EXPLIQUEM-ME a diferença entre a democracia socratista-jugular e a “democracia singular” de Pinochet

Vejamos: o primeiro suspendeu o estado de direito, a lei e todo e qualquer processo eleitoral, instaurou um estado de excepção permanente e governou na sua paz desejada (produzindo uma nova lei estática) durante mais de quinze anos.

O segundo e os seus APOIANTES julgam instaurar e sustentar um estado de direito, julgam governar segundo uma lei, que é somente a eleitoral (com 4 anos de duração). Logo, trata-se de uma outra forma de estado de excepção, porque se sustenta numa única lei, a da maioria dita parlamentar, e essa é a lei excepcional (ÚNICA). A lei é uma entidade estática e una em ambos os casos. Trata-se de duas formas de valores absolutos, com a mesma finalidade: o governo da obediência e da paz sem oposição nem bloqueios. É indisputavelmente o desejo de ambos – idêntico.

Não há nenhuma diferença, pois ambos pretendem a excepção: a suspensão das liberdades no primeiro é tão estática quanto a sociedade do segundo e seus apoiantes. Pinochet tinha fervorosos e legítimos apoiantes (cada um é o que é) :

O segundo apoia-se nesta casa  (MAS, MUITO IMPORTANTE: note-se que os apoiantes de Pinochet, em relação a Pinochet, eram tão ACRÍTICOS quanto os representantes na casa em baixo são ACRÍTICOS para o primeiro-ministro que suportam, neste caso J. Sócrates; só que os deputados de Sócrates não fazem a figura triste e vestem-se talvez melhor que a senhora de cima) :

 DIFERENÇAS ??

O primeiro tratou de organizar uma vida sem “problemas” durante mais de quinze anos.

Os defensores do segundo, pretendem uma vida e governação sem “problemas” em espaços de quatro em quatro anos. Em teoria, se eu pegar em 4 anos do primeiro e em 4 anos como desejados (e forçados) pelo segundo encontrarei diferenças? QUAIS ?

Para Pinochet, a contestação de rua (reprimida) era ILEGAL. Para J. S. a contestação de rua é ILEGÍTIMA.

QUAL A DIFERENÇA? A PERGUNTA DIRIGE-SE SOBRETUDO A PESSOAS AMIGAS (para evitar conflitos desnecessários – EU ESTOU A APRENDER COM OS RETRATADOS E CENSURO COMENTÁRIOS !!)

Post-scriptum: repare-se como o actual governo português lida com a “crise internacional” – é a sua forma de criar, obviamente, um estado de excepção.

PS 2: atenção que este post não diz que Sócrates é igual a Pinochet. Este post pretende sublinhar a forma como os apoiantes jugulares de Sócrates tentam ILEGITIMAR qualquer contestação que não seja sujeita a voto. É essa malta que é perigosa, tornariam a vida numa PAZ INFERNAL.

Um último PS, o 3 (a 8/12): a propósito das duas fotos acima, alguém me sabe dizer, objectivamente, onde é que o governo foi buscar o modelo de avaliação dos professores ???? Não quero boatos, quero coisa objectiva, objectiva !

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131 respostas a EXPLIQUEM-ME a diferença entre a democracia socratista-jugular e a “democracia singular” de Pinochet

  1. Cão diz:

    Ó amiguinho não te leves tão a sério!
    Tens tomado o remédio? Parece-me que te tens esquecido…
    Depois o resultado está à vista… prosa louca! fixe meu, continua que a malta à falta de “produto” le-te e oh viaja, se viaja.

  2. Ricardo Santos Pinto diz:

    É esse mesmo o comentário, camarada Vidal, mas hás-de reparar que a última frase era para mim.

  3. Carlos Vidal diz:

    Ainda bem, caro “Cão”, ainda bem que viaja.
    Por mim, viajo pouco.
    Caro Ricardo, ainda se lembra da frase de Moura-Pinto?
    Então, ponha-a aí.
    (Desculpe, mas apaguei-a sem ver que o Ricardo lhe tinha respondido. O seu comentário entrou depois e eu já o vi tarde, com a frase de A-M justamente apagada.)

  4. portela menos 1 diz:

    Pinochet vs Sócrates é uma comparação muito infeliz, para não dizer cretina.
    (…)atenção que este post não diz que Sócrates é igual a Pinochet. Este post pretende sublinhar a forma como os apoiantes jugulares de Sócrates tentam ILEGITIMAR qualquer contestação que não seja sujeita a voto(…)

    isso, sujeito a voto…eis a diferença entre um assassino que derrubou um governo legitimado pelo voto e matou milhares de opositores e um Sócrtates arrogante, com uma maioria absolutamente irrepetível.

  5. Ricardo Santos Pinto diz:

    Era algo do género:
    «E aqueles que, a propósito do sistema de avaliação de professores, comparam Portugal com o Chile, bem podem ser considerados iguais a si» (sendo que «a si», neste caso, refere-se mesmo a ti, Carlos Vidal).

  6. Carlos Vidal diz:

    Pois, Ricardo, a conversa repete e repete a troca longa de impressões dos posts sobre a ministra. De resto, estamos de acordo em relação à ministra, caro Ricardo, e sobre a importação da coisa lá do Chile, aliás aí não há que estar ou não de acordo, porque o modelo veio mesmo de lá. Portanto, é factual. Logo, não sei o que quer A. Moura-Pinto. Encher caixas de comentários com o mesmo do mesmo? Dizendo que os argumentos dos outros são velhacarias??
    Que chatice.

  7. GL diz:

    Falam tanto que o modelo de avaliação é copiado do Chile.

    Só uma pergunta, o que é que vocês têm contra o Chile?

