Os números da madeirização


Venha a contestação a ministros, venham crises, avanços e recuos no apoio a bancos falidos, permaneça a ausência absoluta de ideias, de planos, de rumo. Toda esta turbulência não chega para criar um vendaval que aflija Sócrates. Ao invés, enfuna-lhe as velas e deixa-o mais perto de nova maioria absoluta.
Nem fazia falta esta sondagem para sabermos onde jaz o culpado: na liderança do PSD. Mesmo em tempos de quase desespero o maior partido da oposição deixa-se erodir mais do que o partido governante. E a culpa maior até nem é de Manuela Ferreira Leite. Ela apenas se deixou possuir pelo fantasma sebastiânico que foram impingindo aos laranjinhas: «ela é que nos vai redimir!» Agora, todos, incluindo a própria, continuam a mirar o nevoeiro sem que nada, além de mais e mais brumas, saia dali.
O “défice de oposição” que alguns já tinham identificado na Madeira chegou ao continente. A propósito do arquipélago, as perguntas sempre me pareceram óbvias: que oposição pode sobreviver naquela atmosfera asfixiante, marcada pelo nepotismo e pelo desprezo pelas regras da vida em democracia? Quem é que se sujeitaria a ser perseguido, ver bens seus expropriados e ter o nome arrastado pela lama todos os dias, apenas por brio cívico?
A mediocridade sabe impor-se com eficácia através do compadrio, da intimidação, da teimosia extrema. E assim vai afastando e inibindo a possível concorrência. Quando vemos que no PSD já todos parecem conformados com a ideia de entregar o ouro ao bandido e Portugal a esta maltosa por mais quatro anos, começamos a imaginar Sócrates daqui a 20 anos, ainda no poder, reinando absoluto sobre um país depauperado e definitivamente vencido.

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10 respostas a Os números da madeirização

  1. Luís Lavoura diz:

    A maioria de, para não dizer todas, as variações detetadas entre Novembro e Dezembro, não têm qualquer significado face ao erro estatístico.

    Ou seja, a margem de erro das sondagens é muito superior às variações indicadas.

  2. Tiago Mota Saraiva diz:

    Luís, por agora ainda são sondagens… mas é típico. Lembras-te com certeza do voto em Cavaco: tinha maioria absoluta, mas no dia imediatamente a seguir, ninguém assumia ter votado.
    Em primeiro lugar, estes valores não contam com uma abstenção a crescer, que o bloco central incentiva com a lógica do bipartidarismo. Por outro lado, a sondagem denota que os portugueses, ainda que estando a viver cada vez pior, ainda que cientes do circo de trafulhices instalado, ainda que continuem a ver os seus filhos licenciados a fugir deste país, parecem ter receio em tomar as rédeas do seu destino.

  3. Luis Rainha diz:

    Estas subidas e descidas são quase irrelevantes. Significativo é o PS não estar em queda e o PSD em alta, e de forma bem notória! O que será preciso para que tal vejamos? Que o PM seja possuído por um espírito em directo na RTP? Ou que o PSD arranje por fim um candidato capaz?

  4. Chico da Tasca diz:

    Falo por mim : quantas mais manifs e greves dos professores, quanto mais vejo e ouço os Mários Nogueiras, os Louçãs, os Jerónimos e quejandos, mais vontade me dá de ir votar no PS. E nem sequer votei neles da ultima vez

  5. Ricardo Santos Pinto diz:

    Já vieste da tasca?

  6. Sérgio diz:

    Bem, Chico, é uma boa razão para se votar.
    Nem vale a pena ponderar se o país está pior agora do que estava à 4 anos.
    No entanto uma coisa é certa, um dos grandes responsáveis por este desastre, que fez a Portugal os que os espanhois não fizeram, deu-se muito bem na vida.

  7. Carlos Vidal diz:

    Luís e Tiago, os “madeirenses” ou “socialistas”, como são também conhecidos, já festejam nas ruas – basta ir aqui ao vizinho “jug… qualquer coisa. Aquilo, como dizem os miúdos, está a “bombar”. Estão eléctricos.

  8. francisco diz:

    Estas sondagens só refletem o bom comportamento do Governo na gestão de varios dossiers.
    É um Governo firme, serio. competente e socialmente justo.
    Para terminar não posso deixar de realçar a posição firme e correta da Ministra de Educação, pelo seu caracter e inteligencia como tem sido o seu governo na educação.
    xico ribeiro

  9. Ricardo Santos Pinto diz:

    «É um Governo firme»
    Viu-se com os camionistas, com os populares que contestavam o encerramento das Urgências, com os miúdos que atiraram ovos e com os banqueiros.
    Inteligente, a ministra da Educação? Olhe que não, olhe que não!
    Até pareces o Gilson!

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