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EXPLIQUEM-ME a diferença entre a democracia socratista-jugular e a “democracia singular” de Pinochet

6 de Dezembro de 2008 por Carlos Vidal

Vejamos: o primeiro suspendeu o estado de direito, a lei e todo e qualquer processo eleitoral, instaurou um estado de excepção permanente e governou na sua paz desejada (produzindo uma nova lei estática) durante mais de quinze anos.

O segundo e os seus APOIANTES julgam instaurar e sustentar um estado de direito, julgam governar segundo uma lei, que é somente a eleitoral (com 4 anos de duração). Logo, trata-se de uma outra forma de estado de excepção, porque se sustenta numa única lei, a da maioria dita parlamentar, e essa é a lei excepcional (ÚNICA). A lei é uma entidade estática e una em ambos os casos. Trata-se de duas formas de valores absolutos, com a mesma finalidade: o governo da obediência e da paz sem oposição nem bloqueios. É indisputavelmente o desejo de ambos – idêntico.

Não há nenhuma diferença, pois ambos pretendem a excepção: a suspensão das liberdades no primeiro é tão estática quanto a sociedade do segundo e seus apoiantes. Pinochet tinha fervorosos e legítimos apoiantes (cada um é o que é) :

O segundo apoia-se nesta casa  (MAS, MUITO IMPORTANTE: note-se que os apoiantes de Pinochet, em relação a Pinochet, eram tão ACRÍTICOS quanto os representantes na casa em baixo são ACRÍTICOS para o primeiro-ministro que suportam, neste caso J. Sócrates; só que os deputados de Sócrates não fazem a figura triste e vestem-se talvez melhor que a senhora de cima) :

 DIFERENÇAS ??

O primeiro tratou de organizar uma vida sem “problemas” durante mais de quinze anos.

Os defensores do segundo, pretendem uma vida e governação sem “problemas” em espaços de quatro em quatro anos. Em teoria, se eu pegar em 4 anos do primeiro e em 4 anos como desejados (e forçados) pelo segundo encontrarei diferenças? QUAIS ?

Para Pinochet, a contestação de rua (reprimida) era ILEGAL. Para J. S. a contestação de rua é ILEGÍTIMA.

QUAL A DIFERENÇA? A PERGUNTA DIRIGE-SE SOBRETUDO A PESSOAS AMIGAS (para evitar conflitos desnecessários – EU ESTOU A APRENDER COM OS RETRATADOS E CENSURO COMENTÁRIOS !!)

Post-scriptum: repare-se como o actual governo português lida com a “crise internacional” – é a sua forma de criar, obviamente, um estado de excepção.

PS 2: atenção que este post não diz que Sócrates é igual a Pinochet. Este post pretende sublinhar a forma como os apoiantes jugulares de Sócrates tentam ILEGITIMAR qualquer contestação que não seja sujeita a voto. É essa malta que é perigosa, tornariam a vida numa PAZ INFERNAL.

Um último PS, o 3 (a 8/12): a propósito das duas fotos acima, alguém me sabe dizer, objectivamente, onde é que o governo foi buscar o modelo de avaliação dos professores ???? Não quero boatos, quero coisa objectiva, objectiva !

Comentários

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:08

A única coisa que me chateia na tua provocação é que a comparação com Sócrates branqueia Pinochet. Acho que há determinadas coisas, por mais insuportável que seja o nosso primeiro, não são comparáveis. Acho mais importante fazer do fascismo algo que não se deve repetir do que chatear um primeiro-ministro de centro direita. Por muito que ele esteja rendido às delícias da Mota-Engil e de outros potentados.
Por muito que as formulações do Estado de Excepção de Agamben sejam interessantes.

Comentário de Zé A. Luz
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:19

Assim de repente vejo uma diferença: o Chile cresceu muito e é hoje uma democracia sólida, retomando a sua longa tradição constitucional. Portugal tem empobrecido e a nossa democracia não se recomenda.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:27

Nuno, atenção, a questão não passa muito por Agamben nem pelos regimes “parlamentar versus ditadura”. A questão é a da comparação entre 4 anos de um e 4 anos de outro, ou, genericamente, 4 anos de “democracia com legitimidade” e “quatro anos de ditadura”. A “legitimidade” democrática, como colocada por gente que sabemos, é igual, NA SUA EXTENSÃO e planitude (Flatness, como dizia o outro) à “pacificação” ditatorial no mesmo intervalo de tempo. O “tempo” (ou intervalo de tempo) capital-parlamentarista é igual ao tempo (ou intervalo de tempo) ditatorial.

Comentário de Ricardo Ferreira
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:30

Este blog tem perdido alguma qualidade, infelizmente. Eu até gostava de o ler…

Comentário de GL
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:33

A diferença é que se vc resolvesse fazer uma manifestação dos professores no regime de Pinochet, levaria com um tiro na cabeça.
Outra diferença é que durante os quinze anos de Pinochet ninguém sabia se durariam 5, 10, 15 ou 30 anos. No regime de Sócrates, para o ano você terá toda a legitimidade para tentar demovê-lo do poder.
Mais uma diferença: os apoiantes do governo, que nele votaram, e que por acaso são maioria, também têm o direito de ver realizada em pleno a governação.
Quanto as considerações que faz a respeito do regime parlamentarista, há quem diga que a tendência à formação de maiorias será a sua maior virtude. Governar em minoria, negociando com quem teve poucos votos pode ser visto como uma forma de ditadura sofisticada.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:50

“A única coisa que me chateia na tua provocação é que a comparação com Sócrates branqueia Pinochet.”

Ao menos nem toda a gente perdeu o juízo.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:52

caro GL,
uma simples observação, mas ouça e leia com atenção:
repare como os apoiantes de Sócrates tentam tornar ilegítimas as vozes dos professores.
Em relação a outro ponto, os apoiantes honestos do PS não querem as escolas paralisadas e em guerra e estão-se nas tintas para culpar os professores ou seja quem for. As pessoas, a dita maioria, quer entendimento e não imposição dos ditames da ministra.
Os apoiantes de J Sócrates ufanam-se por apontar culpados. Essa é a diferença.

Comentário de Luis Rainha
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:55

Filipe,
Às vezes, sabe bem perder o juízo. Devias experimentar.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 1:58

Filipe Moura, é ler o texto todo e a minha resposta ao Nuno, sff. Nem peço mais. Apenas o texto todo e as minhas respostas, sff.

Faço click no nome Ricardo Ferreira e aparece-me o autor, julgo eu, com uma bandeira do PS atrás. Ninguém na minha família pertenceu à União Nacional. A discordância não leva a um juízo de valor – sobre qualidade e outras coisas. Então quem não é como nós não tem qualidade ??

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:04

Leio, leio. Leio o branqueamento persistente de ditaduras. Na sua resposta ao Nuno e em cada um dos seus posts.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:08

Carlos,
Eu percebo o teu argumento. Acho apenas que a tua comparação o destroi. É uma provocação que em vez de sublinhar que o governo (já agora, Figueira, governo é com minúscula e só Estado é que leva maiúscula) pretende impor uma paz social anti-democrática, escudado na legitimidade eleitoral, faz ressaltar a atenção dos leitores para a comparação insustentável entre Sócrates e Pinochet. Com a agravante que este tipo de comparações tendem, não a criticar Sócrates, mas a normalizar Pinochet e a tornar difíceis de levar a séria as tuas críticas a Sócrates.

Comentário de Luis Rainha
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:11

Essa das maiúsculas é na norma basca. Eu prefiro a castelhana.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:13

Nuno, a comparação não pode centrar-se na figura de Sócrates, mas tem de ir aos seus apoiantes – eles pretendem ilegitimar qualquer sinal de contestação que não passe pelo voto. Se não pegarmos por aí o meu argumento cai. Ora experimenta.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:15

Se leres o prontuário ortográfico ou o livro de estilo da Lusa é norma portuguesa, é pena que tenha sido subvertida por imbecis que escrevem Governo e País, para mostrar que o respeitinho é mt bonito. Há até outros que escrevem Ministro. Ignorando que se maestro ou mestre (o maior dos servos) não leva maiúscula, dificilmente ministro (o menor dos servos) a levaria. Mas enfim, a graçola do basco deve ser gira.

Comentário de Luis Rainha
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:20

Lighten up, my friend.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:24

Vou seguir o teu conselho Luís. A seguir vamos ao Leonhardt.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 2:58

“Nuno, a comparação não pode centrar-se na figura de Sócrates, mas tem de ir aos seus apoiantes – eles pretendem ilegitimar qualquer sinal de contestação que não passe pelo voto.”

Pura e simplesmente isso não é verdade, Carlos. Eu sou apoiante do Sócrates, e o que eu escrevi foi que quem desobedece tem que sofrer as consequências, mas deve ser livre de o fazer. Essas consequências não têm nada a ver com o Pinochet e o seu regime.

Já agora, o Carlos não gosta nada do PS, mas os PSs estão a tornar-se a imagem de marca dos seus textos.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 3:33

Filipe, é uma questão de escrita, talvez. Começa pela palavra “sofrer”, “sofrer as consequências”. Mas eu sustituiria por “assumir as consequências” e fico a perceber melhor o argumento. Mas mesmo assim acho intimidante. É essa carga de intimidação que me suscita as maiores reservas.
O PS não é a imagem de marca dos meus textos só por ser o PS. É uma questão de rejeição visceral desta governação. Não me lembro de reacções destas da minha parte em relação a Guterres por exemplo, com que eu também não simpatizava nem aderia minimamente.

Comentário de Diogomd
Data: 6 de Dezembro de 2008, 4:18

Não vejo porque é que se está a branquear Pinochet. Não é uma comparação total, é apenas parcial, e comparar não significa igualar. Há, indiscutivelmente, elementos em Pinochet de um extremismo tal que não podem ser igualados a qualquer coisa que o Sócrates possa ter feito ou poderia fazer – até me sinto absurdo a reforçá-lo. Mas creio que a comparação que aqui é feita apenas pretende iluminar uma atitude que, não fosse a semântica que a distingue de atitudes semelhantes, provavelmente seria encarada de outra forma. Se este regime fosse democrático, a ministra da educação, por exemplo, já estava na rua há muito (no mínimo!, só para não ser muito exigente). Na realidade, acho que negar a pertinência desta comparação (que, sublinho mais uma vez, não é dizer que os dois são iguais!) é mais um branqueamento da atitude deste governo do que qualquer outra coisa. Não estamos a lidar com a simples falta de democracia que é característica das democracias que conhecemos, mas antes com um caso que começa a ganhar contornos extremos de autoritarismo mesmo para quem não é muito exigente.
De resto, tudo depende do valor que damos à liberdade, aos direitos democráticos e ao peso que a participação cívica deve ter: ausência deles, independente das máscaras que lhes põem e dos nomes que lhes dão, para mim é sempre igualmente grave. Manifestar não é um desporto, não se manifesta pelo acto de manifestar em si (quer dizer, há quem o faça); manifesta-se para reivindicar qualquer coisa que, pelo menos na tal democracia, se espera ver satisfeita. Se nos derem o direito de manifestar só para nos fazerem crer que estamos em democracia, dispenso-o. Prefiro manifestar-me contra alguém que não me deixa e, aí sim, “sofrer as consequências”.

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Data: 6 de Dezembro de 2008, 5:14

[...] Leia mais direto na fonte: 5dias.net [...]

Comentário de Sejeiro Velho
Data: 6 de Dezembro de 2008, 9:03

A comparação Sócrates a Pinochet pode ser extendida a Salazar, Franco, Mussoline, Hitler e outros da época.
Ainda há ditaduras no Mundo. Aconcelho o senhor Carlos Vidal a ir lá passar uns dias, para ter uma idéia de como é uma ditadura.
O Sócrates entrou para o Governo matando algum Allende de cá?
Quantos portugueses já abandonaram o país com medo de serem presos? No Chile de Pinochet foram milhares.
Quantos foram mortos em Portugal por se oporem a este Governo?No Chile foram tantos que ainda não se sabe quantos.
Concordo com Nuno de Almeida. Estas comparações branqueiam os ditadores. As novas gerações hão-de pensar: afinal, as ditaduras de que fala o meu avô, não eram assim tão más!

Comentário de Patricia Costa
Data: 6 de Dezembro de 2008, 10:50

Bem esta comparação enoja-me.Ela revela o que o autor não sabe,ou finge não saber,acerca do que foi o golpe de estado no Chile em 1973.Por muito que se possa estar desencantado com o governo de Socrates ou com os seus apoiaentes nada do que se passou naquele País tem a ver com Portugal nos dias de hoje.Este blog já não é o que era,é um sitio a evitar

Comentário de Ana Fernandes
Data: 6 de Dezembro de 2008, 11:07

Só um breve “acrescento” aos vossos argumentos: um ex-Presidente que deitou abaixo uma maioria no governo, também veio dizer em entrevista recente, que se devia respeitar “a legitimidade dos votos” em vez da “legitimidade de protestos” de grupos sociais ou profissionais. Isto é: respeitar o “cheque em branco” da maioria ponto final. O mesmo Presidente que questionou a legitimidade de uma maioria, de coligação é certo, no governo. (Não estou a dizer que quero vê-los cair antes de das eleições! Quero que os que os elegeram vejam bem o lindo resultado do seu “cheque em branco”. E já agora, o suplício é democrático, se temos de os aturar, eles também.) O que quero dizer é isto: Esta é a dimensão da mediocridade da nossa democracia. Por isso me agrada tanto ver debates com argumentos. Porque o exercício saudável de observar e analisar – o pensamento autónomo que o governo tanto abomina -, é o primeiro passo para uma democracia de qualidade. O segundo, é participar, colaborar. Cumprimentos a todos e continuação de debates com argumentos. Ana (e assim já ficam assegurados os 30% da paridade neste debate, não é?)