  8. Carlos Vidal diz:

    Contra o Chile, nada. Contra o Chile de Pinochet, tudo.
    Como tudo contra o Portugal de Sócrates, com as devidas diferenças já explicadas aqui.
    E porque trago aqui o Chile de Pinochet?
    Porque, ao que julgo saber, o modelo da dra. Lurdes veio de lá.

  9. GL diz:

    “E porque trago aqui o Chile de Pinochet?
    Porque, ao que julgo saber, o modelo da dra. Lurdes veio de lá.”

    Lá do Chile de Pinochet? A avaliação que supostamente serviu de modelo é do Chile de Pinochet?

  10. Carlos Vidal diz:

    Caro GL, eu gostava de ter a certeza absoluta disso.

    Eu disse, “ao que julgo saber, o modelo veio de lá”. Não me surpreenderia que tivesse vindo do Chile de Pinochet. Isso é dito por todo o lado.
    Que veio do Chile, veio. De que ano é a sua elaboração no Chile, não estou certo. Repito, ao que julgo saber e ter ouvido, é do Chile de Pinochet. Pode confirmar-me tal dúvida ??

  11. Ricardo Santos Pinto diz:

    O modelo de avaliação de professores português foi copiado do modelo de avaliação de professores que Pinochet implementou no Chile e que, ainda hoje, está em vigor.
    O que é que temos contra o Chile, Gilson? Nada. É um simpático país, estreitinho (se rebolares um pouco mais na cama, ainda cais ao mar), mas não me parece que seja grande exemplo a nível de educação ou do que quer que seja. De literatura, talvez.
    Já que se fala tanto no fim das reprovações dos alunos, tendo em conta o exemplo finlandês, eu gostava era de ver implementado em Portugal o modelo de avaliação de professores da Finlândia. Isso é que eu gostava!

  12. Ricardo, o modelo de avaliação começou a ser implementado no Chile há dez anos. Portanto, não tem nada a ver com o Pinochet. E o Chile é um exemplo de educação, sim.

    http://e-educador.com/index.php/artigos-mainmenu-100/2700-chile

    “Chile aposta em avaliação de professores

    Melhor país da América Latina em exames internacionais de aprendizagem na educação básica, o Chile tem seus alunos em período integral, currículo organizado e escolas com boa infra-estrutura”

    “Mesmo com o debate, o Chile tornou-se modelo de educação para a América Latina. Em avaliações internacionais, os 3,5 milhões de alunos têm desempenho muito superior ao dos colegas do Brasil ou da Argentina. Enquanto o Brasil investe menos de 4% do PIB em educação, o Chile destina 7% e seus alunos têm garantidos pela Constituição 12 anos de educação obrigatória.

    Seus pontos fortes são a formação e a avaliação dos professores, afirmou a ministra da Educação chilena, Mónica Jimenez.

    O sistema prevê exames permanentes aos 80 mil docentes e os que não melhoram podem até ser excluídos da rede. E a partir deste ano o processo começa já para os estudantes recém-graduados nos cursos de formação de professores.”

    Nota sobretudo

    “O que o Chile faz para capacitar melhor os professores e o que acontece com os que vão mal nas avaliações?

    JIMENEZ – Os professores não queriam ser avaliados. Começamos isso há dez anos. Todo professores que são declarados de excelência recebem incentivos econômico, parte para ele e parte para a escola. Recebem computadores e oportunidades especiais de capacitação fora do país. Aos que se saem mal, damos um ano para que melhorem, mandamos ele de novo para a universidade e pagamos os salários. Neste período, o professor fica fora da sala de aula. Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema. Isso é raro, mas já ocorreu, 20 perderam o emprego até hoje.”

    Ou seja: não é verdade dizer-se que o sistema de avaliação proposto (por muitos defeitos que ele tenha, atenção) tenha sido inspirado no Pinochet.

  13. Carlos Vidal diz:

    O Ricardo Santos Pinto, como é hábito, é um professor que aqui nestes comentários aparece sempre munido de preciosa documentação que não se limita a links soltos e a posições acríticas e subservientes. Quando o Ricardo Pinto aqui diz, respondendo a um apelo de esclarecimento meu, que o modelo de avaliação no Chile é de inspiração pinochetiana (não disse “de Pinochet”, atenção), eu levo a sério o Ricardo e não a obsessão (em relação aos meus textos) e a subserviência (em relação ao governo) de Filipe Moura (que apenas tem os meus textos como único tema), que nem soube responder nem comentar, noutro lugar, o papel da autoavaliação no ensino universitário. Autoavaliação que é um facto e a mim e a outros colegas me consumiu dias e muitas horas.
    Portanto, caro Ricardo, até prova em contrário e a fazer fé no que está nesta caixa de comentário, é a si que eu levo a sério.

    Anoto entretanto a sensibilidade de Filipe Moura em relação ao bem estar no Chile no sector da educação, e dado que a democracia é aí muito nova, anoto o apreço do Filipe Moura por esse aspecto da herança de Pinochet (como estas coisas não nascem perfeitas em 10 anos, isto só pode ser herança de Pinochet).

    Além disso, Filipe Moura cita muito mal. Vejamos:

    “JIMENEZ – Os professores não queriam ser avaliados. Começamos isso há dez anos. Todo professores que são declarados de excelência recebem incentivos econômico, parte para ele e parte para a escola. Recebem computadores e oportunidades especiais de capacitação fora do país. Aos que se saem mal, damos um ano para que melhorem, mandamos ele de novo para a universidade e pagamos os salários. Neste período, o professor fica fora da sala de aula. Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema. Isso é raro, mas já ocorreu, 20 perderam o emprego até hoje.”

