É agora ou nunca

Temos lido muito em jornais, TVs, blogues, e o próprio primeiro-ministro já disse, a seu modo, não estar para esperar mais trinta anos até que haja vontade ou condições políticas para “reformar”, como acha necessário, a educação. Ou para encetar essa “reforma”. De outro modo, houve quem dissesse o mesmo: se não for agora, se o governo ceder, jamais alguma “reforma” será possível na educação em Portugal.

Ora há que ver isto de outro modo: se os professores cederem agora quando têm a razão do seu lado (ver no meu post abaixo larga exposição dos pontos de vista em confronto), se cederem agora, então, nos próximos trinta ou mais anos, todo e qualquer governo pensará que, só porque vencedor de uma eleição, pode fazer tudo o que quiser num determinado sector da vida pública, contra tudo e contra todos. Isto dará origem a um despotismo iluminado por uma errada concepção de legitimidade. E a democracia será terraplanada (ou quase).

Aqui o problema já não é o do conflito entre Ministério da Educação e professores – o problema é o da qualidade da democracia em Portugal.

Adenda 1: o título do post poderia ser acrescentado: É AGORA OU NUNCA – VAMOS DEIXAR QUE ESTES INDIVÍDUOS TERRAPLANEM AINDA MAIS A POUCA DEMOCRACIA QUE RESTA ?

Adenda 2 (e última): espero que a greve da próxima quarta-feira tenha o maior impacto possível, pois a desobediência (sobretudo relacionada com a rejeição desta “avaliação”), a desobediência deve ser uma coisa sagrada em democracia. Aliás, acho que a define muito bem: não pode haver democracia sem desobediência.

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