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 12:33

Evite, evite, Patricia Costa. Isso quer dizer naturalmente que não vai evitar. E faz bem, verá.

Comentário de Almajecta
Data: 6 de Dezembro de 2008, 13:06

O aborrecimento do que o que importa é o “direito à diferença em igualdade”. A diferença e a sucata conceptual afim ( o outro, a alteridade, a assimetria e tal ), é o ponto mais importante desta indústria da cultura da pobreza de espírito.
Parabéns com um forte abraço.

Comentário de De Puta Madre
Data: 6 de Dezembro de 2008, 14:29

Realmente! censurar-me o comentário! Definitivamente é doidice nessa imaginação, ò CV!

Comentário de F Gomes
Data: 6 de Dezembro de 2008, 15:25

Que parvoíce de post!

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 15:51

Caríssimo almajecta, para muita gente pensar dá muito trabalho, ora bem. “Direiro à diferença”, era o que faltava, pois – os que se aproveitam dessa sucata aproveitam-se bem. E é vê-los a dizer: “sê como eu e respeitarei a tua diferença !”

De Puta, censurar os seus comentários ??

Comentário de Sofia Loureiro dos Santos
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:17

Um texto absolutamente lamentável. Não há nada de semelhante entre a ditadura de Pinochet, ou qualquer outra, e uma democracia representativa como a que hoje vivemos em Portugal. É precisamente porque vivemos em democracia que o Carlos Vidal pode escrever e publicar um texto como este.

Comentário de Nuno Palha
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:19

Este post só ilustra melhor algo que já sentia há algum tempo: o cinco dias piorou e já de pouco vale passar por aqui regularmente… lê-se pouca opinião bem fundamentada. É um disparate ao nível dos do Henrique Raposo.
E a tentativa de denegrir outros bloggers da forma que faz (“malta que é perigosa…”) mostra bem a falta de cultura democrática do senhor Carlos Vidal que ao mesmo tempo diz que falta a outros tantos.

Como diferença basta-me o não haver prisioneiros políticos e comunistas mortos de vez em quando…

Comentário de GL
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:19

Não percebo aqueles que dizem que se esse governo fosse democrático, a ministra estaria na rua.
Não vêem que é exactamente o contrário? Se estivesse na rua por força de pressões de uma minoria, isso seria fascismo puro e duro.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:27

Minha cara Sofia Loureiro dos Santos, não acha tamvem que as pessoas que passam o tempo a acusar os professores de serem manipulados pelo PCP, utilizam um expediente para estigmatiza as pessoas , com uma idade superior a 34 anos?
Embora eu não concorde com a provocação do Carlos Vidal, era interessante que a minha cara Sofia Loureiro dos Santos se pronunciasse também sobre a substância do argumento e não sobre a parte foclórica. A saber: uma democracia deve ser uma espécie de regime que só efectiva, como democracia, de 4 em 4 anos, ou , pelo contrário, exige viver com a discussão e contestação social. Gostava de saber a sua opinião.

Com toda a consideração,
Nuno Ramos de Almeida

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:34

Nuno Palha,
Os blogues são feitos também para discutir e confrontar opiniões. É a força da liberdade. A mesma liberdade que o permite ir a outro blogue que não este. Se pretende hagiografias ao nosso primeiro posso dar-lhe o endereço.

Comentário de mdsol
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:37

É provocação? Ainda assim, lamento que se compare o incomparável. Revela no mínimo falta de conhecimento histórico e alguma necessidade de chamar a atenção! Se faltam visitas ao 5 dias…
:) )))

Comentário de Sofia Loureiro dos Santos
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:46

Nuno Ramos de Almeida
A substância do argumento merece-me o comentário que já deixei. Quanto ao problema da manipulação, infelizmente não me parece que sejam só os professores a serem manipulados nem só o PCP a manipular. A manipulação é feita por todas as forças políticas, com maior ou menor êxito.

Comentário de Sofia Loureiro dos Santos
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:50

Nuno Ramos de Almeida
Quanto à minha opinião sobre a discussão e a contestação sociais, à existência de movimentos cívicos que alterem as correlações de forças políticas, é que são indispensáveis à democracia. Assim como uma oposição activa, que não a temos. Tal como o exercício da autoridade democrática e o legítimo poder de um governo governar sem ficar refém de uma classe profissional, seja ela qual for.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:52

“É um disparate ao nível dos do Henrique Raposo.”

O que o Nuno Palha escreveu é exactamente aquilo que eu penso.

“exige viver com a discussão e contestação social.”

Nuno (Ramos de Almeida), que “admite” viver com a contestação social, tudo bem. Agora, que “exige”? Eu não a exijo.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 16:54

E não vi onde é que o Nuno Palha afirma que pretende hagiografias do primeiro ministro.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:02

Filipe Moura,
Uma democracia “exige” viver com a conflitualidade social, com a pluralidade das opiniões. Não é um momento de liberdade e democracia que se esgota nos 15 dias da campanha eleitoral. Se não percebes isso, percebes muito pouca coisa. E se pensas o que o Palha escreveu que não quer mais ler este blogue, e, portanto, não percebes que o Carlos , tal como tu, tem direito às suas opiniões, provas que de facto percebes muito da teoria das cordas, mas falta-te aprender algumas outras coisas, não achas?

Comentário de Miguel Lobo
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:02

Tem razão numa coisa GL: se a ministra caísse só por causa do protesto de cerca de 90% dos professores isto não era uma democracia de certeza. Mas fascismo ainda seria menos. Seja como for, é por isso que não sou democrata (muito menos fascista ou derivados).

Comentário de Almajecta
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:03

Todos igualizados de facto, uns alegremente, muitos inconscientemente, alguns resignadamente, outros renitentemente. A queixa, sobretudo a da cesura que mitifica o passado do blog é hilariante. A liderdade política para dissentir afoga-se no proselitismo da gravitas. Abraços.

Comentário de Miguel Lobo
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:07

Sofia: os seus últimos comentários são interessantes por revelarem precisamente qual é a concepção de democracia que vigora actualmente. O último comentário então é particularmente iluminador por pressupor que a oposição de uma classe inteira, e tão significativa como a dos professores, não é legítima, ao mesmo tempo que defende a importância da existência de movimentos cívicos e de uma oposição activa. Se aquilo a que temos assistido não constitui um movimento cívico e não representa uma oposição activa, então não sei o que será. Talvez devesse chamar-se Partido para ser legítimo, não? Realmente é um bocado chato quando as pessoas mostram que podem mobilizar-se e agir sem ficarem presas a estruturas formais e a uma visão de democracia tão estreita como a sua.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:09

Filipe,
Eu estou convencido é que tu as queres ler. Pelos vistos incomoda-te que, alguns de nós, não tenhamos a mesma opinião sobre o senhor que tu. Eu não concordo com uma linha do que tu escreves nos teus últimos posts, mas isso não me incomoda. Já o teu tom de permanente acrimónia e agressão aos teus companheiros de blogue incomoda-me bastante. Acho que podias aprender a discutir sem fazer de isso uma luta de murros. Relativiza a opinião dos outros, percebe que há várias opiniões sobre tudo e não te chateies tanto. Ok?

Comentário de Miguel Lobo
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:09

Já agora: parabéns por aquilo em que o blog se tornou agora. Posso não concordar nem com metade do que aqui se diz, mas subiu de qualidade e provoca a reflexão (coisa rara na blogosfera). Tornei-me um visitante assíduo desde a mudança.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:11

Nuno, pluralidade de opiniões, claro. “Conflitualidade social” é diferente. É algo que é legítimo, necessário por vezes, mas não é “desejável” (ou, como dizes, “exigível”). Eu pelo menos penso que não. O que não quer dizer que use esse argumento para a combater, ok? (Isso seria antidemocrático.) É justamente em essa conflitualidade não ser desejável que reside a força dos que a promovem. Convém não confundir as coisas.

Continuo sem perceber onde é que o Palha escreveu aquilo que dizes que ele escreveu.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:11

Meus caros, a democracia jugular (bom nome, bom nome, e não fortuito): portem-se bem se querem um score eleitoral razoável, uma subidinha muito pequena, vá lá. Se se manifestam, já sabem que descem. Agora escolham: estamos em democracia.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:13

Cara Sofia Loureiro dos Santos,
Obrigado pelas suas respostas. Estou em grande parte de acordo consigo, mesmo que não concorde com a sua posição sobre a luta dos professores. São as maravilhas da liberdade.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:20

Cara Sofia Loureiro dos Santos,
Tenho só uma discordância, não gosto do termo “manipulação” . Os partidos, os sindicatos e os movimentos sociais servem para intervir na realidade e conseguir transformá-la. Não é uma manipulação, é uma acção que está inscrita na natureza da verdadeira democracia. É algo positivo que enriquece a nossa vida e não uma coisa obscura feita com propósitos sinistros. Os partidos devem distinguir-se pelas opiniões que têm sobre os problemas da nossa sociedade e pelas lutas em que se envolvem. Isso é muito mais rico que distinguirem-se pelo fato e o aspecto do líder do governo e pela musiquinha do marketing.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:36

“Filipe,
Eu estou convencido é que tu as queres ler.”

Não, Nuno. De todo. Estás muito mal convencido. Se quisesse que fossem lidas (hagiografias ao PM)… escrevia-as! Ninguém me impediria. Hagiografias só ao Paulo Bento!

“Já o teu tom de permanente acrimónia e agressão aos teus companheiros de blogue incomoda-me bastante. Acho que podias aprender a discutir sem fazer de isso uma luta de murros. Relativiza a opinião dos outros, percebe que há várias opiniões sobre tudo e não te chateies tanto. Ok?”

Não é em relação aos companheiros de blogue. É em relação a um companheiro de blogue. Aliás, nem é em relação a ele – não é nada pessoal, nem o conheço. É em relação a um certo tipo de opiniões que ele aqui tem escrito (e só tem escrito esse tipo de opiniões, e mais nada), de que este post é o exemplo mais recente (mas está longe de ser o único). Eu relativizo a opinião dos outros (neste caso do Carlos Vidal), mas não consigo deixar de me chatear, ok? Não dá – é mais forte que eu. Esta conflitualidade é como a conflitualidade social – como eu escrevi, não é desejável mas por vezes é inevitável. Eu não consigo deixar de me aborrecer com um texto destes – tal como me aborreci, e muito, com o do Henrique Raposo.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:45

Só uma coisa, Nuno Palha. Apesar de tudo existe uma grande diferença entre o Henrique Raposo e o Carlos Vidal (extensível a “direita” e “esquerda”). Sabe qual é? Ao Henrique Raposo pagam-lhe para escrever no “Expresso”.

Comentário de Sofia Loureiro dos Santos
Data: 6 de Dezembro de 2008, 17:59

Miguel Lobo
Eu considero totalmente legítima a movimentação dos professores, o que não legitima a imposição de uma política de educação por uma classe profissional.

Nuno Ramos de Almeida
A manipulação faz parte do jogo das relações humanas assim como da luta política. A liberdade de expressão serve para, confrontando opiniões e manipulações de informação podermos formar a nossa própria opinião.

De nada disso se trata neste post, que continuo a achar lamentável.

Comentário de António Figueira
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:03

Caros todos:
Eu tenho a horrível tendência de simpatizar com as vítimas da fome, os famélicos da terra, etc.: quanto mais lhes batem, mais eu gosto deles.
Olha o Vidal, por exemplo: nunca lhe pus a vista em cima (embora já tenha comprado um disco à pala dele; é o lado serviço público do 5dias); mas andam aí uma data de virgens ofendidas a jurar que não metem cá mais os pés, mais o Filipe Moura a dizer disparates (“a pluralidade de opiniões é desejável, a conflitualidade social não é”, claro, Filipe, o velho Karl deve dar voltas na tumba se souber que usas uma frase dele no teu blog, mas enfim, deve ser só para decorar) e até um elegante do “Jugular” achou por bem escrever que aquilo que o Vidal escreve é um “peido” (sic) – e se tudo isto acontece, é porque o Vidal não pode ser completamente mau rapaz.
Ele usa umas comparações atrevidas, e eu já disse aqui o que pensava delas; mas o que me parece evidente que ele aqui quer dizer é que, nas circunstâncias concretas da Europa Ocidental no primeiro quartel do séc. XXI, o Governo de Sócrates e os seus propagandistas querem impingir-nos a “concertação social” pela garganta abaixo e ilegitimar o protesto (que evidentemente os incomoda, por mais sondagens que arranjem) já que não o podem ilegalizar (como na América do Sul há quarenta anos atrás). E então? Qual é o mal? Não perceberam? Então metam explicador – que a culpa é vossa, não é do autor (olha, rimou); dito isto, vou lanchar.
Um grande bem-haja.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:15

Caro António, de facto acho (a sério – palavra que acho) bastante desejável a conflitualidade social entre patrões e empregados, entre inquilinos e senhorios… Ó se acho. Não gosto tanto desta conflitualidade social entre um governo e uma classe profissional que se recusa a ser avaliada (como são os outros funcionários do Estado), violando os princípios da igualdade. Não vejo em que é que isto aborreceria o velho Karl.

