O Loureiro é mais feio que o Belmondo


Resnais e Belmondo na rodagem do filme Stavisky. A história de uma fraude envolvendo políticos e banqueiros que derrubou um governo e reforçou as correntes políticas anti-parlamentares.
Nenhum deles tem cara de Loureiro ou de Coelho. Mas a crise da política pode entrar pela porta do escândalo financeiro. Há uma perda de legitimidade do grande centrão se o caso BPN demonstrar a excessiva promiscuídade entre governantes e negócios. A queda em desgraça destes santinhos do regime pode levar ao derrube dos meninos de ouro. Quem estima a democracia, e não os mercadores do templo, deve pugnar por um regime em que a lei garanta que não haja confusões entre negócios e a política e que o governo não seja a antecâmara obrigatória da fortuna.

Não esquecer o argumento de Jorge Semprun, autor de vários livros notáveis e de outros muito maus. A Segunda Morte de Ramon Mercader e a Longa Viagem são dois livros fantásticos , do autor do porno-policial de merda, O Regresso de Netchaev. Irritam-me sempre livros em que o heroi é um macho tão dotado e experiente que convence uma puta deslumbrante a dar-lhe uma borla. Pior só a parte política. Netchaev é uma espécie de autor fetiche do Pacheco Pereira de uma mediocridade total, louco furioso e com um escrito imbecil, chamado o Catecismo Revolucionário. Bom para alimentar teorias da conspiração e mundos a preto e branco.
Fora isso, Senprun escreveu para Resnais uma das mais bonitas cenas de cama, no La guerre est finie. Infelizmente, só encontrei uma entrevista.

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TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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