Os professores reclamam de barriga cheia?

Há um dichote famoso sobre a Estatística que assevera que um homem com o cabelo a arder e os pés congelados pode ser visto como estando à temperatura normal… A Fernanda Câncio parece ignorar essas minudências pacificamente. Com a aparente missão de demonstrar que os professores são na realidade uns calaceiros habituados ao privilégio, esta cronista lança mão de um estudo da OCDE recentemente apresentado. E respiga várias conclusões a la minuta, invariavelmente retratando os nossos professores em situações de grande conforto e pouco trabalho.
«A nível do ensino básico, o ratio professor/estudante é de um para 11, abaixo da média da OCDE (16); e no secundário é o mesmo, também abaixo da média (13) – com a curiosidade de no privado haver um ratio superior.» Pois. Mas atente-se à realidade: Portugal oscila entre zonas despovoadas, com baixa densidade populacional e efectivos escolares mínimos, e os grandes centros, onde se concentra a maioria dos alunos. Portanto, trata-se de um dado que, em bruto, pouco ajuda a perceber (daria jeito conhecer o desvio padrão respectivo).
Mais: «o tempo total de trabalho exigido aos professores portugueses (1440 horas/ano) está mais de 250 horas abaixo da média da OCDE». Note-se que não se trata de “tempo total”, mas sim de horário laboral, ignorando o tempo empregue fora da escola na preparação de aulas e correcção de testes, só para citar duas ocupações comuns. E o número de feriados em Portugal também ajuda ao caso. Por outro lado, a quantidade de horas de aulas por docente está bem acima das médias da OCDE e da Europa a 19.
Mesmo em relação aos vencimentos, a Fernanda encontra por cá um panorama rosado, embora não se perceba como: só no topo da carreira ultrapassam as médias europeias. E, mais uma vez, os vencimentos máximos têm uma relevância proporcional à percentagem de profissionais que os alcançam; faltam dados para poder tirar daqui slogans ou grandes revelações.
Mas nada disto parece bastar para impedir um veredicto sem apelo: «dificilmente o retrato de uma classe mártir e explorada. Antes pelo contrário.» Voltando ao princípio: a Estatística, bem manuseada, serve para quase tudo…

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29 respostas a Os professores reclamam de barriga cheia?

  1. Tal como respondi lá no sítio, no que diz respeito ao tempo que os professores passam na escola (o que é muito diferente do tempo que trabalham), os professores portugueses estão em 14º LUGAR (em 28 países), com TEMPOS DE PERMANÊNCIA NA ESCOLA SUPERIORES aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxemburgueses, checos, islandeses e noruegueses (pág. 58).
    No mesmo documento de 2006 poderá verificar que os professores portugueses estão em 21º LUGAR (em 31 países) no que diz respeito aos salários (pág.56)
    Quanto ao INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO (não em professores) EM RELAÇÃO AO PIB, estamos num modesto 19.º LUGAR (em 31 países) e que estamos em 23.º LUGAR (em 31 países) quanto ao INVESTIMENTO POR ALUNO (pág.32)
    (dados retirados do próprio relatório, via comentador do Arrastão. http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf
    Quanto aos números de alunos por professor, é do mais falacioso que existe. Se fosse verdade, é porque o Estado anda a contratar professores a mais, ou inclui disciplinas sem conta no «curriculum» dos anlunos (então no Básico, é um exagero!).
    No meu caso concreto, as minhas 5 turmas (3 do Básico e 2 do Secundário) têm todas entre 27 e 29 alunos. É todos os anos a mesma coisa. Claro que, se forem contabilizadas as escolas com menos de 10 alunos ou as escolas em que havia um professor para um aluno, como existia até há bem pouco tempo, talvez lá se chegue a essa formidável média.
    Outra vez o meu caso concreto no que respeita ao tempo de trabalho. 28 horas por semana de permanência na escola em aulas ou aulas de substituição / horas de biblioteca / etc.. Com preparação de aulas, preparação e correcção de testes e reuniões, facilmente ultrapasso as 35 horas semanais, que é o que trabalham os funcionários públicos.
    Outra vez o meu caso concreto no que respeita aos salários. Pouco mais de 200 contos ao fim de 15 anos a mais de 100 km de casa.
    Martirizado ou explorado? Claro que não. Mas privilegiado???

