Alain Badiou e a arte explicado às criancinhas, parte 2: a minha escola é esta – desigualdades académicas, chateza e gajas

Victoria Silvstedt, em cima; desenhos de C.Vidal, em baixo.

A propósito de um post meu intitulado “UMA OBRA DE ARTE NÃO PODE NEM DEVE ESTAR ACESSÍVEL A QUALQUER PESSOA” ou, simplificadamente, “A ARTE NÃO É PARA TODOS !!”, tem-me aparecido nas caixas de comentários um “sub-comandante M.” ou “simplesmente Marcos” (o sub-comandante Marcos de Lisboa) apontando-me algo em que me reconheço PRONTAMENTE: elitista, mestre castrador (não sei se os meus alunos o confirmam), produtor e reprodutor de desigualdades adiando o desígnio de Jacques Rancière de “homens iguais numa sociedade desigual”, defensor de uma escola que defende a conformação, ou o conformismo com o que a autoridade desigual determina dever e não se dever pensar. Ora bem, este anónimo tem razão em 100%! Parece-me ser esperto, mas não percebe as razões do que assumo PRONTAMENTE: o elogio da desigualdade perante a ARTE (atenção às maiúsculas). Então eu que passei os melhores anos da minha vidinha a copiar, horas e horas seguidas, e com todo o prazer, estatuária grega, Laocoontes, Apolos de Belvedere, S. Jerónimos, durante quase 5 anos a fazer duas horas diárias de Modelo vivo, a trabalhar o Método Monge, a estudar Anatomia e estatuária e mais estatuária numa academia tirânica, onde hoje lecciono da mesmíssima maneira, então, ó disparate, eu iria ser adepto da igualdade de que fala o meu caro “simplesmente Marcos” ?? Ó homem, tenha juízo. Não viu há muito que sou um militante de hierarquias?? Acordou agora? A minha escola é constituída por disciplina, hierarquia e, quando possível, gajas. Pouco mais, ó Marcos. Pouco mais. Nem eu queria mais. O filminho em cima e os desenhos em baixo são disso exemplo: “A ARTE NÃO É MESMO PARA TODOS !!!”

ACTUALIZADO (22:51): Então o profeta da espada igualitária, “Simplesmente Marcos” sub-comandante, desapareceu? Só por três simples desenhos, três tintas-da-china? A arte não é para todos? Ou preferia que aqui estivesse a “Santa Ana” de Leonardo? Um estudo de Rembrandt quiçá?

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18 respostas a Alain Badiou e a arte explicado às criancinhas, parte 2: a minha escola é esta – desigualdades académicas, chateza e gajas

  1. Carlos Vidal diz:

    Não sei se vai aparecer por aqui agora, caro “simplesmente Marcos”, mas desta vez antecipei-me e comento primeiro: repare que respondo aos seus quilos de clichés (que poderiam ainda ser mais bem burilados) com a verdade e só a Verdade. O seu problema foi não ter percebido que um aprendiz castrado só pode ser um mestre castrador.

  2. M. Abrantes diz:

    Para as gajas não basta ser comentador de arte. É preciso ser artista 😉

  3. Carlos Vidal diz:

    Vamos lá a ver, caro M. Abrantes :
    V. está a desaprovar-me (sim ?) como artista na condição de comentador de arte, é ?

  4. Luis Moreira diz:

    Depois da conversa de ontem Carlos, não penso que você queira que alguns de nós não tenham acesso às gajas.Há quem não goste? Há quem não saiba o que fazer? Há quem se sinta inibido? Estou completamente de acordo com estas desigualdades.Mas a questão é: não temos nós todos o direito de ter a OPORTUNIDADE de sermos bons com as gajas mesmo sabendo que alguns não gostam?

  5. Mto fixe, CV. Mto Fixe. Posta +

  6. Carlos Vidal diz:

    Com gajas, Luís, estou completamente de acordo consigo, como não?
    Mas eu só ironizava, sobretudo com este “subcomandante Marcos” que por vezes aqui aparece a reclamar uma arte “para todos”. E eu que passei anos e anos a desenhar estatuária grega (não da forma mais ou menos expressiva dos desenhos de mulheres acima), estatuária à séria, Loacoontes e companhia, então ia eu agora falar em “igualdades” em arte. Sinceramente, e o trabalho que tudo isto dá e deu?
    As mulheres, caramba, também dão, mas é uma outra coisa.

  7. NWOO diz:

    Grande Video! abraços!

  8. k.r. diz:

    Cheguei tarde ao computador, mas a tempo de saber algumas coisas. E responder prontamente. Mas meus comentários não são publicados…onde andam todos? Entretantanto o professor deve estar na capela sistina…. O professor Vidal faz o que quizer do seu tempo mas, pessoas há que não devem ver imagens dessas hoje!

  9. Carlos Vidal diz:

    Cara k.r., comentários não publicados, certamente não nos meus posts. Não percebo bem o seu problema, que imagens é que não devem ser vistas hoje?
    Quem me dera estar na Capela Sistina, a fazer cópias e mais cópias.

