O terrorismo, visto pelo Noddy

Tenho um segredo tremendo para vos confiar. Aquilo que vimos há horas na Índia é apenas um reles truque dos americanos. O dito «terrorismo global» é promovido e alimentado pelos esbirros do imperialismo, que depois se aproveitam do susto dos povos para mais facilmente espiolharem a sua correspondência e trancafiarem a malta à primeira presença em manifs suspeitas.
A sério. Se não acreditam, confiram o ponto 1.2.13. das Teses do XVIII Congresso do PCP, agora aprovadas em glorioso júbilo. São 88 palavras dedicadas ao terrorismo, menos de 1% do texto com que o PCP faz de conta que pensa na «Situação Internacional». Claro que tentar mais uma vez – e mais uma vez sem sucesso – encontrar explicação para a queda da URSS é coisa muito mais importante e premente do que reflectir sobre essa malta das bombas.

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74 respostas a O terrorismo, visto pelo Noddy

  1. ezequiel diz:

    Ouve, cheguei ao bolling point.

    foda-se!

    deslocações en masse SURGIRAM DEPOIS DAS GUERRAS. percebes o efeito que as guerras tem nas pessoas, Vidal??? SERÁ QUE PERCEBES?? Será necessário o Badiou para te explicar esta treta? e sabes o que aconteceu antes das guerras: os lideres prometeram à maioria grandes recompensas se lhes ajudassem a varrer dali os judeus.

    Eles PERDERAM. ponto final.

    the end

  2. ezequiel diz:

    boiling point

    the the the end

  3. Sérgio Pinto diz:

    Ezequiel,

    Não, de facto não o dizes explicitamente. Desculpa, mas foi o que interpretei dado que me pareceu que tu consideras que os governos israelitas estão sempre em busca de uma resolução do conflito, ao contrário dos palestinianos. Posso ter interpretado mal, claro. Mas fica então assente que há/houve governos israelitas que nada fizeram para resolver a situação, particularmente tudo o que tenha a ver com o Likud e depois o Kadima de Sharon?

    Queres mesmo comparar essas divisões como as que houve pós-Arafat? Parece-te que haveria interlocutor que estivesse em condições de ser mais representativo?

    Quanto às mudanças de opinião, és demasiado vago. Contextualiza ou especifica, sff.

  4. ezequiel diz:

    sérgio

    o prob das lideranças políticas no médio oriente não é novo. persiste até hoje. de ambos os lados, com difs, obvt.

    não comparei as divisões actuais com as que existiam com arafat. A situação hoje ainda é mais complexa: a democracia, a corrupção imensa da olp e os actos estúpidos de Israel…deram legitimidade ao hamas (que é internamente coerente em virtude do fanatismo religioso. Já não se trata apenas de personalismo ou de clã ou das aspirações de um povo que já sofreu mais do que o suficiente. A dinâmica mudou. Radicalmente. )

    deixo-te aqui um texto de um historiador que eu respeito muito. talvez ajude. é claro que poderão optar pelos “new historians” (morris e companhia) mas parece-me q este texto dá uma valente sova nos new historians. mas isto sou eu.

    Hoje, em Israel, debate-se a responsabilidade moral de tudo o que se passou. Alguns Israelitas culpam Israel, proferindo uma mea culpa (com o qual eu não concordo) Todavia, o debate prossegue. As dúvidas persistem. O mesmo acontece do outro lado? Há alguma avaliação crítica, algum debate histórico, no hamas, no hezbollah ou nos círculos de intelectuais Palestinianos?? HÁ?? NÃO há. NADA. NADINHA.

    http://www.meforum.org/article/711

  5. Luis Rainha diz:

    Pois é, Ezequiel. Se calhar, enquanto os intelectuais israelitas escrevem e bebericam um sumo de laranja no condomínio do colonato, os palestinianos talvez estejam parados em check-points ou presos. Se calhar, no gueto de Varsóvia a produção teórica também não abundou.

  6. Carlos Vidal diz:

    Ó ezequiel só confusão, só confusão, arruma-te homem.

    Se eu digo q Moisés era egípcio e truxe de lá o monoteísmo, e tu dizes q não o que é que eu posso fazer ? Caramba.
    Desdizes a maior das narrativas identitárias dos judeus, o que é q eu posso fazer? O homem conduziu os judeus cativos do Egipto a canaã. Dizes q do Egipto ele não trouxe nada ????? Comé q é?
    Podes dizer / desdizer tudo sem critério ??

    Depois misturas aqui a URSS. E não sabes do poder dos caciques regionais q transitaram DIRECTAMENTE do PCUS para o nacionalismo?
    Porra, digo eu. Não foi a identidade q se sobrepôs à União. Foi uma vontade política de oportunidades feita – a URSS cai, mas se eu for um líder nacionalista, SE TRANSITAR DO PCUS para o NACIONALISMO aguento o meu poder: muitos aguentaram-no até hoje.

