Da conflitualidade social

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Houve quem achasse um “disparate” eu ter afirmado que “a pluralidade de opiniões é desejável, a conflitualidade social não é”. Eu afirmei: “Conflitualidade social é algo que é legítimo, necessário por vezes, mas não é desejável. Eu pelo menos penso que não. O que não quer dizer que use esse argumento para a combater (isso seria antidemocrático). É justamente em essa conflitualidade não ser desejável que reside a força dos que a promovem.” Ou seja, um governo tem de estar preparado e saber lidar com a conflitualidade, mas essa conflitualidade não deve ser procurada nem deve ser tida como um objectivo, quer pelo governo quer pelos agentes sociais. Não pretendo com isto que os governos não tomem medidas impopulares: a função principal de um governo é cumprir o seu programa. Também não pretendo de forma nenhuma (deixem-me enfatizar este ponto) que os agentes sociais deixem de protestar quando acharem que tal se justifica. Sejam sindicatos, a defenderem os trabalhadores, sejam… patrões (esta última hipótese é académica e infelizmente parece risível, mas no meu governo ideal os patrões teriam muitas razões para protestar). Mas só quando acharem que tal se justifica: a contestação social não deve ser um objectivo a priori, e não pode ser um objectivo a priori de quem queira participar num governo. Uma esquerda que queira estar preparada para governar, que queira fazer parte de um projecto de governação, não pode afirmar que a conflitualidade social é desejável.

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