  2. Tal como a retórica, bem manuseada, serve para quase tudo…

  3. Um homem com o cabelo a arder e os pés congelados pode estar muito aflito, mas enquanto for SÓ isto (e se conseguir apagar o fogo antes de este se espalhar) dificilmente a sua temperatura deixará de ser 37ºC. Felizmente somos muito maus condutores térmicos. 🙂

  4. GL diz:

    E não só. Essa situação da cabeça a arder e os pés congelados não existe, é desprovida de senso (a não ser numa vindicta da máfia). Portanto, não se coloca. As médias fazem mesmo sentido. Já agora, deixo aqui um anúncio. Troco a minha vida desgraçada de publicitário por um empreguinho no Estado como professor. Minha especialidade é a língua portuguesa, versão 2.0 (sou especialista em acordo ortográfico).

  5. Luis Moreira diz:

    Ricardo,todos temos uma profissão.Eu sempre trabalhei mais horas do que o normal dos meus colaboradores.Muito mais horas.Fins de semana dentro do escritório são uma farturinha. Ganha 200 contos ao fim de 15 anos?Eu conheço professores que ganham 600 contos e não deviam ganhar metade.Gente de quem sou amigo de infância.Porque são mais velhos do que o Ricardo.Acha bem?Não acha, mas é isso que a maioria dos professores e dos sindicatos quer! Em que ficamos ? Quer ser pago segundo o mérito ou segundo a antiguidade? Quanto aos investimentos na educação é óbvio que o nosso está ao nível dos países da UE! O que não está ao nível são os resultados! E olhe que a opinião pública nem por sombras está a favor dos sindicatos!

  6. Gilson, o que o Luís quer dizer (e com razão) é que não basta uma média: é preciso uma medida de dispersão dos dados (tipicamente o desvio padrão). Os jornalistas (e a opinião pública) desconhecem isto e são frequentemente manipulados.
    Quanto ao resto, os professores não são nem desgraçados nem privilegiados. Ganham bem (em comparação) mas têm uma vida difícil.

  7. Trocava já hoje, Gilson.
    Por publicitário, por lambe-botas do regime ou por outra coisa qualquer.

  8. jpt diz:

    Já desisti de argumentar no jugular, estão em fase de campanha eleitoral socialista.

    A estratégia psicológica do governo tem sido brilhante. Sócrates percebeu perfeitamente a pequenez mesquinha e invejosa dos portugueses. Enfrentou as classes profissionais uma a uma, e estimulou a invejazinha, o rancor contra “os malandros que n fazem nada”, (e etc…), com o objectivo de pôr a opinião pública contra as classes profissionais e obter vantagens disso.

    Em portugal existe a ideia salazarista que trabalhar muitas horas e chegar cedo ao trabalhinho é que é. Eu estou-me borrifando pra se os deputados fazem ou n fins-de-semana prolongados, chegam cedo ou tarde, picam ponto ou não. Só quero que eles, e todos ou outros profissionais, cumpram a sua função.

  9. Luis Moreira,

    Nada do que o Luis disse está em causa. E nem eu me queixei de nada.
    Apenas quis pôr a verdade dos factos em relação aos números da ocde. só isso.