    FREUD não é uma autoridade, é um judeu.
    SAID não é uma autoridade, é um palestiniano e um americano.

    Um judeu e um palestiniano que aqui coincidem.

    Agora a identidade, sinceramente. Recua ezequiel, recua, com um bocadinho mais de trabalho chegas a Saul / David / Salomão.

    Daqui ainda vais chegar a Abraão, Moisés e Jacob, e antes a Adão, ascendente de Abrão e de todos nós. Pronto, acabou-se a identidade !

  7. Carlos Vidal diz:

    E, já agora, não explicaste a NINGÉM NINGUÉM como é que um território quase sem judeus no início do século XX, hoje tem seis ou sete milhões.

    Achas que esses sete milhões couberam lá sem ser preciso tirar de lá outros sete (não judeus, por acaso) ??
    Ou cinco cabiam lá sem tirares de lá outros cinco ?

    Vamos ser sérios.
    Tiraste e puseste quem ????

    Quem teve de sair para “tu” entrares ?

  8. Carlos Vidal diz:

    É que assim é difícil, ezequiel, assim é difícil.

  9. CMF diz:

    Moisés “era egípcio”. Moisés “trouxe de lá o monoteísmo”. Saíram “sete milhões” para entrarem “sete milhões” (de judeus!!!).
    Isto está bonito está, por aqui…

    (E comparar os territórios ocupados com o gueto de Varsóvia…tss, tss, tss…já nem é chocante. É apenas…esperado.)

  10. Luis Rainha diz:

    (comparar, apenas e tão somente em termos do vagar que os respectivos ocupantes terão para elaborar teorias seja sobre o que for, certo?)

  11. Carlos Vidal diz:

    Será preciso sugerir a CMF que leia O Segundo Livro de Moisés – Êxodo (I, 1-22 e II, 1-10) para perceber onde nasceu Moisés ????
    Tenho de transcrever as passagens, versículos, linha a linha ?
    Senhor CMF, qual é o número de refugiados palestinianos? Cinco milhões ou estou enganado?

  12. ezequiel diz:

    Sim, cabiam lá todos. todos. Há pouco vocês defendiam o argumento que um estado bi nacional poderia ter acomodado todos. Agora dizem que afinal bla bla bla não havia espaço.

    O facto de Moisés ter vivido no Egipto não faz dele um Egípcio, certo? O facto do monoteísmo ter nascido (ou não) no Egipto is neither here nor there. Moisés não era Egípcio. Foi um judeu que viveu no Egipto. Complicas isto porquê? Eu não disse que ele não trouxe nada do Egipto. Trouxe o monoteísmo, dizes tu. Eu NUNCA disse aqui que os judeus são impermeáveis às culturas onde vivem e viveram. Com toda a certeza, o Judaísmo absorveu inúmeras influências. As culturas são assim. O que é que há de estranho aqui? NADA. Contudo, isto não fez com que a identidade e cultura judaica, transformada, influenciada, não se perpetuasse como distintamente Judaica. Na Europa aconteceu exactamente o mesmo.

    Carlos, os judeus não deixam de ser judeus porque vivem em x ou y.

    Eu não tirei ninguém de parte alguma.

    Carlos, não metas palavras na minha boca. Eu nunca disse que ele, Moisés, não trouxe nada do Egipto. Os muçulmanos tb absorveram muito da cultura Judaica. Deixaram de ser muçulmanos? Moisés pode até ter trazido milhentas coisas. Viveu no Egipto como Judeu, saiu de lá como Judeu e dirigiu-se a Canaan como Judeu. Ah. e no Egipto foi tratado como Judeu (não como Egipcio) Apesar de todas as influências que possas citar. Continuando: quase todos os povos daquela região são semitas. O facto de serem todos semitas não nega os atributos singulares das culturas da região.

    não precisas citar a Torah-Antigo Testamento. Não é necessário porque ninguém está a contestar o que dizes.

    Quando citei o caso da URSS pretendia apenas ilustrar o seguinte: a negação da cultura, da identidade cultural (o mesmo que fazes aqui), foi, desde os primórdios da revolução bolchevique, ignorada e sublimada pelo universalismo abstracto e árido do marxismo-leninismo. Era só isto. Mai nada. A cegueira de outrora é revitalizada por ti, hoje. A mesma cegueira. Impressionante. Concordo com a tua descrição do que se passou na URSS. Foi mesmo isto. Os caciques marxistas leninistas (?) depressa se aliaram á contestação étnica e cultural e ao nacionalismo. Foi mesmo isto. Sem dúvida. Nem estaline conseguiu acabar com as culturas. As culturas são resistentes, hey?!?!?! A cultura judaica não é excepção.