    Este cuidado, notavelmente democrático (isto não veio de Pinochet, claro), nem por sombras está nas mentes de Lurdes, Lemos e Pedreira. Nem estará, porque espero em breve que os professores não tenham de os ver mais.

  14. Ricardo Santos Pinto diz:

    Filipe,

    Em 1998? Implementado pelo Governo que conseguiu que o Pinochet fosse julgado? Ah!
    É por essas e por outras que, no Chile, se compram e vendem portefólios de professores a preços bem chorudos. É para a avaliação.

    «Melhor país da América Latina em exames internacionais de aprendizagem na educação básica.» Pois, se for resultados conseguidos da mesma forma que em Portugal se conseguiram os sucessos a Matemática, estamos conversados.

    E é Raul Iturra, bem conhecedor da realidade chilena, que o diz na carta aberta à Ministra da Educação, não sou eu: «ditador do Chile, quem entregara as escolas às juntas de freguesia, denominadas municípios, e obrigava a relatórios semanais para controlar a docência do Chile e assim obter o prometido: “nem uma folha mexe no Chile sem o meu consentimento”. Ainda lembro os seus comentários horrorizados: “Senhor professor, é mesmo assim? Que horror. Os professores já sabem, para quê avaliá-los mais, e obrigar a reestudar o que já é sabido nos seus tempos para a família, preparação de aulas e merecido descanso”. A Maria de Lurdes esqueceu acrescentar, nessas as nossas conversas, que os docentes eram avaliados pela educação que recebiam os seus filhos. Mas, como boa engenheira da sociedade, entendia que os sindicatos deviam protestar quando o poder ultrapassa o afazer, já imenso e pesado, dos docentes, especialmente, do ensino especial e inclusivo, e os de classe social. (…) Como educador, conheço bem essa preparação, tal e qual a Engenheira Social, especialidade que a louva, sabe que já está tudo preparado faz tempo, para a divisão do trabalho, sem acrescentar mais deveres aos docentes primários e secundários, que vivem em sessões que atrasam e arrasam a sua preparação de lições, hostiliza aos sindicatos e, além do mais, importamos desde o Chile esse modelo puro e duro já referido, da morta ditadura. Ou, reabilitamos a nossa em Portugal e tiramos os cravos das espingardas do 25 de Abril.

    Mas é como eu dizia antes. Desculpa, mas, ainda assim, em termos de educação, confio mais na Finlândia.

  15. Carlos Vidal diz:

    Caro, Ricardo, grato uma vez mais pelas suas considerações. Aqui são as fiáveis, obviamente. Como expliquei no meu comentário imediatamente acima. O que é de Pinochet, na avaliação do Chile, percebe-se que é de Pinochet ou de sua inspiração (ou de Milton Friedman, ou de quem quer que seja do mesmo calibre, pois o monstro não tinha cérebro, claro). O que é democrático, também se percebe, e eu também acima citei (a partir de um excerto de Filipe Moura, que este não percebeu certamente).

    Quanto ao resto, desde que postou algo com o título “Voltei”, há dias, o Filipe Moura publicou cerca de 5 ou 6 textos, dos quais 4 ou 5 foram sobre mim ou sobre posts meus. Coisa única neste blogue. Em vez de me sentir “honrado” tenho o direito de me sentir enfadado.

  16. “Além disso, Filipe Moura cita muito mal. Vejamos:

    “JIMENEZ – Os professores não queriam ser avaliados. Começamos isso há dez anos. Todo professores que são declarados de excelência recebem incentivos econômico, parte para ele e parte para a escola. Recebem computadores e oportunidades especiais de capacitação fora do país. Aos que se saem mal, damos um ano para que melhorem, mandamos ele de novo para a universidade e pagamos os salários. Neste período, o professor fica fora da sala de aula. Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema. Isso é raro, mas já ocorreu, 20 perderam o emprego até hoje.”

    Este cuidado, notavelmente democrático (isto não veio de Pinochet, claro), nem por sombras está nas mentes de Lurdes, Lemos e Pedreira. Nem estará, porque espero em breve que os professores não tenham de os ver mais.”

    Citei muito bem, sim. Ficamos a saber que para o Carlos Vidal despedir um incompetente é antidemocrático. Esclarecedor.

    Quanto ao resto: quem é você para afirmar o que eu percebo e não percebo? Eu respondo: alguém que também recomenda os seus próprios livros, como se leitura obrigatória fossem, a despropósito. Julga-se um génio incompreendido?

    E não seja pusilânime: mostre a minha “subserviência ao governo”. Mostre! Antes subserviência ao governo do que declarar-me “não democrático” e que em 1968 a URSS fez o que tinha a fazer ao invadir a Checoslováquia. Só que, se quiser, eu mostro muito bem onde é que você declarou isso. Não me fico por insinuações.

    Finalmente, pode criticar à vontade os meus textos. Demonstra o quão habituado está a que alguém critique os seus. Já era bom que visse que o Carlos, desde que começou a escrever no Cinco Dias, politicamente (não me refiro aos textos sobre arte) não faz mais nada do que repetir todos os dias refinações do mesmo texto. Já percebemos a sua ideia, Carlos: Sócrates é igual a Pinochet, e muito melhor é o Bush. Não tem mais nada para dizer? Tem, sim: tem queixinhas para fazer, qual bebé chorão, por o Daniel Oliveira não ter respondido à sua pergunta! E para isso é preciso um estardalhaço de um post com as caras dos seus gurus. Coisa única neste blogue é isso (e talvez em toda a blogosfera). Coitadinho do Carlos! É com certeza um génio incompreendido.