  10. Se é que um lamiré vale alguma coisa… confesso: dos meus seis anos dos trabalho docente, posso concluir que n é trabalho pesado. Sim, é confortável y bom de se levar. Tive sorte de ter adolescente sensatos, trabalhadores, interessados y motivados. Qd estive em Angra do Heroísmo, então, foi o paraiso. Tinha 24 horas lectivas. 8 Turmas. 222 alunos. atendento ao facto que a postura y disciplina dest 222 jovens Açoreano era Exemplar ( Impossível no Continente!!). Aquelas 24 horas equivaliam a um horário de 12 horas lectivas no Continente. Colocar Freio à falta de postura que os PAIS NÃO Cultivam na sua prole é deveras um trabalho inglório, chato, estúpido… Um Professor perder tempo y direccioná-lo para esta tarefa é VERGONHOSO para qualquer paizinho y mãezinha estérica-folgazões-desleixados-y-gozões. Sim. Desses que se querem armar em grandes, então que os tenham no sítio y saiam para a rua y enfrentem os governantes y etc …
    Posto isto … Andei em Agência de Publicidade y o trabalho, por vezes, altamente idiota era deveras mais cansativo … chegava a casa y n tinha ânimo para ver um simples programa de TV. Qd era Prof. Isso nunca me aconteceu! estava desprta y de sentido crítico para avaliar, pesar y etc … Ou seja: ainda bem, não é! No dia a seguir tinha putos que esperavam rebuçados para a mente. Levar “Roupa-velha” y/ou rescaldada era mais que desleixo… Eh ehe heh Uma vez apanhei uma turma ( putos da noite … que tinham chumbado 3 y 4 ano por causa do Descartes … – como eu tb n aprecio – transformei o Descartes em exaustivas aulas de D.Hume, seguramente, mais trabalhoso y Difícil do que o Descartes … Sim. Mandei o Programa passear … y depois foi lindo ver como eles se atiraram ao Descartes para o desconstruir com base o D. Hume y n com aquele “eu n gosto, eu n percebo, é esquisito etcs )… Educar para a Vingança! Pois, foi.
    Bem. Vou lá ler o Texto da F.C para ver se ela andou a apanhar papéis …

  11. De Puta Madre,

    Concordo que, normalmente, não é um trabalho pesado.
    Já fácil de levar, depende muito dos alunos que tiveres pela frente. Pode ser muito difícil de levar e, se for esse o caso, muitíssimo pesado.
    Tens razão quando dizes que eles, por vezes, já chegam tão mal-educados à escola que os professores nada fazem com eles. Um aluno da minha mulher, com 7 anos (2.ª classe), virou-se para a funcionária e disse «A D. xxxxx anda a chupar pilas»; e um outro, da 3.ª classe, disse o mesmo a uma colega.
    O que se faz a um miúdo destes? Õs professores não são pais, nem têm nada que ser.

  12. francisco diz:

    Cuba celebra el día de los derechos humanos con detenciones masivas de opositores del gobierno

    ABC.ES

    La Habana.- El gobierno cubano celebró ayer a su modo el Día Mundial de los Derechos Humanos: una treintena de opositores de distintas agrupaciones fueron detenidos entre ayer y anteayer en la capital y en las provincias de Villa Clara y Santiago de Cuba, según denunciaron fuentes de la disidencia interna.

    El arresto de los opositores de las provincias se produjo cuando se disponían a viajar a La Habana para participar en los actos programados ayer en protesta por las violaciones a los derechos humanos. Entre los detenidos figuran Jorge Luis García «Antúnez», Guillermo Fariñas, Idania Yanes o Lázaro Alonso, señaló a ABC el activista de derechos humanos Elizardo Sánchez, que subrayó que la mayoría seguía bajo arresto ayer por la tarde

