Orelhas de burro
4 de Dezembro de 2008 por Rui Curado SilvaMas, como o João Miranda nem a NASA ouve, não resistiu e debitou um texto de pura desinformação, errado de uma ponta à outra, onde reina a especulação ignorante e pseudo-científica com o único intuito de tentar negar o aquecimento global, uma obsessão ideológica recorrente do autor. Mas a melhor passagem é aquela em que o autor insinua que se deveria especular sobre um novo mínimo de Maunder. O Mínimo de Maunder é um período de 70 anos (1645 a 1715) durante o qual apenas se registaram cerca de 50 manchas solares. Ora, desde Janeiro, em apenas 10 meses, só o ciclo 24 já registou 18 manchas… Assim sendo, as conclusões do João Miranda têm tanta lógica como diagnosticar a menopausa a uma jovem de 27 anos só porque a menstruação de um determinado mês foi menos intensa do que a dos 6 meses precedentes… Isto não é de espantar vindo do mesmo autor que queria abrir um debate sobre o criacionismo (porque não sobre o pai Natal ou o Peter Pan?) defendendo-o de mansinho até poder, que afirmou que a maior ameaça ao darwinismo vinha da física fundamental (não estou a gozar, leiam isto), que escreveu no mesmo post que “a física é uma teoria” (dava chumbo no secundário), que não percebe o método científico, que veladamente lançou de uma entrada do nível da massa do sangue de Arroja, que jurava que o livro de Al Gore estava cheio de mentiras (essa foi um fartote…) e que afirmou que as conclusões do relatório do IPCC não tinham base científica, que eram apenas uma opinião…
Isto quando é escrito no Blasfémias vale o que vale, mas o nível de disparate das crónicas do mesmo autor nas páginas do DN, lido por milhares de pessoas, supostamente um jornal sério, é do mesmo calibre. Li-lhe três ou quatro artigos e aquilo batia largamente a Palin na disciplina de lançamento da bojarda. O pior é que o DN é lido nos centros de imprensa internacional e estas crónicas são objecto de gozo em Bruxelas, no Luxemburgo, em Estrasburgo e garanto-vos que dão muito mau aspecto do país e do seu ensino.
Para desintoxicar, quem se interessar por física solar aqui ficam umas referências:
- “The Sun, Our Star” de Noyes pelo qual aprendi os primeiros fundamentos de física solar;
- Sítio do Observatório Astronómico de Universidade de Coimbra onde existe um registo quase diário de imagens do Sol que vai até 1926;
- Sítio do satélite SOHO que observa o Sol em contínuo;
- Sítio do ciclo solar 24;
- Sítio do SIAM, Universidade de Lisboa, onde o meu caro colega André Moitinho estuda o contributo eventual de vários fenómenos astronómicos (fluxo solar, raios cósmicos e contribuições de natureza galáctica) para o aquecimento global.

Comentário de Bjorn Pal
Data: 4 de Dezembro de 2008, 8:52
Bom, o fulano em questão é uma besta ignara, com um extenso currículo nessa ocupação de parvo alegre, como uma análise, que não precisa ser atenta, ao seu blog o demonstra