Internacional para todos os gostos


Pode-se gostar da Internacional e da bandeira vermelha sem nos apetecer bater uma palma que seja aos discursos da Odete Santos.

Sobre Nuno Ramos de Almeida

TERÇA | Nuno Ramos de Almeida
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24 respostas a Internacional para todos os gostos

  1. xatoo diz:

    a Odete não bota discurso segundo os cânones burgueses – expressa estado de alma, aquilo é poesia pura
    estará e ficará sempre bem onde estiverem as bases

  2. Nuno Ramos de Almeida diz:

    É como o Julio Roberto e o Paulo Coelho que também não escrevem pelos cânones burgueses. Continua assim, xatoo. Qualquer dia estás a declamar o melhor poeta português assim-assim.

  3. rita diz:

    A questão é se para isso não terá de já se ter batido palmas a uma Odete qualquer….

  4. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Rita,
    Já escutei e cantei muitas vezes a Internacional sem ter que pagar portagem. Era estranho que um música que tem a intenção de acabar com a fronteiras e dizer que “Messias, Deus, chefes supremos nada esperemos de nenhum”, tivessemos que aturar, por obrigação, um discurso qualquer. Mas enfim, tudo é possível.

  5. Grunho diz:

    Ó Xatoo, a Odete desta vez desiludiu e fez um discurso idealista pequeno-burguês sem um pingo que fosse de objectividade.
    Chama-lhe poesia, chama…

  6. Nuno Ramos de Almeida diz:

    E se és a Rita Dantas que eu conheço, até te lembras que no último congresso que estivemos juntos não foi propriamente para dizer que sim à camarada Odete e as suas teses tão interessantes sobre o Estaline, a homossexualidade e a física quântica.

  7. João diz:

    É pá desde o congresso em que te picaste com a Odete nunca mais foste o mesmo…

    Mas ainda assim és o melhor que o bloco tem…e já não é pouco…

  8. Nuno Ramos de Almeida diz:

    João,
    Lamento desiludir-te mas já não sou do Bloco. Agora sou jornalista ou comunista sem partido 🙂

  9. João diz:

    Os meus parabéns…
    somos dois, não não sou jornalista…

    mas o bloco a mim nunca me encantou…
    encantou-me mais tempo a odete que o bloco, vê lá tu…

    Mas quando estava a dizer que eras do melhor que o bloco tem, estava a ser sincero. (tinha…, pronto)

    Espero que assim tenhas mais tempo para o 5dias.
    e já agora posso ler-te por onde…ainda te ouvi duas ou três vezes no radio clube, mas alargaram-me o horário e…

  10. xatoo diz:

    quem é o Júlio Roberto?

  11. Nuno Ramos de Almeida diz:

    tche, tche, não há revolução sem cultura geral. xatoo tu não conheces o Julio Roberto o poeta da Itau? O gajo que tinha poesia nas cantinas da dita empresa.
    O que eu faço para a tua preparação militante.

    “Poema Ecológico – Júlio Roberto
    Amigo Chefe Seattle,

    Li a tua carta escrita em 1854 ao grande Chefe Branco de Washington.
    Sou um homem de 1978 que vive, como tu previste, num mundo em decadência e destruição. Já não ouço o sussurrar do vento nem o diálogo nocturno das rãs nos charcos da selva. Já nem temos selva.
    As flores murcham, as árvores agonizam, os pássaros fogem e os insectos deixam de zumbir. Sei que sou um homem enjaulado numa cidade, enquanto outrora tu vivias nas pradarias, lá onde bisontes e búfalos te alimentavam o corpo e a alma.
    Os rios, para ti sagrados, são hoje para mim apenas uma miragem de infância. Neles, em vez de peixes a fazerem corridas e acrobacias, eu vejo o lixo da nossa civilização, os detritos deste mundo, as opulências mortas de uma humanidade que se afunda vertiginosamente na era do plástico.
    Olho para as estrelas e o luar. Parecem mais distantes do que são, e os meus olhos, desabituados já de os observar, cansam-se facilmente. Não tenho, como tu tinhas, esse poder de olhar de frente o sol, de receber – sem me cegar – a sua luz e o seu calor.
    As águias, vi uma ou outra, como se fossem já animais pré-históricos, aturdidos e se calhar confusos, sem perceberem o que fizemos desta Terra.
    E o mar, esse, sobretudo o que vinha dantes banhar as nossas praias e namorar a areia branca, vem agora sujá-las, com o lixo que lhe deitaram dentro. Tem um ar triste, de um mendigo que, às vezes, se revolta e destrói as grandes construções dos nossos engenheiros.
    Ah! Meu querido amigo selvagem! Como eu, que não vivi no teu tempo, nem nas tuas pradarias, tenho saudades da tua Terra sagrada!
    Sabes, agora temos frutos maiores, calibrados, estudados, enxertados, fertilizados e envenenados. Não sabem a nada, nem à frescura do néctar da flor que os gerou, nem ao perfume de que tu falas.
    A nossa sabedoria é outra. Transformámos tudo, progredimos, inventámos, criámos coisas que tu nem imaginas. Olha, substituímos o vento e o sol por uma coisa que se chama energia nuclear.
    Sabes, é que nós precisamos de mais energia. Criámos tantas coisas, somos seres tão exigentes, que a energia da Natureza não chega para os semideuses que nós somos.
    Desviámos rios, irrigámos as terras, morreram muitos peixes, passámos fome; porém, temos coisas que tu nem sequer podias imaginar.
    Sabes o que é um arranha-céus com ar condicionado, elevadores que nos levam para cima e para baixo? Claro, não sabes. Tu não precisavas de morar para cima de ti próprio. Tinhas espaço e moravas para os lados.
    Nós vivemos a correr; tu contemplavas. Contentavas-te com pouco. Não admira, tu eras selvagem. Nós, não, temos necessidade de mais, cada vez mais, cada vez mais!
    É que nós não nos pertencemos. Pertencemos ao todo. Cada um é uma pequena peça que gira e roda sem saber porquê, e sem ter tempo para saber.
    Tu tinhas espaço, tinhas tempo e tinhas-te a ti.
    Como tu disseste, Vocês morrerão afogados nos vossos próprios resíduos.

