Os imitadores lusos

O Obama está para a política como Artur Jorge estava para o futebol. Há décadas, não havia treinador, da liga dos últimos à primeira divisão, que não falasse que queria “fazer coisas bonitas”. Até se percebia a cópia: Artur Jorge tinha estado na universidade e até escrevia versos. Os treinadores tinham arranjado um homem que falava sem escarrar no chão e que conseguia andar e mascar pastilha elástica ao mesmo tempo. Infelizmente, livrados da chusma de treinadores com fatinhos Maconde, floresceu, em Portugal, a resma dos políticos, os de sempre, a copiar Obama e a prometer “change” (em português, trocos). Com a crise das ideias, é sempre mais fácil imitar as frases do que pensar. Não há bicho careta que não “fale da audácia da mudança” e que não pregue que “sim, é possível!”.
Não se pode exterminá-los?

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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