Dizes tu que o governo procura ilegitimar o protesto, já que não o pode ilegalizar. Mas com que base afirmas isso? Não vejo bases nenhumas que sustentam a tua afirmação. Quem procurava impedir os protestos dos estudantes era o Cavaco (de quem muitos críticos do Sócrates agora parecem ter saudades), com cargas policiais. Quem impede os professores de manifestarem e fazerem greve?

Bom proveito :) .

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:16

O colega Filipe Moura diz que eu escrevo SÓ sobre o PS. Boa, boa.

E diz mais – quem desobedece deve SOFRER as consequências.
SOFRER ?
SOFRER !

Caro António Figueira, vamos ao que interessa. A caixa, meu Deus, a caixa do Gustav Leonhardt – 15 das maiores pérolas de todo o século XX, o barroco renascido, e ninguém viu a caixa, a caixa LEONHARDT, meu Deus. E 15 Euros, sony classical, gravações tecnicamente perfeitas (pois pelo preço poderiam não ser, MAS SÃO).

Ah Gustav, 80 anos e quase ninguém te liga !
(Apenas eu, talvez o Rainha ou o Figueira, talvez outros, brevemente gastando dinheiro nessa excelente multinacional que é a mui minha querida amazon)

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:20

Cara Sofia Loureiro dos Santos,
Acho que leu mal o post e ficou “esmagada” com a comparação, na minha opinião, despropositada e muito infeliz. Tente abstrair-se das fotografia e leia-me esta versão editada e censurada por mim e depois discutimos, se assim lhe aprover.

“Vejamos: A ditadura chilena suspende o estado de direito, a lei e todo e qualquer processo eleitoral, instaurou um estado de excepção permanente e governou na sua paz desejada (produzindo uma nova lei estática) durante mais de quinze anos.

Há APOIANTES de um governo democraticamente eleito que julgam que instaurar e sustentar um estado de direito é governar segundo uma lei que é somente a eleitoral (com 4 anos de duração). Logo, trata-se de uma outra forma de estado de excepção, porque se sustenta numa única lei, a da maioria dita parlamentar, e essa é a lei excepcional (ÚNICA). A lei é uma entidade estática e una em ambos os casos. Trata-se de duas formas de valores absolutos, com a mesma finalidade: o governo da obediência e da paz sem oposição nem bloqueios. É indisputavelmente o desejo de ambos – idêntico.

Desse ponto de vista, não há nenhuma diferença, pois ambos pretendem a excepção: a suspensão das liberdades no primeiro é tão estática quanto a sociedade democrática mas sem ouvir as contestações sociais do segundo e seus apoiantes. Pinochet tinha fervorosos e legítimos apoiantes (cada um é o que é) :

O segundo apoia-se nesta maioria parlamentar democraticamente eleita (MAS, MUITO IMPORTANTE: note-se que os apoiantes de Pinochet, em relação a Pinochet, eram tão ACRÍTICOS quanto os representantes na casa em baixo são ACRÍTICOS para o primeiro-ministro que suportam, neste caso J. Sócrates; só que os deputados de Sócrates não fazem a figura triste e vestem-se talvez melhor que a senhora de cima) :

DIFERENÇAS ??

O primeiro tratou de organizar uma vida sem “problemas” durante mais de quinze anos.

Os defensores do segundo, pretendem uma vida e governação sem “problemas” em espaços de quatro em quatro anos. Em teoria, se eu pegar em 4 anos do primeiro e em 4 anos como desejados (e forçados) pelo segundo encontrarei diferenças? QUAIS ?

Para Pinochet, a contestação de rua (reprimida) era ILEGAL. Para J. S. a contestação de rua é ILEGÍTIMA.
Existe obviamente uma grande diferença entre democracia e ditadura, mas , actualmente, ela não parece centrar-se na forma como vêem a contestação social. Ambas pretendem governar sem oposição social. A ditadura ilegalizando-a e reprimindo os que contestam. O governo actual deslegitimando aqueles que não concordam com as suas políticas.
A diferença é enorme , em relação à sobrevivência dos opositores, mas infelizmente curta, em relação, à lógica surda de uma governação que se pretende imune a qualquer oposição social.
Esta lógica de suspensão periódica da democracia é de instauração de um estado de excepção, supostamente, legitimado pelas urnas. É a mesma lógica que leva as ditaduras a dizer: “a minha política é o trabalho”.

Post-scriptum: repare-se como o actual governo português lida com a “crise internacional” – é a sua forma de criar, obviamente, um estado de excepção.

PS 2: atenção que este post não diz que Sócrates é igual a Pinochet. Este post pretende sublinhar a forma como os apoiantes jugulares de Sócrates tentam ILEGITIMAR qualquer contestação que não seja sujeita a voto. É essa malta que é perigosa, tornariam a vida numa PAZ INFERNAL.”

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:36

Nuno, está tudo dito, é verdade o que afirmas na síntese INTEGRAL.

Aprendeste com os amigos situacionistas (como eu). O mesmo texto ou filme, um nada mudado, é outro filme, outra obra, outro livro.
A proposta do Debord era pegar no “Nascimento de uma Nação” (Griffith), filme soberbo mas ideologicamente racista, e sobrepor-lhe outra banda sonora (a banda sonora nova mostrava o racismo da obra). O mesmo filme pode dar dois filmes, três filmes … Nem é preciso mexer em nada nas coisas já feitas.
O Ducham mexia um “bocadinho”, por isso é que todos os redy mades devem ser chamados de “ready mades retocados”.

É todo um programa que vai por essas coisas.

Mesmo assim, achas que quem antes não percebeu o texto que, com o teu editing, agora percebe?
Não percebe, nunca perceberia sem as fotos. E aí só percebe mesmo as fotos e nada mais. Sempre é alguma coisa, mas um começo de nada.

Comentário de JV
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:38

Definitivamente o delírio tomou conta de alguns blogueiros desta casa. Com que então o governo quer ilegitimar o protesto já que não o podem ilegalizar!!! Eheh, eu tenho charros muito melhores.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:43

Carlos,
Claro :)
Eu até não gosto de versões limadas e adocicadas. Mas foi um exercício para mim mesmo, de como nestas discussões ninguém quer pensar , mas apenas reafirmar os seus estereótipos e meia bola em força. Provavelmente, alguns daqueles que quando lêem conceitos como “fascismo societal” do Boaventura Sousa Santos, sem se assustarem, ficam indignados sempre que isso se aplica a uns tipos em concreto.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:46

Belo exercício, lembrou-me o Debord, saudoso senhor. Em termos de citações, já agora, é mais Debord que desconstrução/Derrida, claro. O Debord tinha a escola toda. Filho da mãe.

Comentário de Nuno Ramos de Almeida
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:47

JV,
Deve ter charros muito bons. Já que não percebe que ao dizer que o governo é que tem legitimidade e os professores não passa de gente manipulada que não quer trabalhar e ser avaliada, é exactamente isso que se quer. Mas vá fumando, que pelo menos vive feliz, embora insconsciente.

Comentário de Miguel Lobo
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:52

Sofia: tem toda a razão, a imposição de uma política de educação por uma classe profissional não é legítima. Principalmente quando a classe visada está totalmente contra. Não sei é se está a perceber qual é que é a classe profissional que está a tentar impor alguma coisa. Acham mesmo que são os professores? Devo andar a ler as notícias ao contrário.

De qualquer forma, a perspectiva enviesada de democracia permanece. As medidas dos políticos não são automaticamente justificáveis por estarem no governo e por terem “legitimidade” eleitoral. Na realidade, as coisas até deviam acontecer ao contrário. Os políticos e os governantes deviam ser os primeiros a ter que apresentar justificações sobre as suas medidas, porque a explicação que estes devem é sempre bem maior do que a devida por aqueles que são os visados por essas mesmas medidas. Ainda por cima, quando essas medidas são impostas através dum autoritarismo vergonhoso e digno de qualquer comparação com regimes reconhecidamente anti-democráticos.
Pensar a democracia como separada dos políticos e das instituições governamentais oficiais é fundamental para a saúde de qualquer sociedade que se queira aberta. É um bocado frustrante notar como a maioria limita a legitimidade política aos órgãos soberanos e as estruturas formais de participação. Isso não devia ser mais do que a parte menos significativa da política, mas infelizmente acontece ao contrário e as pessoas acatam…

Comentário de Junu
Data: 6 de Dezembro de 2008, 18:57

Caro Filipe Moura,

De onde tirou a ideia que os professores se “recusam” a ser avaliados?
Suponho, que isso é apenas (e tanto) uma conclusão sua e de quem tem vindo sistematicamente a “modelar” a opinião pública, quando o que está em causa é um novo modelo de avaliação e não a recusa de qualquer avaliação.
Outra mentira, várias vezes veiculada, é a de que os professores nunca foram avaliados e que não existia nenhuma forma de avaliação a não ser a progressão automática na carreira através da antiguidade.
A avaliação, então, existente consistia num relatório de auto-avaliação, no qual devia constar todo o percurso e trabalho realizados ao longo do ano lectivo e que era entregue no conselho directivo que o devia avaliar. Para além do relatório, os docentes que quisessem subir de escalão, tinham, obrigatoriamente, que fazer acções de formação (em horário pós-laboral) onde eram devidamente avaliados.
Como temos vindo a assistir, a táctica deste governo é dividir, forjar verdades, denegrir para depois manipular.

Comentário de JV
Data: 6 de Dezembro de 2008, 19:01

Nunca vi o governo dizer que os professores não passam de gente manipulada que não quer trabalhar e ser avaliada. O Nuno será capaz de me dar um linquezinho. Basta só um.

É claro que a luta dos professores é legítima. Totalmente. É claro também que o governo tem toda a legitimidade para governar com a sua politica. Nas próximas eleições presta contas.

Por mim falo: se suspender a avaliação não tem o meu voto.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 19:09

Caro Junu, muito bem, seria denegrir, primeiro, para depois fazer o que se quisesse. Pois a opinião pública estaria contra o professorado.
Só que não resultou. E como as exigências legítimas dos professores não são caça ao voto, deixe-os, aos PSs, viver felizes com as sondagens que os fazem felizes.

Importante: o professor está a pensar na sua profissão, o Partido Socialista está a pensar na vitória de 2009. Não me parecem coisas compatíveis.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 19:14

Linquezinho para quê, JV?
“Perdi os professores, ganhei a opinião pública”, MLR.

Acha que são coisas separáveis. E se separam, qual é a intenção???

E quando se diz: um aluno que abandona a escola foi primeiro abandonado por um professor – isto é o quê? Sociologia?

Então os manhosos dos professores andam também a abandonar criancinhas ?

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 19:25

Cara Junu,
dizer “os professores” de facto é abusivo. Os melhores professores querem ser avaliados, mesmo se muitos fazem críticas (muitas delas justas) a este modelo de avaliação. Os líderes da FenProf, o Mário Nogueira, esses, sim, não queem uma avaliação a sério. Os modelos alternativos que apresentam não são modelos de avaliação. Uma autoavaliação não é uma avaliação a sério (mesmo que depois o “relatório” venha a ser avaliado).

Comentário de De Puta Madre
Data: 6 de Dezembro de 2008, 19:30

Sim! CV. Mas n faz mal… ah! y esqueces o sufixo ( Madre!) gosto mais das coisas da arte y afins … st de seres comunista ferrenho intriga-me! Tantaoisa boa para se ser … vais logo encarreinar/neirar por essa coisa que n se percebe muito bem a quem faz bem ( o omuniso) . Y Olha que Eu até arreganho o dente a qualquer PSD-Bloquista … y já reduzi muito patrãozinho às lágrimas y a olhar para todos os lados à procura da mamã! Coitadinhos! Mas isso do Comunismo é coisa de Pai Natal! ( História Mal Contada!). Cá a coisa comigo é sempre um Olhos nos Olhos! Sem Medo! A históriazinha dos Poderes, do Poder – é como que imaginária, uma coisa como que da imaginação. É tão fácil cilindar poderzinhos y manias de poderzinhos … ” Olhos nos Olhos” y as pessoas ficam situadas. Experimenta!

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 19:44

Filipe Moura,
Há aí, sobre a autoavaliação, um seu faltar à verdade ou desconhecimento do processo. No Técnico não deve ser diferente da FBAUL, onde trabalho. Fiz parte da comissão de autoavaliação da faculdade há dois anos. O trabalho foi imenso e penoso (mas ninguém contestou nada na equipa): vários dossiers com milhares de páginas. Até tivemos de contar o número de parafusos das cadeiras.

O dossier foi depois analisado in loco por uma comissão de autoavaliação das universidades, composta por elementos externos. Várias visitas ao estabelecimento de ensino dessa comissão. Este era um elemento determinante do processo. Várias visitas, observações e reuniões. Por fim, uma classificação para a escola. As informações individuais de professores, com respostas a vários questionários por todos os alunos constavam dos dossiers.
Elemento que se junta a outras obrigações individuais: mestrados, doutoramentos, pós-doutoramentos ……..

Tudo isso é avaliação, e contém autoavaliação fiscalizada ao milímetro !
Ou se conhece as coisas ou não se comenta.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 19:47

Certo, De Puta Madre.
Acho que concordo.