  13. “Mesmo em relação aos vencimentos, a Fernanda encontra por cá um panorama rosado, embora não se perceba como: só no topo da carreira ultrapassam as médias europeias. E, mais uma vez, os vencimentos máximos têm uma relevância proporcional à percentagem de profissionais que os alcançam; faltam dados para poder tirar daqui slogans ou grandes revelações.”
    LR. Nessa parte todos os profs sabem que estão bem! Até quem entra para a “carreira” sabe disso. Os dados sueco/noruegueses são uma verdade inquestionável. Éramos miúdos com 23 anos y já sabíamos que a coisa ia melhorar com o tempo… O Problema é mesmo a que preço… Pois. Com o avançar dos anos começa a exasperar os comportamentos cada vez mais grosseiros nos modos dos miúdos, alimentados pelo tolo aplauso dos papás … ai, ai a rebeldia é própria da idade y etc. … A falta de formalidade acaba por ter deste tipo de inconveniente. O tempo que deve ser canalizado para Educar y Ensinar é desperdiçado com chamadas de atenção absurdas. Não sei qual é a tua profissão, mas é, como se, estando a registar as tuas compras no supermercado a moça da caixa resolvesse fazer tudo y mais alguma coisa y falar com todos y mais alguns y só de vez em quando te ir registando as compras. Depois, mandas chamar o gerente y este diz-te que tu é que não tens nem perfil de cliente, nem sabes ser, nem compreendes a a dinâmica, criatividade y etc da Sra. da Caixa… Bolas! Y se não fores àquele supermercado, está condenado à fome. Logo tens que te ir adaptado à forma de ser da Sra. da política d empresa, da filosofia do gerente … y matas a fome, mas ganhas um carradão de nervos por nada. FORMALIDADE é do qu carecemos todos para ensinar aos putos. … … … Epá nunca gostei de RockStars, nem dos imbecis da Indústria da música … pouca paciência para essa gente. Não tem nada a ver.??? Olha que tem. Tem. Tem. Há que situar os putos no espaço público y no espaço público institucional. … Acho que a FC só não consegue mesmo é mensurar o arrombo do desgaste Psicológico que é ter trinta versões de corportamento Exemplar numa sala de Aula! Percebes? É! Isto de que cada um é o modelo, o exemplo, y nada de denominadores comuns nas maneira … “tudo ao molho y fé em Deus” – os 30 paradigmas de “boas-maneiras” – numa salinha é heróico o sobrevivente! ( Eu tive sorte com os putos que tive … y acredita que quando cheguei ao Açores fiquei abismada com verticalidade na postura! Pensas que os putos eram panhonhas??? Cá nada! … P. Ex. Logo no início, os putos testam os teus limites. Os meus, no início tb são de Cristal! Que é para saberem rápido a qualidade da Farinha. Y mandei 3 putos para a Rua. ( Posso te dizer: por dá cá aquela palha!) Eh ehe ehe Sabes o que é que aconteceu? Imagina. A directora de turma veio ter comigo, saber o que é que se tinha passado. Os pais ficaram furibundos com o facto de terem levado uma falta disciplinar!!!!!!!!! Até podiam ser “BURRROS!” mas mal comportados! Jamais! Isso eles sabiam y estavam bem instruídos de casa para o colocarem em prática. Lá tranquilizei a Directora para serenar os país que nada de muito grave tinha ocorrido, apenas fora uma chamada de atenção de que eu ainda tinha menos tolerância do que era habitual ter-se para certos comportamentos. Sabes o que aconteceu??? Aqueles três putos – mesmo quando a turma estava mais animada y divertida – eles estavam em sentido. Sim! Participavam na Aula, mas pediam licença com uma genuína formalidade y circunspecção que não voltei a encontrar. Remédio Santo!!! Falta este sentido de Saber- Estar, aqui no Continente. Quem o Transmite? Os pais, meu caro. Os pais. O professor está na aula para outras coisas, y para educar tb mas para planos para além do comportamento formal. O professor Educa para a atitude.

  14. Ouuupss
    Esta coisa do continente y ilhas é mais para assinalar que Eu teria estoirado – seguramente – se no continente tivesse 24 horas- 8 turmas – 222 alunos!
    Tive sempre sorte com os alunos ( idades 15/16/17 y há noite rondavam os 20/25 um ou outro nos 40) … mas soube de muitos colegas para quem a sorte foi verdadeiro manicómio … com aulas Pitt-bull. Se os papás querem bons profs façam o Trabalho De Casa! TDC ” Enquanto se come não se fala!” Ou seja: Os putos vão para a escola comer saber. Exactmente isso: falam quando solicitados y quando o que estiver delineado o prever y conforme o Prof. disposer. Isso é TDC.

  15. F-se! prever y Disposer … eh ehe he que Classe!

  16. João diz:

    Só me apetece cantar “salvem os ricos, ajudem os milionários…”

    tem que se poupar na educação para dar aos loureiros e rendeiros deste mundo… (diz-me com quem andas….)

    sim porque esses são muito honestos e competentes…

    os professores é que são uns malandros que se andam a encher…

  17. GL diz:

    “Por publicitário, por lambe-botas do regime ou por outra coisa qualquer.”

    Há sempre a hipótese de sermos lambe-botas do PCP. Com certeza que deve ser um posto de emprego mais vantajoso do que lambe-botas do governo. Pelo menos deve haver mais direitos garantidos e devem sair todos às 18h. Olha, essa é que é essa. Empregado do PCP. Todos os ex-empregados do PCP que conheci hoje são ricos e prósperos. E fartam-se de trabalhar para todos os governos, não importa qual.

  18. Luis Rainha diz:

    “ricos e prósperos”? E quantos conheceste?

