Um belo começo


O novo Movimento Esperança Portugal apresentou a sua cabeça de lista às europeias, a impagável Laurinda Alves. Rui Marques confirma-se como eminência parda (com “d”; nada de brincadeiras) do MEP.
Palpita-me que muitos momentos de boa disposição ainda vão sair dali. De já para já, fiquemos com a citação orgulhosamente inscrita (com um destaque um pouco menor do que o simpático «Contribua») no frontispício do site da coisa: «Tudo o que é construído no mundo é construído pela esperança.»
A frase é ali atribuída a Martin Luther King. O que está quase certo. Quase, porque ela na realidade foi escrita por Martinho Lutero (embora, claro está, sem aquela vírgula a intrometer-se entre sujeito e predicado). O que não é bem, bem a mesma coisa. Isto promete.

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14 Responses to Um belo começo

  1. NM diz:

    É bom saber que podemos contar com mais um partido recheado de profissionais capazes… Será isto um sinal da ObamaMania à portuguesa?

    Agora contemos o tempo que vai demorar a corrigir o esperançoso site…

  2. “A frase é ali atribuída a Martin Luther King. O que está quase certo. Quase, porque ela na realidade foi escrita por Martinho Lutero (…). O que não é bem, bem a mesma coisa.”

    É só um “King” de diferença. E alguns séculos :).

  3. fogo diz:

    O esforço deles é interessante, vá lá…
    não sejam assim.

  4. Luis Moreira diz:

    Mete medo a quem, um novo partido? Estamos contentes com o CENTRÃO dos negócios? Com a esquerda que se odeia fraternamente? Com o PC muito contente com os 10% não vá ser chamado às chatices governativas? Com a esquerda socialista de Alegre e Louçã com medo de tirarem a maioria a Sócrates? Então,temos que nos acomodar? Não há saída?

  5. Pois. É mesmo melhor que me citem a mim: “F-se!” .

  6. Luis Rainha diz:

    Medo? Só se for pela Laurinda…

  7. Fraquinho, Luis Rainha, muito fraquinho. E mesquinho também.

    É só isso o que tem a dizer? O “misauthoring” da frase?

  8. … e o problema da vírgula.

  9. Nuno diz:

    O meu voto é neste momento incolor, motivo pelo qual fui ler o manifesto do MEP com genuína esperança, deparando-me com possivelmente o texto ideologicamente mais genérico que já li.

    Não é genérico no sentido de abrangente á Obama ( que mesmo assim é genérico q.b.) mas générico no sentido de oco de crítica e vazio de especificidade do tipo:

    Economia: Dinheiro é bom mas temos de fazer coisas bonitas com ele de algum modo, um dia destes, porque algumas pessoas não têm dinheiro suficiente para se sentirem positivas como nós.

    Ambiente: O ambiente está muito mal, mas tem que haver esperança de que se fizermos umas coisas que estão a ser aplicadas para reduzir e assim ele vai ficar melhorzinho- é preciso pensar positivo e depois vemos o que fazer especificamente

    Escola: A escola é muito importante e positiva mas é preciso que nela não aconteçam coisas más e haja respeito entre as pessoas, vote MEP.

    Sociedade: A família está em perigo mas temos esperança que melhora com algumas coisas que se vão fazer. A sociedade é igualitária e luminosa.
    Ps. Não ao aborto e casamento de homossexuais.Positivo!

    Parece o que o Deepak Chopra escreveria se tivesse que fazer um programa partidário numa casa de banho de avião 10 minutos antes de aterrar e se estivesse descontente com CDS-PP.
    E é aí que vai buscar votos (?)- classe média-alta com valores conservadores mas com a ilusão que tem mente aberta e uma leitura abrangente e crítica do mundo, como esta nova representante.

    A paisagem política continua desértica.
    Suspiro…

  10. Luis Rainha diz:

    Hmmm… estou à procura do contrato que assinei a obrigar-me a satisfazer os seus critérios editoriais. Mas sinto-me tão fraquinho…

  11. Luis Rainha diz:

    Mas se não fosse por essa graçola, o que haveria ali de sério ou relevante para motivar umas linhas? Não estou mesmo a ver.
    Tem sempre o seu blogue para esclarecer o mundo sobre tais temas, se assim quiser.