  17. Carlos Vidal diz:

    O Filipe Moura cita mal, não percebe o que cita e nãopercebe o que lê.
    VEJAMOS.

    Eu citei : “(…) Se pela terceira vez ele se sai mal, tem de deixar o sistema.”

    Depois comentei : “Este cuidado, notavelmente democrático (…)”.

    Porra.
    Eu disse “cuidado democrático” e não “antidemocrático”.
    Eu tenho que aturar isto ??
    O Filipe Moura não tem outra coisa para fazer senão andar APENAS pelos meus textos, treslendo, citando AO CONTRÁRIO, ainda por cima escrevendo num português ingénuo.
    Eu disse “cuidado democrático” e este Filipe Moura cita-me como tendo dito “antidemocrático”.
    Alguém ajuda Filipe Moura a ler ?

  18. Carlos Vidal diz:

    É também desonesto publicar um comentário, e depois acrescentar-lhe mais vinte linhas a seguir ao comentário do colega, pô-lo antes deste como se antes tivesse ou fosse adivinhar o que sairia da pena do seu contendor. O comentário de Filipe Moura acima é, na sua quase totalidade, posterior ao meu último. Não se debate nem dialoga assim com ninguém. É um absurdo para quem está a ler a sequência das entradas. Não percebe o leitor. Então o Filipe comenta algo que o outro só refere depois ??

    Uma nota sobre o Daniel Oliveira.
    Quem for ao Arrastão vê que Daniel Oliveira se incomodou com o meu post socratismo-pinochetismo. Começou ai uma discussão para surpresa minha, pois sempre tive o Arrastão como coisa meio autista e previsível. Parece que tb referiu que as minhas reservas a esta democracia era uma coisa de “ganda maluco”. Mas já não chama “gandas malucos” aos tipos que ponho no post sobre “malucos”. Porquê?
    Homem, o Deleuze e o Foucault já morreram, não tenha medo. Chame-lhes “gandas malucos”, é que deve estar uma ou duas pessoas à espera (mais também não).

  19. Um editor do blogue tem a possibilidade de ir gravando um comentário longo, à medida que o vai escrevendo. O que o Carlos leu anteriormente (a que eu só acrescentei mais coisas) foi um rascunho do meu comentário. Não há absolutamente nada de desonesto nisto – é algo que decorre da simultaneidade com que os comentários são escritos. Antes de chamar a alguém desonesto,, aprenda a escrever no wordpress. Além de antidemocrata é nabo!

  20. Carlos Vidal diz:

    Não me venha dizer o que um editor do blogue pode ou não fazer.

    Por exemplo, eu posso apagar os seus comentários se quiser, mas não os apago porque não quero.

    Não tem mais nada com que se entreter senão ler C Vidal ????

    Não lê?
    Não vai ao cinema, ao teatro, à ópera?? ao café, a uma boite com miúdas do caraças ????

  21. Há um acordo entre os autores do blogue de só apagar comentários insultuosos e difamadores. É a primeira vez, no Cinco Dias, que eu vejo alguém ameaçar apagar comentários que não são insultuosos ou difamadores. Insultuosos e difamadores são os seus comentários onde me chama “subserviente ao governo” e diz que eu “não sei citar” nem percebo. Mas se eu o incomodo assim tanto apague e revele uma vez mais a sua vontade de debate. É uma possibilidade que tem – toda a gente sabe; escusa de a recordar.

  22. “Não tem mais nada com que se entreter senão ler C Vidal ????

    Não lê?”

    Para quem ainda há uma semana me recomendava os seus próprios livros há aqui uma evolução curiosa.

  23. Carlos Vidal diz:

    Oh Filipe, continue, continue ……..

  24. Kerensky diz:

    Este entulho do muro de berlim anda cada vez mais cómico.

  25. Carlos Vidal diz:

    Por mim, tinha-o mantido de pé, naturalmente.

  26. GL diz:

    Carlos Vidal e Ricardo, por favor… tenham a fineza de admitir que o Filipe Moura arrumou com esta questão da avaliação importada do Chile. O que me parece haver da vossa parte é um preconceito implícito contra um país emergente, que Portugal também considerado seria, se não estivesse inserido na UE. Tenham mais humildade… se os professores do Chile conseguem, os de Portugal também hão de conseguir.
    Quisera Portugal ser a terra de esperança que é hoje o Chile.

  27. Carlos Vidal diz:

    Caro GL, como sabe e leu, sobre a avaliação importada do Chile, eu limitei-me a pedir dados objectivos.
    Acho mais fiáveis os do Ricardo que os do Filipe Moura. Está provadíssimo em inúmeros comentários e caixas de comentários que o Ricardo possui um bom banco de dados. Como fonte de informação, prefiro o Ricardo. Mas, se o meu caro amigo GL tiver informações sobre o assunto, vai ao encontro do meu post: querer saber a origem deste modelo chileno. Quais as datas de todos os seus componentes? O que vem de Pinochet e o que vem depois?

