BE e Sá Fernandes

Este post foi pensado antes do Congresso do PCP e escrito durante. Não o postei por achar que havia demasiada sensibilidade no ar e que poderia inibir a reflexão ideológica.

De acordo com o que pude ler, o BE entendeu retirar a confiança política ao vereador Sá Fernandes, sem que tenha sido formalizado um pedido para que abandonasse o cargo para que foi eleito numa lista do BE. Se é verdade que a lei estabelece a eleição autárquica como uma eleição pessoal, cabendo ao eleito a última palavra, interessa-me também analisar a responsabilidade politica e a legitimidade para exercer este cargo.
Em primeiro lugar, poder-se-ia considerar que muitos eleitores votaram Sá Fernandes e eventualmente não votariam no BE. Contudo, salvaguardando as diferentes conjunturas e carácter de eleições, até numa eleição bastante mais difícil para o BE, as Presidenciais de 2006, Francisco Louçã teve mais votos que a lista encabeçada por Sá Fernandes nas intercalares em Lisboa. Uma análise cuidada dos resultados permite-me afirmar sem grande margem de erro que nas eleições intercalares e nas anteriores autárquicas, ao contrário do que é assumido (até por dirigentes do Bloco), Sá Fernandes não representou uma mais valia eleitoral:

2007 Intercalares (Lisboa) BE (c/ Sá Fernandes) 13.133 votos
2006 Presidenciais (Lisboa) F. Louçã 17.656 votos
2005 Autárquicas (Lisboa) BE (c/ Sá Fernandes) 22.342 votos
2005 Legislativas (Lisboa) BE 30.651votos
2002 Legislativas (Lisboa) BE 18.046 votos

Assim sendo, após a retirada de confiança política por divergências para com um programa traçado, é-me difícil entender por é que o BE não solicita ao vereador eleito pelas suas listas que se retire, dado que está manifestamente ferido de representatividade. Hoje, na CML, Sá Fernandes representa-se a si próprio, e não me parece muito arriscado dizer que serão poucos os eleitores de 2007 que ainda o apoiam.
O PS rejubila podendo passar para o vereador pelouros que não lhe interessam e onde foram inexistentes, Sá Fernandes mantém-se no executivo e prepara-se para integrar o próximo e o BE, embora chamuscado, é menos responsabilizado pela inacção do seu vereador. Quem perde são os 13.133 eleitores que ficaram sem voz na CML.

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