  12. Luis Rainha

    Tem lá muito para ler, muito mesmo, e ou não leu ou se leu não encontrou nada para ridicularizar; isto é, concorda?

    Em qualquer dos casos, apontar o que apontou não é outra coisa senão mesquinhez, e fica-lhe mal.

    PS: Não tenho nenhum interesse no MEP, na Laurinda ou no Rui Não-sei-quantos. Caguei.

    PPS: A que propósito vem esta?? “Hmmm… estou à procura do contrato que assinei a obrigar-me a satisfazer os seus critérios editoriais.”

    Eu não exijo nada; o Luis escreve o que muito bem lhe apetecer: a casa é sua. Limitei-me a dar um opinião. Se não se pode, volto para debaixo da pedra de onde saí.

  13. Luis Rainha diz:

    David,
    Por acaso é ao contrário: achei tudo aquilo tão estúpido e pueril que preferi ater-me a um pormenor (revelador de falta de cuidado, aliás), em vez de me armar outra vez em gajo «Mesquinho» e dizer mal da coisa de fio a pavio.

    PS: quando escreve «É só isso o que tem a dizer?» não está a emitir uma opinião. Mas deixe lá isso da pedra; é sempre bem-vindo, mesmo que para me atazanar. Eu mereço.

  14. Ana Cristina Aço M. diz:

    As palavras por vezes parecem desgastar-se. Ou é mais o modo como expressamos as ideias com a palavra escolhida que faz a diferença entre o lamechas e o símbolo, eventualmente.
    A Esperança, tão cara à esquerda quero crer, é dessas palavras a trabalhar.
    Esse modo tem de estar ligado à vida para ter essa força. A frase de Lutero, levando em conta sua vida e seu tempo, soa de outra forma até.

    Fui à procura de um apontamento onde eu pensava ter algo de um filme antigo sobre Lutero (este mais recente não gostei muito. Pouco denso…..Contudo, a presença de Peter Ustinov pela última vez no cinema).
    Afinal não era um filme mas uma peça de teatro escrita por John Osborne (1961) com Albert Finney como Lutero. Com Finney, densidade dramática garantida, suponho.
    Na peça (e na vida assim parece), Lutero luta interiormente sem nunca estar de todo certo se o que o motiva, inclusive no rompimento com a Igreja, era Deus ou seu próprio orgulho e obstinação (satanás diria Lutero com grande à vontade). Ele reflecte assim a ansiedade e dúvida do seu tempo (ansiedade de culpa e condenação, Tillich).

    Deste contexto vital – é bom lembrar o pano de fundo; a questão da venda das indulgências – (re) emerge a ‘justificação pela fé’ (ou pela graça), recuperando a mensagem bíblica.
    A esperança teve aí (terá sempre?) um papel unificador.
    Relendo;
    «Tudo o que é construído no mundo é construído pela esperança.» Pois.
    (nota: nada tenho a ver com o tal movimento ‘mep’)

    Por falar em esperança Luís, eu queria ter deixado um comentário no teu texto ‘Mareógrafo’. Lembro-me de o estar a ler – e é um tanto perturbador – e pensá-lo como um sonho como propões, e dizer à mim mesma; é preciso encontrar esperança aqui…. é preciso.
    Ainda hei-de passar por lá e dizer qualquer coisa uma hora dessas.

    Ainda da esperança e também isso dela entretecer-se e emergir das contradições de própria vida, andei a tempos à procura daquele teu texto, em pdf penso, sobre a mudança de paradigma dos heróis de filmes animados. Onde os handicaps dos pequenos heróis de agora, são transcendidos criativamente, transformando a vida do protagonista e da comunidade onde ele está. E se não me engano, ainda ganha o seu amor, não? Mas isso não me lembro se referes…
    Estou a sintetizar bem? É que já o li a um tempinho. Não o encontro por não lembrar do título. Vês muitos filmes com o teu guri?

    Gostei de o ler, até tentei gravar na altura mas não consegui.
    Alguém há tempos disse que inspiravas as pessoas, não foi? Pois.

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