Como ter o prato sempre cheio, mesmo sem comida

Há uns dias, dei com uma curiosa exposição de louça das Caldas no Centro Cultural de Cascais. Estranhamente, não há por lá nem um desses coisos em que estão a pensar. Mas há muitas peças como esta que a minha miserável fotografia tenta mostrar. Além dos seus méritos estéticos, o prato em apreço parece-me demonstrar uma curiosa estratégia de minimização do impacto da fome: por pouca comida que o pobre tivesse em casa, a visão de abundantes pratadas de marisco talvez acalmasse o apetite, enquanto se roía mais um pão da véspera – mais dia, menos dia, o governo ainda se lembra de ressuscitar esta curiosa tendência decorativa.
Adiante. Esta artimanha também é similar à que alguns jornais têm usado para inflacionar a sua circulação paga. Enviam molhos de 100 jornais para universidades e afins, vendendo cada entrouxo a 1 euro (já que não podem ser gratuitos). E pronto: assim se disfarçam vendas medíocres que desmoralizam redacções e afugentam anunciantes. Aposto que ideias tão deslumbrantemente geniais só florescem com este viço em Portugal.

Este artigo foi publicado em cinco dias. Bookmark o permalink.