Grécia: A Luta do povo da Grécia

“A maior greve geral da história da Grécia paralisou na quarta-feira aquele país. Os acontecimentos ali ocorridos nos últimos dias transcendem o quadro local. Os grandes media internacionais tentam minimizar o significado das gigantescas manifestações de Atenas confundindo o movimento popular de protesto com a explosão de violência anárquica desencadeada por grupos de jovens após o assassínio pela polícia de um estudante.
Mas a manipulação desinformativa não pode ocultar os factos.
A greve fora prevista com larga antecedência e a resposta maciça do povo ao apelo das centrais sindicais e do Partido Comunista expressou-se em exigências concretas.
O povo grego condenou nas ruas a ofensiva contra o serviço de saúde e a criação de universidades privadas (proibidas pela lei), exigiu salários dignos para os trabalhadores, o encerramento das bases norte-americanas, a revogação das leis que restringem liberdades e penalizam o trabalho, e a ruptura com Schengen, condenou a fascização das polícias e dos serviços secretos, a militarização da União Europeia e a vassalagem perante os EUA.

Manifestação na Grécia
As manifestações de Atenas e noutras cidades gregas são uma outra manifestação da crise económica e social que atinge presentemente toda a humanidade.
A onda de violência não é apoiada pelos Sindicatos nem pelo Partido Comunista, mas surgiu em resposta (compreensível) à politica reaccionária do governo de Kosta Karamanlis que, alinhando com outros da União Europeia, acode com milhares de milhões de euros aos banqueiros responsáveis enquanto desencadeia a repressão contra os trabalhadores
A Grécia é nestes dias uma vitrina dramática da crise mundial. O seu povo, assumindo-se como sujeito, confirma com o seu exemplo, que é pelos caminhos da luta de massas e não através dos parlamentos controlados pelos partidos das classes dominantes que o capitalismo estremece, recua e pode ser derrotado.
No apelo à mobilização que dirigiu aos trabalhadores na ante-véspera da greve, Aleka Papariga, secretária-geral do Partido Comunista da Grécia, afirmou «sabemos como lutar em cada fase e pela via que seja mais adequada em cada momento. É por termos essa experiência que apoiamos toda a forma de luta que acelere, dinamize e dê força política ao movimento».
Na Grécia estavam reunidas condições objectivas e subjectivas para que o povo desafiasse o Poder da burguesia nas ruas e numa greve geral que paralisou totalmente o país.
O que semanas atrás parecia inatingível é hoje, segundo dirigentes da União Europeia, uma situação previsível. Pela força do povo, o governo de Kosta Karamanlis pode cair de um dia para outro.”

José Paulo Gascão, Miguel Urbano Rodrigues, Rui Namorado Rosa no Diario.info

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5 respostas a Grécia: A Luta do povo da Grécia

  1. Patricia Costa diz:

    As greves já estavam marcadas muito antes dos disturbios e não podemos confundir uma coisa com a outra.Não são os trabalhadores que andam a partir montras e a queimar carros.

  2. Pois. Lembro-me de um discurso parecido, aqui há uns quarenta anos.

  3. Tiago
    Já tinha lido o teu texto Ontem. Não comentei … estava numa de artes y afins … dado hoje ter olhados para textos sobre o assunto meio turvos.
    Agradeço a tua lucidez y destreza em situar factos que a outros passam ao lado. Vale.
    ………………
    Patrícia Costa: Vandalismo, violência é mesmo manter – até em Palavras Estrangeira ( não gregas!) o desejo das coisinhas inteirinhas: as montras das lojas para a gente ver as modas ( coitadinhas das pessoas já não podem ver qual é a fatiota mais bonita ou o rímel que faz a pestana mais vistosa) y o calhambeque com mossas! Oh que chatice! Que raio! É! Introduzir o Homicídio aos 15 anos na vida dos Adolescentes é que é mesmo UM ALTO DIREITO DO SISTEMA! Como é que é possível não perceberem isto??? F-se!
    Vai lá ler uns livros y poupa dinheiro no cabeleireiro! Tá!

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