Comentário de Junu
Data: 6 de Dezembro de 2008, 20:11

Caro Filipe,

Foi com base numa autoavaliação que o primeiro ministro e a equipa ministerial da 5 de Outubro se congratularam, no início deste ano lectivo, dizendo que mais de sete mil professores tinham sido já avaliados e, veja-se só, alguns deles até atingiram a classificação de “Muito Bom” e “Excelente”. Como por exemplo a avaliação dos contratados , imposta, precisamente, pela sua condição. Avaliação essa que constava de uma ficha com 17 itens de autoavaliação que, posteriormente, foi avaliada em entrevista com o presidente do executivo.
Então, em que é que ficamos? Quando serve para propaganda está tudo muito bem?
Há, para além do mais, uma falta de consistência em todo este processo gritante!
Como diz o Carlos Vidal e bem, os professores pensam, sobretudo, na sua profissão e no sucesso real de todos os intervenientes no processo ensino-aprendizagem, com particular incidência nos seus alunos. É nas escolas que fazem o seu dia-a-dia. Em primeira e última instância é lá que têm que prestar contas; em encontrar soluções e melhorar as suas práticas docentes. Não somos todos uma cambada de inconscientes. E se hoje em dia, com todo este descontentamento, que não tem só a ver com a avaliação, as escolas funcionam e as aulas decorrem num ambiente de serenidade, é porque os professores “esses brutos” pensam muito para além dos seus problemas.
Portanto, isto, para os professores não se resume a uma “guerra” política, que se trava de tempos a tempos, é uma luta de todos os dias, por nós e pelo futuro de todos os que frequentam e venham a frequentar a escola pública.
Esta teimosia do governo não denota em nada firmeza por algo que acha justo e essencial, denota apenas a intransigência de quem acha que a pode ter por ter sido democraticamente eleito com uma maioria abslouta.
Se acusam os professores de só pensarem neles, então, teremos que acusar o governo de só pensar em ganhar eleições e o serviço público que se lixe, porque isso não dá “pilim”.

Já agora, Carlos Vidal, é cara junu.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 20:41

Cara junu, desculpe.
Não se pode desvalorizar, como sabemos, a autoavaliação, por isso a fenprof, creio, contempla-a. Expliquei o processo de avaliação no superior, onde há avaliação e autoavaliação. Processo duplo a que me sujeito com todo o prazer.

E qualquer professor se sujeitaria, se aquilo a que está a ser sujeito, obviamente, tivesse a mínima consistência, o que não é o caso proposto pela senhora Rodrigues.

Comentário de Filipe Moura
Data: 6 de Dezembro de 2008, 20:58

Cara Junu,
por favor não me venha dizer a mim que “na 5 de Outubro se disse” ou “o primeiro ministro disse”. Eu não sou da 5 de Outubro e nem faço propaganda para o primeiro ministro (há muita gente que a faz, mas não eu). Eu sei que rejeito modelos baseados na autoavaliação, que são os apresentados pela FeNProf (e não me importa se o governo os sou na sua propaganda). Sei que há muitos professores competentes e dedicados, tal como há outros que simplesmente não deveriam ser professores (mas ninguém os tira de lá), como bem dizia ontem o Rui Tavares na SIC-Notícias.
Obrigado pelos seus esclarecimentos.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 6 de Dezembro de 2008, 21:00

Minha querida Maria de Lurdes Rodrigues,
Ainda lembro esses dias em que foi minha discente em Antropologia. (…) Ainda lembro a alegria das nossas conversas extracurriculares, no corredor do nosso ISCTE ou no meu Gabinete, ao me referir à sua dedicação adequada e conveniente, para o estudo das suas outras matérias. (…)
A minha querida Maria de Lurdes aprendeu comigo e outros da minha Cátedra, de que o tempo era curto, temido e não dava para tudo. Reuniões, falta de livros na Biblioteca para estudar e investigar, o difícil que era entender a, por mim denominada, mente cultural dos estudantes e a dos seus pais, o inenarrável suplício de saber o que pensavam e os parâmetros que orientavam essas mentes.
Não esqueço as suas queixas sobre os pedidos do Ministério da Educação que pesavam uma tonelada ideológica e estrutural, na organização dos trabalhos dos docentes primários e secundários, que nem tempo tinham para entender a mente cultural dos seus discípulos ao serem mudados todos os anos para outras escolas. O nosso convívio era aberto e directo. Estou feliz por isso. Aliás, feliz, porque pensava em silêncio: “cá temos uma futura grande educadora”. Apenas que, enveredou para a engenharia da interacção social, ao estudar com o meu querido amigo João Freire. E o problema nasceu.
Os professores primários e secundários devem preparar as sua lições, como Maria de Lurdes sabe, especialmente os do ensino especial ou inclusivo, que trata de estudantes com problemas de aprendizagem e precisam trabalhar desde as 8 da manhã até por vezes às 9 da noite. Esse ensino inclusivo de João de Deus, da Subsecretária de Estado, Ana Maria Toscano de Bénard da Costa, da sua colega no saber e no posicionamento partidário do Ministério da Educação, a minha grande amiga Ana Benavente, ou do meu outro grande amigo, o seu colega ideológico e no cargo de Ministro da Educação em 2000, Augusto Santos Silva, que nos foi “roubado” ao passar para a vida política.
Lembro-me, ainda, como simpatizava com a minha luta de Socialista de Allende, por outras palavras, Socialista orientado pelas ideias históricas de Marx, tal e qual Durkheim e Mauss, mencheviques, colaboradores de Lenin para derrubar o regime injusto e arbitrário dos Romanoff, como demostro no meu livro de 2007, da Afrontamento: A Dádiva, essa grande mentira social, do qual lhe enviarei uma cópia, escrito calmamente, para comentar o que comentava consigo como minha discente, os atropelos dos Czares serem semelhantes ao do ditador do Chile, quem entregara as escolas às juntas de freguesia, denominadas municípios, e obrigava a relatórios semanais para controlar a docência do Chile e assim obter o prometido: “nem uma folha mexe no Chile sem o meu consentimento”.
Ainda lembro os seus comentários horrorizados: “Senhor professor, é mesmo assim? Que horror. Os professores já sabem, para quê avaliá-los mais, e obrigar a reestudar o que já é sabido nos seus tempos para a família, preparação de aulas e merecido descanso”.
A Maria de Lurdes esqueceu acrescentar, nessas as nossas conversas, que os docentes eram avaliados pela educação que recebiam os seus filhos. Mas, como boa engenheira da sociedade, entendia que os sindicatos deviam protestar quando o poder ultrapultrapassa o afazer, já imenso e pesado, dos docentes, especialmente, do ensino especial e inclusivo, e os de classe social. (…)
Maria de Lurdes, se a pessoa Ministro da Educação sabe que é preciso entender essa mente cultural de estudantes e os seus pais, sabe também como um dado adquirido, que esse facto acontece apenas pela necessidade de se prepararem os docentes para ensinar. (…) Sabe que já está tudo preparado faz tempo, para a divisão do trabalho, sem acrescentar mais deveres aos docentes primários e secundários, que vivem em sessões que atrasam e arrasam a sua preparação de lições, hostiliza aos sindicatos e, além do mais, importamos desde o Chile esse modelo puro e duro já referido, da morta ditadura. Ou, reabilitamos a nossa em Portugal e tiramos os cravos das espingardas do 25 de Abril.
Com carinho, com respeito, mas com firme persistência, do seu velho Professor, a se restabelecer de uma doença que mata rapidamente.»

(Raul Iturra, professor catedrático do ISCTE)

Pelo menos no que toca à avaliação de professores, Portugal e Chile são iguais.

Comentário de Ricardo Ferreira
Data: 6 de Dezembro de 2008, 21:02

Caro Carlos Vidal. A pessoa na fotografia não sou eu. Sou bastante mais novo. Quanto a qualidade, guio-me por artigos, que mesmo por vezes discordantes dos principios que eu me rejo, eram artigos onde se explicitava bem o que se defendia.

Este seu artigo está ao nível de artigos do pessoal da extrema direita ou dos liberais intransigentes. Não fique a pensar que eu sou uma socranete. Antes pelo contrário.

Comentário de Miguel Lobo
Data: 6 de Dezembro de 2008, 21:12

Enquanto aqui escrevia, há pouco, bem pensava sobre qual seria a opinião do professor Raul Iturra, uma pessoa que conhece na própria pele a antiga ditadura chilena. Está aqui a resposta.
Agora, só depende de vocês, que aqui comentam, continuar a insistir ou a fazer de conta que a comparação do Carlos Vidal é total (entre dois regimes), ou então reconhecer que num caso muito específico, como é este que aqui tratamos, a comparação não é totalmente descabida. Além disso, é só uma comparação – ninguém está, apesar de tudo, a dizer que são modelos absolutamente idênticos.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 21:16

Expliquei o cruzamento dos processos de avaliação e autoavaliação no ensino universitário público, a que pertenço e o Filipe também. Mas o Filipe continua a desvalorizar a autoavaliação quando sabe que a ela se teve de sujeitar mais o seu estabelecimento de ensino. Não tenho nenhum exemplar desse gigantesco dossier que em equipa tive de elaborar, tenho muita documentação solta, mas não nenhum exemplar dese dossier. Se tivesse, punha-o aqui: milhares e milhares de páginas no “5dias”, uma magnífica inovação na blogosfera. Serviço público para relembrar Filipe Moura do que anda esquecido.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 6 de Dezembro de 2008, 21:28

Não faz sentido o seu comentário, Ricardo Ferreira.
Primeiro, explicitei detalhadamente o sistema de avaliação do ensino superior, que conheço. Quando fala em explicitar bem as coisas, leia o que escrevi, sff.
Quanto à extrema direita, o seguinte. É argumento de má fé, e, ao mesmo tempo irónico e brincalhão.
A extrema direita não gosta e não pratica o voto, nem admite a contestação de rua. Eu aprecio o voto e dou muito valor à constestação de rua. Os apoiantes de Sócrates intimidam a contestação de rua – este fim-de-semana serviram-se de sondagens para intimidar movimentos de contestação: se prosseguem nessa via perderão votos! É uma gracinha sem importância e uma intimidação.
Estão explicados os erros dos seus comentários.

Ricardo santos Pinto, ainda bem que retomou essa carta de Iturra.
Era o documento que faltava à já longa lista de informações e discussões que estes posts têm proporcionado. Agredecendo eu a todos, que rechearam isto de material fundamental.

Comentário de Paula Telo Alves
Data: 7 de Dezembro de 2008, 0:13

Concordo com o Nuno Palha, mas a minha objecção a este post é antes de mais estética. É estranho ver neste blogue, onde me habituei a ler ideias esgrimidas com clareza, um post em que os argumentos foram substituídos pelo abuso algo histérico da pontuação e das maiúsculas, tudo pintalgado a negrito e lápis de cor, numa sucessão hiperbólica de exclamacões e de pontos de interrogação. Para quê usar apenas um quando o teclado tem uma quantidade infinita e não se paga mais por isso [???] Parafraseando o maradona, o Carlos Vidal utiliza o caos-de-pontos-de-interrogação como modo de expressão. Abre-se o sóbrio 5dias e damos de caras com uma redacção da escola primária a que, se faltam as reticências como sinal de profundidade pré-púbere, não faltam os exasperantes pontos de exclamação, esse sinal que denuncia mais que nenhum outro a gritante falta de argumentos.

Vou continuar a passar por cá para ler quem gosto de ler, apesar de me chatear dar de caras com posts tão garridos. Dir-me-ão que o blogue é privado e é vosso e que metem cá quem vos apetece, e terão toda a razão. Há uma certa arrogância nesta coisa de vir para aqui mandar bitaites sobre a qualidade das prestações de um blogue privado, mas vocês habituaram-nos a um serviço público e depois, quando o nível desce, os leitores queixam-se.

Quanto à discussão de fundo, subscrevo as palavras do António Figueira, que em “Vamos falar de política” (http://5dias.net/2008/12/05/vamos-falar-de-politica/) desmontou com lógica inatacável os argumentos contra os protestos dos professores, naquele estilo sereno que lhe é próprio e que berra & berrará sempre com o de quem se põe aos berros.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 7 de Dezembro de 2008, 0:55

Paula Telo, bonito nome. É que eu ando a imitar um filósofo francês já falecido que gostava de partir palavras, pedaços de palavras, convidar autores diferentes para escrever numa das metades dos seus livros enquanto ele ficava com a outra – aquilo era uma festa, e eu sou um imitador. Também gosto muito de diagramas, mas aqui é difícil. Prefere a serenidade e o silêncio meditativo do meu post sobre Gustav Leonhardt? Também é mais o meu estilo. De resto, posso propor que a metam cá, para escrever coisas muito planas como o meu post citado – sóbrio, convidativo, silencioso. Em pintura, aprecio Clement Greenberg, o teórico da flatness. Recomendo-lhe. E pode sempre apresentar queixa aos meus colegas designers (Design de Comunicação – nas Belas-Artes: é no Chiado, é só um saltinho).

Comentário de Junu
Data: 7 de Dezembro de 2008, 1:02

Caro Filipe

Não foi minha intenção dizer-lhe a si e só a si. Se o fiz foi porque falou na autoavaliação e eu achei por bem, explicitar o que aconteceu no ano lectivo passado. Também, não me lembro de o ter acusado a si, especificamente, de fazer propaganda e se o fizesse estava no seu direito e era da sua inteira responsabilidade. Falei genericamente, e como genericamente as coisas passam para a opinião pública.