  10. Marcos (da comuna IGUALITÁRIA de Lisboa) diz:

    Dirty Vidal (leia-se Dirty Harry pouco conseguido, embora ambos perfilhem a misoginia) é inteligente mas pouco. Dirty Vidal não identificou que os «quilos de clichés (que poderiam ainda ser mais bem burilados)» abaixo reproduzidos são rancierianos de fio a pavio.
    Diryt Vidal não só enfiou barrete, como se viu ao espelho e gostou: fica-lhe bem a desigualdade!
    Para finalizar esta entediante troca democrato/habermasiana (uso da razão dialógica e outros simulacros via blogue distantes da «vida inextricável». Ai se o Badiou soubesse…) deixo-o com trecho de Monsieur Rancière escrito expressamente para si:

    «La leçon émancipatrice de l’artiste, opposée terme à terme à la leçon abrutissante du professeur, est celle-ci : chacun de nous est artiste dans la mesure où il effectue une double démarche; il ne se contente pas d’être homme de métier mais veut faire de tout travail un moyen d’expression; il ne se contente pas de ressentir mais cherche à faire partager. L’artiste a besoin de l’égalité comme l’explicateur a besoin de l’inégalité (…).
    On peut ainsi rêver une société d’émancipés qui serait une société d’artistes. Une telle société répudierait le partage entre ceux qui savent et ceux qui ne savent pas, entre ceux qui possèdent ou ne possèdent pas la propriété de l’intelligence. Elle ne connaîtrait que des esprits agissants: des homme qui font, qui parlent de ce qu’ils font et transforment ainsi toutes leurs oeuvres en moyens de signaler l’humanité qui est en eux comme en tous».

    Jacques Rancière, «Le Maître Ignorant»

    Have a Long Sunday
    http://www.long-sunday.net/

  11. Carlos Vidal diz:

    Comigo ó seu Marcos, as coisas só funcionam através de hierarquia, desigualdade, trabalho e mais trabalho, disciplina férrea e alguma amizade, não por demagogos anónimos, claro.
    A sua arma é a citação. E delação, gosta?
    “Ai se o Badiou soubesse ……”, frase desdentada, muito desdentada. E parece-me que além de clichés também oferece barretes !………..
    E tem fetiches e bíblias e tudo. Ai se o Rancière soubesse !……..
    O pobre do Rancière nas mãos anónimas de um militar.
    O “mestre”, o outro mestre sabe de tudo, ó Marcos. E virá por aí para o subcomandante poder denunciar quem entender. Só que não é este Novembro/Dezembro (tem de esperar pelo próximo – e chame Rancière para o acompanhar, porque sem ele V. não é absolutamente nada).

    Dear Carlos Vidal
    (…)
    To come to Lisbon is for me a pleasure (I am in love with your town). But it will be really possible only after the summer, in November or December.
    (…)
    Bests,
    Alain Badiou

    (NOTA: o presente comentário foi alterado, porque reduzido apenas ao essencial)

  12. CV … Deixa-te de pica-pica Y Posta Lá mas é as tuas coisas … Se percebe, gostei da pincelada, não das gajas … gajas, gajas tenho muitas no espelhos cá de casa 😉

  13. O Marcos deve andar a comprar os Quadros do Paulo ( O TPinto!) … têm matemática y coisa y tal …

  14. Carlos Vidal diz:

    “Para finalizar esta entediante troca democrato/habermasiana …”, diz o sr. Marcos (mas anónimo, como convém, ainda por cima apresentando-se com um blogue que nada tem a ver com ele); o sr. Marcos saiba que aqui não finaliza nada – não estamos no mesmo plano (eu não sou um anónimo nem me escondo em pseudónimos baratos), e aqui sou eu que dou por terminados os debates ou discussões democráticas, sobretudo aquelas que tresandam a tom acusatório tribunalício, de que o meu caro deve ser representante e deligente serviçal do estado – do tribunal e da punição tribunalícia. Aqui o tom tribunalício não tem lugar e é por isso que o diálogo habermasiano terminou. Se tem saudade do seu trabalho nos tribunais do poder, há sempre espaço para mais um – aproveite.
    O pendor tribunalício revela-se em todos os pormenores: o homem julga que um cliché é menos cliché porque vem legitimado por Rancière. Nem que viesse assinado por Jesus Cristo: um cliché é um cliché. No seu tribunal é que há autoridades supremas, livros e códigos de leis e punição estatal conveniente. Aqui não se atreva mais a usar a sua linguagem de tribunal.
    O insulto e a intolerância são bem-vindos. A demagogia tribunalícia, não.

  15. Se calhar ainda é o rogériA, admira-te …

  16. Carlos Vidal diz:

    Não é De Puta Madre.
    O Marechal Marcos-anónimo (que deve ter prazer nisso, sonhando quiçá que está a caminho de uma nova Cosio d’Arroscia) tem leituras que o Rogério não tem. Agora o Marechal é limitadíssimo, pois com o que lê é nada subtil e de estratégia revolucionária é tb nada-zero; pouco ou nada dotado, repete à exaustão os mesmo princípios ou o que julga serem “princípios”. Ele não é um Marcos sem exército, ele é mais uma espécie menoríssima de André Breton sem arte nenhuma e sem exército. E não passará mais aqui.

  17. Almajecta diz:

    Ó grande partisan bugiardo da comuna igualitária do Samouco:
    Que arte tão existêncialista e libertária, pensais vós redimir-vos da tirania que causais com estes desenhos em negro de fumo no parlamento de todos os portugueses?
    Então não citais Rancière e seu mestre ignorante por vias de conselho do Comandante M.?
    E que tal aquela expressão dos desenhos acima com gatos?
    Aquele gesto espontaneo revelador de uma misoginia paternal associado ao branco da folha de papel apenas serve para erecções de 2ª mão comparadas com a arte post média em Silvstedt.

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