  19. Pinto diz:

    Luís Rainha,
    “(…) Pois. Mas atente-se à realidade: Portugal oscila entre zonas despovoadas, com baixa densidade populacional e efectivos escolares mínimos, e os grandes centros, onde se concentra a maioria dos alunos (…)”

    Será que os EUA (com 16 alunos por professor) não sofrem desse mesmo problema, principalmente nos estados so sul?

    Mas se a explicação é esta (e eu pensava que era, antes, o escandaloso número de professores dedicados a tempo inteiro à actividade sindical), qual a explicação para um professor em Portugal, com 15 anos de serviço, receber mais que um professor na Itália, Grécia, Suécia, Islândia, Israel … com o mesmo tempo? (ver página 56 do estudo).
    Qual a explicação para um país com um PIB per capita de US 20410 (caso de Portugal), pagar mais aos seus professores que um país com um PIB per capita de US 32525 (Suécia)?

    E qual a explicação para isto?: “Salaries at the top of the scale are on average around 70% higher than starting salaries for both primary and secondary education, though this differential usually varies between countries largely in line with the number of years it takes for a teacher to progress through the scale. For instance, top-of-the-scale salaries in Korea are almost three times that of starting salaries, but it takes 37 years to reach the top of the scale. In Portugal, however, the ratio of salaries at the top of the scale to starting salaries is close to that in Korea, but teachers reach the top of salary after 26 years of service.”

    Portugal é o país onde o professor chega mais rápido ao topo da carreira (26 anos). Neste género de conclusões indicam sempre os dois extremos e para se referirem ao número mínimo de anos necessários para alcançar o topo foram buscar Portugal.
    E é aqui que o Governo quer mexer (e bem). E é aqui que está o dó dói dos professores. Qual modelo de avaliação qual que.

    E qual a explicação para Portugal gastar 95% do orçamento da educação em ordenados, sobrando uns míseros 5% para o resto (equipamentos, instalações, projectos, etc.)? Não há país que gaste maior percentagem do orçamento em ordenados que Portugal. Resultado: as instalações e equipamentos são obsoletos.
    Se um professor em Portugal recebesse tanto como um professor na Islândia (esse país subdesenvolvido) ou na Suécia, talvez houvesse mais dinheiro para equipamentos. Mas provavelmente era pedir muito.

  20. Tens alguma razão, Gilson.
    Olha o Vital Moreira! Rico e próspero é ele!

  21. Sejeiro Velho diz:

    Nos outros países da Europa também há zonas rurais de baixa densidade populacional, também há bairros problemáticos e pais protectores de meninos malcriados.
    A comparação entre os racios europeus e os nossos é perfeitamente válida.

  22. Pinto.
    “… pagar mais aos seus professores que um país com um PIB per capita de US 32525 (Suécia)?”

    A Suécia n é exemplo para nada… Acredita!
    ……..
    Porque n esquecer essa coisa do mensurar o desempenho, como a Espanha fez ( percebemos bem que a Injustiça será mais abundante do que a Justiça … teimar nisso é prder tempo, dinheiro e equlíbrio emocional) y passa para O Exame Nacional de Acesso à Carreia Docente ( Manter a à formação Contínua !) y democratizar os Vencimentos. Igual do início ao Final da Carreira.
    …………….
    Essa de andarem à procura do Professor Cristiano Ronaldo Ou José Mourinho é coisa Senil!