Posto isto, desengane-se o Filipe e todos aqueles que acham que vai ser esta avaliação de mangas de alpaca que vai mudar o que quer que seja dentro das escolas em termos de os professores passarem a ser mais competentes, ou mais conscenciosos.
Para começar o processo está inquinado quando se faz um concurso para professor titular em que contam apenas os últimos sete da carreira e em que se sobrevaloriza, sobretudo, o trabalho relacionado com a administração escolar.
Por outro lado, o problema do ensino neste país, não passa, somente, por haver maus professores (em todas as classes profissionais há bons e maus profissionais). Temos de concordar que é uma visão simplista e redutora. O problema vai bem mais fundo do que isso: era necessária uma reforma profunda no que diz respeito aos curricula e aos programas, que como se sabe não dependem directamente dos professores, mas sim do ministério que os tutela. Era preciso investimento em recursos humanos e técnicos, um investimento sério, equipar as escolas e dotar toda a comunidade educativa de meios para poder trabalhar eficazmente.
Dar às escolas que estão inseridas em meios sociais mais desfavorecidos maior autonomia para que estas pudessem ajustar os curricula à população discente que as compõe e, desta forma, irem de encontro às necessidades e expectativas dos alunos.
Promover uma escola inclusiva, de facto. Não atirar alunos provenientes de outros países, com um sistema de ensino completamente diferente do nosso, para uma turma e um nível de ensino que não conseguem acompanhar. É o que se passa com dezenas de alunos que todos os anos chegam às nossas escolas e a quem o ministério passa equivalências sem o mínimo critério. O que acontece com estes meninos é que não têm a possibilidade de frequentarem um ano de transição em que possam dotar-se da ferramenta mais indispensável (a aprendizagem da língua portuguesa) para conseguirem acompanhar as outras disciplinas. O resultado, é o famigerado abandono escolar.
Poderia passar aqui a noite inteira a inumerar as debilidades do nosso sistema de ensino, mas temo que seria uma tarefa exaustiva.
O que quero realçar é que este modelo de avaliação, nem outro qualquer, vai salvar o estado a que se chegou.
Não quero com isto dizer que não acho importante que se elabore um modelo de avaliação com os professores e para os professores que ajude na sua prática docente e se reflicta num melhor desempendo. Isso é desejável e expectável.
No entanto, convenhamos, a avaliação de desempenho é apenas um ponto do imenso emaranhado que é o sistema público de ensino.
Antes tudo se resolvesse com a avaliação. Eu ficaria, certamente, aliviada.

Pingback de Arrastão: Disparates em saldo
Data: 7 de Dezembro de 2008, 1:48

[...] tivesse escapado. Carlos Vidal escreveu uma vez e vamos também tentar fingir que não lemos que não haverá grande diferença entre os apoiantes de Sócrates e de Pinochet. Ou o disparate está em saldo ou nem um nem outro conseguem fazer o enorme esforço de imaginar o [...]

Comentário de João Verde
Data: 7 de Dezembro de 2008, 9:48

Não consigo perceber é como é que tanta gente se dá ao trabalho de comentar um post destes. E sobretudo de aturar as parvoíces do jovem recruta deste blog. Onanismo heterossexual? E eu, reparem, até gostava bastante do 5 Dias. Pensem bem.

Comentário de João Verde
Data: 7 de Dezembro de 2008, 9:51

Já agora uma sugestão ao CV: use menos a primeira pessoa do singular (eu… eu… eu…). Fica melhor a dita do plural. O impessoal também não cai mal.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 7 de Dezembro de 2008, 13:28

João Verde, você vai continuar a gostar do 5dias, descanse. Não faltam motivos.

Agora, porquê tanta gente por aqui a comentar?
Por dois motivos: 1) porque é sinal que a democracia tem algumas virtudes, nomeadamente a de se deixar criticar.
2) talvez a razão mais importante – é sinal de que há um difuso descontentamento na vida política e social, que em posts como estes vê lugar para se manifestar; isto faz que as pessoas critiquem e apoiem um lado, um dos lados, os dois lados, o que quer que seja. Nós não somos apáticos e manifestamo-nos quando as matérias são expostas com clareza. E eu tento ser claro.

Quanto à substituição do “eu” pelo “nós”. Isto não é uma tese académica e, além disso, nem todas as minhas opiniões são de todos os elementos do 5dias. O “nós” não seria altamente abusivo, meu caro João Verde ?

Comentário de De Puta Madre
Data: 7 de Dezembro de 2008, 14:33

Socrates está a representar uma espécie de papel de vendedor da Enron … Remexendo da memória sempre é mais fixe que a cantiga do papão da MFLeite … se bem me lembro era traumático abrir a porta do frigorifico … y comer! Era cá um peso na consciência …

Comentário de O Costa
Data: 7 de Dezembro de 2008, 16:26

Espero que um dia os seus filhos sofram o que muitos sofreram às mãos de pinochet e que voce esteja cá para ver.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 7 de Dezembro de 2008, 16:52

Caro O Costa, esse desejo não é bonito. Deveria ter dito, “espero que um dia os seus filhos NÃO sofram …..”. Os meus filhos (a minha, concretamente) não merecem pagar pelo pai.
Quanto ao sofrimento, vou vendo um pouco por toda a parte gente que sofre e não é pouco. Já agora, um reparo: a democracia até deveria servir para limitar esse sofrimento o mais possível, já que a ditadura se está nas tintas para todo e qualquer tipo de sofrimento. Mas tenho visto nada, quase nada, quase nada.
Cumprimentos sinceros.

Comentário de Almajecta
Data: 7 de Dezembro de 2008, 18:21

Força Carlos, as consequências da magna questão, fazem lembrar aquelas mui obtidas pelo último governo Chez les Donnas.
Ainda a desenvolver o plano de Emulação Socialista aí no Albergue dos Danados? Abraços.

Comentário de Adão Contreiras
Data: 7 de Dezembro de 2008, 21:58

Pelo que vejo, leio, anda muita gente que sabe sobre aquilo que escreve e também muitos visitantes neste e outros blogs; é sinal de vitalidade intelectual o que é bom para todos.
Diga-me, só por curiosidade se Carlos Vidal que aqui escreve é o autor do livro “democracia e livre iniciativa”? da Fenda.
-é que comprei este livro há já algum tempo, comecei a lê-lo, e, (em parte por ser professor e desgastar-me profundamente nessa profissão não tanto com o ensinar ou dar aulas em si mas mais com a pressão exercida pela indisciplina, a falta de regras elementares de comportamento por parte da maioria dos alunos em situação de aula e não só) acabei por não o ter lido na totalidade.
Não nos podemos esquecer, quanto penso, de todo o enquadramento deste processo:
quando a escolaridade se tornou obrigatória para todos não havia parque escolar nem professores de carreira em quantidade suficiente para suprir as necessidades. Foram anos de caos em vários planos do sistema. Só a pouco e pouco se veio a consolidar a carreira e o parque, passos fundamentais para dar algum suporte ao sistema do ensino público.
O estatuto as remunerações existentes a qualidade do ensino público de hoje são o fruto desse caldo; diria dessas lutas, histórias de conquistas e derrotas de professores, governos e sociedade.
Penso que para bem do país chegou a altura de se dar um salto qualitativo e é aqui que se põe o cerne da questão. Como superar positivamente este estádio do sistema público de ensino? Para responder a isto a sociedade tem que definir-se naquilo que quer: um sistema de ensino enquadrando por valores e conhecimentos para alem do mercado ou um sistema de conhecimentos e tecnocracia. Mas o caminho faz-se caminhando… e todos somos responsáveis.
Os professores até se arriscam a perder nesta luta mas não são só os professores que perderão, questiono-me se o país também não perderá com isso.
Como tenho já alguma idade vai-me faltando a pachorra para ouvir/ler acusações gratuitas aos professores.

os meus cumprimentos

Comentário de Carlos Vidal
Data: 8 de Dezembro de 2008, 1:51

Amigo Adão Contreiras, de facto escrevi o “Democracia e Livre Iniciativa: Política, Arte e Estética”, publicado na Fenda. Concorco com o seu ponto de vista. De facto, a tecnocracia e o pseudo-pedagogismo deste burocrático governo, estou certo, não o deixou terminar o meu livro nem muitos outros milhentas vezes mais importantes talvez.
Esta sua consideração está correcta:
escolher entre “um sistema de ensino enquadrado por valores e conhecimentos para alem do mercado ou um sistema de conhecimentos e tecnocracia.” Já vimos que este governo privilegiou a tecnocracia estatística, porque pôs a pedagogia (representada por esse inenarrável Valter Lemos) a valer mais do que o saber.
É, neste momento e com esta equipa, impossível voltar a valorizar o saber.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 8 de Dezembro de 2008, 12:46

A. Moura Pinto,

Quanto ao facto de ficar bem ao lado do Carlos Vidal, obrigado pelo elogio.
Quanto ao resto, é a mais pura das verdades e até o Secretário de Estado Pedras já o reconheceu: o modelo de avaliação dos professores de Portugal foi copiado do modelo de avaliação dos professores do Chile. Se até o Secretário de Estado já reconheceu, é porque é verdade – eu não disse nenhuma mentira.
Se não sabe, informe-se antes de escrever. E se tem dúvidas, vá comparar os dois modelos.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 8 de Dezembro de 2008, 12:48

Onde é que está o comentário do Moura Pinto a que eu respondi?

Comentário de Adão Contreiras
Data: 8 de Dezembro de 2008, 13:19

Permita-me que lhe agradeça o ter-me respondido e sobretudo dum modo tão “amigável”.

“voltar a valorizar o saber” é o que os professores na sua esmagadora maioria gostariam de poder fazer.

Por aqui andarei

Comentário de Carlos Vidal
Data: 8 de Dezembro de 2008, 13:32

Caro Ricardo Santos Pinto. Apaguei um comentário de Moura-Pinto, mas esse dito comentário não se referia a nada de modelos de avaliação chilenos, assunto em que o meu amigo tem toda a razão. O comentário de Moura-Pinto era generalista e inútil. Devo dizer que não me insultava (como outros de um tal Francisco, que não apago, pois também o insultei). O comentário de Moura-Pinto ultrapassava a minha barreira de “LTPS”, quer dizer, o meu “Limiar de Tolerância PSista”. A si, Ricardo Santos Pinto, mas não a Moura-Pinto, peço desculpa. De qualquer modo, vou ver na caixa geral do blogue se está alguma coisa de Moura-Pinto aproveitável que se refira à sua discussão. Se sim, aparecerá aqui.
Mas o comentador Moura-Pinto, até agora, foi o único, de entre dezenas, que ultrapassou o meu “LTPS”.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 8 de Dezembro de 2008, 13:36

Caro Carlos,

Eu sei qual é o comentário porque, apesar de o teres apagado, recebi-o no meu mail.
E só o comentei porque ele dizia que quem aproveitava para comparar o modelo de avaliação de professores de Portugal e do Chile (ou seja, eu) era igual a si. Daí eu dizer que agradecia o elogio e que isso da comparação é mesmo verdade.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 8 de Dezembro de 2008, 13:46

Caro Ricardo,
Obrigado pela referência, mas o que apaguei, por causa da minha doença LTPS, não se referia nem ao modelo de avaliação do Chile, nem às suas considerações justíssimas caro Ricardo Pinto, esse nunca o vi, sinceramente. Seria mesmo interessante publicá-lo. Esse sim.
O que apaguei referia-se genericamente aos meus tomates e aos do Pinochet, era mais ou menos isto – que comparação. Esse indivíduo parece que prefere os tomates do Pinochet aos de um comunista (não filiado, como eu).
Dê sempre notícias, Ricardo.

Comentário de Cão
Data: 8 de Dezembro de 2008, 14:11

Ó Carlitos, que tal um joguinho de ficcção cientifíca…
Você entrava na máquina do tempo e záz …saía na ditadura de Pinochet.
Quando regressar (caso consiga sair de lá vivo claro) a malta fala OK?

Comentário de Carlos Vidal
Data: 8 de Dezembro de 2008, 14:38

Acompanhado pelo “Tristão e Isolda” que anuncio em cima noutro post (e desculpe-me esta espécie de arrogância, mas não, não é), acompanhado dessa coisa de que falo, aceito o seu convite, caro “Cão”, ou desafio.
Mais a sério, neste post e nos post-scriptuns tento explicar o meu ponto de vista. Nada o censuro por não concordar comigo. Mas, por acaso, até o modelo de avaliação dos professores vem de lá, daquelas bandas. Porquê? Alguém que me explique. SFF Urgente.

Comentário de Cão
Data: 8 de Dezembro de 2008, 17:06

Se calhar a ministra gosta de tudo temperadinho com chili pepper…

Comentário de Carlos Vidal
Data: 8 de Dezembro de 2008, 17:44

Então, deveríamos torná-la Ministra da Educação do México, Paraguai, porque não? Brasil, Jamaica ……………?

Comentário de Cão
Data: 8 de Dezembro de 2008, 18:33

Ó amiguinho não te leves tão a sério!
Tens tomado o remédio? Parece-me que te tens esquecido…
Depois o resultado está à vista… prosa louca! fixe meu, continua que a malta à falta de “produto” le-te e oh viaja, se viaja.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 8 de Dezembro de 2008, 18:54

É esse mesmo o comentário, camarada Vidal, mas hás-de reparar que a última frase era para mim.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 8 de Dezembro de 2008, 19:35

Ainda bem, caro “Cão”, ainda bem que viaja.
Por mim, viajo pouco.
Caro Ricardo, ainda se lembra da frase de Moura-Pinto?
Então, ponha-a aí.
(Desculpe, mas apaguei-a sem ver que o Ricardo lhe tinha respondido. O seu comentário entrou depois e eu já o vi tarde, com a frase de A-M justamente apagada.)