  28. Ricardo Santos Pinto diz:

    Não me parece que, ao comparar o modelo de avaliação português com o chileno, haja qualquer preconceito contra o Chile. Pelo contrário. No que me toca, admiro os escritores chilenos e toda aquela atmosfera – cores, sons e cheiros – que nos é transmitida pelos livros de Isabel Allende ou de Luis Sepulveda. Aliás, a página 73 da «Casa dos Espíritos» de Allende (edição Difel) nunca me saiu da cabeça. Um «guisado afrodisíaco» que um dia – prometo a mim mesmo há anos – ainda hei-de experimentar.
    Uma questão diferente é considerar que o Chile é um país-modelo nestas questões. Pessoalmente, continuo a pensar que, em termos de educação, os países da Europa desenvolvida são o exemplo a seguir. O próprio Governo o admitiu, ao falar no fim das retenções até ao 9.º ano, como acontece na Finlândia.
    Ora, na Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido (Escócia) e Suécia; Eslováquia, Hungria e Letónia, não existe sistema de avaliação de professores. Nalguns destes casos, são as escolas que são avaliadas, não os professores.
    Mas nem sequer acho que devíamos ir por aí. Penso que deve haver um modelo de avaliação, sim, mas que distinga os bons dos maus e que não seja apenas um monte de burocracia. Já publiquei várias vezes o modelo que defendo, sem papelada, mas muito exigente e excelente para promover o sucesso da educação e dos alunos, que devia ser o único propósito de qualquer modelo de avaliação de professores.
    Mas não é. O único propósito deste modelo de avaliação é, para além da obsessão com os números / estatísticas / grelhas / impressos, impedir o acesso dos professores ao topo da carreira.
    E reparem que não defendo que todos possam chegar ao topo. Só que é diferente haver quotas na avaliação e quotas na progressão. Ou seja: se dois professores são muito bons, devem ter os dois MUITO BOM. A partir daí, o Governo tem toda a liberdade para fixar o número de vagas para ascensão à categoria seguinte.

    Ainda em relação ao Chile: com todo o respeito pelo Filipe Moura, continuo a pensar que o modelo de avaliação chileno é de inspiração clara da ditadura de Pinochet. As medidas de fundo começaram a ser esboçadas ainda durante o seu Governo, como refere Raul Iturra na carta aberta à Ministra da Educação.
    Aliás, seria ingénuo pensar que os tentáculos e as influências de Pinochet terminaram no momento exacto em que ele entregou o poder. Aliás, é elucidativo que, até 1998, Pinochet tenha continuado a ser o mais alto responsável pelas Forças Armadas do país, altura em que passou a ocupar o lugar de Senador no Congresso chileno.
    E basta ver que o poder passou de Pinochet para Patrício Aylwin, que apoiou o golpe contra Salvador Allende em 1973. Durante muito tempo, no Chile, o Regime Militar é que continuou a dominar. A administração local estava ainda nas mãos de pessoas designadas por Pinochet e o próprio continuava a ser o chefe das Forças Armadas.
    Aliás, Francisco Rojas, director da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais e um dos mais importantes analistas políticos do país, dizia em 1998 que, «para chegar à democracia plena, o Chile ainda precisa de uma reforma constitucional, além de superar a vocação autoritária, enraizada não só nas Forças Armadas, mas em toda a sociedade chilena» e que «as paixões estão envolvidas em certos simbolismos vinculados à situação actual, que mostra que a figura do general Pinochet continua influenciando os chilenos.»
    Como referiu em 2007 Simon Schwartzman, pesquisador do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, «o Chile ainda adopta o modelo educacional criado no final da década de 80 pelo ditador falecido Augusto Pinochet, com pequenas alterações.»
    Em Julho de 2008, Juan Guzmán, o juiz que processou Augusto Pinochet, afirmou que «mesmo depois de 18 anos do fim da sangrenta ditadura, tem-se avançado muito pouco na direcção de uma verdadeira democracia, porque ainda hoje se mantém vigente a Constituição de Pinochet e uma Corte Suprema que colaborou com a ditadura militar.
    O juiz declarou que o Chile ainda se rege pela “constituição elaborada pela ditadura de Pinochet, que cria instituições pinochetistas e permite que uma minoria autoritária continue ditando leis na República democrática”. Segundo Guzmán, desde 1990, quando Pinochet deixou o poder depois de 17 anos no comando do Estado chileno, muito pouco se transformou na estrutura jurídica e legislativa do país.»
    Notícia de Junho deste ano publicada no MNN: «Há mais de dois meses estudantes e professores chilenos têm-se mobilizado numa luta incessante contra a aprovação da reforma educacional proposta pela presidente Bachelet. A Lei Geral da Educação (LGE), que vem sendo discutida desde 2006, foi aprovada pelos parlamentares na última semana. Essa nova legislação surge para substituir a Lei Orgânica Constitucional da Educação (LOCE), que vigora no país desde a ditadura de Pinochet.