  23. Pinto,

    Não seja demagógico.
    Há 300 professores a trabalhar em exlusivo nos sindicatos (e até acho que não devia haver nenhum).
    Mas há milhares de professores a trabalhar no Ministério e nas Direcções-Regionais, e vem-me dizer que o «ratio» é por causa dos professores dos sindicatos? E com esses, que nem sequer são avaliados, não se preocupa?
    Tenha vergonha.
    Pág. 56: Os professores portugueses estão em 21º LUGAR (em 31 países) no que diz respeito aos salários. Mas já não o incomoda que o Governador do Banco de Portugal seja quinto mais bem pago do mundo, à frente do Americano, do Europeu e por aí fora?
    Com 15 anos de seviço, ganho pouco mais de 200 contos, sendo que 80 vão para o alojamento, refeições e gasolina na escola onde trabalho, a mais de 100 km de casa. Coitados daqueles que ainda ganham menos do que eu nos outros países.
    Se calhar os dos outros países é que ganham pouco (por isso é que estão com falta de professores), não são os professores que ganham muito, a não ser os que estão no topo da carreira.
    A maior parte dos professores ganha menos do que um sargento. Os assistentes sociais ganham mais. Os fiscais da Segurança Social ganham mais. E por aí fora.
    Nem sequer percebo por que vai buscar os salários dos professores para a discussão, se nunca isso esteve em causa. É que, para defender o Governo, vai-se buscar tudo, não é?
    Qual é a explicação para Portugal gastar 95% do orçamento da educação em ordenados, sobrando uns míseros 5% para o resto (equipamentos, instalações, projectos, etc.)? É o Governo, precisamente, não invetir em mais nada na educação a não ser no salário dos professores. Que invistam!
    Mas já agora, transcrevo a respsota que o Caifás lhe deu a propósito deste mesmo comentário no «Arrastão»:
    Pinto, «imortal» Pinto… Tão amigo do relatório da OCDE que ele é! Ora é pena que não tenha lido tudo até ao fim, porque nem sequer o leu. Então, aqui vai:

    http://www.oecd.org/dataoecd/44/35/37376068.pdf

    Se for à página 58, verá desmontada a convicção generalizada de que os professores portugueses passam pouco tempo na escola e que no estrangeiro não é assim.

    É apresentado, no estudo, o TEMPO DE PERMANÊNCIA na escola, onde os professores portugueses estão em 14º LUGAR (em 28 países), com TEMPOS DE PERMANÊNCIA NA ESCOLA SUPERIORES aos japoneses, húngaros, coreanos, espanhóis, gregos, italianos, finlandeses, austríacos, franceses, dinamarqueses, luxemburgueses, checos, islandeses e noruegueses!

    No mesmo documento de 2006 poderá verificar, na PÁGINA 56, que os professores portugueses estão em 21º LUGAR (em 31 países) QUANTO A SALÁRIOS!

    Na PÁGINA 32 poderá verificar que, quanto a INVESTIMENTO NA EDUCAÇÃO (não em professores) EM RELAÇÃO AO PIB, estamos num modesto 19.º LUGAR (em 31 países) e que estamos em 23.º LUGAR (em 31 países) quanto ao INVESTIMENTO POR ALUNO.

    Resumo – directamente da fonte, não de um outro «site» à la «copy / paste»:

    Países onde se ganha mais na europa:

    Luxemburgo, Suíça, Alemanha, Escócia, Holanda, Irlanda, Inglaterra, Espanha, Bélgica, Finlândia, Dinamarca, Áustria, Noruega e França.

    Países onde se ganha o mesmo:

    Itália, Suécia e Grécia

    Países em que os professores trabalham mais horas:

    Alemanha, Holanda, Irlanda, Bélgica, Escócia, Polónia (incluindo as horas não-lectivas, mesmo aquelas para preparação de aulas, reuniões,etc. Em Portugal AS HORAS PARA PREPARAÇÃO NÃO ESTÃO INCLUÍDAS…).

    Os países não enumerados encontram-se atrás de portugal.
    Conclusões finais:
    a) nos países em que os professores trabalham mais horas do em que Portugal, os professores ganham mais;
    b) nos países onde se ganha o mesmo que em Portugal, os professores trabalham menos;
    c) na maioria dos países onde se ganha mais, os professores trabalham menos.»

    Para acabar, o dói-dói dos professores é o modelo de avaliação, mas é principalmente o Estatuto da Carreira Docente, sim. A disparatada divisão entre professores e professores titulares, que não existe em mais nenhum país do mundo. Nenhum!!!
    Só por isso. Quanto a mim, não me custa nada a aceitar a existência de quoas no acesso ao topo da carreira. Mas anteção! Quotas na progressão, não na avaliação.
    Há uma diferença muito grande! Se dois professores merecem ter Muito Bom, então devem ter Muito Bom. A partir daí, o Governo tem todo o direito de fixar quotas (número de vagas) para o acesso a cada escalão de vencimentos.
    É como no acesso à Faculdade. Há quotas no acesso aos cursos (número de vagas) e os que têm melhores notas é que entram. Mas não se impõem quotas nas notas a dar aos alunos.
    Felizmente, tenho uma posição que, em muitas coisas, vai contra aquilo que os sindicatos defendem. É pena que nem todos, que se posicionam do lado do Governo, possam dizer o mesmo.