Comentário de portela menos 1
Data: 8 de Dezembro de 2008, 20:46

Pinochet vs Sócrates é uma comparação muito infeliz, para não dizer cretina.
(…)atenção que este post não diz que Sócrates é igual a Pinochet. Este post pretende sublinhar a forma como os apoiantes jugulares de Sócrates tentam ILEGITIMAR qualquer contestação que não seja sujeita a voto(…)

isso, sujeito a voto…eis a diferença entre um assassino que derrubou um governo legitimado pelo voto e matou milhares de opositores e um Sócrtates arrogante, com uma maioria absolutamente irrepetível.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 8 de Dezembro de 2008, 21:48

Era algo do género:
«E aqueles que, a propósito do sistema de avaliação de professores, comparam Portugal com o Chile, bem podem ser considerados iguais a si» (sendo que «a si», neste caso, refere-se mesmo a ti, Carlos Vidal).

Comentário de Carlos Vidal
Data: 8 de Dezembro de 2008, 22:29

Pois, Ricardo, a conversa repete e repete a troca longa de impressões dos posts sobre a ministra. De resto, estamos de acordo em relação à ministra, caro Ricardo, e sobre a importação da coisa lá do Chile, aliás aí não há que estar ou não de acordo, porque o modelo veio mesmo de lá. Portanto, é factual. Logo, não sei o que quer A. Moura-Pinto. Encher caixas de comentários com o mesmo do mesmo? Dizendo que os argumentos dos outros são velhacarias??
Que chatice.

Comentário de GL
Data: 9 de Dezembro de 2008, 1:27

Falam tanto que o modelo de avaliação é copiado do Chile.

Só uma pergunta, o que é que vocês têm contra o Chile?

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 1:52

Contra o Chile, nada. Contra o Chile de Pinochet, tudo.
Como tudo contra o Portugal de Sócrates, com as devidas diferenças já explicadas aqui.
E porque trago aqui o Chile de Pinochet?
Porque, ao que julgo saber, o modelo da dra. Lurdes veio de lá.

Comentário de GL
Data: 9 de Dezembro de 2008, 2:14

“E porque trago aqui o Chile de Pinochet?
Porque, ao que julgo saber, o modelo da dra. Lurdes veio de lá.”

Lá do Chile de Pinochet? A avaliação que supostamente serviu de modelo é do Chile de Pinochet?

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 14:36

Caro GL, eu gostava de ter a certeza absoluta disso.

Eu disse, “ao que julgo saber, o modelo veio de lá”. Não me surpreenderia que tivesse vindo do Chile de Pinochet. Isso é dito por todo o lado.
Que veio do Chile, veio. De que ano é a sua elaboração no Chile, não estou certo. Repito, ao que julgo saber e ter ouvido, é do Chile de Pinochet. Pode confirmar-me tal dúvida ??

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 9 de Dezembro de 2008, 15:03

O modelo de avaliação de professores português foi copiado do modelo de avaliação de professores que Pinochet implementou no Chile e que, ainda hoje, está em vigor.
O que é que temos contra o Chile, Gilson? Nada. É um simpático país, estreitinho (se rebolares um pouco mais na cama, ainda cais ao mar), mas não me parece que seja grande exemplo a nível de educação ou do que quer que seja. De literatura, talvez.
Já que se fala tanto no fim das reprovações dos alunos, tendo em conta o exemplo finlandês, eu gostava era de ver implementado em Portugal o modelo de avaliação de professores da Finlândia. Isso é que eu gostava!

Comentário de Filipe Moura
Data: 9 de Dezembro de 2008, 15:14

Ricardo, o modelo de avaliação começou a ser implementado no Chile há dez anos. Portanto, não tem nada a ver com o Pinochet. E o Chile é um exemplo de educação, sim.

http://e-educador.com/index.php/artigos-mainmenu-100/2700-chile

“Chile aposta em avaliação de professores

Melhor país da América Latina em exames internacionais de aprendizagem na educação básica, o Chile tem seus alunos em período integral, currículo organizado e escolas com boa infra-estrutura”

“Mesmo com o debate, o Chile tornou-se modelo de educação para a América Latina. Em avaliações internacionais, os 3,5 milhões de alunos têm desempenho muito superior ao dos colegas do Brasil ou da Argentina. Enquanto o Brasil investe menos de 4% do PIB em educação, o Chile destina 7% e seus alunos têm garantidos pela Constituição 12 anos de educação obrigatória.

Seus pontos fortes são a formação e a avaliação dos professores, afirmou a ministra da Educação chilena, Mónica Jimenez.

O sistema prevê exames permanentes aos 80 mil docentes e os que não melhoram podem até ser excluídos da rede. E a partir deste ano o processo começa já para os estudantes recém-graduados nos cursos de formação de professores.”

Nota sobretudo

“O que o Chile faz para capacitar melhor os professores e o que acontece com os que vão mal nas avaliações?

JIMENEZ – Os professores não queriam ser avaliados. Começamos isso há dez anos. Todo professores que são declarados de excelência recebem incentivos econômico, parte para ele e parte para a escola. Recebem computadores e oportunidades especiais de capacitação fora do país. Aos que se saem mal, damos um ano para que melhorem, mandamos ele de novo para a universidade e pagamos os salários. Neste período, o professor fica fora da sala de aula. Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema. Isso é raro, mas já ocorreu, 20 perderam o emprego até hoje.”

Ou seja: não é verdade dizer-se que o sistema de avaliação proposto (por muitos defeitos que ele tenha, atenção) tenha sido inspirado no Pinochet.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 15:45

O Ricardo Santos Pinto, como é hábito, é um professor que aqui nestes comentários aparece sempre munido de preciosa documentação que não se limita a links soltos e a posições acríticas e subservientes. Quando o Ricardo Pinto aqui diz, respondendo a um apelo de esclarecimento meu, que o modelo de avaliação no Chile é de inspiração pinochetiana (não disse “de Pinochet”, atenção), eu levo a sério o Ricardo e não a obsessão (em relação aos meus textos) e a subserviência (em relação ao governo) de Filipe Moura (que apenas tem os meus textos como único tema), que nem soube responder nem comentar, noutro lugar, o papel da autoavaliação no ensino universitário. Autoavaliação que é um facto e a mim e a outros colegas me consumiu dias e muitas horas.
Portanto, caro Ricardo, até prova em contrário e a fazer fé no que está nesta caixa de comentário, é a si que eu levo a sério.

Anoto entretanto a sensibilidade de Filipe Moura em relação ao bem estar no Chile no sector da educação, e dado que a democracia é aí muito nova, anoto o apreço do Filipe Moura por esse aspecto da herança de Pinochet (como estas coisas não nascem perfeitas em 10 anos, isto só pode ser herança de Pinochet).

Além disso, Filipe Moura cita muito mal. Vejamos:

“JIMENEZ – Os professores não queriam ser avaliados. Começamos isso há dez anos. Todo professores que são declarados de excelência recebem incentivos econômico, parte para ele e parte para a escola. Recebem computadores e oportunidades especiais de capacitação fora do país. Aos que se saem mal, damos um ano para que melhorem, mandamos ele de novo para a universidade e pagamos os salários. Neste período, o professor fica fora da sala de aula. Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema. Isso é raro, mas já ocorreu, 20 perderam o emprego até hoje.”

Este cuidado, notavelmente democrático (isto não veio de Pinochet, claro), nem por sombras está nas mentes de Lurdes, Lemos e Pedreira. Nem estará, porque espero em breve que os professores não tenham de os ver mais.

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 9 de Dezembro de 2008, 15:53

Filipe,

Em 1998? Implementado pelo Governo que conseguiu que o Pinochet fosse julgado? Ah!
É por essas e por outras que, no Chile, se compram e vendem portefólios de professores a preços bem chorudos. É para a avaliação.

«Melhor país da América Latina em exames internacionais de aprendizagem na educação básica.» Pois, se for resultados conseguidos da mesma forma que em Portugal se conseguiram os sucessos a Matemática, estamos conversados.

E é Raul Iturra, bem conhecedor da realidade chilena, que o diz na carta aberta à Ministra da Educação, não sou eu: «ditador do Chile, quem entregara as escolas às juntas de freguesia, denominadas municípios, e obrigava a relatórios semanais para controlar a docência do Chile e assim obter o prometido: “nem uma folha mexe no Chile sem o meu consentimento”. Ainda lembro os seus comentários horrorizados: “Senhor professor, é mesmo assim? Que horror. Os professores já sabem, para quê avaliá-los mais, e obrigar a reestudar o que já é sabido nos seus tempos para a família, preparação de aulas e merecido descanso”. A Maria de Lurdes esqueceu acrescentar, nessas as nossas conversas, que os docentes eram avaliados pela educação que recebiam os seus filhos. Mas, como boa engenheira da sociedade, entendia que os sindicatos deviam protestar quando o poder ultrapassa o afazer, já imenso e pesado, dos docentes, especialmente, do ensino especial e inclusivo, e os de classe social. (…) Como educador, conheço bem essa preparação, tal e qual a Engenheira Social, especialidade que a louva, sabe que já está tudo preparado faz tempo, para a divisão do trabalho, sem acrescentar mais deveres aos docentes primários e secundários, que vivem em sessões que atrasam e arrasam a sua preparação de lições, hostiliza aos sindicatos e, além do mais, importamos desde o Chile esse modelo puro e duro já referido, da morta ditadura. Ou, reabilitamos a nossa em Portugal e tiramos os cravos das espingardas do 25 de Abril.

Mas é como eu dizia antes. Desculpa, mas, ainda assim, em termos de educação, confio mais na Finlândia.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 16:12

Caro, Ricardo, grato uma vez mais pelas suas considerações. Aqui são as fiáveis, obviamente. Como expliquei no meu comentário imediatamente acima. O que é de Pinochet, na avaliação do Chile, percebe-se que é de Pinochet ou de sua inspiração (ou de Milton Friedman, ou de quem quer que seja do mesmo calibre, pois o monstro não tinha cérebro, claro). O que é democrático, também se percebe, e eu também acima citei (a partir de um excerto de Filipe Moura, que este não percebeu certamente).

Quanto ao resto, desde que postou algo com o título “Voltei”, há dias, o Filipe Moura publicou cerca de 5 ou 6 textos, dos quais 4 ou 5 foram sobre mim ou sobre posts meus. Coisa única neste blogue. Em vez de me sentir “honrado” tenho o direito de me sentir enfadado.

Comentário de Filipe Moura
Data: 9 de Dezembro de 2008, 16:25

“Além disso, Filipe Moura cita muito mal. Vejamos:

“JIMENEZ – Os professores não queriam ser avaliados. Começamos isso há dez anos. Todo professores que são declarados de excelência recebem incentivos econômico, parte para ele e parte para a escola. Recebem computadores e oportunidades especiais de capacitação fora do país. Aos que se saem mal, damos um ano para que melhorem, mandamos ele de novo para a universidade e pagamos os salários. Neste período, o professor fica fora da sala de aula. Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema. Isso é raro, mas já ocorreu, 20 perderam o emprego até hoje.”

Este cuidado, notavelmente democrático (isto não veio de Pinochet, claro), nem por sombras está nas mentes de Lurdes, Lemos e Pedreira. Nem estará, porque espero em breve que os professores não tenham de os ver mais.”

Citei muito bem, sim. Ficamos a saber que para o Carlos Vidal despedir um incompetente é antidemocrático. Esclarecedor.

Quanto ao resto: quem é você para afirmar o que eu percebo e não percebo? Eu respondo: alguém que também recomenda os seus próprios livros, como se leitura obrigatória fossem, a despropósito. Julga-se um génio incompreendido?

E não seja pusilânime: mostre a minha “subserviência ao governo”. Mostre! Antes subserviência ao governo do que declarar-me “não democrático” e que em 1968 a URSS fez o que tinha a fazer ao invadir a Checoslováquia. Só que, se quiser, eu mostro muito bem onde é que você declarou isso. Não me fico por insinuações.

Finalmente, pode criticar à vontade os meus textos. Demonstra o quão habituado está a que alguém critique os seus. Já era bom que visse que o Carlos, desde que começou a escrever no Cinco Dias, politicamente (não me refiro aos textos sobre arte) não faz mais nada do que repetir todos os dias refinações do mesmo texto. Já percebemos a sua ideia, Carlos: Sócrates é igual a Pinochet, e muito melhor é o Bush. Não tem mais nada para dizer? Tem, sim: tem queixinhas para fazer, qual bebé chorão, por o Daniel Oliveira não ter respondido à sua pergunta! E para isso é preciso um estardalhaço de um post com as caras dos seus gurus. Coisa única neste blogue é isso (e talvez em toda a blogosfera). Coitadinho do Carlos! É com certeza um génio incompreendido.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 16:40

O Filipe Moura cita mal, não percebe o que cita e nãopercebe o que lê.
VEJAMOS.

Eu citei : “(…) Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema.”

Depois comentei : “Este cuidado, notavelmente democrático (…)”.

Porra.
Eu disse “cuidado democrático” e não “antidemocrático”.
Eu tenho que aturar isto ??
O Filipe Moura não tem outra coisa para fazer senão andar APENAS pelos meus textos, treslendo, citando AO CONTRÁRIO, ainda por cima escrevendo num português ingénuo.
Eu disse “cuidado democrático” e este Filipe Moura cita-me como tendo dito “antidemocrático”.
Alguém ajuda Filipe Moura a ler ?

