“Chefe da ETA urinou nas calças quando o prenderam em França”

Este é o título de uma notícia do DN publicada pelo jornalista Hugo Coelho (que não coloco o link), que li a partir de um texto da Ana Matos Pires no Jugular.
A informação “útil” que lhe dá o título, não será produto da cabeça do autor da notícia, mas sim o eco da típica campanha do estado espanhol em denegrir todos os nacionalistas bascos. Esta “informação”, aparentemente “curiosa”, faz parte da estratégia de humilhação do povo basco pela Madrid imperial. Não nos esqueçamos que, apesar dos processos migratórios iniciados por Franco e incentivados por Aznar, os nacionalistas bascos (maioritariamente não apoiantes da ETA) continuam a ser maioritários em Euskal Herria.

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19 respostas a “Chefe da ETA urinou nas calças quando o prenderam em França”

  1. M. Abrantes diz:

    O que denigre alguns nacionalistas bascos não será nunca um humano ‘mijar nas calças’, mas sim os assassínios absolutamente covardes que praticam ou de que são cúmplices, morais e/ou materiais, enquadrados numa nojenta filosofia de terror sem escrúpulos.

  2. CMF diz:

    E este texto serve para quê? Para branquear terroristas, gente desprezível, chamando-lhes nacionalistas?

  3. António Figueira diz:

    Não será o produto mas sim o eco… Tiago, estavas lá? Vistes? Sabes? É que se não, estás a fazer a chamada teoria da conspiração… E Madrid imperial – para um Estado democrático dos mais descentralizados da Europa? E processos migratórios iniciados por Franco e incentivados por Aznar? – Tiago, perdoa-me, mas isso não tem sentido nenhum.
    Abraço, AF

  4. Carlos Vidal diz:

    Tiago, acho que politicamente podemos concordar em muito do que é essencial, mas quanto ao nacionalismo (e até podemos abstrair-nos da questão basca por agora) quanto ao nacionalismo, dizia, há que pensar duas ou mais vezes. Nunca condenaria a ETA por ser “terrorista” (o comentário de CMF, acima bem podia ser apagado que não se perdia nada, acho eu), mas afastar-me-ia da ETA por matar por uma ideologia que liga o nacionalismo à identidade e a identidade ao território. Atenção que foi essa ligação da identidade ao território que criou o desastre de Israel, desastre para o povo palestiniano, claro está.
    Claro que quando a ETA matou Carrero Blanco, o primeiro de Franco a coisa pouco ou nada me incomodou, foi pena o dito “terrorismo” não ter atingido o próprio Franco, e há muito tempo atrás. Pena mesmo a ETA não o ter conseguido. Agora o triângulo nacionalismo-identidade-território, já me causa algum afastamento.

  5. CMF diz:

    “(o comentário de CMF, acima bem podia ser apagado que não se perdia nada, acho eu)”
    Felizmente, este blogue não segue nem nunca seguiu práticas estalinistas. (Para desgosto do Carlos Vidal?)
    Quanto a não condenar a ETA por ser “terrorista” (as aspas, ai as aspas), talvez isso diga ainda mais de si do que os impulsos censórios. Mas este é o drama de uma sociedade que ser quer tolerante, não é? Tem que tolerar os intolerantes. Até ao vómito.

  6. Carlos Vidal diz:

    Claro que um comentário pode ser apagado (devia ser apagado) se for vazio e nada acrescentar a nada, se for uma acusação ou um apontar de dedos sem conteúdo, como é o caso do que escreve aqui CMF. O que é que se perdia apagando um comentário que se limita a repetir o que todos ouvimos milhares de milhões de vezes? Mais um num milhão milhão milhão ….? E isso é útil? Para quê?

    Bom, mas este post é do Tiago Mota Saraiva. E é um post interessante.
    Desculpa, Tiago, o espaço é teu, obviamente.

  7. Luis Rainha diz:

    Deixa lá isso de apagar comentários para aqueles que ofendem e difamam terceiros.

  8. “Claro que um comentário pode ser apagado (devia ser apagado) se for vazio e nada acrescentar a nada, se for uma acusação ou um apontar de dedos sem conteúdo, como é o caso do que escreve aqui CMF.”

    Um comentário é assim mais ou menos como um voto no PS, não é, Carlos?

  9. Carlos Vidal diz:

    Oh Filipe, continue, continue …………………

  10. José Eduardo de Sousa diz:

    Nas Memórias dum Inspector da Pide, Fernando Gouveia, conta um episódio em que um oposicionista teria urinado ou defecado, não me lembro bem, no momento em que fora preso. Omito o nome, naturalmente. Chegado à sede da Pide , impediram-no de proceder a qualquer espécie de higiene. Gouveia conta o caso (inventa, pouco importa…) com asqueroso gáudio. Fanático de Salazar, inimigo do PC e de tudo que fosse antisalazarista, prolongava assim o seu ódio e fazia o “trabalho” que ainda lhe era possível depois do 25 de Abril.
    Não vejo no post de Tiago Mota Saraiva uma qualquer simpatia pelo terrorismo da Eta. Nem simpatia, nem condenação. Condena, sim, uma forma de fazer jornalismo e refere-a com um certo “enquadramento”. E aqui aflora levemente o problema do nacionalismo e do antinacionalismo basco. Mais este do que aquele. Não vou dizer nada sobre a sua apreciação, mas digo que não basta ser antiterrorismo para se ser imaculado e puro. O Bush sê-lo-ia, antiterrorista, e/ou aproveitou-se de tal, para fazer uma política imperial, sem medida, nem escrúpulos. Bem, e não se poderá dizer que tenha sido um Santo Homem.
    Resumindo, o que o DN fez, ao incluir aquela matéria “informativa” do etarra se ter urinado e pondo tal coisa em título fez, ele sim DN, uma porcaria.

