Grécia 9: A cegueira molotov da imprensa


Confesso que me limitei à consulta do Público, do DN e do Le Monde mas temo que a fotografia acima ilustre um critério quase universal do tratamento mediático do que ocorreu ontem na Grécia. Ou seja, todo o relevo e 95% das linhas sobre incidentes, violências e cocktails-molotov e quase nada sobre a greve geral ontem realizada e a respeito da qual, quando muito, ficamos a saber que « a Grécia viveu também ontem um dia de greve geral, com os sindicatos a contestarem a política de austeridade seguida desde Setembro pelo Governo conservador Costas Caramanlis. A greve foi seguida na maior parte das áreas da indústria e transportes, intensificando um clima de crise social e política que parece estar longe do fim» (versão do DN).
Tirando isto, sobra-nos o incontornável Ferreira Fernandes que, do alto da sua coluna no DN, interroga (sublinhado meu):« Agora, ver os sindicatos gregos com bandeirolas “contra o assassínio a sangue-frio do jovem Alexander” e daí exigirem o fim dos despedimentos e mais dinheiro do Governo para a Saúde e Educação, dá para perguntar: o que tem o cu a ver com as calças?». Pois, é como leitor já percebeu: o truque, a manipulação e a desonestidade intelectual estão precisamente naquele «daí». É que não há lugar a nenhum «daí» pela simples razão de que a greve geral já estava marcada muito antes da morte do jovem Alexander.
Vitor Dias, no Tempo das Cerejas

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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2 respostas a Grécia 9: A cegueira molotov da imprensa

  1. Antónimo diz:

    Internacional não vende jornal, diz-se, mas você até já foi director. do que se está à espera para fazer um jornal sério e de referência, aproveitando a imensa orfandade dos leitores que querem ler outra coisa?

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