    Como já explicitado em artigos anteriores, os protestos dos estudantes e professores têm ocorrido constantemente desde o final de Abril. Eles acusam a nova legislação de ser apenas uma adaptação da velha lei de Pinochet. Com a reforma educacional, Bachelet estaria, então, apenas dando continuidade ao projecto do ditador.
    Entre os dias 16 e 19, ocorreu a segunda greve dos professores chilenos. O objectivo da paralisação era evitar a aprovação da reforma educacional no parlamento. Segundo os organizadores, 80% dos professores teriam aderido à greve. Jaime Gajardo, presidente do Colégio dos Professores, afirmou que: “Estamos falando de milhares e milhares de pessoas. Reunimos facilmente 15 mil na Plaza de Armas, além de estudantes e de outros grupos, mas apenas 10 mil professores se mobilizaram”.
    Diante da grande mobilização, a Ministra da Educação, Mónica Jimenez, afirmou que foi baixa a adesão dos professores à greve. Todavia, desmentindo a ministra, as estatísticas do secretário regional ministerial da educação (SEREMI), Victor Schuffeneger, confirmaram que 80% das escolas metropolitanas não tiveram aulas.
    Combatendo as críticas da ministra, Gajardo afirmou que: “O pior caminho que a ministra pode seguir é o de continuar insistindo que estas mobilizações almejam outros fins, e o de não reconhecer que o que temos aqui é uma reivindicação generalizada da sociedade para que se realizem mudanças substanciais no sistema de ensino. Existe um consenso, porque nós temos feito consultas com líderes regionais e as mobilizações têm o objectivo de retirar a LGE do parlamento, de modo a superar as limitações do actual projecto em discussão”. Contudo, mesmo diante das grandes mobilizações, o parlamento aprovou a reforma que agora segue para o senado.
    Ou estoutra notícia: «Como noticiamos em edições anteriores, há mais de dois meses o Chile vem sendo palco de manifestações e protestos de estudantes e professores contrários à reforma educacional. Segundo os manifestantes, a legislação educacional de Bachelet não atende as reivindicações para que se construa uma educação pública e de qualidade. A nova legislação seria apenas a continuidade da lei educacional de Pinochet, que vigora no Chile desde 1990.
    Mesmo após o parlamento chileno ter aprovado a nova legislação educacional, estudantes e professores chilenos seguem em luta nas principais cidades chilenas. Colégios e universidades continuam ocupados, assembleias com centenas de estudantes têm sido realizadas e muitas avenidas tomadas pela marcha contra a Lei Geral da Educação de Bachellet.
    Ou ainda esta: «Os estudantes lutam para que a Lei Geral da Educação não seja aprovada pelos parlamentares e para que ela seja revista em diversos pontos fundamentais. Segundo o presidente do Colégio dos Professores, Jaime Gajardo: “Esperamos que no dia 21 de Maio, os deputados digam que vão rever este projecto e que vão ter mais tempo para debater e discutir um novo projecto educacional para o Chile. Pois, este projecto actual em vários pontos é igual ao projecto da Lei Orgânica Constitucional de Ensino (LOCE).” Esta lei foi outorgada pelo ditador Augusto Pinochet, um dia antes de deixar o poder, em 1990, consagrando a educação privatizada.»
    Semelhanças com Portugal?
    Uma das maiores razões dos protestos, esclareço eu, prende-se com o facto de os alunos e as suas famílias receberem um «voucher», que lhes permite optar entre escolas públicas e escolas privadas. A pura e clara privatização do ensino que, mais uma vez, vem dos tempos de Pinochet. E não é também isso que está por trás das reformas educativas de Portugal? A entrega das escolas às autarquias prevê-se para breve, e este é só um primeiro passo para o que virá a seguir.
    As repressões de que os manifestantes têm sido alvo mostram à saciedade que existem ainda fortes resquícios do Chile de Pinochet. Até nas comemorações do 1.º de Maio 122 trabalhadores foram presos e a polícia lançou gás lacrimogéneo. «O secretário do Interior, Felipe Harboe, disse que as 122 detenções foram muito inferiores às realizadas no ano passado», refere uma outra notícia, como se isso fosse motivo de grande orgulho.
    Tudo isto para concordar com Francisco Rojas quando diz que, ainda hoje, a sociedade chilena é profundamente autoritária. E era-o mais ainda em 1998, e mais ainda em 1990.
    E quanto ao actual modelo de avaliação de professores no Chile? Disse em comentário anterior que a compra e venda de portefólios tornou-se um negócio muito rentável no país. É a pura mercantilização do processo de avaliação de professores. O vídeo que está publicado no youtube é elucidativo.
    http://www.youtube.com/watch?v=Z3i5N5cRFYs&eurl=http://partilhadosaber.blogspot.com/2008/10/pe rverso-na-avaliao-dos-professores-no.html

