia dúzia de grupos” que estão envolvidos na revolta. os motins são generalizados. 

Quanto à “propriedade pública” que está a ser vandalizada, pergunto-me se ainda haverá assim tanta propriedade que se possa considerar pública, do uso de todos? Não sei como é em Atenas, mas a “propriedade pública” aqui é aquela que está em locais tão caros que só estão acessíveis a um certo público.

Quantos “honest to God 9-to-5 working man” , se a situação nos permitisse, não teriam prazer em deitar fogo a bancos e queimar carrinhas da bófia? Principalmente em resposta a ataques da parte desta.

Eu por mim poucas coisas me fariam mais feliz do que ver os portugueses que andam a levar no cu sem estrebuchar (ouvia ontem o sócas a dizer que, depois de não-sei-quantos anos a apertar o cinto por causa do défice, vai afundar as contas do estado aumentando o défice brutalmente para injectar 900 milhões na indústria automóvel, mais milhares de milhões na mota engil do jorge coelho, mas não-sei-quanto nos bancos) assumissem uma posição de confronto social directo. Se a bófia quiser tomar o lado dos proprietários do sistema, então que remédio senão confrontá-la? Ir para casa?

Que eu saiba, aquela máxima da CNT francesa continua a ser verdadeira:

“De l’argent il y en a dans les caisses du patronat.” , e digo eu, provavelmente há argent suficiente para sustentar quaisquer medidas de melhoria de condições de vida.

E qual é a alternativa ? É este confronto ser tomado numa prespectiva individual e o que se vai tendo é cada vez mais assaltos a bancos, pessoal a boicotar passivamente o trabalho (como diria um amigo meu num call center: “enquanto o meu patrão fingir que me paga, eu vou fingindo que trabalho” ) … ou seja é a sul-americanização (ou estadunização, se quiseres), no pior sentido, do país.

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3 respostas a Grécia: relato de um emigrante grego e reflexão

  1. É mais um para o “cesto” ( Consulta aqui o significado http://f-se.blogspot.com/2008/11/f-se-propsito-de-damien-hirst-lie-of.html ).
    Não sei se partir tarecos será um acto de violência. Dizer que os tarecos têm um papel estruturante na valia de uma Pessoa é que me parece violência y vandalização da vida.
    Quando uma sociedade aceitar só com a palavra mansa y a desculpinha de protocolo a morte de um Adolescente é que me parece que estamos Face a Uma sociedade altamente vândala, Violenta, Bronca y legitimadora do Direito do Sistema fazer razia, a seu belo prazer, olha, como nas Ilha Indonésias em que não há muitos anos, foi surreal de ver pessoal de t-shirt branca y calças de ganga, agarrando a sua mãozinha – pelos cabelos – jovens cabeças acabadas de Decepar … Tanta Globalização, qualquer dia caminhamos tb assim pelas ruas. Ou seja: por enquanto n estamos a perceber muito bem a necessidade dos chutos de dinheiro na Veia financeira de muitos banqueiros. Vamos ver de que Massa são esses gajos feitos para merecerem melhor repasto do que nós!
    Esta fragilidade Financeira, parece que é boa Bomba para o Terrorismo do Bin. Dando uma de “profética”, não sei se não vem ai outra derrocada das Torres …

  2. Alfredo Caiano Silvestre diz:

    O que é “reflecção”?

  3. João Branco diz:

    Alfredo: “reflecção” é como eu pensava que se escrevia “reflexão”. Obrigado pela correção (ou correcção).

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