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 17:11

É também desonesto publicar um comentário, e depois acrescentar-lhe mais vinte linhas a seguir ao comentário do colega, pô-lo antes deste como se antes tivesse ou fosse adivinhar o que sairia da pena do seu contendor. O comentário de Filipe Moura acima é, na sua quase totalidade, posterior ao meu último. Não se debate nem dialoga assim com ninguém. É um absurdo para quem está a ler a sequência das entradas. Não percebe o leitor. Então o Filipe comenta algo que o outro só refere depois ??

Uma nota sobre o Daniel Oliveira.
Quem for ao Arrastão vê que Daniel Oliveira se incomodou com o meu post socratismo-pinochetismo. Começou ai uma discussão para surpresa minha, pois sempre tive o Arrastão como coisa meio autista e previsível. Parece que tb referiu que as minhas reservas a esta democracia era uma coisa de “ganda maluco”. Mas já não chama “gandas malucos” aos tipos que ponho no post sobre “malucos”. Porquê?
Homem, o Deleuze e o Foucault já morreram, não tenha medo. Chame-lhes “gandas malucos”, é que deve estar uma ou duas pessoas à espera (mais também não).

Comentário de Filipe Moura
Data: 9 de Dezembro de 2008, 17:20

Um editor do blogue tem a possibilidade de ir gravando um comentário longo, à medida que o vai escrevendo. O que o Carlos leu anteriormente (a que eu só acrescentei mais coisas) foi um rascunho do meu comentário. Não há absolutamente nada de desonesto nisto – é algo que decorre da simultaneidade com que os comentários são escritos. Antes de chamar a alguém desonesto,, aprenda a escrever no wordpress. Além de antidemocrata é nabo!

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 17:27

Não me venha dizer o que um editor do blogue pode ou não fazer.

Por exemplo, eu posso apagar os seus comentários se quiser, mas não os apago porque não quero.

Não tem mais nada com que se entreter senão ler C Vidal ????

Não lê?
Não vai ao cinema, ao teatro, à ópera?? ao café, a uma boite com miúdas do caraças ????

Comentário de Filipe Moura
Data: 9 de Dezembro de 2008, 17:34

Há um acordo entre os autores do blogue de só apagar comentários insultuosos e difamadores. É a primeira vez, no Cinco Dias, que eu vejo alguém ameaçar apagar comentários que não são insultuosos ou difamadores. Insultuosos e difamadores são os seus comentários onde me chama “subserviente ao governo” e diz que eu “não sei citar” nem percebo. Mas se eu o incomodo assim tanto apague e revele uma vez mais a sua vontade de debate. É uma possibilidade que tem – toda a gente sabe; escusa de a recordar.

Comentário de Filipe Moura
Data: 9 de Dezembro de 2008, 17:35

“Não tem mais nada com que se entreter senão ler C Vidal ????

Não lê?”

Para quem ainda há uma semana me recomendava os seus próprios livros há aqui uma evolução curiosa.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 17:40

Oh Filipe, continue, continue ……..

Comentário de Kerensky
Data: 9 de Dezembro de 2008, 18:06

Este entulho do muro de berlim anda cada vez mais cómico.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 18:11

Por mim, tinha-o mantido de pé, naturalmente.

Comentário de GL
Data: 9 de Dezembro de 2008, 19:12

Carlos Vidal e Ricardo, por favor… tenham a fineza de admitir que o Filipe Moura arrumou com esta questão da avaliação importada do Chile. O que me parece haver da vossa parte é um preconceito implícito contra um país emergente, que Portugal também considerado seria, se não estivesse inserido na UE. Tenham mais humildade… se os professores do Chile conseguem, os de Portugal também hão de conseguir.
Quisera Portugal ser a terra de esperança que é hoje o Chile.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 9 de Dezembro de 2008, 19:57

Caro GL, como sabe e leu, sobre a avaliação importada do Chile, eu limitei-me a pedir dados objectivos.
Acho mais fiáveis os do Ricardo que os do Filipe Moura. Está provadíssimo em inúmeros comentários e caixas de comentários que o Ricardo possui um bom banco de dados. Como fonte de informação, prefiro o Ricardo. Mas, se o meu caro amigo GL tiver informações sobre o assunto, vai ao encontro do meu post: querer saber a origem deste modelo chileno. Quais as datas de todos os seus componentes? O que vem de Pinochet e o que vem depois?

Comentário de Ricardo Santos Pinto
Data: 10 de Dezembro de 2008, 11:14

Não me parece que, ao comparar o modelo de avaliação português com o chileno, haja qualquer preconceito contra o Chile. Pelo contrário. No que me toca, admiro os escritores chilenos e toda aquela atmosfera – cores, sons e cheiros – que nos é transmitida pelos livros de Isabel Allende ou de Luis Sepulveda. Aliás, a página 73 da «Casa dos Espíritos» de Allende (edição Difel) nunca me saiu da cabeça. Um «guisado afrodisíaco» que um dia – prometo a mim mesmo há anos – ainda hei-de experimentar.
Uma questão diferente é considerar que o Chile é um país-modelo nestas questões. Pessoalmente, continuo a pensar que, em termos de educação, os países da Europa desenvolvida são o exemplo a seguir. O próprio Governo o admitiu, ao falar no fim das retenções até ao 9.º ano, como acontece na Finlândia.
Ora, na Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido (Escócia) e Suécia; Eslováquia, Hungria e Letónia, não existe sistema de avaliação de professores. Nalguns destes casos, são as escolas que são avaliadas, não os professores.
Mas nem sequer acho que devíamos ir por aí. Penso que deve haver um modelo de avaliação, sim, mas que distinga os bons dos maus e que não seja apenas um monte de burocracia. Já publiquei várias vezes o modelo que defendo, sem papelada, mas muito exigente e excelente para promover o sucesso da educação e dos alunos, que devia ser o único propósito de qualquer modelo de avaliação de professores.
Mas não é. O único propósito deste modelo de avaliação é, para além da obsessão com os números / estatísticas / grelhas / impressos, impedir o acesso dos professores ao topo da carreira.
E reparem que não defendo que todos possam chegar ao topo. Só que é diferente haver quotas na avaliação e quotas na progressão. Ou seja: se dois professores são muito bons, devem ter os dois MUITO BOM. A partir daí, o Governo tem toda a liberdade para fixar o número de vagas para ascensão à categoria seguinte.

Ainda em relação ao Chile: com todo o respeito pelo Filipe Moura, continuo a pensar que o modelo de avaliação chileno é de inspiração clara da ditadura de Pinochet. As medidas de fundo começaram a ser esboçadas ainda durante o seu Governo, como refere Raul Iturra na carta aberta à Ministra da Educação.
Aliás, seria ingénuo pensar que os tentáculos e as influências de Pinochet terminaram no momento exacto em que ele entregou o poder. Aliás, é elucidativo que, até 1998, Pinochet tenha continuado a ser o mais alto responsável pelas Forças Armadas do país, altura em que passou a ocupar o lugar de Senador no Congresso chileno.
E basta ver que o poder passou de Pinochet para Patrício Aylwin, que apoiou o golpe contra Salvador Allende em 1973. Durante muito tempo, no Chile, o Regime Militar é que continuou a dominar. A administração local estava ainda nas mãos de pessoas designadas por Pinochet e o próprio continuava a ser o chefe das Forças Armadas.
Aliás, Francisco Rojas, director da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e um dos mais importantes analistas políticos do país, dizia em 1998 que, «para chegar à democracia plena, o Chile ainda precisa de uma reforma constitucional, além de superar a vocação autoritária, enraizada não só nas Forças Armadas, mas em toda a sociedade chilena» e que «as paixões estão envolvidas em certos simbolismos vinculados à situação actual, que mostra que a figura do general Pinochet continua influenciando os chilenos.»
Como referiu em 2007 Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, «o Chile ainda adopta o modelo educacional criado no final da década de 80 pelo ditador falecido Augusto Pinochet, com pequenas alterações.»
Em Julho de 2008, Juan Guzmán, o juiz que processou Augusto Pinochet, afirmou que «mesmo depois de 18 anos do fim da sangrenta ditadura, tem-se avançado muito pouco na direcção de uma verdadeira democracia, porque ainda hoje se mantém vigente a Constituição de Pinochet e uma Corte Suprema que colaborou com a ditadura militar.
O juiz declarou que o Chile ainda se rege pela “constituição elaborada pela ditadura de Pinochet, que cria instituições pinochetistas e permite que uma minoria autoritária continue ditando leis na República democrática”. Segundo Guzmán, desde 1990, quando Pinochet deixou o poder depois de 17 anos no comando do Estado chileno, muito pouco se transformou na estrutura jurídica e legislativa do país.»
Notícia de Junho deste ano publicada no MNN: «Há mais de dois meses estudantes e professores chilenos têm-se mobilizado numa luta incessante contra a aprovação da reforma educacional proposta pela presidente Bachelet. A Lei Geral da Educação (LGE), que vem sendo discutida desde 2006, foi aprovada pelos parlamentares na última semana. Essa nova legislação surge para substituir a Lei Orgânica Constitucional da Educação (LOCE), que vigora no país desde a ditadura de Pinochet.
Como já explicitado em artigos anteriores, os protestos dos estudantes e professores têm ocorrido constantemente desde o final de Abril. Eles acusam a nova legislação de ser apenas uma adaptação da velha lei de Pinochet. Com a reforma educacional, Bachelet estaria, então, apenas dando continuidade ao projecto do ditador.
Entre os dias 16 e 19, ocorreu a segunda greve dos professores chilenos. O objectivo da paralisação era evitar a aprovação da reforma educacional no parlamento. Segundo os organizadores, 80% dos professores teriam aderido à greve. Jaime Gajardo, presidente do Colégio dos Professores, afirmou que: “Estamos falando de milhares e milhares de pessoas. Reunimos facilmente 15 mil na Plaza de Armas, além de estudantes e de outros grupos, mas apenas 10 mil professores se mobilizaram”.
Diante da grande mobilização, a Ministra da Educação, Mónica Jimenez, afirmou que foi baixa a adesão dos professores à greve. Todavia, desmentindo a ministra, as estatísticas do secretário regional ministerial da educação (SEREMI), Victor Schuffeneger, confirmaram que 80% das escolas metropolitanas não tiveram aulas.
Combatendo as críticas da ministra, Gajardo afirmou que: “O pior caminho que a ministra pode seguir é o de continuar insistindo que estas mobilizações almejam outros fins, e o de não reconhecer que o que temos aqui é uma reivindicação generalizada da sociedade para que se realizem mudanças substanciais no sistema de ensino. Existe um consenso, porque nós temos feito consultas com líderes regionais e as mobilizações têm o objectivo de retirar a LGE do parlamento, de modo a superar as limitações do actual projecto em discussão”. Contudo, mesmo diante das grandes mobilizações, o parlamento aprovou a reforma que agora segue para o senado.
Ou estoutra notícia: «Como noticiamos em edições anteriores, há mais de dois meses o Chile vem sendo palco de manifestações e protestos de estudantes e professores contrários à reforma educacional. Segundo os manifestantes, a legislação educacional de Bachelet não atende as reivindicações para que se construa uma educação pública e de qualidade. A nova legislação seria apenas a continuidade da lei educacional de Pinochet, que vigora no Chile desde 1990.
Mesmo após o parlamento chileno ter aprovado a nova legislação educacional, estudantes e professores chilenos seguem em luta nas principais cidades chilenas. Colégios e universidades continuam ocupados, assembleias com centenas de estudantes têm sido realizadas e muitas avenidas tomadas pela marcha contra a Lei Geral da Educação de Bachellet.
Ou ainda esta: «Os estudantes lutam para que a Lei Geral da Educação não seja aprovada pelos parlamentares e para que ela seja revista em diversos pontos fundamentais. Segundo o presidente do Colégio dos Professores, Jaime Gajardo: “Esperamos que no dia 21 de Maio, os deputados digam que vão rever este projecto e que vão ter mais tempo para debater e discutir um novo projecto educacional para o Chile. Pois, este projecto actual em vários pontos é igual ao projecto da Lei Orgânica Constitucional de Ensino (LOCE).” Esta lei foi outorgada pelo ditador Augusto Pinochet, um dia antes de deixar o poder, em 1990, consagrando a educação privatizada.»
Semelhanças com Portugal?
Uma das maiores razões dos protestos, esclareço eu, prende-se com o facto de os alunos e as suas famílias receberem um «voucher», que lhes permite optar entre escolas públicas e escolas privadas. A pura e clara privatização do ensino que, mais uma vez, vem dos tempos de Pinochet. E não é também isso que está por trás das reformas educativas de Portugal? A entrega das escolas às autarquias prevê-se para breve, e este é só um primeiro passo para o que virá a seguir.
As repressões de que os manifestantes têm sido alvo mostram à saciedade que existem ainda fortes resquícios do Chile de Pinochet. Até nas comemorações do 1.º de Maio 122 trabalhadores foram presos e a polícia lançou gás lacrimogéneo. «O secretário do Interior, Felipe Harboe, disse que as 122 detenções foram muito inferiores às realizadas no ano passado», refere uma outra notícia, como se isso fosse motivo de grande orgulho.
Tudo isto para concordar com Francisco Rojas quando diz que, ainda hoje, a sociedade chilena é profundamente autoritária. E era-o mais ainda em 1998, e mais ainda em 1990.
E quanto ao actual modelo de avaliação de professores no Chile? Disse em comentário anterior que a compra e venda de portefólios tornou-se um negócio muito rentável no país. É a pura mercantilização do processo de avaliação de professores. O vídeo que está publicado no youtube é elucidativo.
http://www.youtube.com/watch?v=Z3i5N5cRFYs&eurl=http://partilhadosaber.blogspot.com/2008/10/pe rverso-na-avaliao-dos-professores-no.html

Por último: claro que nada disto é simples. Se fosse, há muito que já estava resolvido. Se fosse uma profissão igual às outras, aplicava-se aos professores o SIADAP e pronto.
Aliás, um estudo recente da UNESCO, denominado «Avaliação do Desempenho e Carreira Profissional Docente», chega à conclusão de que um sistema de avaliação de professores é sempre algo de conflituoso e que, devido à dificuldade, ainda não se terá encontrado a receita ideal para resolver o problema. Aqui vai.