    Por último: claro que nada disto é simples. Se fosse, há muito que já estava resolvido. Se fosse uma profissão igual às outras, aplicava-se aos professores o SIADAP e pronto.
    Aliás, um estudo recente da UNESCO, denominado «Avaliação do Desempenho e Carreira Profissional Docente», chega à conclusão de que um sistema de avaliação de professores é sempre algo de conflituoso e que, devido à dificuldade, ainda não se terá encontrado a receita ideal para resolver o problema. Aqui vai.

    «Estudo reflecte sobre vários modelos de avaliação do desempenho docente na América e na Europa e conclui que a auto-avaliação é mais eficaz na melhoria da qualidade de ensino.
    Cresce a importância dada aos processos de avaliação do desempenho docente nos sistemas educativos da América e da Europa como instrumento para promover a qualidade do ensino. Mas esta não é uma tendência comum a todos os países. Muitos estão a optar por sistemas de auto-avaliação interna em cada escola. “Uma estratégia mais eficaz para alcançar a melhoria do desempenho docente”, reconhecem os autores do estudo “Avaliação do Desempenho e Carreira Profissional Docente”, coordenado por Javier Murillo na UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Um trabalho de análise comparada entre 55 sistemas educativos da América e Europa, com foco na carreira dos docentes do Ensino Básico do sector público, que foi editado em Junho de 2007 e serviu de base à elaboração do modelo de avaliação docente que está a ser implementado pelo Ministério da Educação, em Portugal.
    A maioria dos sistemas de avaliação do desempenho docente apresenta uma “fragilidade”: a falta de enquadramento teórico sobre quais os critérios que fazem o “bom professor”. “De tal modo que actividades análogas em contextos similares são entendidas e reconhecidas de modo diferente.” Esta é outra das notas do estudo e que, segundo os autores, deveria ser objecto de uma “reflexão séria” por parte dos responsáveis políticos sobre esta matéria.
    No entanto, em todos os países da Europa e América Latina existe algum tipo de avaliação do desempenho docente. Varia a forma: avaliação externa e mais formal ou auto-avaliação interna desenvolvida informalmente. Assemelham-se as finalidades: melhorar ou assegurar a qualidade do ensino e proporcionar informação para a tomada de decisões a respeito do docente. A promoção da qualidade do ensino é a finalidade mais presente nas avaliações de carácter interno, desenvolvidas pelas próprias escolas, assinalam os autores. Ao passo que nas avaliações externas, embora se combinem as duas finalidades, a procura de informação sobre o docente tem repercussões sobre salários e promoções.
    Entre os países que não têm um sistema de avaliação de carácter geral contam-se: na Europa Ocidental, a Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido (Escócia) e Suécia; na Europa de Leste, Eslováquia, Hungria e Letónia; na América Latina, Brasil, Equador, Nicarágua, Panamá e Paraguai.
    Pelo contrário, foi implementada uma avaliação do desempenho docente de carácter externo em bastantes países europeus: Alemanha, Eslovénia, Estónia, França, Grécia, Lituânia, Malta, Polónia, Portugal, Reino Unido (Inglaterra, País de Gales e Irlanda do Norte), República Checa e Roménia. Também na maioria dos americanos: Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, El Salvador, Honduras, México, Peru, Porto Rico, República Dominicana, Uruguai, Venezuela. E em dois dos estados norte-americanos analisados, Califórnia e Carolina do Norte.
    Apesar desta classificação, os autores ressalvam a variedade de situações encontradas. Assim, em países como a Espanha e a Itália, apesar de existir um sistema de avaliação, este só é aplicado em casos excepcionais: para licença por estudo e viagens ao estrangeiro. A generalização do sistema de avaliação a todos os professores em Espanha é “uma questão pendente há mais de uma década nas diferentes administrações educativas”, referem os autores.
    Nos países nórdicos (Dinamarca, Finlândia, Noruega e Suécia) e nos Países Baixos, a responsabilidade pelo trabalho docente recai sobre a própria escola que, por isso, tem autonomia para realizar avaliações do trabalho desenvolvido quando necessárias e fazer repercutir os resultados nos salários atribuídos. No caso da Finlândia, “um exemplo paradigmático”, afirmam os autores, o sistema de inspecção e supervisão das escolas foi abolido em 1990 como prova da “confiança” posta nas escolas e nos professores. Por isso, a avaliação é entendida como uma auto-reflexão do docente no interior da escola onde lecciona. Por oposição, na França, país mais centralista onde prima o critério da equidade em todas as escolas, a avaliação é determinada pelas autoridades educativas sendo semelhante à aplicada aos restantes funcionários públicos.
    Estes e outros aspectos que se prendem com o tipo de instrumentos usados para a obtenção da informação, os responsáveis pela mesma, as repercussões no funcionamento da escola e na carreira do professor demonstram o porquê de a avaliação do desempenho docente ser “uma questão tradicionalmente conflituosa”, concluem os autores.

    Exemplos de modelos de avaliação
    A recolha de informação é indispensável, mas são várias as limitações técnicas deste procedimento. Assim se justifica em todos os países a preocupação de combinar diversos instrumentos que possibilitem obter uma imagem global e objectiva do docente. Sendo o mais habitual a observação do professor em contexto de trabalho, ou seja, na aula. E o menos frequente, pelas duras críticas que suscita: a análise dos resultados académicos dos alunos.
    Assim, no Chile utiliza-se como fonte de informação o portefólio do professor com descrição de actividades e planificações, pautas de auto-avaliação, entrevista ao avaliado e relatórios dos órgãos de direcção e coordenação da escola. Na Alemanha, combina-se a observação de aulas com a revisão dos documentos gerados durante o processo de ensino, pedem-se relatórios aos superiores do docente e uma entrevista pessoal. Na Colômbia, entre os possíveis instrumentos usados assinala-se o recurso a fontes pessoais, integrantes da comunidade educativa ou corpos de colégios profissionais, que possam dar testemunho sobre o desempenho do avaliado. Na Roménia, a avaliação é realizada mediante um esquema de fichas correlacionadas com a descrição do trabalho docente.
    É possível reconhecer mais elementos diferenciadores dos modelos de avaliação: quem são os responsáveis e qual a finalidade do processo? A situação mais frequente é a de que a avaliação esteja a cargo dos órgãos directivos da escola. Mas existem outras. Espanha, Itália, Portugal e Roménia estão entre os países onde a avaliação é da responsabilidade da administração educativa. No caso da Roménia, os resultados da avaliação anual determinam a concessão de incentivos salariais de forma notória. Os professores que obtenham nota superior a 81%, classificação Muito Bom, podem auferir de incentivos salariais na ordem dos 15 a 20% durante um ano ou quatro anos. E só esta classificação permite a candidatura a postos de gestão e direcção das escolas. Na Eslovénia uma pontuação acima da média reverte-se num aumento salarial de 20%. No Reino Unido, a avaliação externa é realizada pelo Ministério da Educação e determina apenas a subida de escalão, que tem associada um aumento da remuneração. Por último, na Letónia, ainda que não haja um sistema de avaliação externo regulamentado, um professor que realize um trabalho considerado excepcional pode receber uma compensação monetária.
    Ainda que todos os sistemas de avaliação tenham como finalidade última a melhoria do desempenho docente, o modelo do estado norte-americano da Califórnia é visto como um exemplo a este nível. Avaliam-se as estratégias de ensino e a sua proximidade com os objectivos curriculares, definidos ao nível da administração local, para o distrito onde se insere a escola, e também a capacidade do docente para estabelecer um clima de aula favorável à aprendizagem. Os resultados são entregues ao docente 30 dias antes do último período escolar e devem ser acompanhados por sugestões de melhoria e de planos de formação profissional que ajudem o avaliado a optimizar a sua prática.
    Para quê? Esta é “possivelmente a questão-chave da avaliação do desempenho docente”, reconhecem os autores deste estudo. Mas para lá da polémica que a sua implementação pode causar, como se tem constatado em Portugal, os autores consideram que o mais importante é “converter os resultados da avaliação numa melhoria da qualidade do ensino”. Este é o “grande desafio” que se coloca aos decisores políticos.»