  11. Fortuna diz:

    E porque é Euskal Herria como agora utilizam os etarras e nao Euskadi como lhe chamam os nacionalistas? Será apenas ignorância?

  12. Tiago Mota Saraiva diz:

    Caríssimos, por se escrever sobre ou a favor (que até nem é este o caso!) do nacionalismo basco, não se quer branquear/defender a acção da ETA. O nacionalismo basco tem um valor cultural muito mais enraizado do que os media portugueses possam entender, e a ETA actual é uma consequência (agora sim aqui vem um adjectivo que revela um pouco da minha opinião sobre o assunto…) tremendamente nefasta da luta do povo basco.

    António, se é verdade que Espanha tem um estado descentralizado (eu diria regionalizado…), também concordarás que a sua relação com o Franco e com os diversos nacionalismos ainda está por resolver. E a monarquia não ajuda à democracia.

    Carlos, embora concorde contigo no afastamento ideológico relativo ao que denominas como triângulo nacionalismo-identidade-território, existe no nacionalismo basco uma resistência pela manutenção de uma identidade cultural própria.

    Fortuna, Euskal Herria quer dizer País Basco em basco (euskera). Tanto não é verdade o que escreve que ETA são as siglas de Euskadi Ta Askatasuna. Salvo o erro, Euskal Herria quer dizer “terra de euskera”, ou seja terra da cultura (euskera) basca.

  13. Chuckie Egg diz:

    não acompanho assim tanto estas discussões (raramente conseguem ultrapassar o ruído de fundo) mas assinalo com prazer que pela primeira vez ouço falar de Carrero Blanco. Já viu o filme, “Operacion Ogro”?

  14. António Figueira diz:

    Tiago,
    Eu dispenso bem os reais, mas bolas, acho que não vais atacar as credenciais democráticas de nenhuma das actuais monarquias europeias; Estado regionalizado é até mais do que descentralizado: a Espanha não se federalizou, mas cada uma das suas 19 autonomias tem largos poderes de auto-governo, a começar pelo País Basco; o franquismo foi o que foi, não me parece que ainda haja muito “a resolver” na relação da Espanha pós-franquista com as identidades regionais.

  15. filinto diz:

    Tiago,
    a diferença entre Euskal Herria e Euskadi tem a ver com os territórios que falam euskera, sim, e os chamados territórios históricos, que além da actual Comunidade Autónoma Basca, incluem ainda o chamado País Basco francês, Navarra e uma nesga de Burgos (creio). O título da notícia simplesmente não é notícia, é abjecto e, contrariando o primeiro comentário do António, mesmo que não se possa desmentir e tenha sido verdade que o homem urinou nas calças, qual é o interesse? Mas urinou por ter problemas de rins? E não sendo notícia porque foi divulgado?

    “não me parece que ainda haja muito “a resolver” na relação da Espanha pós-franquista”
    Há um Estatuto de Autonomia por cumprir (ou reformar) e há um direito de referendo que não é reconhecido, por exemplo. Há também uma política anti-terrorista que, em certas circunstâncias (e mesmo antes do 11/9/2001), é mais “dura” (eu diria cega) do que a da Inglaterra de Thatcher. Há presos a milhares de km das suas comunidades, alguns até nas ilhas. Há partidos que representam mais de cem mil eleitores que foram ilegalizados a dedo, e também jornais.
    António, enquanto o País Basco e a Catalunha, enquanto argumento eleitoral, derem votos aos partidos do poder, em Madrid, a relação da Espanha pós-franquista com as identidades regionais não estará resolvida.

  16. … e então, se forem terroristas e matarem pessoas a torto e a direito, existe sempre quem lhes faça fosquinhas nas costas. Bah!

  17. E quanto à atoarda de que a monarquia não ajuda à democraticidade do regime, essa deve ser a anedota do dia. Sempre ajudou mais que a república do Azaña, que levou o país à guerra e à ditadura. Que ridículo… Todos percebemos muito bem o porquê do ataque dos radicais à monarquia. Para o xenófobo Rovira, por exemplo, a instituição é o maior obstáculo às suas aspirações a ditadorzinho de pacotilha e o eleitorado percebeu isso muito bem, quando TODOS os radicais levaram uma valente sova nas últimas eleições.

  18. TMS diz,
    “faz parte da estratégia de humilhação do povo basco”

    Não, acho que faz parte de uma estratégia de humilhação dos terroristas. Também julgo que, mais que agendar apoios ao putativo “imperialismo de Madrid”, o DN, acéfalo subsidiário da imprensa estrangeira, apenas repete a graça.

  19. Se Moncho diz:

    É totalmente falso que o Reino de Espanha seja um estado quase federal. Há uma administração descentralizada, mas a capacidade normativa das regiões é muito limitada. Além do mais em caso se conflito sobre competências, o poder central quase sempre ganha, já que o tribunal constitucional raramente dá a razão as comunidades autónomas. E em todo caso nunca em temas importantes.

    Os EUA são um pais federal, e ali há estados com pena de morte e outros sem ela. O Canada é uma republica federal, onde os estados são livres para escolher a língua oficial, ou para organizar referendos de independência. No Reino de Espanha todo o aparelho da justiça depende exclusivamente do governo central, e os juízes têm a obriga de conhecer e usar o castelhano, mas podem ignorar totalmente a língua dos cidadãos (periféricos) que estão a julgar.

    No Reino de Espanha multam aos atletas que ousam

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