  24. Currículo de uma turma do 8.º Ano:

    Língua Portuguesa
    Língua Estrangeira I
    Língua Estrangeira II
    História
    Geografia
    Matemática
    Ciências Natuais
    Físico-Química
    Educação Visual
    Educação Tecnológica
    Educação Física
    EMRC
    TIC
    Estudo Acompanhado
    Área de Projecto
    Formação Cívica

    16 disciplinas! Eles são malucos! Depois, claro, dá uma média de 16 professores para uma turma de 28 alunos.
    E a culpa de quem é? Dos professores? Claro, deve ser.

  25. Pinto diz:

    Ricardo Santos Pinto,
    Ou é porque estão 300 nos sindicatos ou milhares nas direcções regionais ou não sei quantos mais em não sei o quê, a verdade é que Portugal consegue um ratio de 8 professores por aluno e depois as turmas conseguem ser maiores que a de alguns países em que o rácio é de 12 por aluno (caso da Suiça e França). Que é feito dos professores então? Nos outros países não há sindicatos? Nos outros países não há direcções regionais? Não sei.

    “(…) Pág. 56: Os professores portugueses estão em 21º LUGAR (em 31 países) no que diz respeito aos salários (…)”

    E desse mesmos 31 países, quantos têm um PIB per capita mais baixo que Portugal? Eu respondo: 4 (Polónia, Hungria, México e Chile).

    “(…) Com 15 anos de seviço, ganho pouco mais de 200 contos, sendo que 80 vão para o alojamento, refeições e gasolina na escola onde trabalho, a mais de 100 km de casa (…)”

    Em primeiro lugar não tem 15 anos de efectividade. Muitos deles estava em regime de contrato. Em segundo lugar, um professor em início de carreira, com horário completo (22 horas semanais) recebe mais que €1000. A menos que ainda não tivesse adquirido efectividade e não tenha horário completo, recebe mais que isso. Em terceiro lugar, o tempo e dinheiro que gasta em transportes e alojamento é um problema seu; é pura gestão familiar.
    Se eu trabalhar em Lisboa e comprar casa em Figueiró dos Vinhos e lá quiser ir todos os dias, obviamente que gasto muito dinheiro em viagens. Mas isso é um problema meu.

    “(…) Qual é a explicação para Portugal gastar 95% do orçamento da educação em ordenados, sobrando uns míseros 5% para o resto (equipamentos, instalações, projectos, etc.)? É o Governo, precisamente, não invetir em mais nada na educação a não ser no salário dos professores. Que invistam!(…)”

    E cortam onde? Na saúde? Na segurança interna? Na justiça?

    E não se apoie nos comentários do Caifás porque, tal como lhe respondi na altura, dizia muitas inverdades, nomeadamente que os professores em Portugal ganhavam os mesmos que na Suécia, Itália e Grécia. Bem sei que olhando para o gráfico a dois metros do monitor até parece que as barras estão à mesma altura mas a verdade é que há diferenças (substanciais).

    “(…) Há uma diferença muito grande! Se dois professores merecem ter Muito Bom, então devem ter Muito Bom. A partir daí, o Governo tem todo o direito de fixar quotas (número de vagas) para o acesso a cada escalão de vencimentos (…)”

    Mas essa não é uma guerra exclusiva dos professores. É de toda a função pública.

  26. Pinto diz:

    “Comentário de De Puta Madre
    Data: 13 Dezembro 2008, 11:45

    Pinto.
    “… pagar mais aos seus professores que um país com um PIB per capita de US 32525 (Suécia)?”

    A Suécia n é exemplo para nada… Acredita!”

    Até acredito. Mas a verdade é que a Suécia tem um Índice de Desenvolvimento Humano de 0.956 (sexto país com o IDH mais elevado do mundo) e Portugal de 0.897 (vigésimo nono com o IDH mais elevado do mundo).
    A Suécia até pode nem ser exemplo (é sempre exemplo mas neste caso não convém sê-lo) mas o Chile também não o é – a ministra é acusada de copiar o modelo de avaliação chileno). Então qual é? O que convier para o caso?