    Júlio Roberto
    Poema Ecológico
    Lisboa, Ed. ITAU, 1981”

  12. o sátiro diz:

    tendo eu uma aversão radical a tudo o k seja marxista,leninista, estalinista e respectivas “proezas”, reconheço k a música é empolgante. Mas os discursos parecem todos iguais há séculos…não vale a pena ouvir.

  13. Chico da Tasca diz:

    Foi uma oportunidade perdida. Tanto comuna dentro do campo pequeno e não houve ninguém que fechasse aquilo à chave e mandasse a chave fora.

  14. teofilo m. diz:

    Pode-se gostar da musica e da versão original, pois a portuguesa é simplesmente atroz.

    Por outro lado, ver ortodoxos a cantar um hino anarquista dá-me sempre vontade de rir.

  15. Manuel Gama diz:

    Que raio de coisa é será essa, de Comunista sem partido, soa-me a católico não praticante, como dizia o filosofo o que é é e não pode deixar de ser.

    O que me dá vontade de chorar é ver o rumo que este país está a tomar, os perigosos tiques totalitários deste governo e alguma esquerda, carregada de cultura, mas folclórica e ineficaz, mais preocupada em garantir o sustento de um ambicioso lider que de jovem só tem o nome e que já conheço de muitos carnavais, onde andará a UDP de outras lutas.

  16. Carlos Vidal diz:

    O Nuno Ramos de Almeida é membro da Organisation Politique.

  17. maria papoila diz:

    EU e o meu amigo João Semedo fomos levar esta banda ao Porto para tocar no Palácio de Cristal em mil novecentos e carqueja e os fachos fizeram-nos uma espera para nos assapar.Eras tu um puto

  18. MB diz:

    Olhe Nuno Ramos de Almeida, como o PC vai durar muitos e bons anos, ainda terá tempo para voltar. Um Ramos de Almeida que se preze é do PCP.
    Nós perdoamos as derivas juvenis.

  19. Maria Papoila,
    Era eu um puto, mas assisti ao mesmo concerto no Pavilhão dos Desportos e mais tarde na primeira festa do Avante.

    MP,
    Obrigado pelo juvenil, mas desconfio que contando com a minha idade devias querer dizer infantil. É pelo menos assim que afirma o clássico de Lenine 🙂

    Carlos Vidal,
    Ainda não aderi a organização do Badiou. Só o tento ler. Vê lá se me arranjas o teu livro sobre o gajo.

  20. o sátiro diz:

    com tantas palmas para cuba, admira os revolucionários andarem a sofrer nesta exploração capitalista lusa. Não é dever internacionalista ajudar as “reformas” do raúl, agora com o luxo capitalista do celular, micro ondas(mas sem torradeira eléctrica!!!).

  21. MB diz:

    Temos e ir inovando ao nível da forma, porque se não acusam-nos de conservadores.
    A realidade pode permanecer mais ou menos imutável, mas há que renovar o discurso.
    Infantil era com esse tal Lenine.

  22. rita diz:

    Sou sou, Nuno, mas o que estava a dizer tinha outra perspectiva. Tenho com as bandeiras vermelhas e a Internacional uma relaçao mista, porque se tornaram em parte uma outra coisa, um projecto do qual me sinto por vezes “deserdada”. E acho que esse passado faz parte de muitas das pessoas que gostam da Internacional e nao gostam das Odetes: o já ter tentado gostar de bandeiras vermelhas pelo caminho mais simples, a militância num partido, ou nesse partido. Por outras palavras: quase todos os comunistas começam por tentar juntar-se à causa onde ela é mais evidente. E normalmente tentamos pelo menos uns anos acreditar que pode ser por ali…

  23. Nuno Ramos de Almeida diz:

    Rita Dantas,
    Gosto em ler-te. E és uma mulher de sorte, viver em Berlim não é para qualquer um(a). Se me disseres que vives em Prenzlauberg, grito de inveja.

  24. rita diz:

    Não grites que não vivo. Prenzlauer Berg é para gente mais fixe do que eu e mães de muitas crianças, daquelas cujo carrinho de bebé custou uma fortuna, nunca viram um rebuçado e usam camisolas tricotadas à mão…

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