  13. ezequiel diz:

    Luís,

    eu não estava a falar de produção teórica. Estava a falar de actos políticos. No entanto. é de notar que a produção teórica crítica, seja sobre o que for, é muito escassa em TODO o mundo muçulmano. Nos últimos dez anos, a Espanha traduziu mais livros estrangeiros do que todo o mundo muçulmano nos últimos 100. Presumo que tb pretendas culpar Israel por isto. Já nada me espanta.

  14. ezequiel diz:

    para perceber onde nasceu Moisés ????

    eh he ehe hh chorei de rir com esta. Nasceu no egipto mas nunca foi visto pelos egípcios como um egípcio, né!

  15. Carlos Vidal diz:

    Fica por esclarecer a questão da identidade, ezequiel, dessa questão nada de substancial foi aqui dito, mai nada digo tb eu.

    Como constróis essa identidade judaica ? Vamos. Recuas a Saul / David / Salomão ? A Abraão / Moisés / Jacob ? Ou a Adão ?
    Parece mas não é. Isto não é uma brincadeira minha. Isto redunda numa questão: recuar podemos recuar até querermos, mas a questão: há um momento fundador de uma identidade? Como o identificas? É Adão, jacob ou salomão? Ou nada disso?
    O que é um momento fundador da identidade ?
    Se há um momento fundador, é porque ela se constrói a partir desse momento. E se ela se constrói é porque ela é uma “construção”.
    Se não for construção é o quê ?
    “Natural” ?
    Dou-te um exemplo: apesar da minha estante duchampina não ser má de todo, descobri há pouco do MIT Press um estudo curioso: Uma leitura da boite-en-valise (um readymade central) fundada na identidade de exilado do indivíduo. Duchamp, francês, viveu em Buenos Aires e Nova Iorque. Esta vagabundagem tornou-se a sua identidade, e essa identidade formou a identidade da sua obra. No meio disto, ezequiel, digo-te e repito:

    ADEUS FRANÇA, aqui não contas nada !

    ——————————————————-

    A solução do estado binacional é algo que se reporta ao problema actual, ACTUAL, e não se refere a nenhum momento anterior à colonização judaica na Palestina. É uma solução para os dias de hoje.

    Problema onde, por acaso (achas ??) vivem 5 000 000 de palestinianos fora das suas terras. O próprio Said foi um desses milhões, a sua casa é hoje uma sede de uma organização religiosa finaciada pelo governo de Israel.

    Já viste se fosse a tua ?

  16. CMF diz:

    Eu nasci em Angola. Serei angolano!?

    Só sei dos cerca de 700 mil palestianos do êxodo. De onde vieram os outros? Se procriaram…bem, bom para eles. E claro, nunca houve “refugiados” judeus, expulso dos países árabes a partir de 1948 (para não falar das décadas anteriores). Claro que não, é uma lenda imperialista. (E é estranho que hoje se fale dos 7 milhões de habitantes de Israel como um problema de sobrepopulação; pelos vistos sempre por lá viveram 7 milhões de almas…) Ah, e os dois milhões de árabes que vivem em Israel (20% da população!) devem lá ter ficado de castigo.

    (Luís Rainha, julgo que o comentário que causou o contra-comentário do gueto, se referia a todo o mundo árabe, e à sua recusa em pensar os dois lados. Mas posso ter lido mal.)

  17. ezequiel diz:

    Carlos

    eu não preciso de recuar até aos perlimpinpins da história humana para validar o argumento de que as culturas e as identidades existem e são imensamente relevantes. Sinto-me tentado a dizer que dificilmente podemos encontrar um “momento fundador” da identidade. Imaginemos por um momento que tais momentos não existem ou que são difíceis de discernir pela interpretação histórica. So what? Isto demole as culturas e as identidades? É evidente que não. A pergunta que fazes não é a mais apropriada porque institui uma expectativa irrealista: 1 e apenas 1 MOMENTO FUNDADOR de uma cultura? Achas que isto faz sentido? Foi Abraham na mesopotamia? Talmude? Moisés? Os historiadores que decidam. Não altera coisa alguma.

    Ok, Carlos: Buenos Aires e Nova Iorque eliminaram tudo o que havia de Franciú no Duchamp. Doce ilusão, carlos! Esta tua tirada faz-me lembrar o mito do indivíduo neo-liberal: um petit atómo que pode negar a sua cultura num frenesim de construção deliberativa. Achas que as pessoas são assim? Q abandonam o seu mundo cultural. Antes de terem decidido seja o que for, já são alguma coisa. Lê o Duchamp com calma Carlos: verás que ele é Françês, que pertence à cultura Francesa, sem que isto negue o seu notável universalismo. Com quem é que ele “conversa” nos seus textos? quais são as problemáticas que o afligem? Pareces supor q as culturas são jaulas de essências. Não são. Existe muita vagabundagem dentro de culturas. Em culturas livres, claro.