    “(…) Porque n esquecer essa coisa do mensurar o desempenho, como a Espanha fez ( percebemos bem que a Injustiça será mais abundante do que a Justiça … teimar nisso é prder tempo, dinheiro e equlíbrio emocional) y passa para O Exame Nacional de Acesso à Carreia Docente ( Manter a à formação Contínua !) y democratizar os Vencimentos. Igual do início ao Final da Carreira (…)”

    Porque a ideia também passa por condicionar o acesso ao topo da carreira, óbvio.
    É óbvio e é compreensível.

  27. Pinto,

    Esse «ratio» de 8 professores por aluno é uma mentira. Se descontarem todas as escolas em que há um professor para 10 alunos ou menos, vai ver que a média é bem superior. Aliás, no ensino básico e secundário, são as próprias Direcções-Regionais que não permitem às escolas ter turmas com menos de 20 alunos, a não ser que sejam turmas com alunos com NEE (e mesmo assim, nem sempre). Em casos normais, NÃO HÁ TURMAS COM MENOS DE 20 ALUNOS.

    Os professores contratados com horário completo ganham cerca de 1000 euros por mês. Os professores que entram para os Quadros, durante o primeiro ano, continuam a ganhar esses 1000 euros. É o chamado ano probatório.

    Essa da gestão familiar é engraçada. A minha mulher trabalha no Porto e a conta com a minha sogra para tomar conta da minha filha de 5 meses. Mas para si é fáci: é andar de casa às costas todos os anos. Nos últimos 4 anos, estive em 5 escolas: Paços de Ferreira, Resende, Tarouca, Souselo e Cinfães.
    Uma colega minha está há 4 anos a 200 km de casa, e tem uma filha pequenina para cuidar. O marido não pode sair de lá porque é lá que tem o emprego. A miúda é lá que tem a escola e os amigos.
    Isto demonstra que uitos professores (milhares) não são privilegiados nenhuns. Não querer reconhecer isto demonstra pura insensibilidade, maldade e mesmo ódio para com os professores.
    Os professores não ganham nem mais um tostão por estarem deslocados, mas os magistrados e juizes ganham mais de 500 euros por mês de subsídio de renda, mesmo que habitem a 5 minutos do tribunal. O que se diria se os professores tivessem esse privilégio?
    Os professores são obrigados a ir, mas os médicos dão-se ao luxo de escolher, e nem com oferta de casa e outras benesses vão para certas terras. O que se diria se os professores tivessem esse privilégio?
    (mas poupe-se com os professores, porque parece-me que em breve vai começar a falar dos médicos)

    Cortem onde quiserem. Não sei o que sugere. Que diminuam o salário aos professores? Isso não pode ser feito. Que contratem menos professores? Já reduziram as contratações ao mínimo. Que despeçam os professores efectivos? Não podem. Que esperem que eles morram? Demora algum tempo. Que os mandem para a reforma? Seria a Segurança Social a pagar. Que não os deixem chegar a todos ao topo da carreira? É o que vai ser feito (e até acho bem). Não sei mesmo o que sugere.

    Cconceda ao menos que a culpa de todos os males da educação é dos professores. E conceda também que, entre tantos ladrões que andam para aí a fugir aos impostos, os professores não são dos piores – não passam de trabalhadores por conta de outrém.
    Não são banqueiros, não são milionários ajudados pelo Estado.

  28. AAS diz:

    Que bom haver artigos destes a atacar os professores! Assim já o PM não se pode queixar – lamúrias – que o “deixaram sózinho” nessa batalha…. Ele quer “miminhos”, e ele há tantas formas de os dar! É preciso é imaginação!
    Agora a sério. Este artigo da FC é uma vergonha, pela manipulação das estatísticas de que usa e abusa e pela desinformação que propala.
    Já tenho saudades das suas diatribes na defesa das traduções inglesas de alguns autores russos, em detrimento da “indigência” das traduções portuguesas. A Relógio d’ Água que se cuide! O casal Guerra não é boa companhia… São portugueses, não se vê logo?
    E os livros são tão caros! Valha-lhes os 2250 euros de presente de natal para poderem comprar um livrito ou dois…

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