    A quem conseguiu chegar até aqui: Louvo-vos a paciência de lerem este comentário e peço desculpa pela sua extensão. Ó Vidal, diz lá que isto até não dava um bom «post»? Alinhas?

  29. caro CV

    Depois de ler a reportagem aqui relatada http://e-educador.com/index.php/artigos-mainmenu-100/2700-chile , tinha esta nota abaixo escrita para enviar. Verifico que um longo mas elucidativo texto enquadra e esclarece os contextos duma avaliação dos professores.
    Todavia , não querendo ser mais pertinente , aqui vai a minha elucubração mental.

    “Alunos com alto poder aquisitivo estão nas escolas particulares, os com médio poder aquisitivo estão nas particulares subsidiadas e os pobres estão nas municipais”, diz a ministra. “O que se está produzindo é o agravamento da segregação. E é disso que esses jovens reclamam, com justa razão.”

    Este parágrafo diz quase tudo sobre os méritos do sistema de ensino chileno. Onde é que está a escola democrática inclusiva e não discriminatória?

    Este modelo seja ele na totalidade ou parcialmente de raiz pinochiana o que produz é “o agravamento da segregação “ como reconhece a ministra, não é de estranhar que os alunos venham para a rua reclamar assim como os professores e digam, citando as palavras da ministra “Os professores reclamam porque dizem que a educação não é só aprendizagem de conhecimentos, dizem que a educação é muito mais que isso. É claro que é, mas também é isso.”

    As medições internacionais do Pisa, cá para mim, numa leitura impressionista, devem estar balizados por parâmetros que remetem para a formação de “macacos que produzam muito bem e barato” para que 50 famílias das mais ricas do mundo tenham tanto rendimento como 500 milhões +ou -, segundo relatórios da ONU. Faz-me lembrar as avaliações de bem estar nos diferentes países; tradicionalmente os EUA apareciam à cabeça, quando os parâmetros mudaram enquadrados por tópicos de verdadeiro bem estar, como por exemplo o stress e outros, vieram cá para baixo.

    Com os meus cumprimentos

  30. Carlos Vidal diz:

    Claro que dava um bom post, Ricardo.
    O Ricardo sobre este tema é o melhor banco de dados da blogosfera. Isto sem dúvida, objectivo, sem subserviência, honesto, claro e vertical – é isso que eu aprecio acima de tudo. E tanto mais que conhece a realidade por dentro e não tem medo de se posicionar. Eu louvo estes comentários, pela sua verticalidade e conhecimento de causa. Não há aqui sonsice nenhuma nem paninhos quentes. O que é preciso é isto: não se ser mole nem “tolerante” (era o que a ministra queria para levar o professorado, moleza e tolerância, mas agora já é tarde – e dizer que agora “é tarde” foram palavras de Adriano Moreira).

    Eu agora poderia destacar duas ideias: há uma avaliação que se debruça sobre as escolas e não sobre cada uma das poessoas individualmente. Mas não é esse o interesse desta ministra. O seu interesse é dar vazão ao seu traço psicótico, como escreveu José Gil. Diz o Ricardo:
    “Ora, na Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Espanha, Finlândia, Irlanda, Itália, Islândia, Liechtenstein, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Reino Unido (Escócia) e Suécia; Eslováquia, Hungria e Letónia, não existe sistema de avaliação de professores. Nalguns destes casos, são as escolas que são avaliadas, não os professores.”

    Isto acaba por ir ao encontro de uma parte significativa da avaliação de professores no ensino universitário, que, em várias caixas de comentários descrevi com detalhe e aqui repito, por ser a realidade que me é familiar e com que lido. Quanto à avaliação de Lurdes R., sigo os dados do Ricardo. É aqui que procurarei elementos para novos posts se tal se justificar.

    Claro que a avaliação do Chile é a de Pinochet, pois não é num ano ou dois que Pinnochet desaparece e tudo muda. Mas, como estou certo que o homem não tinha sequer cérebro, eu acho que este modelo, provavelmente (especulo) foi-lhe soprado por algum discípulo de Milton Friedman.

    Mas, ó Ricardo, Lurdes R. não está nada interessada em melhorar a qualidade do ensino. Ela está agora apenas interessada na manutenção daquilo que se chama a sua “face”, não perder a “face”, como se diz. Ora a preocupação em não perder a “face” em nada se relaciona com a qualidade do ensino. O mesmo se aplica ao académico pós-graduado (na Escola Nacional de Saúde Pública) e engenheiro civil (não indica onde ??) J Sócrates. É preciso ganhar a próxima etapa eleitoral (PS e PSD lutarão sempre por isso e pouco mais – ah, as “reformas”, já me esquecia).
    Acho que sendo a personagem aquilo que é, Lurdes R., é possível que eu volte ao assunto – se puder ajudar os professores que têm a totalidade da razão, estarei por aqui. Mas, para já, para já penso voltar a postar pelo lado das artes (plásticas).
    Grato, Ricardo, e força professorado. Nós na univ também estamos lixados com este PS e a sua abstrusa transformação da universidade em fundação + o horror de Bolonha que transformou cursos de 5 anos em 3 (!!). Mas, sobre isso, a seu tempo, direi algo.

  31. Carlos Vidal diz:

    Caro Adão Contreiras,
    Diz e bem: “macacos que produzam muito bem e barato” .
    É o desejo do PS e quejandos (PSD, claro).
    Por isso é que não há distinção clara entre socratismo-jugular e pinochetismo.
    Um abraço.

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