    Eu tb sou um vagabundo. Mas nunca me esqueci das minhas origens, da minha língua e literatura (pouca), do sublime soufflé de bacalhau da minha Gran, dos biscoitos da minha Mama, dos cheiros e paisagens da minha terra. Já conheci muitos vagabundos, alguns muito cosmopolitas e nunca nenhum deles me disse que a sua cultura original (etc) é incompatível com o tal universalismo. Nem um. Mas isto vale o q vale. Não usaria isto como argumento, como é evidente. Apenas um desabafo.

    tb não concordo com o construcionismo. mas agora é que já não tenho paciência. fica para outra oportunidade.

  18. Carlos Vidal diz:

    Quando me referi à origem de Moisés no Egipto, é óbvio q não enfatizava apenas esse naco de lugar onde a mãezinha deu á luz, como se fosse esse lugar outro tudo fosse dar ao mesmo. Não, o que eu disse foi q Moisés trouxe do Egipto e da influência de Akhenaton o monoteísmo, e ainda truxe do Egipto o ritual da circuncisão. O crédito da invenção do monoteísmo é de Akhenaton, e Moisés possui uma identidade ambígua. E essa é a marca do judaísmo. Purista ezequiel, sobre Duchamp não vou dizer mais nada. Fica para um post (talvez). Mas, uma coisa te digo, para terminar: não há em Duchamp nenhum diálogo com a cultura francesa, antes e depois da ida-estadia para os EUA. Duchamp marcou sabes o quê? O minimalismo e o conceptualismo, realidades americanas. Só americanas (apesar dos Art & Language). E sobre isso tb não digo mais nada.

  19. ezequiel diz:

    Uma pessoa não é apenas a sua obra, Carlos.

    às tantas deveria ter sido mais claro: falei no Duchamp, como autor e como PESSOA. Duchamp não pode ter sido apenas a soma das suas “marcas” estéticas ou culturais.

    “Só Americanas”. Meu caro, nada na América é só Americano. Uma impossibilidade. E ninguém deixa de ser Americano por causa disso. Esta é a mais nobre das virtudes do embodied universalism Americano. A América é excepcional. Eu sei. 🙂

    olha, no hard feelings, desculpas pelas bocas foleiras.

    Não sei porque raio gosto de discutir com comunas. deve ser coisa de família. somos liberais. nada a fazer. (just kidding, acerca dos comunas, o resto é verdade)

    Abraços para o António , Luís, CMF, Sérgio, Algarviu, luckylucky e sátiro. espero não ter ofendido ninguém. acho que não.

    para ti Carlos, um abraço com desejos de boa sorte e muita saúde, acima de tudo.

    fiquem bem, ciao, Zeke 🙂

  20. Carlos Vidal diz:

    caríssimo ezequiel, qual hard feelings qual quê !?
    estas discussões estão sempre no ponto certo. O ezequiel é um lutador incansável. Um falso anticomuna, é o que é.
    Sobre Israel nada de pontos comuns, nem um pouco.
    Isso fica para o Duchamp.
    Breve.

  21. Algarviu diz:

    Benditas 88 palavras das Teses que tal discussão provocaram!
    E agora venham cá desvalorizar as teses!

    Agora a sério: a IURD está a a precisar de um território para fundar um estado. A Igreja Maná também está a pensar em definir uma identidade entre os seus membros para reclamar um estado confessional. A União Europeia, na nova constituição ou equivalente, bem poderia reerguer o Sacro Império alargado.

    É que há quem continue a acreditar no pai natal.

  22. ezequiel diz:

    epá, esqueci-me deste também. estava aberto numa pop up que foi minimizada. reparei nela qd estava prestes a ir para casa. sorry.

    desta vez é mesmo.

    sobre o Orientalismo, de Said.

    http://www.geocities.com/martinkramerorg/SaidSplash.htm

  23. o sátiro diz:

    para a discussão não acabar, passaram em branco a ocupação otomana, a diáspora palestiniana antes de 1948- arafat nasceu no cairo-, as perseguições aos judeus em todos os países islâmicos com a independência destes, e a obsessão de 5 milhões d judeus se defenderem, cercados por mais d 100 milhões de fanáticos k os querem destruir. Como pode haver tolerância com a lavagem cerebral das tvs do hamas e teerão, por exemplo?

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