Coisas que não são reais

Se vivo, este homem faria 100 anos na próxima quarta-feira.

Oiçam-lhe a obra para orgão (são coisas que não são reais).

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17 respostas a Coisas que não são reais

  1. Mais do que não-reais, são i-na-cre-di-tá-veis! Ouve-se o Catálogo das Aves ou o Livro do Santo Sacramento e não se acredita no que se ouve! É como se houvesse ali algo de “escandaloso”. Deve ser isso a “experiência estética”…

  2. Carlos Vidal diz:

    Concordo, como não?, com a relação entre o “escandaloso”, no sentido de inacessível e incompreensível (não explicável pelos meios do conhecimento exteriores à música), e a “experiência estética”.

    Pus a imagem do disco das obras completas para orgão, porque as considero o ponto mais elevado de uma certa rarefacção em música, uma rarefacção que é uma subtracção ao concreto-real, algo que procura fazer existir uma essência; divina, porque não? Messiaen parecia parafrasear Santo Agostinho – que o mundo existe, eu vejo. Que Deus existe, eu creio (cito de memória).

  3. Bjorn Pal diz:

    Se não são reais são o quê?
    Falsas?
    Embuste?
    Fantochada?
    Criações de uma qualquer Entidade degenerada?
    Obra do Pai Natal com o Coelho da Páscoa?

  4. Carlos Vidal diz:

    Bjorn Pal,
    Deixe estas coisas para quem sabe as respostas às perguntas que faz, leia o comentário acima de Carlos Botelho. Mas não creio que tenha senso para perceber porque é que aquilo, Messiaen, não é real.

  5. Luis Rainha diz:

    A minha obra preferida dele ainda são os Vingt Regards sur l’Enfant-Jésus. E vão andar à volta deles no CCB.
    Francamente, nunca consegui gostar muito de órgão…

  6. Carlos Vidal diz:

    Gosto muito das obras para orgão porque às vezes parece que enviam para um vazio estranho, musicalmente estranho. Estático e extático (é talvez isso). Mas, se tivesse de escolher uma obra, eu inclinar-me-ia para uma que me parece ter o Messiaen todo – refiro-me à ópera, coisa megalómana, Saint François d’Assis, coisa megalómana e quase irrepresentável. Pelo menos, é rara, raríssima nas salas.

  7. Luis Rainha diz:

    É ainda mais rara em minha casa: nunca ouvi (temos de trocar umas piratarias, num destes dias).

  8. Carlos Vidal diz:

    É uma obra descomunal, horas de música felizmente intermináveis, um verdadeiro testamento antecipado. A edição mais conseguida é a da Deutsche, José Van Dam e Kent Nagano na direcção de orq. Gravação ao vivo de Salzburgo de 1998. Zagrosek dirigiu também Dieskau em Salzburgo em 1985, numa edição de partes desta ópera. Há, mas não conheço, uma outra leitura, de Ozawa, que não encontro. Piratarias, claro, tudo bem.

  9. Luis Rainha diz:

    Tenho lá em casa um Golaud extraordinário do Van Dam. Com o Abbado, imagine-se…

  10. Carlos Vidal diz:

    Tenho o Golaud com Gilles Cachemaille, direcção grande Dutoit. Mas o Van Dam é religião. Van Dam por Van Dam?

  11. Luis Rainha diz:

    yes!

  12. Carlos Vidal diz:

    Mãos à obra.

  13. Ora cá está menino, Deus, o amor , a morte. Mesmo com os passarinhos piu, piu, nem o menino nem a materialada de agnósticos e ateus do PS-Bloco, aliados naturais e reais, pode algum dia ouvir o quer que seja destas bandas da clareira. Nem com o ouvido total.

  14. Carlos Vidal diz:

    O piu piu só conheço um: “piu piu a ministra já caiu” – viciei-me em M L Rodrigues. Deus, amor também não conheço assim a coisa – só conheço a frase “Deus é amor”, depois avançamos por S. Paulo, Zizek, a fragilidade, o cristianismo como materialismo, e voltamos a S. Francisco, à FBAUL e a Messiaen.

  15. As coisas que o menino prevê mesmo não sendo crente,já não acredita no ensinar a ensinar a aprender a ensinar de cá e de Boston, nem na Nova nem no ISCTE, é? Nalguma coisa há-de acreditar,no destino, no infinito, num chefe de gang, talvez nesse filosofo porno, naquele da matemática murcha, e nos do pudim francez, na autoridade clerical e nos místicos em florezinhas de crédito como circulo materialista. Ai menino, tenho andado tão apoquentada com os votos de pobreza…

  16. Carlos Vidal diz:

    No Desidério Murcho? Nesse não, claro.
    Ou é o pudim francês que é matemática murcha?
    Não vejo como o possa ser.
    Místicos e materialistas, boa descrição, nesses sim, e no filósofo porno, também.

  17. Vou de imediato verificar se há a possibilidade de regressão ao infinito, postulando claro.

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