«Estudo reflecte sobre vários modelos de avaliação do desempenho docente na América e na Europa e conclui que a auto-avaliação é mais eficaz na melhoria da qualidade de ensino.
Cresce a importância dada aos processos de avaliação do desempenho docente nos sistemas educativos da América e da Europa como instrumento para promover a qualidade do ensino. Mas esta não é uma tendência comum a todos os países. Muitos estão a optar por sistemas de auto-avaliação interna em cada escola. “Uma estratégia mais eficaz para alcançar a melhoria do desempenho docente”, reconhecem os autores do estudo “Avaliação do Desempenho e Carreira Profissional Docente”, coordenado por Javier Murillo na UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Um trabalho de análise comparada entre 55 sistemas educativos da América e Europa, com foco na carreira dos docentes do Ensino Básico do sector público, que foi editado em Junho de 2007 e serviu de base à elaboração do modelo de avaliação docente que está a ser implementado pelo Ministério da Educação, em Portugal.
A maioria dos sistemas de avaliação do desempenho docente apresenta uma “fragilidade”: a falta de enquadramento teórico sobre quais os critérios que fazem o “bom professor”. “De tal modo que actividades análogas em contextos similares são entendidas e reconhecidas de modo diferente.” Esta é outra das notas do estudo e que, segundo os autores, deveria ser objecto de uma “reflexão séria” por parte dos responsáveis políticos sobre esta matéria.
No entanto, em todos os países da Europa e América Latina existe algum tipo de avaliação do desempenho docente. Varia a forma: avaliação externa e mais formal ou auto-avaliação interna desenvolvida informalmente. Assemelham-se as finalidades: melhorar ou assegurar a qualidade do ensino e proporcionar informação para a tomada de decisões a respeito do docente. A promoção da qualidade do ensino é a finalidade mais presente nas avaliações de carácter interno, desenvolvidas pelas próprias escolas, assinalam os autores. Ao passo que nas avaliações externas, embora se combinem as duas finalidades, a procura de informação sobre o docente tem repercussões sobre salários e promoções.
Entre os países que não têm um sistema de avaliação de carácter geral contam-se: na Europa Ocidental, a Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido (Escócia) e Suécia; na Europa de Leste, Eslováquia, Hungria e Letónia; na América Latina, Brasil, Equador, Nicarágua, Panamá e Paraguai.
Pelo contrário, foi implementada uma avaliação do desempenho docente de carácter externo em bastantes países europeus: Alemanha, Eslovénia, Estónia, França, Grécia, Lituânia, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte), República Checa e Roménia. Também na maioria dos americanos: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, México, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai, Venezuela. E em dois dos estados norte-americanos analisados, Califórnia e Carolina do Norte.
Apesar desta classificação, os autores ressalvam a variedade de situações encontradas. Assim, em países como a Espanha e a Itália, apesar de existir um sistema de avaliação, este só é aplicado em casos excepcionais: para licença por estudo e viagens ao estrangeiro. A generalização do sistema de avaliação a todos os professores em Espanha é “uma questão pendente há mais de uma década nas diferentes administrações educativas”, referem os autores.
Nos países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia) e nos Países Baixos, a responsabilidade pelo trabalho docente recai sobre a própria escola que, por isso, tem autonomia para realizar avaliações do trabalho desenvolvido quando necessárias e fazer repercutir os resultados nos salários atribuídos. No caso da Finlândia, “um exemplo paradigmático”, afirmam os autores, o sistema de inspecção e supervisão das escolas foi abolido em 1990 como prova da “confiança” posta nas escolas e nos professores. Por isso, a avaliação é entendida como uma auto-reflexão do docente no interior da escola onde lecciona. Por oposição, na França, país mais centralista onde prima o critério da equidade em todas as escolas, a avaliação é determinada pelas autoridades educativas sendo semelhante à aplicada aos restantes funcionários públicos.
Estes e outros aspectos que se prendem com o tipo de instrumentos usados para a obtenção da informação, os responsáveis pela mesma, as repercussões no funcionamento da escola e na carreira do professor demonstram o porquê de a avaliação do desempenho docente ser “uma questão tradicionalmente conflituosa”, concluem os autores.

Exemplos de modelos de avaliação
A recolha de informação é indispensável, mas são várias as limitações técnicas deste procedimento. Assim se justifica em todos os países a preocupação de combinar diversos instrumentos que possibilitem obter uma imagem global e objectiva do docente. Sendo o mais habitual a observação do professor em contexto de trabalho, ou seja, na aula. E o menos frequente, pelas duras críticas que suscita: a análise dos resultados académicos dos alunos.
Assim, no Chile utiliza-se como fonte de informação o portefólio do professor com descrição de actividades e planificações, pautas de auto-avaliação, entrevista ao avaliado e relatórios dos órgãos de direcção e coordenação da escola. Na Alemanha, combina-se a observação de aulas com a revisão dos documentos gerados durante o processo de ensino, pedem-se relatórios aos superiores do docente e uma entrevista pessoal. Na Colômbia, entre os possíveis instrumentos usados assinala-se o recurso a fontes pessoais, integrantes da comunidade educativa ou corpos de colégios profissionais, que possam dar testemunho sobre o desempenho do avaliado. Na Roménia, a avaliação é realizada mediante um esquema de fichas correlacionadas com a descrição do trabalho docente.
É possível reconhecer mais elementos diferenciadores dos modelos de avaliação: quem são os responsáveis e qual a finalidade do processo? A situação mais frequente é a de que a avaliação esteja a cargo dos órgãos directivos da escola. Mas existem outras. Espanha, Itália, Portugal e Roménia estão entre os países onde a avaliação é da responsabilidade da administração educativa. No caso da Roménia, os resultados da avaliação anual determinam a concessão de incentivos salariais de forma notória. Os professores que obtenham nota superior a 81%, classificação Muito Bom, podem auferir de incentivos salariais na ordem dos 15 a 20% durante um ano ou quatro anos. E só esta classificação permite a candidatura a postos de gestão e direcção das escolas. Na Eslovénia uma pontuação acima da média reverte-se num aumento salarial de 20%. No Reino Unido, a avaliação externa é realizada pelo Ministério da Educação e determina apenas a subida de escalão, que tem associada um aumento da remuneração. Por último, na Letónia, ainda que não haja um sistema de avaliação externo regulamentado, um professor que realize um trabalho considerado excepcional pode receber uma compensação monetária.
Ainda que todos os sistemas de avaliação tenham como finalidade última a melhoria do desempenho docente, o modelo do estado norte-americano da Califórnia é visto como um exemplo a este nível. Avaliam-se as estratégias de ensino e a sua proximidade com os objectivos curriculares, definidos ao nível da administração local, para o distrito onde se insere a escola, e também a capacidade do docente para estabelecer um clima de aula favorável à aprendizagem. Os resultados são entregues ao docente 30 dias antes do último período escolar e devem ser acompanhados por sugestões de melhoria e de planos de formação profissional que ajudem o avaliado a optimizar a sua prática.
Para quê? Esta é “possivelmente a questão-chave da avaliação do desempenho docente”, reconhecem os autores deste estudo. Mas para lá da polémica que a sua implementação pode causar, como se tem constatado em Portugal, os autores consideram que o mais importante é “converter os resultados da avaliação numa melhoria da qualidade do ensino”. Este é o “grande desafio” que se coloca aos decisores políticos.»

A quem conseguiu chegar até aqui: Louvo-vos a paciência de lerem este comentário e peço desculpa pela sua extensão. Ó Vidal, diz lá que isto até não dava um bom «post»? Alinhas?

Comentário de Adão Contreiras
Data: 11 de Dezembro de 2008, 0:44

caro CV

Depois de ler a reportagem aqui relatada http://e-educador.com/index.php/artigos-mainmenu-100/2700-chile , tinha esta nota abaixo escrita para enviar. Verifico que um longo mas elucidativo texto enquadra e esclarece os contextos duma avaliação dos professores.
Todavia , não querendo ser mais pertinente , aqui vai a minha elucubração mental.

“Alunos com alto poder aquisitivo estão nas escolas particulares, os com médio poder aquisitivo estão nas particulares subsidiadas e os pobres estão nas municipais”, diz a ministra. “O que se está produzindo é o agravamento da segregação. E é disso que esses jovens reclamam, com justa razão.”

Este parágrafo diz quase tudo sobre os méritos do sistema de ensino chileno. Onde é que está a escola democrática inclusiva e não discriminatória?

Este modelo seja ele na totalidade ou parcialmente de raiz pinochiana o que produz é “o agravamento da segregação “ como reconhece a ministra, não é de estranhar que os alunos venham para a rua reclamar assim como os professores e digam, citando as palavras da ministra “Os professores reclamam porque dizem que a educação não é só aprendizagem de conhecimentos, dizem que a educação é muito mais que isso. É claro que é, mas também é isso.”

As medições internacionais do Pisa, cá para mim, numa leitura impressionista, devem estar balizados por parâmetros que remetem para a formação de “macacos que produzam muito bem e barato” para que 50 famílias das mais ricas do mundo tenham tanto rendimento como 500 milhões +ou -, segundo relatórios da ONU. Faz-me lembrar as avaliações de bem estar nos diferentes países; tradicionalmente os EUA apareciam à cabeça, quando os parâmetros mudaram enquadrados por tópicos de verdadeiro bem estar, como por exemplo o stress e outros, vieram cá para baixo.

Com os meus cumprimentos

Comentário de Carlos Vidal
Data: 11 de Dezembro de 2008, 1:02

Claro que dava um bom post, Ricardo.
O Ricardo sobre este tema é o melhor banco de dados da blogosfera. Isto sem dúvida, objectivo, sem subserviência, honesto, claro e vertical – é isso que eu aprecio acima de tudo. E tanto mais que conhece a realidade por dentro e não tem medo de se posicionar. Eu louvo estes comentários, pela sua verticalidade e conhecimento de causa. Não há aqui sonsice nenhuma nem paninhos quentes. O que é preciso é isto: não se ser mole nem “tolerante” (era o que a ministra queria para levar o professorado, moleza e tolerância, mas agora já é tarde – e dizer que agora “é tarde” foram palavras de Adriano Moreira).

Eu agora poderia destacar duas ideias: há uma avaliação que se debruça sobre as escolas e não sobre cada uma das poessoas individualmente. Mas não é esse o interesse desta ministra. O seu interesse é dar vazão ao seu traço psicótico, como escreveu José Gil. Diz o Ricardo:
“Ora, na Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido (Escócia) e Suécia; Eslováquia, Hungria e Letónia, não existe sistema de avaliação de professores. Nalguns destes casos, são as escolas que são avaliadas, não os professores.”

Isto acaba por ir ao encontro de uma parte significativa da avaliação de professores no ensino universitário, que, em várias caixas de comentários descrevi com detalhe e aqui repito, por ser a realidade que me é familiar e com que lido. Quanto à avaliação de Lurdes R., sigo os dados do Ricardo. É aqui que procurarei elementos para novos posts se tal se justificar.

Claro que a avaliação do Chile é a de Pinochet, pois não é num ano ou dois que Pinnochet desaparece e tudo muda. Mas, como estou certo que o homem não tinha sequer cérebro, eu acho que este modelo, provavelmente (especulo) foi-lhe soprado por algum discípulo de Milton Friedman.

Mas, ó Ricardo, Lurdes R. não está nada interessada em melhorar a qualidade do ensino. Ela está agora apenas interessada na manutenção daquilo que se chama a sua “face”, não perder a “face”, como se diz. Ora a preocupação em não perder a “face” em nada se relaciona com a qualidade do ensino. O mesmo se aplica ao académico pós-graduado (na Escola Nacional de Saúde Pública) e engenheiro civil (não indica onde ??) J Sócrates. É preciso ganhar a próxima etapa eleitoral (PS e PSD lutarão sempre por isso e pouco mais – ah, as “reformas”, já me esquecia).
Acho que sendo a personagem aquilo que é, Lurdes R., é possível que eu volte ao assunto – se puder ajudar os professores que têm a totalidade da razão, estarei por aqui. Mas, para já, para já penso voltar a postar pelo lado das artes (plásticas).
Grato, Ricardo, e força professorado. Nós na univ também estamos lixados com este PS e a sua abstrusa transformação da universidade em fundação + o horror de Bolonha que transformou cursos de 5 anos em 3 (!!). Mas, sobre isso, a seu tempo, direi algo.

Comentário de Carlos Vidal
Data: 11 de Dezembro de 2008, 1:12

Caro Adão Contreiras,
Diz e bem: “macacos que produzam muito bem e barato” .
É o desejo do PS e quejandos (PSD, claro).
Por isso é que não há distinção clara entre socratismo-jugular e pinochetismo.
Um abraço.